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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS E CANTEIROS DE OBRAS
Obra Industrial, Ponte, Viaduto, Edificação
Ano 02 •  nº 08 • 01/06/2002
NESTA EDIÇÃO
Proposta Técnica / Metodologia: Plano de Minimização dos Impactos ao Meio Ambiente
Ética e Política
Nosso novo Parceiro, e único brasileiro a ganhar o Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente, ensina:
 Educação Ambiental

Se todo dia eu perder um pedaço de mim, no fim do mês cadê eu? – Peão maranhense, em época de dificuldades, ganhando uma bicicleta no concurso de frases da CIPA.

  METODOLOGIA

Nota do Ombudsman - Metodologia
O
texto a seguir, que se propõe servir de roteiro ao Engenheiro na elaboração de parte de sua própria Proposta Técnica, ou mesmo praticá-lo em suas obras, por razões didáticas foi embasado em uma obra fictícia com características ecológicas. Entretanto,  tendo em vista que o nome casualmente sugerido pudesse dar a impressão de exagero ou de sensacionalismo de nossa parte, sem serem exatamente estas as intenções da Redação, fez-se necessária nossa intervenção para pedirmos a condescendência e um pequeno esforço de imaginação do Leitor, ao qual agradecemos pela atenção.



Site do IBAMA OBRAS DE LIMPEZA DEFINITIVA DO RIO TIETÊ

PROPOSTA TÉCNICA: PLANO DE MINIMIZAÇÃO
DOS IMPACTOS AO MEIO AMBIENTE

"A culpa é tua Pai Tietê?
A culpa é tua
se tuas águas estão
podres de fel
e majestade falsa?"
(
Mário de Andrade - Meditações sobre o Tietê.)



Preâmbulo
Segundo estudo preparado em 1.992 pela Divisão de População da Organização das Nações Unidas (ONU), São Paulo é a Segunda maior região metropolitana do mundo (a maior do 3º Mundo), com 19.235 milhões de pessoas (11% da população nacional), 7% com mais de 60 anos. O saneamento básico, seguido pelo lixo, já eram seus maiores desafios.
Cerca de 84% da população urbana da região, formada por 38 municípios, lança seus esgotos sem tratamento nos principais córregos, rios e represas e apenas 15,7% desta população têm seus esgotos tratados (6,4% com tratamento primário e 9,3% secundário). Além de parcela significativa dos esgotos industriais lançados nesses cursos d’água.
São Paulo conta ainda com 30.000 indústrias e acima de 4 milhões de veículos que jogam anualmente na atmosfera 2 milhões de toneladas de gases e material particulado, o que corresponde a 3 Estádios do Morumbi transbordando.
O crescimento desordenado e a falta de política ambiental levaram a uma drástica redução de sua vegetação. Dos 870 km² do sítio urbano, apenas 2,9% correspondem a áreas verdes públicas, 4,24m² por habitante, quando o indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 12 m², o triplo.
Há grande necessidade de habitações para a população de baixa renda, fazendo com que, ao longo dos anos, esta viesse abrir subdivisões ilegais e favelas. Existiam então 594 favelas com 134.448 residências, a grande maioria sem as menores condições de saneamento básico. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o índice de favelização chega a 5%.
O caos ambiental em São Paulo envolve ainda deslizamentos de terras, erosão, degradação das águas e desflorestamentos, que estão intimamente ligados aos problemas econômicos e sociais da cidade. A pobreza é sua maior poluição.
Ressalte-se, outrossim, exemplos como o da Mata Atlântica, na Baixada Santista (um recanto ecológico tombado pelo Condephaf), com ar puro, animais, floras, riachos e muito verde, próximos a um dos parques industriais mais poluídos do mundo: o de Cubatão.
Oitenta por cento (80%) das doenças do País são relacionadas à falta ou inadequação de controle de água e saneamento básico, como a cólera, febre tifóide, leptospirose, vermonoses, tracoma, hepatite tipo A, malária, febre amarela, doenças de pele, diarréias crônicas, esquistossomose, dengue e outras.
O tratamento de esgotos é uma questão humanitária e seus projetos indispensáveis, do contrário muitas vidas serão ceifadas, continua o estudo.
O Brasil é ainda, segundo a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), dotado de uma das melhores legislações ambientais do mundo e o problema ecológico está em todo um contexto intrincado que envolve mais educação do que repressão.
Em São Paulo a iniciativa para despoluir os rios vem de 1.937 e é atribuída ao Engº João Pedro de Jesus Netto que implantou a ETE-Estação Experimental de Tratamento de Esgoto na Rua do Manifesto, no Ipiranga.
Segundo o estudo da ONU, o problema é que a "verdadeira cidade" tem pouco a ver com essa organização, que serve de base para "apenas um terço dos lotes e edifícios da cidade legal", enfatizando que um plano que não trate dos outros dois terços – os paulistanos que vivem na "cidade ilegal" – seria apenas "mais um plano no papel, destinado ao fracasso".

Medidas e Providências Principais da Obra
Valendo-se da característica ecológica da obra, a Proponente buscará, antes, otimizar os efeitos positivos com sua implantação, se resguardando com um elenco de medidas para anular ou minimizar os eventuais impactos ao ambiente e em especial aos moradores das vizinhanças e à população em geral.
A área do canteiro e dos serviços, o tanto quanto possível, deverá permanecer inteiramente cercada durante toda a execução da obra.
A Proponente contará, dentro de seu Setor de Segurança do Trabalho, com pessoal habilitado e experiente na área, para se assegurar da efetivação das seguintes medidas de Minimização de Impactos Ambientais que pretende adotar:

