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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS E CANTEIROS DE OBRAS PARA ENGENHEIROS E CONSTRUTORAS
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Ano 02 . nº 11 . 01/09/2002
NESTA EDIÇÃO: A História da Engenharia que Ninguém
Conta
Deus, Maguila e o Diabo na Terra dos Babaçus, e outras injúrias
Ética e Qualidade
Meio
Ambiente: Política Ambiental |
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Quando os ricos fazem a guerra,
são sempre os pobres que morrem - Jean Paul Sartre |
CONSTRUTORAS
E ENGENHEIROS CIVIS
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DEUS, MAGUILA E O DIABO NA
TERRA DOS BABAÇUS
A História da Engenharia nacional ganhou
seu mais importante round construindo as
chamadas "obras faraônicas". Apesar de suas
já tão decantadas inconveniências, mormente
a de ter pesado no bolso de muitos, embora
a abundância de empregos gerados, e de tudo
quanto se comentou, e que não iremos repetir
aqui, proporcionou ao Engenheiro e às construtoras
o exercício pleno de suas funções: construímos
as maiores estradas, as maiores pontes,
as maiores siderúrgicas, a maior obra do
mundo.
Aprendemos, ensinamos, e fomos uns campeões,
uns Maguilas, e fizemos enorme furor.
Um momento, entretanto, nem tão comentado,
e inglório, também ficou cravado na História
imediatamente após acabado este carnaval
e as contratações gigantescas, sobre o qual
estaremos discorrendo: a quarta-feira de
cinzas da Engenharia no Brasil.
A primeira lei a vigorar sobre a humanidade,
desde milhares de anos antes que as
próprias Tábuas de Moisés, e que pegou desprevenidos
os próprios Adão e Eva, como sabemos, foi
a Lei do Mais Forte. Em nosso Setor não
aconteceu diferente: as grandes construtoras,
sem opções, começaram a entrar de solapa
e reter para si as obras menores e até as
pequenas, e com um pecado capital: mesmo
não sabendo construir obras modestas e independente
de estarem dentro de seu campo de atuação.
Por diferir substancialmente das demais
e serem relativamente pouco praticadas,
ou só executadas por empresas especializadas,
pelas dificuldades de logística, exigir
bom senso quilométrico, a mais difícil obra
é, sem sombra de dúvida, a Linha de
Transmissão, uma indústria a céu aberto
com 400 km de extensão.
Para ela se dirigiram as mega-construtoras.
Por questões didáticas, e não querendo
criar suspense, pedimos licença ao leitor
para interrompermos o raciocínio e abrirmos
parênteses sobre algumas peculiaridades
desta obra. Seremos breves.
Imaginemos a concretagem da base de uma
das torres a 300 km do canteiro, onde se
encontra o Residente. O tamanho da base
é mínimo e serão lançados pouquíssimos
metros cúbicos de concreto. Está sendo feita
por profissionais que, só nesta obra, já
concretaram centenas delas, e saberão o
que estarão fazendo. O concreto é controlado,
os serviços são fiscalizados, a obra encontra-se
em sua rotina e o Engenheiro de Campo já
passou ou deverá estar por lá há algum tempo.
Diferentemente de todas as demais obras
em que sua presença constante em campo é
obrigatória, nas linhas de transmissão é
perda de tempo e dinheiro o Residente reunir
seu staff para fazer excursões, com ida
e volta de 600 km, para verificar o andamento
de concretagens de 2 metros cúbicos. Mais
do que nunca suas armas terão que ser as
de Controle, antes que as do Turismo.
O sertanejo maranhense, castigado com a
falta de chuvas, rijo, mais que gente, como
um babaçu, e confundindo-se com o babaçu
(enganam-se os que pensam serem palmeiras
o que tem em sua terra), admirava a Linha
de Transmissão rasgando seu Estado.
Quem sabe agora tudo não se resolveria?
A maneira mais apropriada de se concretar
bases pequenas e distantes, é com o uso
de uma caminhonete, preferivelmente tracionada
nas 4 rodas para vencer as precárias estradas
construídas provisoriamente ao longo da
obra, pois se locomove com agilidade para
todo lado transportando a betoneira à gasolina,
uma porção de brita e outra de areia, alguns
sacos de cimento e eventualmente alguns
tambores de água. O Encarregado na boléia.
