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ORÇAMENTOS,
PLANEJAMENTOS E CANTEIROS DE OBRAS
Obra Industrial, Ponte, Viaduto, Edificação |
| Ano 02 •
nº 08 • 01/06/2002
NESTA EDIÇÃO
Proposta Técnica / Metodologia:
Plano de Minimização dos Impactos ao Meio Ambiente
Ética e Política
Nosso novo Parceiro,
e único brasileiro a ganhar o Prêmio Global 500
da ONU para o Meio Ambiente, ensina:
Educação Ambiental | |
Se todo dia eu perder um
pedaço de mim, no fim do mês cadê eu? – Peão
maranhense, em época de dificuldades, ganhando uma
bicicleta no concurso de frases da CIPA.
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METODOLOGIA |
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Nota do
Ombudsman - Metodologia
O texto a seguir, que se
propõe servir de roteiro
ao Engenheiro na elaboração
de parte de sua própria
Proposta Técnica, ou mesmo praticá-lo
em suas obras, por razões didáticas
foi embasado em uma obra fictícia com
características ecológicas. Entretanto, tendo
em vista que o nome casualmente sugerido
pudesse dar a impressão de
exagero ou de sensacionalismo
de nossa parte, sem serem exatamente estas as
intenções da Redação, fez-se
necessária nossa intervenção para pedirmos
a condescendência e um pequeno esforço
de imaginação do Leitor, ao
qual agradecemos pela atenção.
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OBRAS DE LIMPEZA DEFINITIVA
DO RIO TIETÊ
PROPOSTA TÉCNICA: PLANO DE MINIMIZAÇÃO
DOS IMPACTOS AO MEIO AMBIENTE
"A culpa é tua Pai Tietê?
A culpa é tua
se tuas águas estão
podres de fel
e majestade falsa?"
(Mário de Andrade - Meditações sobre o Tietê.)
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Preâmbulo
Segundo estudo preparado
em 1.992 pela Divisão de População
da Organização das Nações Unidas
(ONU), São Paulo é a Segunda maior
região metropolitana do mundo (a
maior do 3º Mundo), com 19.235 milhões
de pessoas (11% da população nacional),
7% com mais de 60 anos. O saneamento
básico, seguido pelo lixo, já eram
seus maiores desafios.
Cerca de 84% da população urbana
da região, formada por 38 municípios,
lança seus esgotos sem tratamento
nos principais córregos, rios
e represas e apenas 15,7% desta
população têm seus esgotos tratados
(6,4% com tratamento primário
e 9,3% secundário). Além de parcela
significativa dos esgotos industriais
lançados nesses cursos d’água.
São Paulo conta ainda com 30.000
indústrias e acima de 4 milhões
de veículos que jogam anualmente
na atmosfera 2 milhões de toneladas
de gases e material particulado,
o que corresponde a 3 Estádios
do Morumbi transbordando.
O crescimento desordenado e a
falta de política ambiental levaram
a uma drástica redução de sua
vegetação. Dos 870 km² do sítio
urbano, apenas 2,9% correspondem
a áreas verdes públicas, 4,24m²
por habitante, quando o indicado
pela Organização Mundial de Saúde
(OMS) é de 12 m², o triplo.
Há grande necessidade de habitações
para a população de baixa renda,
fazendo com que, ao longo dos
anos, esta viesse abrir subdivisões
ilegais e favelas. Existiam então
594 favelas com 134.448 residências,
a grande maioria sem as menores
condições de saneamento básico.
Segundo o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE)
o índice de favelização chega
a 5%.
O caos ambiental em São Paulo
envolve ainda deslizamentos de
terras, erosão, degradação das
águas e desflorestamentos, que
estão intimamente ligados aos
problemas econômicos e sociais
da cidade. A pobreza é sua maior
poluição.
Ressalte-se, outrossim, exemplos
como o da Mata Atlântica, na Baixada
Santista (um recanto ecológico
tombado pelo Condephaf), com ar
puro, animais, floras, riachos
e muito verde, próximos a um dos
parques industriais mais poluídos
do mundo: o de Cubatão.
Oitenta por cento (80%) das doenças
do País são relacionadas à falta
ou inadequação de controle de
água e saneamento básico, como
a cólera, febre tifóide, leptospirose,
vermonoses, tracoma, hepatite
tipo A, malária, febre amarela,
doenças de pele, diarréias crônicas,
esquistossomose, dengue e outras.
O tratamento de esgotos é uma
questão humanitária e seus projetos
indispensáveis, do contrário muitas
vidas serão ceifadas, continua
o estudo.
O Brasil é ainda, segundo a Secretaria
Especial do Meio Ambiente (SEMA),
dotado de uma das melhores legislações
ambientais do mundo e o problema
ecológico está em todo um contexto
intrincado que envolve mais educação
do que repressão.
Em São Paulo a iniciativa para
despoluir os rios vem de 1.937
e é atribuída ao Engº João Pedro
de Jesus Netto que implantou a
ETE-Estação Experimental de Tratamento
de Esgoto na Rua do Manifesto,
no Ipiranga.
Segundo o estudo da ONU, o problema
é que a "verdadeira cidade" tem
pouco a ver com essa organização,
que serve de base para "apenas um
terço dos lotes e edifícios da cidade
legal", enfatizando que um plano
que não trate dos outros dois terços
– os paulistanos que vivem
na "cidade ilegal" – seria
apenas "mais um plano no papel,
destinado ao fracasso".
| Medidas
e Providências Principais da Obra
Valendo-se da característica ecológica
da obra, a Proponente
buscará, antes, otimizar os efeitos positivos
com sua implantação, se resguardando com
um elenco de medidas para anular ou minimizar
os eventuais impactos ao ambiente e em
especial aos moradores das vizinhanças
e à população em geral.
A área do canteiro e dos serviços, o tanto
quanto possível, deverá permanecer inteiramente
cercada durante toda a execução da obra.