  • Substituir os acessos bloqueados para facilitar o tráfego dos pedestres pelas cercanias da obra;
  • Sinalizar interna e externamente a obra, objetivando tanto pedestres quanto veículos. inclusive para atender ao horário noturno;
  • Manter limpas as áreas do canteiro e das frentes de serviços, sem permitir o acúmulo de material escavado, entulhos, lixos, madeira, etc;
  • Combater permanentemente os focos de poeira através da aspersão de água;
  • Programar o horário das atividades que causam ruídos, fora das horas impróprias;
  • Recuperar prontamente todo estrago que eventualmente venha ocorrer em decorrência das obras;
  • Minimizar as interferências com as propriedades vizinhas;
  • Receber e responder formalmente os pleitos individuais ou coletivos da comunidade;
  • Manter a política da boa-vizinhança;
  • Impedir, durante a execução da obra, serem bloqueados ou comprometidos os cursos d'água ou escoamentos existentes;
  • Cobrir os caminhões-caçamba com lonas e lavar seus pneus quando em transporte de terra fora do canteiro;
  • Manter veículos e equipamentos em condições adequadas para se evitar a poluição atmosférica e sonora;
  • Manter limpas as áreas de empréstimo e convenientemente espalhado o material de bota-fora;
  • Reaproveitar o solo vegetal proveniente das escavações para uso futuro no plantio de grama;
  • Antecipar o máximo os serviços de plantio da grama a ser aplicada na obra;
  • Conservar as árvores que não forem atingidas pelas escavações;
  • Intensificar as campanhas públicas de esclarecimento sobre higiene e formas de prevenção de doenças, junto aos seus funcionários;
  • Criar, dentro do Setor de Segurança do Trabalho, nos moldes da CIPA, o Grupo de Educação Ambiental (GEA), promovendo palestras, debates, educando e buscando transformar seus funcionários de pacientes em agentes do processo, com vistas à melhoria da qualidade de vida. Só a educação pode levar à essa conscientização e mudança qualitativa de comportamento;
  • Colaborar com o Departamento de Limpeza Urbana (LIMPURB), efetuando a coleta seletiva do lixo: papel, lâmpadas, embalagens longa-vida, etc, serão recolhidos a um dos 37 postos de Entrega Voluntária (PEV), da cidade. O não reciclável será coletado diariamente pela Prefeitura Municipal mediante solicitação expressa à Administração Regional que atende a obra;
  • Proibir o uso do Rio Tietê para depósito de entulhos , esgotos, lixo, etc., esclarecendo seus funcionários sobre o fenômeno da Eutroficação: a matéria orgânica jogada em suas águas, ao se decompor, provoca uma fermentação que retira todo o oxigênio, indispensável à vida do rio, ocasionando a morte de plantas, microorganismos e crustáceos e impossibilitando o desenvolvimento dos peixes (atualmente só encontrados junto à nascente, a 95 km da Capital);
  • Após a execução da obra serão recompostas e limpas as áreas de demolições, canteiro, bota-foras, edificação permanente, etc.

A Proponente defende a posição que Segurança do Trabalho é colocada como prioritária e inerente ao seu sistema de trabalho.

  PRINCIPAIS MEDIDAS PROFILÁTICAS DE HIGIENE E SAÚDE
  • Em todos os locais de trabalho haverá água potável, não sendo permitido o uso de copo coletivo;
  • Os esgotos e águas servidas serão recolhidos e lançados adequadamente;
  • Os locais de trabalho e alojamentos serão mantidos higienicamente limpos e arrumados. Serão distribuídos vasilhames com tampa para recolhimento do lixo e detritos em geral;
  • Será evitado o empoçamento permanente de água e os reservatórios serão mantidos permanentemente limpos;
  • O refeitório será dimensionado de forma que todos os funcionários possam tomar suas refeições assentados, à mesa.
  PROPAGANDA. NÃO LEIA!  

O PÉ-DIREITO DO AURÉLIO
1. Altura livre de um andar de edifício, medida do piso ao teto. 2. Pilar ou muro sobre o qual assenta um arco, uma abóbada, ou uma armação de madeira ou de cantaria: "os pés-direitos, transformados em colunas agrupadas, atiravam-se para o alto a sustentar o peso formidável das arcadas em místico trifólio." (Inglês de Sousa...).
Já trifólio, também pelo Aurélio: 4.Geom. Anal. Podária da tricúspide em relação a um ponto do seu eixo de simetria, entre o vértice e a cúspide.
Enquanto que cúspide é: 7.  Geom.  Numa curva, ponto duplo em que as duas tangentes são coincidentes; ponto duplo em que o hessiano é nulo.
Hessiano, como todo mundo sabe, é: 1. Determinante funcional que envolve as derivadas segundas de uma função de diversas variáveis.

Portanto, muito cuidado ao procurar o significado destes verbetes de Construção Civil nos dicionários. Ou, então, leia a...

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Não engambela, nem chuta!




Próximo Número:
Materiais de Construção: Metodologia - Edificação

Palavras-chave

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  NOSSOS PARCEIROS
  Ética e Educação

ÉTICA E POLÍTICA

Engº Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico, Licenciado em Mecânica e Especialista em Gestão de Tecnologia e Desenvolvimento
Professor de Cursos de Pós-Graduação em Ética nas Organizações e Liderança
Pesquisador em Gestão de Mudanças e Comportamento Ético nas Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento organizacional
psertek@xmail.com.br
Portal educativo

1. Qual seria uma visão plena do homem que poderia nortear as nossas idéias políticas?
O personalismo constitue uma visão plena do homem, tem em conta a sua dimensão única - individualidade- e sua dimensão pessoal e social. Sublinha a dignidade do homem como pessoa e não deixa arestas da sua dimensão de ser fora dela. O personalismo caracteriza-se por uma chamada à autorealização, abraçando livremente os valores transcendentes e duradouros. Concede especial importância à liberdade pessoal: a própria e a dos demais, e por conseguinte tem uma consciência muito viva da responsabilidade pessoal (...) insiste de modo particular nos deveres com o próximo e considera seu cumprimento como um meio de desenvolvimento pessoal e de autorealização.
O motivo para adotar um padrão diferente está em que a realização plena do homem passa pelo "outro". A pessoa cresce e se enriquece relacionando-se com os demais de modo aberto e generosamente receptivo: a alternativa é o isolamento social e a alienação humana. Entende-se então como o personalismo não só é compatível com a comunidade, mas que constitui a condição de qualquer comunidade sã e dinâmica. Uma comunidade não fundada sobre o respeito da dignidade da pessoa acaba por converter-se em uma massa sem alma, em um campo de concentração ou em um Estado totalitário.

2. Como se mede a dignidade da pessoa humana?
Não se mede a dignidade de uma pessoa pelo critério do ter mas do ser. O respeito não deve pautar-se pela dimensão visual do "fazer" (dimensão externa da ação) da pessoa mas sobretudo do seu "agir" (dimensão interna da ação). Daí a importância de não classificar as pessoas pelos tipos de trabalho, pois qualquer trabalho honesto por minúsculo que seja é engrandecido pelas atitudes internas: dimensão do agir. Portanto, o fruto do trabalho não pode ser o único critério de decisão, mas tem que dar prioridade à pessoa. Assim como o capital deve estar a serviço do trabalho.
O trabalho não pode ser um item de consumo, mercadoria, instrumento utilitarista. Tem que estar voltado para o bem da pessoa. As pessoas não podem se transformar em massa de manobra, ou postas no embrulho dos interesses egoístas.

3. Qual seria uma atitude fundamental para o exercício da cidadania?
Apontamos para um enfoque nos deveres para com os outros, o seu exercício habitual exige respeito pelo outro. Respeito supõe consideração. As nossas decisões devem pautar por uma consideração ao outro e ao bem do outro: dar-lhe o devido sem fazer acepção de pessoas.