Entretanto, uma mega-construtora que se
preza evidentemente que não utiliza este
tipo de improvisação. Mobiliza-se logo uma
central de concreto, 5 ou 6 caminhões-betoneira
de 7 m³ e "vamos ensinar esta gente como
se faz obra."
É o mesmo que entregar uma renda delicada
para o Maguila bordar...
São Pedro, alheio às linhas de transmissão,
e certamente preocupado com seus babaçus,
lançou um de seus versos abençoados que
se tornou prece de agradecimento:
- Choveu no Sertão!
Com as chuvas os acessos ficam intransitáveis
e irão requerer equipamentos sobre esteira
para rebocar os veículos e os demais equipamentos
sobre pneus. Por sua vez o trânsito das
máquinas pesadas obriga a manutenção constante
dos acessos, e um número maior delas exigirá
a presença de comboios de abastecimento
e lubrificação, e outros apoios...
A caravana de caminhões betoneiras, tratores,
pás, rolos, central de concreto, basculantes
para os agregados, patrol, comboios de lubrificação, pipas,
jeeps, carretas de cimento, guindaste, caminhonetes
para os encarregados, veículos de passeio
para o staff presenciar as concretagens
de 2 metros cúbicos rasos, perfilava, e
enchia os olhos admirados dos babaçus ainda
que mestres, entre outras coisas, em
concretagens grandes e pequenas.
Nossas maiores construtoras, que não sabem
fazer orçamento de subestações elétricas,
estão também muito distantes de saber executar
uma Linha de Transmissão, e tão distantes
quanto o Maguila, com luvas, de saber pregar
botões em camisas. Aliás não teríamos medo de
perguntar a ele se sabe. Certamente que
com a sua competência e humor só iria rir
na cara da gente. Mesmo sabendo estarmos
em plena quaresma, e decepcionados com estes
fracassos.
Não perca, em próximos números da Revista, o desenrolar
da História da Engenharia que Ninguém
Conta, cujo primeiro capítulo homenageou a
Camargo Corrêa, e os demais, também
com final triste, antecipamos:
A Mendes Júnior ataca de Linha de Transmissão
no Paraná.
. Todas as
frentes de serviço atrasam ou dão problemas ou
são refeitas.
. De como perdemos o crédito em todos
os bons botequins que freqüentávamos, por confundirem-nos
com os autores dos calotes generalizados.
. Contrata-se como meio-oficial, e dá-se
opção de reaprender as funções, os oficiais oriundos
da obra da Mendes.
E a hilariante volta da Camargo
. Fazendo as
obras civis da subestacão elétrica
de 750 kV, e por não saber o que
é malha-terra, acaba escavando
todas as valetas de graça, e de
alegre, para a Montadora.
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PROGRAMA
DE DESENVOLVIMENTO
DE ÉTICA DAS VIRTUDES
PDEV
Devido à necessidade de adaptação às
mudanças as organizações estão adotando
como respostas: diminuição de níveis
hierárquicos, estruturas organizacionais
mais planas, envolvimento maior das
pessoas na organização e fazer chegar
aos níveis inferiores melhor informação,
maior poder de decisão e acesso ao conhecimento/formação.
As mudanças como requerem maior capacidade
de aprendizagem por parte de todos,
constatou-se através do estudo de caso
em uma rede de empresas passando por
drásticas mudanças tecnológicas, que
o desenvolvimento dos hábitos éticos
geram maior cooperação e participação
dos funcionários nas atividades da organização
e ao mesmo tempo potenciam o clima de
confiança mútua para obter maior transparência
e compartilhamento de informações, aumentando,
portanto a motivação para a aprendizagem.
Através de um programa efetivo de
educação corporativa pode-se cultivar
a "Ética das Virtudes"
através de ações que vão desde a conscientização
da alta direção e progressivamente envolver
todos os membros da organização. As
políticas de recrutamento, desenvolvimento,
alinhamento e recompensas de pessoal,
necessitam ser permeadas pela filosofia
do "sentido de cooperação
e participação". Destaque importante
cabe ao papel da gerência média para
a disseminação da cultura de valores
éticos. Recomenda-se que a condução
das mudanças seja feita através de um
bom grupo coeso, partindo da direção
e envolvendo o máximo de pessoas para
que atingir resultados duradouros e
efetivos.