A Proponente contará, dentro de
seu Setor de Segurança do Trabalho, com
pessoal habilitado e experiente na área,
para se assegurar da efetivação das seguintes
medidas de Minimização de Impactos Ambientais
que pretende adotar:
- Substituir os acessos bloqueados
para facilitar o tráfego dos pedestres
pelas cercanias da obra;
- Sinalizar interna e externamente
a obra, objetivando tanto pedestres
quanto veículos. inclusive para atender
ao horário noturno;
- Manter limpas as áreas do canteiro
e das frentes de serviços, sem permitir
o acúmulo de material escavado, entulhos,
lixos, madeira, etc;
- Combater permanentemente os focos
de poeira através da aspersão de água;
- Programar o horário das atividades
que causam ruídos, fora das horas
impróprias;
- Recuperar prontamente todo estrago
que eventualmente venha ocorrer em
decorrência das obras;
- Minimizar as interferências com
as propriedades vizinhas;
- Receber e responder formalmente
os pleitos individuais ou coletivos
da comunidade;
- Manter a política da boa-vizinhança;
- Impedir, durante a execução da
obra, serem bloqueados ou comprometidos
os cursos d'água ou escoamentos existentes;
- Cobrir os caminhões-caçamba com
lonas e lavar seus pneus quando em
transporte de terra fora do canteiro;
- Manter veículos e equipamentos
em condições adequadas para se evitar
a poluição atmosférica e sonora;
- Manter limpas as áreas de empréstimo
e convenientemente espalhado o material
de bota-fora;
- Reaproveitar o solo vegetal proveniente
das escavações para uso futuro no
plantio de grama;
- Antecipar o máximo os serviços
de plantio da grama a ser aplicada
na obra;
- Conservar as árvores que não forem
atingidas pelas escavações;
- Intensificar as campanhas públicas
de esclarecimento sobre higiene e
formas de prevenção de doenças, junto
aos seus funcionários;
- Criar, dentro do Setor de Segurança
do Trabalho, nos moldes da CIPA, o
Grupo de Educação Ambiental (GEA),
promovendo palestras, debates, educando
e buscando transformar seus funcionários
de pacientes em agentes do processo,
com vistas à melhoria da qualidade
de vida. Só a educação pode levar
à essa conscientização e mudança qualitativa
de comportamento;
- Colaborar com o Departamento de
Limpeza Urbana (LIMPURB), efetuando
a coleta seletiva do lixo: papel,
lâmpadas, embalagens longa-vida, etc,
serão recolhidos a um dos 37 postos
de Entrega Voluntária (PEV), da cidade.
O não reciclável será coletado diariamente
pela Prefeitura Municipal mediante
solicitação expressa à Administração
Regional que atende a obra;
- Proibir o uso do Rio Tietê para
depósito de entulhos , esgotos, lixo,
etc., esclarecendo seus funcionários
sobre o fenômeno da Eutroficação:
a matéria orgânica jogada em suas
águas, ao se decompor, provoca uma
fermentação que retira todo o oxigênio,
indispensável à vida do rio, ocasionando
a morte de plantas, microorganismos
e crustáceos e impossibilitando o
desenvolvimento dos peixes (atualmente
só encontrados junto à nascente, a
95 km da Capital);
- Após a execução da obra serão recompostas
e limpas as áreas de demolições, canteiro,
bota-foras, edificação
permanente, etc.
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A Proponente defende a posição
que Segurança do Trabalho é colocada
como prioritária e inerente ao seu
sistema de trabalho.
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| PRINCIPAIS MEDIDAS PROFILÁTICAS DE
HIGIENE E SAÚDE | |
Em todos os locais de trabalho haverá água
potável, não sendo permitido o uso
de copo coletivo;
Os
esgotos e águas servidas serão recolhidos
e lançados adequadamente;
Os locais de trabalho e alojamentos serão
mantidos higienicamente limpos e arrumados.
Serão distribuídos vasilhames com
tampa para recolhimento do lixo e
detritos em geral;
Será evitado o empoçamento
permanente de água e os reservatórios
serão mantidos permanentemente limpos;
O refeitório será dimensionado de
forma que todos os funcionários possam tomar
suas refeições assentados, à mesa.
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| PROPAGANDA. NÃO LEIA! |
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O PÉ-DIREITO DO AURÉLIO
1. Altura livre de um andar de edifício, medida do piso
ao teto. 2. Pilar ou muro sobre o qual assenta um arco,
uma abóbada, ou uma armação de madeira ou de cantaria: "os
pés-direitos, transformados em colunas agrupadas, atiravam-se
para o alto a sustentar o peso formidável das arcadas em
místico trifólio." (Inglês de Sousa...).
Já trifólio, também pelo Aurélio: 4.Geom. Anal. Podária
da tricúspide em relação a um ponto do seu eixo de simetria,
entre o vértice e a cúspide.
Enquanto que cúspide é: 7. Geom.
Numa curva, ponto duplo em que as duas tangentes são coincidentes;
ponto duplo em que o hessiano é nulo.
Hessiano, como todo mundo sabe, é: 1. Determinante
funcional que envolve as derivadas segundas de uma função
de diversas variáveis.
Portanto, muito cuidado ao procurar o significado destes
verbetes de Construção Civil nos dicionários.
Ou, então, leia a...
Revista EngWhere
Não engambela, nem chuta!
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Próximo Número:
Materiais de Construção:
Metodologia - Edificação
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ENGWHERE |
MUDAMOS O CONCEITO! MUDE A MENTALIDADE...
Provamos que Software de Orçamento pode ser ferramenta descomplicadora
e proporcionar prazer, criando o melhor e
mais completo software de orçamento de obras
no Mercado Nacional, e ligamos alta tecnologia
e qualidade a um suporte personalizado e vitalício.
Enquanto a Concorrência vende cursos tentando
explicar seus elefantes brancos, estamos buscando
oferecer um Software que dispensa a leitura
da Ajuda para operá-lo.
Queira crer que mesmo sendo o Melhor,
é disparado o Mais Barato da praça.
Oferecemos parceria na condução de seus próprios
negócios, e buscamos cada vez mais modernizá-los.
Naturalmente que procuramos também fazer sua
amizade.
Pense grande... não chore o leite derramado,
mas não seria hora de mudar este seu software
por um mais inteligente e moderno?
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| NOSSOS PARCEIROS |
ÉTICA E POLÍTICA
Engº
Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico, Licenciado
em Mecânica e Especialista em Gestão de
Tecnologia e Desenvolvimento
Professor de Cursos de Pós-Graduação em
Ética nas Organizações e Liderança
Pesquisador em Gestão de Mudanças e Comportamento
Ético nas Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento
organizacional
psertek@xmail.com.br
Portal educativo
1. Qual seria
uma visão plena do homem que poderia nortear
as nossas idéias políticas?