4. O que é Ética?
A palavra ética tem sua origem na palavra grega "éthos" que significa costume ou comportamento consciente do homem. Não é um mero elemento de fora que se incorpora ao comportamento humano, mas sim uma conduta escolhida de acordo com uma razão equilibrada. Quando o homem determina-se a si mesmo, guiado por seu espírito interior, a agir bem, está atualizando seu éthos. A ética é a ciência do éthos, da conduta humana ordenada. Ela ajuda o homem a refletir sobre o seu próprio atuar e determinar quais são os modos de agir que aperfeiçoam a personalidade humana e a convivência social. Dirige-se ao ser do homem e o leva a sua máxima perfeição. Ao contrário as condutas de não-valor, trazem como conseqüência a caotização da vida pessoal e do entorno social. Já vemos que a ética visa a realização da pessoa. Não uma realização segundo um ou outro aspecto particular, como seria a realização profissional, financeira, afetiva, etc., mas a realização do homem enquanto homem. Podemos nos sentir realizados depois de verificar o saldo no banco, no entanto este aspecto não significa que estejamos plenamente realizados.

5. Em que princípios apoia-se a Ética?
O homem é um ser dotado de inteligência e vontade livre. É capaz de escolher livremente as ações que contribuem para a sua realização. Desta forma torna-se responsável pela sua própria edificação. A ética fundamenta-se em dois princípios básicos : "Faz o bem e evita o mal", "Não queiras para os outros o que não queres para ti". Sob a luz destes dois princípios decorrem todos os valores morais. Um dos trabalhos primordiais é o de pautar as próprias decisões de acordo com eles. As escolhas livres, "aqui e agora", estando ou não em conformidade com os princípios podem contribuir para melhorar ou corromper a personalidade. A razão serve de guia para as diferentes escolhas. Quando os princípios morais estão bem arraigados constroem-se convicções. As ações fruto destas convicções vão forjando hábitos éticos na vontade.

6. Bastariam os bons desejos para promover os hábitos bons na Sociedade?
Não são suficientes os princípios e convicções para atuar, é preciso querer pô-los em prática. Corresponde à vontade, a determinação das escolhas concretas que fazemos. Cada um de nós experimenta, mesmo sujeitos a condicionalismos, tomar decisões livres. Somente com a participação da inteligência e da vontade num ato determinado é que podemos falar de moralidade. É precisamente no campo ético que o homem atual está mais desguarnecido. Ele se volta para a realidade externa para conhecê-la melhor, transformá-la, no entanto avança pouco no conhecimento de si próprio e sobre a sua finalidade de vida. Com freqüência deixa o essencial para segundo plano. Como todas as ações provêm do tipo de convicções que se tem, não se pode esperar que haja boa água num rio se a fonte estiver contaminada.

7. Além da falta de determinação, que defeito você aponta para empreendermos mudanças?
Outro desvio ético da nossa sociedade, é o da falta de unidade no agir. Adotam-se posturas e critérios que variam de acordo com os ambientes e circunstâncias. Peter Nadas nos lembra essa falta de unidade: "Em casa, vestimos o chapéu do pai ou da mãe de família. No trabalho, o do empregado, o do executivo ou do patrão. No clube, o boné de atleta. Na igreja, somos piedosos fieis. No ônibus, no metrô, o passageiro sisudo; na rua, o pedestre indiferente ou o motorista nervoso. O mal está em que, junto com o chapéu, trocamos as nossas hierarquias de valores, conforme o ambiente em que estamos. Quando muito, adotamos atitudes éticas, não por profunda convicção do que é certo e do que é errado, mas pelo medo de sermos "flagrados" em alguma ilegalidade ou transgressão".

8. Mas afinal de contas o que acontece com a nossa sociedade?
A nossa sociedade enveredou pela linha da busca do progresso como solução para todos os problemas humanos. Neste sentido o escritor russo Alexander Soljenitsyn aponta os resultados: "Estamos progredindo! A humanidade instruída prontamente depositou sua fé nesse progresso. E, no entanto, ninguém indagou a fundo: Progresso sim, mas em quê? Presumiu-se com entusiasmo que o progresso abrangeria todos os aspectos da existência da humanidade em sua inteireza. ..... O tempo passou e ficou demonstrado que o progresso avança de fato, e surpreende superando expectativas, mas só o faz no campo da civilização tecnológica (com especial sucesso para o conforto do ser humano e nas inovações militares) (...)Tudo o que esquecemos foi a alma humana. Permitimos que as nossas necessidades aumentassem à solta, e agora não sabemos para onde dirigi-las. E, com a assistência obrigatória dos empreendimentos comerciais, necessidades cada vez mais novas são inventadas, e algumas são totalmente artificiais; e buscamo-las em massa, mas não encontraremos realização. E nunca encontraremos" . A ética dirige-se para a realização mais profunda do homem. Fundamenta a conduta em princípios que tem em conta o bem do homem como um todo. O progresso material é um aspecto mas não atende o anseio de realização que brota em cada um. Aristóteles afirmava com claridade meridiana: "Nenhum bem finito as riquezas, o prazer, as honras, a saúde e fortaleza corporal- pode ser objeto da felicidade humana, porque são incapazes de saciar as tendências principais e mais próprias do homem".
Todo homem está submetido a uma tensão entre; o que é e o que deve ser. É exatamente nesse processo de autorealização que se insere a ética. Há princípios que regem a realização da pessoa como um todo; o da veracidade, imparcialidade, lealdade, solidariedade, etc. Procurando que as ações estejam em conformidade com estes princípios, levam a uma estruturação harmônica da personalidade. Em uma determinada sociedade, instituição, etc., a sua grandeza será medida pela somatória dos valores das atitudes dos seus integrantes.

9. O que dizer dos comportamentos massificados?
Com muita freqüência os cursos de ética acabam degenerando para a "ética da mediocridade", a ética segundo os moldes da média, do que todo mundo faz. Alguns se restringem no até onde posso ir para não ser preso. A verdadeira postura ética é a busca da excelência. É uma visão magnânima, não fica nos cálculos egoístas. A prática ética leva em conta dois movimentos, aqui analisados separadamente, mas que na realidade andam juntos como as duas faces de uma moeda. Um primeiro movimento é de dentro do homem para fora e o outro de fora para dentro. Uma ação valiosa provem de uma pessoa de valor. Do menos não sai o mais, não se tira dez de meia dúzia. De uma árvore má não se colhem bons frutos. Daí a realidade de que se conhece o que somos pelo que fazemos. Diz um pensador que uma pintura fraca é de um pintor fraco. Por outro lado o segundo movimento é o da correção o da busca árdua da ação de qualidade. A ação de valor aperfeiçoa a pessoa . É o cultivo das virtudes. Ações que visam a perfeição no "fazer", mas desvinculadas de qualidade no "agir" podem render no curto prazo, no imediato, mas a médio e longo prazo desestruturam e caotizam. Cada homem se aperfeiçoa com os bons hábitos. Estes adquirem-se à base de repetição constante de atos valiosos.
O enfoque que temos que dar é o da ética das virtudes. Uma ética que parte positivamente para o empreendimento valioso e não para a retranca da mediocridade. Vem sob medida um conselho para potenciar o crescimento das virtudes: "Uma ética para empresários, diretores, em resumo, não consiste em um conjunto de regras para saber quando uma decisão é contrária a ética ou quando não é. Consiste, essencialmente, em um conjunto de conhecimentos que ajudem os dirigentes a descobrirem as oportunidades que lhes brinda sua profissão para que cheguem a ser melhores pessoas, isto é, para que desenvolvam suas virtudes morais".