Os resultados da pesquisa provam que
experiências como o PDEV
são eficazes para conduzir mudanças
de comportamento e gerar maior envolvimento
dos funcionários para adaptar-se às
novas solicitações de aprendizagem.
Verifica-se que a tomada de consciência
do como se pode contribuir pessoalmente
para a melhora do conjunto é chave para
o processo de mudança. Por isso a disseminação
dos valores éticos que fundamentam o
espírito cooperativo gera resultados
de melhoria em aspectos importantes
para o crescimento da empresa como:
maior grau de envolvimento dos colaboradores
nas metas da empresa, melhoria na qualidade
do relacionamento interpessoal e a qualidade
do clima organizacional.
As pessoas somente se envolvem nas metas
e destinos da organização, de acordo
com GUBMAN; quando se interage com elas
de forma bastante direta e clara. Isto
exige, como afirma o autor, um processo:
explicar, perguntar e
envolver. É necessário que os
gestores consigam que cada funcionário
tenha um panorama geral de onde é preciso
chegar, saiba o que se pretende fazer
para chegar aos objetivos, saiba de
que modo pode contribuir e saiba o que
ganha ao ajudar.
Tarefa chave e de máxima importância
é o conhecimento dos estilos motivacionais
das pessoas e persuadi-las a complementá-los
ou melhorá-los. O programa PDEV estimula o conhecimento
dos estilos caracterológicos pessoais
e dos pares, possibilitando um ganho
na interação humana.
O estudo de caso confirma a importância
vital para os resultados da organização
como um todo, portanto para a sua maior
competitividade,o emprego dos programas
de desenvolvimento comportamental baseado
na Ética das Virtudes,
pois potenciam as melhorias em variáveis
tais como: qualidade de comunicação,
relacionamento interpessoal entre os
colaboradores, clima organizacional
e o maior envolvimento dos colaboradores
nas metas da empresa. Estas
variáveis repercutem diretamente na
eficácia e eficiência da organização
como um todo.
Ainda que o tema seja complexo
e os resultados sejam de difícil mensuração pelo seu caráter
qualitativo, comprova-se que os benefícios produzidos
pelo programa são grandes; tal como testemunha um dos
dirigentes da empresa estudada:
"Os padrões de valores geram confiança, os valores
éticos geram confiança. Pode-se deixar
as portas abertas do escritório durante
as vinte e quatro horas e sabe-se que
os seus direitos serão respeitados.
Ao mesmo tempo você tem que saber respeitar
os direitos dos outros. Nestas circunstâncias
o clima de relacionamento se distensiona,
o pessoal confia em você e você pode
confiar. Adquire-se uma maior liberdade,
uma maior capacidade de iniciativa e
uma cooperação de criatividade melhor.
À medida que as pessoas melhoram, melhora
todo o ambiente, melhora a confiança,
você pode dar mais liberdade aos seus
colaboradores para tomarem mais iniciativa,
para tomarem decisões, porque sabem
que serão apoiados, ou seja, é preciso
fazer com que seus colaboradores façam
parte do processo de crescimento da
empresa, participando deste processo".
De acordo com as experiências dos próprios
funcionários e diretores das empresas
envolvidas na rede recomenda-se
que o programa tenha uma manutenção
a cada seis meses, garantindo portanto
a continuidade do processo. Em geral
as organizações satisfazem-se com os
resultados dos primeiros anos mas o
programa deve ser continuado.