O personalismo constitue uma
visão plena do homem, tem em conta a sua
dimensão única - individualidade- e sua
dimensão pessoal e social. Sublinha a
dignidade do homem como pessoa e não deixa
arestas da sua dimensão de ser fora dela.
O personalismo caracteriza-se por uma
chamada à autorealização, abraçando livremente
os valores transcendentes e duradouros.
Concede especial importância à liberdade
pessoal: a própria e a dos demais, e por
conseguinte tem uma consciência muito
viva da responsabilidade pessoal (...)
insiste de modo particular nos deveres
com o próximo e considera seu cumprimento
como um meio de desenvolvimento pessoal
e de autorealização.
O motivo para adotar um padrão diferente
está em que a realização plena do homem
passa pelo "outro". A pessoa cresce e
se enriquece relacionando-se com os demais
de modo aberto e generosamente receptivo:
a alternativa é o isolamento social e
a alienação humana. Entende-se então como
o personalismo não só é compatível com
a comunidade, mas que constitui a condição
de qualquer comunidade sã e dinâmica.
Uma comunidade não fundada sobre o respeito
da dignidade da pessoa acaba por converter-se
em uma massa sem alma, em um campo de
concentração ou em um Estado totalitário.
2. Como se mede
a dignidade da pessoa humana?
Não se mede a dignidade de uma pessoa
pelo critério do ter mas do ser. O respeito
não deve pautar-se pela dimensão visual
do "fazer" (dimensão externa da ação)
da pessoa mas sobretudo do seu "agir"
(dimensão interna da ação). Daí a importância
de não classificar as pessoas pelos tipos
de trabalho, pois qualquer trabalho honesto
por minúsculo que seja é engrandecido
pelas atitudes internas: dimensão do agir.
Portanto, o fruto do trabalho não pode
ser o único critério de decisão, mas tem
que dar prioridade à pessoa. Assim como
o capital deve estar a serviço do trabalho.
O trabalho não pode ser um item de consumo,
mercadoria, instrumento utilitarista.
Tem que estar voltado para o bem da pessoa.
As pessoas não podem se transformar em
massa de manobra, ou postas no embrulho
dos interesses egoístas.
3. Qual seria uma atitude fundamental para o
exercício da cidadania?
Apontamos para um enfoque nos deveres
para com os outros, o seu exercício habitual
exige respeito pelo outro. Respeito supõe
consideração. As nossas decisões devem
pautar por uma consideração ao outro e
ao bem do outro: dar-lhe o devido sem
fazer acepção de pessoas.
4. O que é Ética?
A palavra ética tem sua origem na palavra
grega "éthos" que significa costume ou
comportamento consciente do homem. Não
é um mero elemento de fora que se incorpora
ao comportamento humano, mas sim uma conduta
escolhida de acordo com uma razão equilibrada.
Quando o homem determina-se a si mesmo,
guiado por seu espírito interior, a agir
bem, está atualizando seu éthos. A ética
é a ciência do éthos, da conduta humana
ordenada. Ela ajuda o homem a refletir
sobre o seu próprio atuar e determinar
quais são os modos de agir que aperfeiçoam
a personalidade humana e a convivência
social. Dirige-se ao ser do homem e o
leva a sua máxima perfeição. Ao contrário
as condutas de não-valor, trazem como
conseqüência a caotização da vida pessoal
e do entorno social. Já vemos que a ética
visa a realização da pessoa. Não uma realização
segundo um ou outro aspecto particular,
como seria a realização profissional,
financeira, afetiva, etc., mas a realização
do homem enquanto homem. Podemos nos sentir
realizados depois de verificar o saldo
no banco, no entanto este aspecto não
significa que estejamos plenamente realizados.
5. Em que princípios apoia-se a Ética?
O homem é um ser dotado de inteligência
e vontade livre. É capaz de escolher livremente
as ações que contribuem para a sua realização.
Desta forma torna-se responsável pela
sua própria edificação. A ética fundamenta-se
em dois princípios básicos : "Faz o bem
e evita o mal", "Não queiras para os outros
o que não queres para ti". Sob a luz destes
dois princípios decorrem todos os valores
morais. Um dos trabalhos primordiais é
o de pautar as próprias decisões de acordo
com eles. As escolhas livres, "aqui e
agora", estando ou não em conformidade
com os princípios podem contribuir para
melhorar ou corromper a personalidade.
A razão serve de guia para as diferentes
escolhas. Quando os princípios morais
estão bem arraigados constroem-se convicções.
As ações fruto destas convicções vão forjando
hábitos éticos na vontade.
6. Bastariam os
bons desejos para promover os hábitos
bons na Sociedade?
Não são suficientes os princípios
e convicções para atuar, é preciso querer
pô-los em prática. Corresponde à vontade,
a determinação das escolhas concretas
que fazemos. Cada um de nós experimenta,
mesmo sujeitos a condicionalismos, tomar
decisões livres. Somente com a participação
da inteligência e da vontade num ato determinado
é que podemos falar de moralidade. É precisamente
no campo ético que o homem atual está
mais desguarnecido. Ele se volta para
a realidade externa para conhecê-la melhor,
transformá-la, no entanto avança pouco
no conhecimento de si próprio e sobre
a sua finalidade de vida. Com freqüência
deixa o essencial para segundo plano.
Como todas as ações provêm do tipo de
convicções que se tem, não se pode esperar
que haja boa água num rio se a fonte estiver
contaminada.
7. Além da
falta de determinação, que defeito você
aponta para empreendermos mudanças?
Outro desvio ético da nossa sociedade,
é o da falta de unidade no agir. Adotam-se
posturas e critérios que variam de acordo
com os ambientes e circunstâncias. Peter
Nadas nos lembra essa falta de unidade:
"Em casa, vestimos o chapéu do pai ou
da mãe de família. No trabalho, o do empregado,
o do executivo ou do patrão. No clube,
o boné de atleta. Na igreja, somos piedosos
fieis. No ônibus, no metrô, o passageiro
sisudo; na rua, o pedestre indiferente
ou o motorista nervoso. O mal está em
que, junto com o chapéu, trocamos as nossas
hierarquias de valores, conforme o ambiente
em que estamos. Quando muito, adotamos
atitudes éticas, não por profunda convicção
do que é certo e do que é errado, mas
pelo medo de sermos "flagrados" em alguma
ilegalidade ou transgressão".
8. Mas afinal de
contas o que acontece com a nossa sociedade?