10. O que significa virtude?
Qualidade no agir significa virtude. A palavra virtude, muito esquecida nos dias de hoje, é o bom hábito. Por outro lado o vício é o mau hábito. As virtudes se adquirem à base de repetição de atos. No início podem ser custosos, mas à medida que se praticam, criam uma facilidade no agir. Virtude vem da raiz latina "vir" que significa força. Onde reside esta força? Na vontade. A vontade vai se enrijecendo e aumentando a sua capacidade de definir-se pelos valores. Os filósofos dizem que se ganha uma "segunda natureza", porque a "primeira natureza", a bruta pende pelo caminho da facilidade, da lei do mínimo esforço. Comprova esta idéia o que vemos na nossa sociedade de consumo apontada por Isaac Riera: "Os filhos desta sociedade do bem-estar temos a alma muito débil e frágil, porque não estamos acostumados a suportar carências nem tão pouco a vencer-nos. A vontade exercita-se e desenvolve-se quando há que se exigir muito a si mesmo diante das dificuldades e durezas da vida, mas fica atrofiada quando tudo são comodidades. E aqui está o ponto central da questão: não se pode esperar muita altura moral de quem se rege pela lei do mínimo esforço, mas essa lei nos foi inculcada, em princípios e na prática, pela sociedade do bem-estar em que estamos instalados".

11. Que princípios básicos regulam a ordem social?
Os princípios básicos são os da solidariedade, subsidiariedade e participação.

12. O que é o princípio da solidariedade e como exercitá-lo efetivamente?
A solidariedade estimula cada homem para que contribua efetivamente para o bem comum em todos os níveis.
"O homem não está destinado só a viver com os demais, mas sim também a viver para os demais".
Deve haver um empenho de cada um para contribuir para o bem de todos e cada um dos homens. Afastar as justificativas para colocar-se a margem deste dever.
A solidariedade nos ajuda a ver o "outro", não como um instrumento qualquer para explorar a pouco custo sua capacidade de trabalho e resistência física, abandonando-o quando já não serve.
A solidariedade se manifesta por meio de obras concretas de serviço aos outros.
Cada um de acordo com as suas possibilidades, materiais, intelectuais, etc, pode fazer render os talentos pessoais em serviço dos outros. Sair da carapaça de egoísmo e contribuir para resolver os problemas do entorno em que se vive. Começar a mudança por si próprio, fundamentada na própria luta pessoal. Depois ser a onda que se expande no lago, influenciando positivamente os outros. Não se limita à ajuda em coisas materiais, ajudar a que as pessoas tenham acesso aos bens da cultura e a formação espiritual.
O mesmo modelo de relação entre os homens deve ser aplicado entre instituições e Estados. Contribuir para o desenvolvimento solidário da comunidade.

13. O que é o princípio da subsidiariedade e como exercitá-la efetivamente?
A prática do princípio da subsidiariedade garante que nem o Estado nem sociedade alguma deverão jamais substituir a iniciativa e a responsabilidade das pessoas e dos grupos intermediários nos níveis em que estes podem atuar, nem destruir o espaço necessário para a sua liberdade".
Fundamento da subsidariedade se encontra na "centralidade do homem na sociedade". Cada pessoa humana tem o direito e o dever de ser o "autor de seu próprio desenvolvimento".
A subsidiariedade leva a que: "Uma estrutura social de ordem superior não deve interferir na vida interna de um grupo social de ordem inferior, privando-o de suas competências, mas sobretudo deve sustenta-lo em caso de necessidade e ajuda-lo a coordenar sua ação com a dos demais componentes sociais, com vista ao bem comum".
São arbitrárias e injustas as limitações à liberdade das consciências ou as legítimas iniciativas de cada um.

14. O que é o princípio da participação e como exercitá-lo efetivamente?
O bem comum resulta da intervenção ativa de todos os cidadãos. Deve haver uma participação, com empenho de cada um dos membros da sociedade.
Ampara o direito dos indivíduos e das sociedades intermediárias frente os possíveis abusos de poder por parte do Estado. Impulsiona a que todos se preocupem pelo bem comum.
Garante a liberdade de constituir associações honradas que contribuam para com o bem comum.
"A manutenção do povo à margem da vida cultural, social e política, constitui em muitas nações uma das injustiças mais clamorosas de nosso tempo".

15. O que fazer para ter qualidade de empreendimento visando o bem comum?
As pessoas empreendedoras nos atraem, que seria de nós se à nossa volta as pessoas que trabalhassem e convivessem conosco fossem passivas, não tomassem iniciativas. Nos atraem sobretudo as pessoas proativas, mas que sabem atuar não simplesmente buscando seus próprios interesses. O que mais faz desprender da potencialidade humana a riqueza da ação é o amor. Desprende da alma forças criadoras a partir do desejo das coisas boas, dos objetivos de qualidade. Contrariamente ao que alguns pensam o desejo do bem é mais forte que as que provem do egoísmo. A qualidade de empreendimento dirigido ao bem começa com firmeza e com o tempo vai solidificando-se mais. As motivações fundadas na busca de si próprio acabam naufragando na perda de sentido, na experimentação da angústia e da tristeza. A tristeza é o estado de ânimo mais desfavorável para qualquer empreendimento.
Verifica-se essa qualidade sobretudo diante das dificuldades, pois trata-se de crescer diante delas e não desistir. "As contrariedades representam muitas vezes o álibi que nos aquieta a consciência. Pensamos: quando concebi aquele ideal, quando formulei aquele propósito, eram outras circunstâncias; agora, na situação em que me encontro, já não tenho condições de levá-lo a cabo".

16. Qual a influência do desenvolvimento do caráter pessoal nas atividades políticas?
O trabalho seja ele qual for, é o âmbito onde dá-se parte importante da realização da pessoa. Todo trabalho corresponde a uma perfeição no "fazer", aperfeiçoa algo externo ao homem. Ao mesmo tempo, corresponderá a um aperfeiçoamento daquele que o realiza (qualidade no agir). Há uma mútua interação entre qualidade do caráter e qualidade do trabalho realizado. Em todos os níveis da instituição haverá um benefício direto, fruto deste processo de melhoria da personalidade. São
potenciadas as relações do tipo Servir/Servir, cada vez mais reforça-se o sentido de comprometimento com os objetivos de interesse comum e sobretudo cria-se um ciclo sinérgico positivo.
Convêm salientar que o processo de melhoria do caráter é algo que deve brotar do convencimento de cada pessoa da sua eficácia e sobretudo do valor que encerra em si mesmo. As pessoas não adquirem virtudes por decreto. O melhor modo de estimular as pessoas a percorrerem este caminho - talvez o único- é o bom exemplo. Qualquer sistema educativo estará comprometido sem o influxo do exemplo que deve vir de cima. Nada mais deletério para o ambiente institucional quando as virtudes estão mais nas palavras dos seus dirigentes do que nas suas ações.