INFLUXO DO PROGRAMA - PDEV NA VARIÁVEIS DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL

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VALORAÇÕES:
0 RUIM - 2,5 REGULAR - 5 ÓTIMO
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VARIÁVEIS VALORADAS NOS QUESTIONÁRIOS
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EXPECT: EXPECTATIVAS DE
MELHORIA ANTES DA IMPLANTAÇÃO DO PDEV
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1. qualidade do clima organizacional
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2. qualidade de comunicação
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3. compartilhamento de informações
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4. confiança mútua
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ANTES:
VALORAÇÃO DAS VARIÁVEIS ANTES DA IMPLANTAÇÃO DO PDEV
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5. maior envolvimento dos colaboradores
nas metas da empresa
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6. qualidade do trabalho executado
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7. qualidade do atendimento ao cliente
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SEIS:
VALORAÇÃO DAS VARIÁVEIS ATÉ SEIS
MESES DEPOIS DA IMPLANTAÇÃO DO PDEV
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8. qualidade de decisão das pessoas
no âmbito do trabalho
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9.
qualidade do relacionamento interpessoal
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|
10. qualidade de equilíbrio
emocional dos membros da empresa
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ATUAL:
VALORAÇÃO DAS VARIÁVEIS DEPOIS DE 24 MESES
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11. próatividade dos membros da organização
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Paulo Sertek
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PROBLEMAS AMBIENTAIS - I/IV
Jornalista Vilmar Berna
Ambientalista de renome internacional e único
brasileiro homenageado pela ONU
com o Prêmio Global 500 Para o Meio Ambiente, no ano de
1999.
Fundador do Jornal do Meio Ambiente.
http://www.jornaldomeioambiente.com.br
Estamos em relação à perda da biodiversidade
como aquele sujeito que se jogou do 20º andar do prédio em direção
à morte certa. Ao passar pelo 15º andar, em queda livre, pensou:
até aqui, tudo bem. Para os 1.500 cientistas e especialistas que
elaboraram o relatório Avaliação Global da Biodiversidade,
divulgado pelo Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente
(PNUMA), os seres humanos são a principal causa da perda crescente
da biodiversidade mundial. Devido à mudança ou perda de habitats
já ocorridas em todo o mundo, dezenas de milhares de espécies
caminham para a extinção, sem possibilidade de qualquer ação preventiva.
Segundo o relatório, mesmo que outras espécies ameaçadas não sejam
extintas, muitas delas irão perder populações ou sofrer graves
perdas do seu potencial de variabilidade genética devido ao colapso
ou à perda de habitats. Desde 1700, as terras para agricultura
cresceram cinco vezes, e desde 1800, as plantações irrigadas aumentaram
24 vezes. A Mata Atlântica, ecossistema que só existe no Brasil
e detém a maior biodiversidade do planeta por hectare, foi reduzida
a aproximadamente 8% de sua área original. Segundo o relatório,
a diversidade biológica da Terra é composta, hoje, de 13 a 14
milhões de espécies, das quais apenas 1,7 milhão, ou 13% encontram-se
descritas cientificamente. E, mesmo desse pequeno percentual,
a maioria nunca teve sua situação completamente levantada. Apesar
disso, estamos destruindo a biodiversidade do planeta a taxas
aceleradas e sem precedentes. De 1810 até agora, o número de espécies
de mamíferos e aves extintas - 112 no total - superou em quase
três vezes o que se perdeu entre ao anos de 1600 e 1810 - 38 espécies.
A frase "pensar globalmente e agir localmente" tornou-se uma espécie
de bandeira do movimento ambientalista e ilustra bem a situação.
Estamos mais para pensar globalmente que agir localmente. É o
velho mecanismo de achar que o mundo melhor que todos desejamos
começa no outro. Esperamos, por exemplo, que os países ricos,
o chamado G 7, cumpra com o envio dos recursos que prometeu para
os países em desenvolvimento para a preservação da biodiversidade.
Mas no Rio de Janeiro, por exemplo, pouco foi feito para impedir
o abandono das unidades de conservação, onde se concentram porções
significativas do que restou da antes exuberante biodiversidade
fluminense. Na época do Descobrimento, 93% do território do Estado
do Rio de Janeiro, era coberto por florestas. Hoje, restam apenas
cerca de 22%. Destes remanescentes, apenas 28 % estão protegidos
em alguma unidade de conservação. São cerca de 104 parques ou
reservas que, com raras exceções, só existem no papel, pois na
prática, estão abandonados, sem fiscalização adequada, regularização
fundiária ou planos diretores implantados.