A nossa sociedade enveredou pela linha
da busca do progresso como solução para
todos os problemas humanos. Neste sentido
o escritor russo Alexander Soljenitsyn
aponta os resultados: "Estamos progredindo!
A humanidade instruída prontamente depositou
sua fé nesse progresso. E, no entanto,
ninguém indagou a fundo: Progresso sim,
mas em quê? Presumiu-se com entusiasmo
que o progresso abrangeria todos os aspectos
da existência da humanidade em sua inteireza.
..... O tempo passou e ficou demonstrado
que o progresso avança de fato, e surpreende
superando expectativas, mas só o faz no
campo da civilização tecnológica (com
especial sucesso para o conforto do ser
humano e nas inovações militares) (...)Tudo
o que esquecemos foi a alma humana. Permitimos
que as nossas necessidades aumentassem
à solta, e agora não sabemos para onde
dirigi-las. E, com a assistência obrigatória
dos empreendimentos comerciais, necessidades
cada vez mais novas são inventadas, e
algumas são totalmente artificiais; e
buscamo-las em massa, mas não encontraremos
realização. E nunca encontraremos" . A
ética dirige-se para a realização mais
profunda do homem. Fundamenta a conduta
em princípios que tem em conta o bem do
homem como um todo. O progresso material
é um aspecto mas não atende o anseio de
realização que brota em cada um. Aristóteles
afirmava com claridade meridiana: "Nenhum
bem finito as riquezas, o prazer, as honras,
a saúde e fortaleza corporal- pode ser
objeto da felicidade humana, porque são
incapazes de saciar as tendências principais
e mais próprias do homem".
Todo homem está submetido a uma tensão
entre; o que é e o que deve ser. É exatamente
nesse processo de autorealização que se
insere a ética. Há princípios que regem
a realização da pessoa como um todo; o
da veracidade, imparcialidade, lealdade,
solidariedade, etc. Procurando que as
ações estejam em conformidade com estes
princípios, levam a uma estruturação harmônica
da personalidade. Em uma determinada sociedade,
instituição, etc., a sua grandeza será
medida pela somatória dos valores das
atitudes dos seus integrantes.
9. O que dizer
dos comportamentos massificados?
Com muita freqüência os cursos de ética
acabam degenerando para a "ética da mediocridade",
a ética segundo os moldes da média, do
que todo mundo faz. Alguns se restringem
no até onde posso ir para não ser preso.
A verdadeira postura ética é a busca da
excelência. É uma visão magnânima, não
fica nos cálculos egoístas. A prática
ética leva em conta dois movimentos, aqui
analisados separadamente, mas que na realidade
andam juntos como as duas faces de uma
moeda. Um primeiro movimento é de dentro
do homem para fora e o outro de fora para
dentro. Uma ação valiosa provem de uma
pessoa de valor. Do menos não sai o mais,
não se tira dez de meia dúzia. De uma
árvore má não se colhem bons frutos. Daí
a realidade de que se conhece o que somos
pelo que fazemos. Diz um pensador que
uma pintura fraca é de um pintor fraco.
Por outro lado o segundo movimento é o
da correção o da busca árdua da ação de
qualidade. A ação de valor aperfeiçoa
a pessoa . É o cultivo das virtudes. Ações
que visam a perfeição no "fazer", mas
desvinculadas de qualidade no "agir" podem
render no curto prazo, no imediato, mas
a médio e longo prazo desestruturam e
caotizam. Cada homem se aperfeiçoa com
os bons hábitos. Estes adquirem-se à base
de repetição constante de atos valiosos.
O enfoque que temos que dar é o da ética
das virtudes. Uma ética que parte positivamente
para o empreendimento valioso e não para
a retranca da mediocridade. Vem sob medida
um conselho para potenciar o crescimento
das virtudes: "Uma ética para empresários,
diretores, em resumo, não consiste em
um conjunto de regras para saber quando
uma decisão é contrária a ética ou quando
não é. Consiste, essencialmente, em um
conjunto de conhecimentos que ajudem os
dirigentes a descobrirem as oportunidades
que lhes brinda sua profissão para que
cheguem a ser melhores pessoas, isto é,
para que desenvolvam suas virtudes morais".
10. O que significa virtude?
Qualidade no agir significa virtude. A
palavra virtude, muito esquecida nos dias
de hoje, é o bom hábito. Por outro lado
o vício é o mau hábito. As virtudes se
adquirem à base de repetição de atos.
No início podem ser custosos, mas à medida
que se praticam, criam uma facilidade
no agir. Virtude vem da raiz latina "vir"
que significa força. Onde reside esta
força? Na vontade. A vontade vai se enrijecendo
e aumentando a sua capacidade de definir-se
pelos valores. Os filósofos dizem que
se ganha uma "segunda natureza", porque
a "primeira natureza", a bruta pende pelo
caminho da facilidade, da lei do mínimo
esforço. Comprova esta idéia o que vemos
na nossa sociedade de consumo apontada
por Isaac Riera: "Os filhos desta sociedade
do bem-estar temos a alma muito débil
e frágil, porque não estamos acostumados
a suportar carências nem tão pouco a vencer-nos.
A vontade exercita-se e desenvolve-se
quando há que se exigir muito a si mesmo
diante das dificuldades e durezas da vida,
mas fica atrofiada quando tudo são comodidades.
E aqui está o ponto central da questão:
não se pode esperar muita altura moral
de quem se rege pela lei do mínimo esforço,
mas essa lei nos foi inculcada, em princípios
e na prática, pela sociedade do bem-estar
em que estamos instalados".
11. Que princípios
básicos regulam a ordem social?
Os princípios básicos são os da solidariedade,
subsidiariedade e participação.
12. O que é o princípio da solidariedade e como
exercitá-lo efetivamente?
A solidariedade estimula cada homem
para que contribua efetivamente para o
bem comum em todos os níveis.
"O homem não está destinado só a viver
com os demais, mas sim também a viver
para os demais".
Deve haver um empenho de cada um para
contribuir para o bem de todos e cada
um dos homens. Afastar as justificativas
para colocar-se a margem deste dever.
A solidariedade nos ajuda a ver o "outro",
não como um instrumento qualquer para
explorar a pouco custo sua capacidade
de trabalho e resistência física, abandonando-o
quando já não serve.
A solidariedade se manifesta por meio
de obras concretas de serviço aos outros.