17. Qual deve ser o papel do político com relação a educação?
O homem de estado -como o pedagogo- deve ter uma ciência profunda da alma humana . Um, a necessita para legislar o outro para educar. O primeiro opera sobre o cidadão desenvolvido; o segundo sobre o cidadão imperfeito. O educador será homem de Estado porque trabalha tendo em vista as instituições políticas, e o homem de estado será pedagogo porque a educação deve fortificar as instituições políticas.
Deste modo, a pedagogia como a política tem um mesmo fim: a felicidade da cidade; e tem o mesmo ponto de apoio: a psicologia humana; em fim prestam uma mútua assistência.
Fazer do homem um homem bom, supõe então uma adequada articulação entre Ética e Política. Entendemos então a educação como uma atividade eminentemente ética e portanto orientada a revestir um caráter individual mas com uma vertente política essencial.

  MEIO AMBIENTE

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Vilmar Berna
Editor do Jornal do Meio Ambiente/Prêmio Global 500 da ONU de Meio Ambiente
Presidente da ONG IBVA - Instituto Brasileiro de Voluntários Ambientais
Email: vilmarberna@jornaldomeioambiente.com.br
Site: www.jornaldomeioambiente.com.br
Tel/fax: (0xx21) 2610-2272 / 7365
Correspondência: Trav. Gonçalo Ferreira, 777 - Casarão da Ponta da Ilha
Bairro Jurujuba - Rio de Janeiro, RJ CEP 24370-290

Sobram problemas, Faltam Cidadãos
O Brasil tem problemas e isso não é novidade para ninguém. Mas se por um lado sobram problemas, por outro, faltam cidadãos. Sabemos que sem povo não se cria nada de novo, como já diz o ditado. Mas e o povo? E os nossos jovens? Onde estão que não se levantam contra o sucateamento do patrimônio coletivo nacional, e isso não inclui apenas prédios e empresas, mas a natureza, a cultura, o conhecimento? Já não satisfaz a explicação de que a luta pela sobrevivência tem afastado as pessoas das lutas coletivas, pois isso equivaleria a dizer que os presidentes de associações de moradores ou de grupos ecológicos, por exemplo, seriam pessoas saudáveis e com situação econômica definida. E isso está bem longe da realidade. São comuns os casos de líderes comunitários desempregados ou sub-empregados, e até doentes, que nem por isso deixam de lutar pelos direitos de toda a sociedade ou de sua comunidade.
Na verdade o que falta hoje em nossa sociedade, de fato, é cidadania. No fundo, todos queremos viver num mundo melhor, mas a maioria prefere achar que esse mundo mais pacífico, justo e ecológico começa no outro, depende do vizinho, do político, da empresa. Enquanto perdurar a visão individualista de cada um cuidar de si e Deus de todos, sobrarão problemas e os poucos cidadãos engajados nas lutas coletivas terão de se conformar em assistir o mundo piorar muito mais, antes de melhorar.
Outro dia ouvi um ecologista se lamentando num momento de muito pessimismo diante da enormidade, gravidade e multiplicação dos problemas ambientais. Afirmava que a luta ecológica estava perdida e que o planeta iria mesmo acabar, incapaz de sustentar a vida, sufocado em tanta poluição e degradação ambiental.
Neste caso, afirmei, prefiro morrer lutando.

Defender a natureza não é só cuidar de plantas e bichos
Nós, seres humanos, também fazemos parte da natureza. Portanto, não basta apenas defender as florestas e os animais, é preciso também defender a melhoria concreta da qualidade de vida das populações humanas - sem deixar de cuidar das plantas e dos animais, claro, pois tanto nossa vida quanto a deles, depende das inúmeras relações que existem na natureza, onde nada existe isolado um do outro.
Defender o meio ambiente preservado é fundamental para a manutenção da saúde humana. O lixo espalhado, as valas de esgoto, o ar e a água poluída, o barulho, os alimentos contaminados por venenos e aditivos perigosos, tudo isso, e muito mais provocam doenças nas crianças e adultos, além de tornar a vida mais feia e infeliz. Nenhum de nós nasceu para ser infeliz. Cuidar da natureza é também uma forma de garantir a felicidade humana, pois ninguém consegue ser feliz vivendo num lugar poluído, onde não existe árvores, pássaros, animais.
Por isso a defesa da natureza é uma questão ética, ou seja, um compromisso de nossa espécie com o planeta, onde cada um de nós precisa assumir posturas menos individualistas e egoístas, preocupando-se não apenas com os direitos dos outros indivíduos de nossa espécie, mas com os direitos das plantas e dos animais à vida e à liberdade.
Defender a natureza não se pode resumir apenas em buscar novo relacionamento de nossa espécie com o planeta, mas principalmente buscar um novo relacionamento entre nós próprios, seres humanos. As relações humanas são dominadas por estruturas extremamente injustas, onde uma minoria possui todas as riquezas e meios de produção, enquanto a maioria da população vive na miséria, passa fome, sem as mínimas condições de vida. As relações que causam essa superexploração dos seres humanos, são as mesmas relações que superexploram os recursos do planeta. O grau de nosso relacionamento com o planeta, os animais, as plantas, o meio ambiente, baseado na exploração ilimitada, é apenas um reflexo do nível de maturidade existente hoje nas relações humanas, baseadas na exploração da mão-de-obra humana e nas injustiças sociais. 

Educação Ambiental e Cidadania
As árvores não são derrubadas, a fauna sacrificada ou o meio ambiente poluído porque nossa espécie desconhece os impactos dessa ações sobre a natureza. Não é por falta de conhecimento que o meio ambiente é destruído, mas devido ao atual estágio de desenvolvimento existente nas relações sociais de nossa espécie.
Portanto, é ilusão pretender que a educação ambiental, por si só, seja capaz de enfrentar estes enormes desafios. Antes, enfrentando, de se pensar em educar para o meio ambiente, é preciso investigar que ambiente é esse? Quem são seus agressores? E por quê?
A população tem uma visão muito romântica da ecologia, associando-a mais em defesa do verde e, por extensão, das árvores e animais e como se a espécie humana não fizesse parte da natureza. Logo, por mais que julguem as questões ecológicas importantes, a maioria da população as considera secundárias. É mais importante lutar por moradia, alimento, emprego, escola, bons salários etc. Ecologia é assunto para as classes mais abastadas, que já resolveram esses problemas básicos de infra-estrutura e podem viver em bairros melhores, longe da poluição, em locais arborizados.
Os ecologistas pouco contribuíram para modificar essa imagem e - na maioria dos casos - ajudaram até a reforçar essa visão romântica e alienada. Dedicaram-se muito mais à defesa de animais e plantas que aos problemas da espécies humana. Com isso, embora sem má fé, ajudaram a associar ecologia ao meio ambiente natural, onde vivem as plantas e os animais, deixando de fora o meio ambiente urbano/rural, onde vivem os seres humanos. Sabemos no entanto, que ambos os ambientes vivem interrelacionados, logo, as lutas por melhores condições de vida travadas por sindicatos, associações de moradores e outras entidades da sociedade civil, por exemplo, são também lutas pelo ambiente, no caso, ambiente humano. A partir disso, é possível contribuir para ampliar a visão de ecologia, principalmente das populações de baixa renda, que são quem efetivamente detém o poder de transformação da realidade, uma vez que os beneficiados com a poluição ou a exploração dos recursos naturais são irão abrir assim tão facilmente de seus privilégios.
Outra questão que os educadores ambientais precisam resolver para realizarem planejamento de ensino é definir os principais responsáveis pela destruição do ambiente. É comum acusar-se a falta de conhecimento ambiental, o progresso ou a tecnologia, entre outros fatores, como os inimigos da natureza. Isso seria verdadeiro se pessoas com o conhecimento ambiental não destruíssem a natureza. Infelizmente, não é o que se vê. Os caçadores, por exemplo, possuem muito mais conhecimentos sobre ecologia, natureza e a vida silvestre que muitos ecologistas, mas usam esses conhecimentos para destruir e matar.
Com relação ao progresso é a mesma coisa. Na década de 70, governos internacionais preocupados com a rápida destruição dos recursos naturais e a poluição do planeta, defenderam a tese do crescimento zero, ou seja, congelar os níveis de progresso à época. Ora, por diversas vezes durante nossa história econômica, o Brasil teve crescimento abaixo de zero, portanto negativo, e nem por isso viu diminuindo seus problemas ambientais, muito pelo contrário. Devido à crise econômica, as empresas investiram menos em controle de poluição.
A questão tecnológica também tem sido apontada como uma das responsáveis pela destruição ambiental, uma vez que polui, degrada o meio ambiente e desperdiça recursos naturais. Ora, a tecnologia e a ciência não são neutras. Elas se submetem aos interesses dos detentores do poder naquele momento. Por outro lado, a adoção de tecnologia mais brandas e menos poluentes não asseguram uma relação menos predatória nas relações humanas, pelo menos. Um exemplo disso são quartéis de soldados norte-americanos movidos a energia solar ou biodigestores em países colonizados.
Enfim, o que podemos perceber é que a destruição da natureza não resulta da forma como nossa espécie se relaciona com ela, mas da maneira como se relaciona consigo mesma. Ao desmatar, queimar, poluir, utilizar ou desperdiçar recursos naturais ou energéticos, cada ser humano está reproduzindo o que aprendeu ao longo da história e cultura de seu povo, portanto, este não é um ato isolado de um ou outro indivíduo, mas reflete as relações sociais e tecnológicas de sua sociedade. Portanto, é impossível pretender que seres humanos explorados, injustiçados e desprovidos de seus direitos de cidadãos consigam compreender que não devam explorar outros seres vivos, como animais e plantas, considerados inferiores pelos humanos. A atual relação de nossa espécie com a natureza é apenas um reflexo do atual estágio de desenvolvimento das relações humanas entre nós próprios. Vivemos sendo explorados, aprendemos a explorar.
A educação ambiental, portanto, constitui-se num desafio. Primeiro dentro do próprio sistema educativo, historicamente domesticador, à medida que tende a incutir nas gerações mais jovens os conceitos, valores e ideologias das gerações adultas. Depois, separando informação de formação. Não é pelo maior ou menor volume de informações vinculado pelos meios de comunicação que a população aprende a pensar criticamente e atuar em seu mundo pra transformá-lo. Muito pelo contrário. Sem uma base que permita a compreensão do que está sendo transmitido, o receptor acaba tornando-se insensível diante da poluição da informação, as palavras perdem o significado e importância, tanto faz derrubarem uma árvore ou uma floresta, tanto faz assassinarem um indivíduo ou uma multidão inteira numa republiqueta qualquer. A educação, por sua vez, não se dá ao vácuo, mas inserida em seu tempo e no contexto. Deve, portanto, associar-se aos meios de comunicação para, a partir das informações veiculadas, desenvolver um processo educativo, crítico e participativo, adequado à realidade dos alunos.
Não há educação ambiental sem participação política. Logo, não é de estranhar que os governos até hoje não tenham conseguido estabelecer diretrizes e investir realmente em educação ambiental, pois é impossível estimular a participação mas não garantir os instrumentos, direitos e acesso à participação e interferência nos centros de decisões. O ensino para o meio ambiente deve contribuir principalmente para o exercício da cidadania, estimulando a ação transformadora, além de buscar aprofundar os conhecimentos sobre as questões ambientais, as melhores tecnologias, estimular mudança de comportamento e a construção de novos valores éticos menos antropocêntricos. É preciso ficar claro que a educação ambiental é fundamentalmente uma pedagogia de ação. Não basta se tornar mais consciente dos problemas ambientais, sem se tornar também mais ativo, crítico e participativo. Em outras palavras, o comportamento dos cidadãos em relação ao seu meio ambienta, é indissociável do exercício da cidadania.