Cada um de acordo com as suas possibilidades,
materiais, intelectuais, etc, pode fazer
render os talentos pessoais em serviço
dos outros. Sair da carapaça de egoísmo
e contribuir para resolver os problemas
do entorno em que se vive. Começar a mudança
por si próprio, fundamentada na própria
luta pessoal. Depois ser a onda que se
expande no lago, influenciando positivamente
os outros. Não se limita à ajuda em coisas
materiais, ajudar a que as pessoas tenham
acesso aos bens da cultura e a formação
espiritual.
O mesmo modelo de relação entre os homens
deve ser aplicado entre instituições e
Estados. Contribuir para o desenvolvimento
solidário da comunidade.
13. O que é
o princípio da subsidiariedade e como
exercitá-la efetivamente?
A prática do princípio da subsidiariedade
garante que nem o Estado nem sociedade
alguma deverão jamais substituir a iniciativa
e a responsabilidade das pessoas e dos
grupos intermediários nos níveis em que
estes podem atuar, nem destruir o espaço
necessário para a sua liberdade".
Fundamento da subsidariedade se encontra
na "centralidade do homem na sociedade".
Cada pessoa humana tem o direito e o dever
de ser o "autor de seu próprio desenvolvimento".
A subsidiariedade leva a que: "Uma estrutura
social de ordem superior não deve interferir
na vida interna de um grupo social de
ordem inferior, privando-o de suas competências,
mas sobretudo deve sustenta-lo em caso
de necessidade e ajuda-lo a coordenar
sua ação com a dos demais componentes
sociais, com vista ao bem comum".
São arbitrárias e injustas as limitações
à liberdade das consciências ou as legítimas
iniciativas de cada um.
14. O que é o princípio
da participação e como exercitá-lo efetivamente?
O bem comum resulta da intervenção
ativa de todos os cidadãos. Deve haver
uma participação, com empenho de cada
um dos membros da sociedade.
Ampara o direito dos indivíduos e das
sociedades intermediárias frente os possíveis
abusos de poder por parte do Estado. Impulsiona
a que todos se preocupem pelo bem comum.
Garante a liberdade de constituir associações
honradas que contribuam para com o bem
comum.
"A manutenção do povo à margem da vida
cultural, social e política, constitui
em muitas nações uma das injustiças mais
clamorosas de nosso tempo".
15. O que fazer
para ter qualidade de empreendimento visando
o bem comum?
As pessoas empreendedoras nos atraem,
que seria de nós se à nossa volta as pessoas
que trabalhassem e convivessem conosco
fossem passivas, não tomassem iniciativas.
Nos atraem sobretudo as pessoas proativas,
mas que sabem atuar não simplesmente buscando
seus próprios interesses. O que mais faz
desprender da potencialidade humana a
riqueza da ação é o amor. Desprende da
alma forças criadoras a partir do desejo
das coisas boas, dos objetivos de qualidade.
Contrariamente ao que alguns pensam o
desejo do bem é mais forte que as que
provem do egoísmo. A qualidade de empreendimento
dirigido ao bem começa com firmeza e com
o tempo vai solidificando-se mais. As
motivações fundadas na busca de si próprio
acabam naufragando na perda de sentido,
na experimentação da angústia e da tristeza.
A tristeza é o estado de ânimo mais desfavorável
para qualquer empreendimento.
Verifica-se essa qualidade sobretudo diante
das dificuldades, pois trata-se de crescer
diante delas e não desistir. "As contrariedades
representam muitas vezes o álibi que nos
aquieta a consciência. Pensamos: quando
concebi aquele ideal, quando formulei
aquele propósito, eram outras circunstâncias;
agora, na situação em que me encontro,
já não tenho condições de levá-lo a cabo".
16. Qual a
influência do desenvolvimento do caráter
pessoal nas atividades políticas?
O trabalho seja ele qual for, é o
âmbito onde dá-se parte importante da
realização da pessoa. Todo trabalho corresponde
a uma perfeição no "fazer", aperfeiçoa
algo externo ao homem. Ao mesmo tempo,
corresponderá a um aperfeiçoamento daquele
que o realiza (qualidade no agir). Há
uma mútua interação entre qualidade do
caráter e qualidade do trabalho realizado.
Em todos os níveis da instituição haverá
um benefício direto, fruto deste processo
de melhoria da personalidade. São
potenciadas as relações do tipo Servir/Servir,
cada vez mais reforça-se o sentido de
comprometimento com os objetivos de interesse
comum e sobretudo cria-se um ciclo sinérgico
positivo.
Convêm salientar que o processo de melhoria
do caráter é algo que deve brotar do convencimento
de cada pessoa da sua eficácia e sobretudo
do valor que encerra em si mesmo. As pessoas
não adquirem virtudes por decreto. O melhor
modo de estimular as pessoas a percorrerem
este caminho - talvez o único- é o bom
exemplo. Qualquer sistema educativo estará
comprometido sem o influxo do exemplo
que deve vir de cima. Nada mais deletério
para o ambiente institucional quando as
virtudes estão mais nas palavras dos seus
dirigentes do que nas suas ações.
17. Qual deve ser
o papel do político com relação a educação?
O homem de estado -como o pedagogo-
deve ter uma ciência profunda da alma
humana . Um, a necessita para legislar
o outro para educar. O primeiro opera
sobre o cidadão desenvolvido; o segundo
sobre o cidadão imperfeito. O educador
será homem de Estado porque trabalha tendo
em vista as instituições políticas, e
o homem de estado será pedagogo porque
a educação deve fortificar as instituições
políticas.
Deste modo, a pedagogia como a política
tem um mesmo fim: a felicidade da cidade;
e tem o mesmo ponto de apoio: a psicologia
humana; em fim prestam uma mútua assistência.
Fazer do homem um homem bom, supõe então
uma adequada articulação entre Ética e
Política. Entendemos então a educação
como uma atividade eminentemente ética
e portanto orientada a revestir um caráter
individual mas com uma vertente política
essencial.