A Percepção da Ecologia

É fundamental para os ecologistas falarem uma linguagem que seja percebida por todos, especialmente pelas lideranças dos movimentos comunitários, sindicais, profissionais, enfim aqueles que possuem poder de multiplicar e de produzir informações e de contribuir para o processo de transformacão social. Os ecologistas podem ter a clara percepção do que precisa ser mudado, a fim de conseguirmos uma relação mais harmônica da espécie humana com as outras espécies e o próprio planeta, entretanto, para conseguir mudar efetivamente as coisas é preciso a participação da população, afinal, sem povo não se cria nada de novo, já diz o ditado. Caso os ecologistas insistam em usar linguagem técnicas ou conceitos ecológicos ainda não assimilados pela população, como ecossistemas, habitat, ecologia, mata atlântica, etc. além de não conquistarem para as teses ecológicas a adesão das forças vivas da sociedade, capazes de produzir mudanças, ainda terão dificuldades cada vez maiores por libertarem-se de preconceitos secundário, preocupação de elites e de segmentos da população que já resolveram seus problemas básicos de sobrevivência, no fundo, um tema desmobilizador e inoportuno para uma sociedade tão carente de tudo, como a brasileira.
Por outro lado, é preciso perceber que a população, por mais carente que seja, possui consciência ecológica, só que essa percepção é bastante romântica, associando-se mais à proteção das plantas e dos animais e menos à qualidade de vida da espécie humana, como se não fizéssemos parte da natureza. Para a maioria, lutar pelo fim das valas de esgotos a céu aberto, mas condições de trabalho nas fábricas etc. não é fazer luta ecológica. Infelizmente os programas de tevê sobre questões ambientais têm contribuído muito pouco para desmistificar a ecologia. Se por um lado ajudam a divulgar e a promover a conscientização sobre o problema, por outro contribuem para a desmobilização da sociedade.
Existe uma tendência nas sociedade modernas pela separação dos assuntos uns dos outros, sob pretexto de poder estudá-los melhor. Esse é um método de análise cientifica que, se por um lado produz profundos conhecimentos sobre particularidades da realidade, por outro perde a visão do conjunto. Aconteceu assim com a Saúde, Educação. Transporte, Emprego etc. como se fosse questões isoladas umas das outras. As administrações públicas e as organizações não-governamentais acabaram transpondo para a organização social essa mesma fórmula, criando-se departamentos e compartimentos estanques - e por vezes incomunicáveis - para tratar dos diversos temas da sociedade humana, o que acabou por incentivar o corporativismo e formação de verdadeiros guetos. A ecologia é um tema novíssimo, com pouco menos de duas décadas de publicidade e, ainda hoje, as organizações humanas governamentais ou não-governamentais lidam com o tema sem saberem direito como conduzi-lo. O resultado é que a ecologia e os ecologistas foram pegos também pela tendência de nossa sociedade a compartimentalização. Se para a Saúde e a Educação, por exemplo, isso foi terrível e tem trazido seqüelas indesejáveis, para as questões ecologicas foi um verdadeiro desastre, devido o seu caráter ser mais geral que particular. Em outras palavras, o sistema apropriou-se da questão transformando a ecologia num tema técnico, quando na verdade é muito mais ético e político, penetrando em todos os outros assuntos humanos. Um dos resultados disso é a neutralização dos esforços dos ecologistas sempre que tentam penetrar em outras áreas que não a ambiental, como se fossem intrometidos em busca de ampliação de espaços de atuação política. Então, quando algum ecologista fala sobre fauna e flora, é imediatamente aceito, mas quando discute os aspectos antiecológicos da Saúde, Educação, Moradia etc. é logo criticado, como se estes assuntos não estivessem interligados. Logo não é apenas a população que percebe mal as questões ecológicas. As organizações governamentais e não-governamentais, incluindo-se ai os partidos políticos, também.
O que é preciso deixar bem claro, principalmente nestes novos tempos eram que líderes e administradores debruçam-se sobre as questões ecológicas, em função das exigências da sociedade e da Constituição , é que não é se criando departamentos, secretarias, ministérios para o meio ambiente que se resolverá a questão, se não houver igualmente uma ecologização dos temas tradicionais como Saúde, Educação, Moraria, Transporte, Emprego etc. É preciso romper com a própria tendência dos ecologistas à acomodação em seus guetos e compartimentos onde o ecologês é compreendido sem questionamentos. Os ecologistas precisam ganhar as ruas, conquistar o povo, mas antes devem rever sua linguagem. Para a população especialmente a mais carente, as questões ecológicas aparecem embutidas nos temas associados à qualidade de vida. Por exemplo, as diversas poluições, o lixo tóxico, os agrotóxicos são temas ligados à saúde, os desmatamentos e os reflorestamentos ligados à saúde e também à segurança civil, e por extensão, à mordia, as teses da descentralização econômica, de pólos industriais, de empresas poluidoras são ligada a emprego e a salário; erosão, destruição de recursos naturais, ocupação de leitos de rios e de encostas, também associados à moradia, as ciclovias, os transportes de massa em vez de coletivos, o gás natural em vez de diesel, associados ao transporte mais confortável e barato, e assim por diante. Se os ecologistas querem a compreensão e a mobilização da sociedade para os temas ecológicos, devem antes procurar adaptar o ecologês às carências da nossa sociedade, partindo dos temas que já dominam e conhecem para os que precisam conhecer a fim de construírem uma melhor relação, mais harmônica, menos poluidora com seu meio ambiente e os outros seres vivos do planeta. A mensagem mais importante que os ecologistas podem passar é que nada existe isolado no planeta, mas tudo está inter-relacionado entre si. O que acontece num lugar afeta um outro. Para pior ou para melhor.
E tem mais um elemento importante que os ecologistas devem levar em consideração antes de falarem dos outros seres vivos do planeta, como as plantas e os animais. O ser humano deve ser a medida de todas as coisas, pois é a única espécie em condições de alterar profundamente seu meio ambiente. Entretanto, antes de se propor uma relação mais harmônica e menos predatória de nossa espécie com as outras, que consideramos inferiores, é preciso engajar a ecologia nas lutas contra a exposição de um indivíduo contra o outro em nossa própria espécie. Ou continuaremos contribuindo para romantizar as relações ser humano-planeta Terra, e tornar as questões ecológicas cada vez mais supérfluas, elitistas e secundárias, reservadas apenas a um pequeno grupo de iniciados, que adoram discursar sobre os próprios umbigos.

Meio Ambiente e Educação
Em ecologia apenas transmitir conhecimentos não basta, pois a televisão já faz isso com muito eficiência, além do aluno já contar com experiências e vivências em seu dia-a-dia, com poluições de todo tipo em sua volta. A televisão, no entanto, não possui o caráter pedagógico requerido para o ensino do meio ambiente, mas isso não significa que se deva combatê-la. É mais o caso de complementá-la, lidando com as informações e conceitos veiculados para ajuda aos alunos na reflexão sobre os fatos, relacionando-os com suas realidades mais próximos. Nesse processo, os alunos ao mesmo tempo que adquirem os instrumentos intelectuais necessários para a compreensão do mundo em que vivem, motivam-se a transformá-lo, buscando solução real para os problemas apresentados, atacando suas causas. Neste sentido, se adequadamente utilizada, a televisão pode ser uma aliada, não uma adversária ao professor.
Este é um dos grandes desafios que a educação para o meio ambiente traz para o professor, mais acostumado a ser um mero transmissor de conhecimentos e seus alunos simples espectadores, cujo objetivo final é tirar boas notas nos testes. Agora o objetivo final é a transformação, uma pedagogia voltada para a ação, aqui e agora. A primeira tarefa do professor deve ser aproximar o aluno d meio ambiente, sensibilizando-o especialmente pelos problemas de sua comunidade, onde deverá ser agente transformador. Para isso, deve-se evitar o modelo inadequado de dar aulas em salas fechadas, mas procurar dar aulas ao ar livre, o mais próximo possível dos problemas ambientais que se deseja mostrar e modificar.
É preciso ainda avaliar bem o nível de informações dos alunos, pois embora seja elevado devido nos meios de comunicação , as informações são desconectadas, insuficientes, distantes da realidade d aluno e, portanto, inúteis enquanto enquanto instrumento de transformação de sua realidade. Cabe ao professor dar sentido a todo esse banco de dados aparentemente desordenado, transformando a informação em conhecimento.
Se o primeiro passo é aproximar o aluno de seu meio ambiente, o próximo é a troca de experiência e idéias, em grupo ou individualmente, sobre o que seja meio ambiente, seus problemas concretos e possibilidades de solução. Isso pode ser feito em sala de aula, em comunicação oral ou escrita, espontânea ou orientada, abrindo portas para o intuitivo, o criativo, as pesquisas, mas agora num clima de grande interesse pelos fenômenos naturais e os conceitos sobre a natureza, a idéia de ecossistema, as cadeias alimentares, os ciclos naturais, o profundo poder de interferência da espécie humana na modificação - para pior ou melhor - do seu meio ambiente. Os alunos estarão partindo do local para o global, da realidade que conhecem e dominam para a que não conhecem e desejam dominar.
É neste ponto que a educação para o meio ambiente pode resultar em práticas criadoras como pintura, cartazes, escultura, teatro, dança, mímica, expressão corporal, jogos etc. favorecendo multidões pedagógicas, onde o tema meio ambiente pode - e deve -ser tratado ao mesmo tempos por todas as disciplinas, adaptado às peculiaridades de cada uma. O fundamental é que a escola não cometa o erro de tratar o tema ambiental como assunto de uma única matéria, como ciências ou geografia, por exemplo, mas igualmente em matemática, língua portuguesa, história, estudos sociais, educação física etc.

Do que são feitos os nossos sonhos?

Os educadores ambientais têm um enorme desafio diante de si. Como educar para o meio ambiente, se as aspirações de nossos jovens são baseadas mais em valores de consumo materiais que em valores espirituais, culturais ou artísticos, por exemplo? Frei Beto, em seu artigo Viagens Interiores (O Globo, 13/07/98) nos chama a atenção para o que andamos vendo nas propagandas, novelas, filmes, etc. Bastam alguns minutos à frente da televisão para percebermos que defeitos como inveja, orgulho, cobiça, avareza, luxúria, gula, preguiça - bases do consumismo desenfreado que gera esgotamento dos recursos naturais e poluição do planeta, por um lado, e injustiça social e concentração de renda, por outro - foram transformados em valores a serem perseguidos, como se o planeta tivesse recursos naturais em abundância para atender ao sonho de consumo de todos. O preço que pagamos pode ser visto por todo o lado. Não só no esgotamento e na poluição do planeta, mas também na miséria.
Por trás de nossos problemas ambientais, não estão apenas a ação de poluidores, o desmantelamento dos órgãos públicos de controle ambiental, ou a falta de consciência ambiental, mas também um tipo de atitude e valores, que julga natural explorar ao meio ambiente e ao nossos semelhantes para atingir um modelo de desenvolvimento que, por si só, gera agressões ambientais e problemas sociais. Logo, não basta exigir mudança de comportamento de empresas e governos. Precisamos ser capazes de enfrentar a nós próprios, pois não haverá planeta suficiente capaz de suprir as necessidades de quem acha que a felicidade e o sucesso estão na posse de cada vez mais bens materiais.

Educação cidadã para salvar o mundo
Todos nós desejamos viver num mundo melhor, mais pacífico, fraterno e ecológico. O problema é que as pessoas sempre esperam que esse mundo melhor, comece no outro. Por exemplo: preferem esperar que um vizinho ou amigo convide para plantar uma árvore ou começar uma coleta seletiva de lixo, em vez de tomar a iniciativa.
Tem gente que acha mais fácil ficar reclamando que ninguém ajuda, mas não se perguntam se estão fazendo a sua parte em defesa do Planeta. Uma coisa é certa, para conseguir convencer os outros a modificarem seus hábitos, precisamos modificar os nossos primeiro, não é mesmo?
Se queremos um planeta preservado, de verdade, não basta apenas lutar contra poluidores e depredadores. É preciso também nos esforçarmos para mudar nossos valores consumistas, hábitos e comportamentos que provocam poluição, atitudes predatórias com os animais, as plantas e o meio ambiente. Mas só isso não basta, pois não há coerência em quem ama os animais e as plantas mas explora, humilha, discrimina, odeia seus semelhantes. Por isso, precisamos, além de ambientalistas, nos esforçarmos para sermos mais fraternos, democráticos, justos e pacíficos com os nossos semelhantes. Você não acha?
Por outro lado, é importante não ficar esperando a perfeição individual - pois isso é inatingível. O fato de adquirirmos consciência ambiental, não nos faz perfeitos nem mais democráticos. O importante é que tenhamos o compromisso de ser melhor todo dia, procurando sempre nos superarmos.
Um sábio chinês chamado Confúncio disse, há cerca de 5 mil anos, que se alguém quisesse mudar o mundo, teria de começar por si próprio, pois mudando a si próprio, sua casa mudaria. Mudando sua casa, a rua mudaria. Mudando a rua, o bairro mudaria. Mudando o bairro, mudaria o município e assim por diante, até mudar o mundo.
Mas a luta por um meio ambiente melhor é uma luta também pela cidadania, e isso não é uma tarefa de um ou dois anos, mas um processo para a vida toda. Só que ninguém nasce democrático e cidadão. Isso se constrói aos poucos. Falar muito não significa comunicar muito. É preciso pensar antes de falar, escolher bem as palavras e exercitar falar resumindo ao máximo o pensamento, falando apenas quando o que tiver de ser dito estiver claro em nossa mente.
Também é preciso dar o exemplo pois não adianta falar uma coisa e praticar outra. A comunicação se torna vazia quando as palavras não são coerentes com a prática. Mas quem quer falar bem precisa antes de tudo saber escutar bem, aprender a ouvir o outro e não ficar pensando no que vai dizer depois que o outro parar de falar.
Ninguém é dono da verdade, precisamos uns dos outros para construirmos nossa verdade e isso só se consegue através do diálogo. Para isso precisamos estar em sintonia com relação aos objetivos do grupo - procurar debater a partir da realidade, sem complicar um diálogo, que interessa a todos do grupo por problemas pessoais ou antipatias.
Problemas de relacionamentos sempre existem, pois o fato de estarmos unidos em torno do objetivo de defender a natureza não nos torna perfeitos. Cabe fazer uma avaliação dos sentimentos, conhecendo os motivos de nossas reações diante de determinadas pessoas e não deixar que isso interfira no diálogo dentro do grupo.

Todos os irmãos devem pregar pelas obras. -  São Francisco de Assis, santo padroeiro da Ecologia
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