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Vilmar Berna
Editor do Jornal do Meio Ambiente/Prêmio Global
500 da ONU de Meio Ambiente
Presidente da ONG IBVA - Instituto Brasileiro de Voluntários
Ambientais
Email: vilmarberna@jornaldomeioambiente.com.br
Site: www.jornaldomeioambiente.com.br
Tel/fax: (0xx21) 2610-2272 / 7365
Correspondência: Trav. Gonçalo Ferreira, 777 - Casarão da Ponta
da Ilha Bairro Jurujuba - Rio de Janeiro, RJ CEP 24370-290
Sobram problemas, Faltam Cidadãos
O Brasil tem problemas e isso não é novidade
para ninguém. Mas se por um lado sobram problemas,
por outro, faltam cidadãos. Sabemos que sem
povo não se cria nada de novo, como já diz o
ditado. Mas e o povo? E os nossos jovens? Onde
estão que não se levantam contra o sucateamento
do patrimônio coletivo nacional, e isso não
inclui apenas prédios e empresas, mas a natureza,
a cultura, o conhecimento? Já não satisfaz a
explicação de que a luta pela sobrevivência
tem afastado as pessoas das lutas coletivas,
pois isso equivaleria a dizer que os presidentes
de associações de moradores ou de grupos ecológicos,
por exemplo, seriam pessoas saudáveis e com
situação econômica definida. E isso está bem
longe da realidade. São comuns os casos de líderes
comunitários desempregados ou sub-empregados,
e até doentes, que nem por isso deixam de lutar
pelos direitos de toda a sociedade ou de sua
comunidade.
Na verdade o que falta hoje em nossa sociedade,
de fato, é cidadania. No fundo, todos queremos
viver num mundo melhor, mas a maioria prefere
achar que esse mundo mais pacífico, justo e
ecológico começa no outro, depende do vizinho,
do político, da empresa. Enquanto perdurar a
visão individualista de cada um cuidar de si
e Deus de todos, sobrarão problemas e os poucos
cidadãos engajados nas lutas coletivas terão
de se conformar em assistir o mundo piorar muito
mais, antes de melhorar.
Outro dia ouvi um ecologista se lamentando num
momento de muito pessimismo diante da enormidade,
gravidade e multiplicação dos problemas ambientais.
Afirmava que a luta ecológica estava perdida
e que o planeta iria mesmo acabar, incapaz de
sustentar a vida, sufocado em tanta poluição
e degradação ambiental.
Neste caso, afirmei, prefiro morrer lutando.
Defender a natureza não
é só cuidar de plantas e bichos
Nós, seres humanos, também fazemos parte da
natureza. Portanto, não basta apenas defender
as florestas e os animais, é preciso também
defender a melhoria concreta da qualidade de
vida das populações humanas - sem deixar de
cuidar das plantas e dos animais, claro, pois
tanto nossa vida quanto a deles, depende das
inúmeras relações que existem na natureza, onde
nada existe isolado um do outro.
Defender o meio ambiente preservado é fundamental
para a manutenção da saúde humana. O lixo espalhado,
as valas de esgoto, o ar e a água poluída, o
barulho, os alimentos contaminados por venenos
e aditivos perigosos, tudo isso, e muito mais
provocam doenças nas crianças e adultos, além
de tornar a vida mais feia e infeliz. Nenhum
de nós nasceu para ser infeliz. Cuidar da natureza
é também uma forma de garantir a felicidade
humana, pois ninguém consegue ser feliz vivendo
num lugar poluído, onde não existe árvores,
pássaros, animais.
Por isso a defesa da natureza é uma questão
ética, ou seja, um compromisso de nossa espécie
com o planeta, onde cada um de nós precisa assumir
posturas menos individualistas e egoístas, preocupando-se
não apenas com os direitos dos outros indivíduos
de nossa espécie, mas com os direitos das plantas
e dos animais à vida e à liberdade.
Defender a natureza não se pode resumir apenas
em buscar novo relacionamento de nossa espécie
com o planeta, mas principalmente buscar um
novo relacionamento entre nós próprios, seres
humanos. As relações humanas são dominadas por
estruturas extremamente injustas, onde uma minoria
possui todas as riquezas e meios de produção,
enquanto a maioria da população vive na miséria,
passa fome, sem as mínimas condições de vida.
As relações que causam essa superexploração
dos seres humanos, são as mesmas relações que
superexploram os recursos do planeta. O grau
de nosso relacionamento com o planeta, os animais,
as plantas, o meio ambiente, baseado na exploração
ilimitada, é apenas um reflexo do nível de maturidade
existente hoje nas relações humanas, baseadas
na exploração da mão-de-obra humana e nas injustiças
sociais.
Educação Ambiental
e Cidadania
As árvores não são derrubadas, a fauna sacrificada
ou o meio ambiente poluído porque nossa espécie
desconhece os impactos dessa ações sobre a natureza.
Não é por falta de conhecimento que o meio ambiente
é destruído, mas devido ao atual estágio de
desenvolvimento existente nas relações sociais
de nossa espécie.
Portanto, é ilusão pretender que a educação
ambiental, por si só, seja capaz de enfrentar
estes enormes desafios. Antes, enfrentando,
de se pensar em educar para o meio ambiente,
é preciso investigar que ambiente é esse? Quem
são seus agressores? E por quê?
A população tem uma visão muito romântica da
ecologia, associando-a mais em defesa do verde
e, por extensão, das árvores e animais e como
se a espécie humana não fizesse parte da natureza.
Logo, por mais que julguem as questões ecológicas
importantes, a maioria da população as considera
secundárias. É mais importante lutar por moradia,
alimento, emprego, escola, bons salários etc.
Ecologia é assunto para as classes mais abastadas,
que já resolveram esses problemas básicos de
infra-estrutura e podem viver em bairros melhores,
longe da poluição, em locais arborizados.
Os ecologistas pouco contribuíram para modificar
essa imagem e - na maioria dos casos - ajudaram
até a reforçar essa visão romântica e alienada.
Dedicaram-se muito mais à defesa de animais
e plantas que aos problemas da espécies humana.
Com isso, embora sem má fé, ajudaram a associar
ecologia ao meio ambiente natural, onde vivem
as plantas e os animais, deixando de fora o
meio ambiente urbano/rural, onde vivem os seres
humanos. Sabemos no entanto, que ambos os ambientes
vivem interrelacionados, logo, as lutas por
melhores condições de vida travadas por sindicatos,
associações de moradores e outras entidades
da sociedade civil, por exemplo, são também
lutas pelo ambiente, no caso, ambiente humano.
A partir disso, é possível contribuir para ampliar
a visão de ecologia, principalmente das populações
de baixa renda, que são quem efetivamente detém
o poder de transformação da realidade, uma vez
que os beneficiados com a poluição ou a exploração
dos recursos naturais são irão abrir assim tão
facilmente de seus privilégios.
Outra questão que os educadores ambientais precisam
resolver para realizarem planejamento de ensino
é definir os principais responsáveis pela destruição
do ambiente. É comum acusar-se a falta de conhecimento
ambiental, o progresso ou a tecnologia, entre
outros fatores, como os inimigos da natureza.
Isso seria verdadeiro se pessoas com o conhecimento
ambiental não destruíssem a natureza. Infelizmente,
não é o que se vê. Os caçadores, por exemplo,
possuem muito mais conhecimentos sobre ecologia,
natureza e a vida silvestre que muitos ecologistas,
mas usam esses conhecimentos para destruir e
matar.
Com relação ao progresso é a mesma coisa. Na
década de 70, governos internacionais preocupados
com a rápida destruição dos recursos naturais
e a poluição do planeta, defenderam a tese do
crescimento zero, ou seja, congelar os níveis
de progresso à época. Ora, por diversas vezes
durante nossa história econômica, o Brasil teve
crescimento abaixo de zero, portanto negativo,
e nem por isso viu diminuindo seus problemas
ambientais, muito pelo contrário. Devido à crise
econômica, as empresas investiram menos em controle
de poluição.
A questão tecnológica também tem sido apontada
como uma das responsáveis pela destruição ambiental,
uma vez que polui, degrada o meio ambiente e
desperdiça recursos naturais. Ora, a tecnologia
e a ciência não são neutras. Elas se submetem
aos interesses dos detentores do poder naquele
momento. Por outro lado, a adoção de tecnologia
mais brandas e menos poluentes não asseguram
uma relação menos predatória nas relações humanas,
pelo menos. Um exemplo disso são quartéis de
soldados norte-americanos movidos a energia
solar ou biodigestores em países colonizados.
Enfim, o que podemos perceber é que a destruição
da natureza não resulta da forma como nossa
espécie se relaciona com ela, mas da maneira
como se relaciona consigo mesma. Ao desmatar,
queimar, poluir, utilizar ou desperdiçar recursos
naturais ou energéticos, cada ser humano está
reproduzindo o que aprendeu ao longo da história
e cultura de seu povo, portanto, este não é
um ato isolado de um ou outro indivíduo, mas
reflete as relações sociais e tecnológicas de
sua sociedade. Portanto, é impossível pretender
que seres humanos explorados, injustiçados e
desprovidos de seus direitos de cidadãos consigam
compreender que não devam explorar outros seres
vivos, como animais e plantas, considerados
inferiores pelos humanos. A atual relação de
nossa espécie com a natureza é apenas um reflexo
do atual estágio de desenvolvimento das relações
humanas entre nós próprios. Vivemos sendo explorados,
aprendemos a explorar.
A educação ambiental, portanto, constitui-se
num desafio. Primeiro dentro do próprio sistema
educativo, historicamente domesticador, à medida
que tende a incutir nas gerações mais jovens
os conceitos, valores e ideologias das gerações
adultas. Depois, separando informação de formação.
Não é pelo maior ou menor volume de informações
vinculado pelos meios de comunicação que a população
aprende a pensar criticamente e atuar em seu
mundo pra transformá-lo. Muito pelo contrário.
Sem uma base que permita a compreensão do que
está sendo transmitido, o receptor acaba tornando-se
insensível diante da poluição da informação,
as palavras perdem o significado e importância,
tanto faz derrubarem uma árvore ou uma floresta,
tanto faz assassinarem um indivíduo ou uma multidão
inteira numa republiqueta qualquer. A educação,
por sua vez, não se dá ao vácuo, mas inserida
em seu tempo e no contexto. Deve, portanto,
associar-se aos meios de comunicação para, a
partir das informações veiculadas, desenvolver
um processo educativo, crítico e participativo,
adequado à realidade dos alunos.
Não há educação ambiental sem participação política.
Logo, não é de estranhar que os governos até
hoje não tenham conseguido estabelecer diretrizes
e investir realmente em educação ambiental,
pois é impossível estimular a participação mas
não garantir os instrumentos, direitos e acesso
à participação e interferência nos centros de
decisões. O ensino para o meio ambiente deve
contribuir principalmente para o exercício da
cidadania, estimulando a ação transformadora,
além de buscar aprofundar os conhecimentos sobre
as questões ambientais, as melhores tecnologias,
estimular mudança de comportamento e a construção
de novos valores éticos menos antropocêntricos.
É preciso ficar claro que a educação ambiental
é fundamentalmente uma pedagogia de ação. Não
basta se tornar mais consciente dos problemas
ambientais, sem se tornar também mais ativo,
crítico e participativo. Em outras palavras,
o comportamento dos cidadãos em relação ao seu
meio ambienta, é indissociável do exercício
da cidadania.
A Percepção da Ecologia
É fundamental para os ecologistas falarem uma
linguagem que seja percebida por todos, especialmente
pelas lideranças dos movimentos comunitários,
sindicais, profissionais, enfim aqueles que
possuem poder de multiplicar e de produzir informações
e de contribuir para o processo de transformacão
social. Os ecologistas podem ter a clara percepção
do que precisa ser mudado, a fim de conseguirmos
uma relação mais harmônica da espécie humana
com as outras espécies e o próprio planeta,
entretanto, para conseguir mudar efetivamente
as coisas é preciso a participação da população,
afinal, sem povo não se cria nada de novo, já
diz o ditado. Caso os ecologistas insistam em
usar linguagem técnicas ou conceitos ecológicos
ainda não assimilados pela população, como ecossistemas,
habitat, ecologia, mata atlântica, etc. além
de não conquistarem para as teses ecológicas
a adesão das forças vivas da sociedade, capazes
de produzir mudanças, ainda terão dificuldades
cada vez maiores por libertarem-se de preconceitos
secundário, preocupação de elites e de segmentos
da população que já resolveram seus problemas
básicos de sobrevivência, no fundo, um tema
desmobilizador e inoportuno para uma sociedade
tão carente de tudo, como a brasileira.
Por outro lado, é preciso perceber que a população,
por mais carente que seja, possui consciência
ecológica, só que essa percepção é bastante
romântica, associando-se mais à proteção das
plantas e dos animais e menos à qualidade de
vida da espécie humana, como se não fizéssemos
parte da natureza. Para a maioria, lutar pelo
fim das valas de esgotos a céu aberto, mas condições
de trabalho nas fábricas etc. não é fazer luta
ecológica. Infelizmente os programas de tevê
sobre questões ambientais têm contribuído muito
pouco para desmistificar a ecologia. Se por
um lado ajudam a divulgar e a promover a conscientização
sobre o problema, por outro contribuem para
a desmobilização da sociedade.
Existe uma tendência nas sociedade modernas
pela separação dos assuntos uns dos outros,
sob pretexto de poder estudá-los melhor. Esse
é um método de análise cientifica que, se por
um lado produz profundos conhecimentos sobre
particularidades da realidade, por outro perde
a visão do conjunto. Aconteceu assim com a Saúde,
Educação. Transporte, Emprego etc. como se fosse
questões isoladas umas das outras. As administrações
públicas e as organizações não-governamentais
acabaram transpondo para a organização social
essa mesma fórmula, criando-se departamentos
e compartimentos estanques - e por vezes incomunicáveis
- para tratar dos diversos temas da sociedade
humana, o que acabou por incentivar o corporativismo
e formação de verdadeiros guetos. A ecologia
é um tema novíssimo, com pouco menos de duas
décadas de publicidade e, ainda hoje, as organizações
humanas governamentais ou não-governamentais
lidam com o tema sem saberem direito como conduzi-lo.
O resultado é que a ecologia e os ecologistas
foram pegos também pela tendência de nossa sociedade
a compartimentalização. Se para a Saúde e a
Educação, por exemplo, isso foi terrível e tem
trazido seqüelas indesejáveis, para as questões
ecologicas foi um verdadeiro desastre, devido
o seu caráter ser mais geral que particular.
Em outras palavras, o sistema apropriou-se da
questão transformando a ecologia num tema técnico,
quando na verdade é muito mais ético e político,
penetrando em todos os outros assuntos humanos.
Um dos resultados disso é a neutralização dos
esforços dos ecologistas sempre que tentam penetrar
em outras áreas que não a ambiental, como se
fossem intrometidos em busca de ampliação de
espaços de atuação política. Então, quando algum
ecologista fala sobre fauna e flora, é imediatamente
aceito, mas quando discute os aspectos antiecológicos
da Saúde, Educação, Moradia etc. é logo criticado,
como se estes assuntos não estivessem interligados.
Logo não é apenas a população que percebe mal
as questões ecológicas. As organizações governamentais
e não-governamentais, incluindo-se ai os partidos
políticos, também.
O que é preciso deixar bem claro, principalmente
nestes novos tempos eram que líderes e administradores
debruçam-se sobre as questões ecológicas, em
função das exigências da sociedade e da Constituição
, é que não é se criando departamentos, secretarias,
ministérios para o meio ambiente que se resolverá
a questão, se não houver igualmente uma ecologização
dos temas tradicionais como Saúde, Educação,
Moraria, Transporte, Emprego etc. É preciso
romper com a própria tendência dos ecologistas
à acomodação em seus guetos e compartimentos
onde o ecologês é compreendido sem questionamentos.
Os ecologistas precisam ganhar as ruas, conquistar
o povo, mas antes devem rever sua linguagem.
Para a população especialmente a mais carente,
as questões ecológicas aparecem embutidas nos
temas associados à qualidade de vida. Por exemplo,
as diversas poluições, o lixo tóxico, os agrotóxicos
são temas ligados à saúde, os desmatamentos
e os reflorestamentos ligados à saúde e também
à segurança civil, e por extensão, à mordia,
as teses da descentralização econômica, de pólos
industriais, de empresas poluidoras são ligada
a emprego e a salário; erosão, destruição de
recursos naturais, ocupação de leitos de rios
e de encostas, também associados à moradia,
as ciclovias, os transportes de massa em vez
de coletivos, o gás natural em vez de diesel,
associados ao transporte mais confortável e
barato, e assim por diante. Se os ecologistas
querem a compreensão e a mobilização da sociedade
para os temas ecológicos, devem antes procurar
adaptar o ecologês às carências da nossa sociedade,
partindo dos temas que já dominam e conhecem
para os que precisam conhecer a fim de construírem
uma melhor relação, mais harmônica, menos poluidora
com seu meio ambiente e os outros seres vivos
do planeta. A mensagem mais importante que os
ecologistas podem passar é que nada existe isolado
no planeta, mas tudo está inter-relacionado
entre si. O que acontece num lugar afeta um
outro. Para pior ou para melhor.
E tem mais um elemento importante que os ecologistas
devem levar em consideração antes de falarem
dos outros seres vivos do planeta, como as plantas
e os animais. O ser humano deve ser a medida
de todas as coisas, pois é a única espécie em
condições de alterar profundamente seu meio
ambiente. Entretanto, antes de se propor uma
relação mais harmônica e menos predatória de
nossa espécie com as outras, que consideramos
inferiores, é preciso engajar a ecologia nas
lutas contra a exposição de um indivíduo contra
o outro em nossa própria espécie. Ou continuaremos
contribuindo para romantizar as relações ser
humano-planeta Terra, e tornar as questões ecológicas
cada vez mais supérfluas, elitistas e secundárias,
reservadas apenas a um pequeno grupo de iniciados,
que adoram discursar sobre os próprios umbigos.
Meio Ambiente e Educação
Em ecologia apenas transmitir conhecimentos
não basta, pois a televisão já faz isso com
muito eficiência, além do aluno já contar com
experiências e vivências em seu dia-a-dia, com
poluições de todo tipo em sua volta. A televisão,
no entanto, não possui o caráter pedagógico
requerido para o ensino do meio ambiente, mas
isso não significa que se deva combatê-la. É
mais o caso de complementá-la, lidando com as
informações e conceitos veiculados para ajuda
aos alunos na reflexão sobre os fatos, relacionando-os
com suas realidades mais próximos. Nesse processo,
os alunos ao mesmo tempo que adquirem os instrumentos
intelectuais necessários para a compreensão
do mundo em que vivem, motivam-se a transformá-lo,
buscando solução real para os problemas apresentados,
atacando suas causas. Neste sentido, se adequadamente
utilizada, a televisão pode ser uma aliada,
não uma adversária ao professor.
Este é um dos grandes desafios que a educação
para o meio ambiente traz para o professor,
mais acostumado a ser um mero transmissor de
conhecimentos e seus alunos simples espectadores,
cujo objetivo final é tirar boas notas nos testes.
Agora o objetivo final é a transformação, uma
pedagogia voltada para a ação, aqui e agora.
A primeira tarefa do professor de | |
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