O Brasil ocupa uma posição estratégica em termos mundiais devido
à sua incomparável e rica biodiversidade. Se por um lado temos
uma natureza exuberante, por outro carecemos de investimentos
em pesquisa e na formação de mão-de-obra e estruturas que permitam
o adequado aproveitamento e até mesmo a compreensão desta riqueza,
o que nos tem conduzido a um tipo de garimpo muito mais predatório
que o do ouro ou qualquer outro metal. O garimpo genético. Sem
uma base legal adequada, o Brasil tem permitido que o saber dos
índios e populações tradicionais sobre a biodiversidade seja apropriado
por terceiros, sem que estes povos ou o próprio país receba uma
contrapartida pelo uso dessa biodiversidade. O correto é que o
conhecimento destes povos fosse respeitado e remunerado adequadamente
e que as comunidades participassem conjuntamente dos projetos
de pesquisa. O projeto de Lei de acesso à biodiversidade brasileira,
de autoria da Senadora Marina Silva (PT/AC), tenta corrigir esta
falha, mas já enfrenta pressões dos lobbys. Existe, hoje, no mundo,
uma verdadeira guerra silenciosa dos países ricos, que detém a
tecnologia contra os países pobres ou em desenvolvimento, que
detém a biodiversidade. Durante a ECO 92 esse conflito ficou bem
claro e os EUA simplesmente recusaram-se a assinar o tratado da
Biodiversidade, enquanto não se reconhecesse sua propriedade sobre
o conhecimento genético que possui de plantas e animais de outros
países que, desnecessário dizer, foram retirados desses países
sem seu consentimento, sem qualquer remuneração sobre as espécies
ou sobre o saber dos povos tradicionais. A biodiversidade ficou
assim reduzida à condição de armazém de fragmentos genéticos,
transformados pelos laboratórios em mercadorias comercializáveis.
Mais que a simples apropriação de uma espécie de planta ou bicho,
é a apropriação privada da vida, que assume um valor monetário.
Talvez o mais difícil seja compreender que nossa espécie não é
a dona do planeta, não pode fazer com a natureza o que quiser.
Por mais especial que nossa espécie possa parecer, ela não é mais
importante que qualquer outra, já que, na natureza, tudo está
interrelacionado, "o que fere a Terra, fere também os filhos da
Terra", como já afirmou o cacique Seatle, em 1855, antes de inventarem
o termo ecologia. E isso pode ser um duro golpe em nossa noção
de importância, ao ponto de nos considerarmos à imagem e semelhança
de Deus. Assim como a menos de cinco séculos tivemos de aceitar
o fato de que nosso planeta não era o centro do Universo, hoje
precisamos compreender que muito menos o Universo existe para
nos servir. Não podemos usar e abusar do planeta, sem sofrer as
conseqüências.
Resta-nos torcer para que ao final
da queda do 20º andar do edifício da vida, a
humanidade descubra que instalaram lá em baixo
um colchão de ar capaz de suportar o peso. Até
aqui, passando pela janela 5º andar, continua
tudo bem.
2. Por amor às Amendoeiras
A natureza existe para nos servir,
certo? Errado. Por mais importante que seja
a espécie humana, não sobreviveríamos sem a
natureza, logo, não podemos fazer com ela o
que bem quisermos. A rigor, não é a natureza
que nos pertence. Somos nós que pertencemos
a ela. Nossas cidades seriam um lugar triste
e feio sem a natureza, caso existisse apenas
concreto, asfalto, automóveis. As árvores da
cidade são um pouco dessa natureza. Elas enfeitam
e tornam o ambiente mais agradável, abafam ruídos,
retêm poeiras, contribuem para a troca do poluído
gás carbônico dos automóveis pelo oxigênio que
respiramos, abrigam os pássaros, etc.
E mais. Elas ocupam um espaço no vazio da paisagem urbana, entre
os prédios e ruas, e em nossas memórias. Aos poucos, vamos nos
acostumando e até mesmo crescendo junto com as árvores da rua,
praça ou fundo de quintal. Sem nos darmos conta, desenvolvemos
uma espécie de afeição, quase amor, pelas árvores da cidade. Não
é à toa que sentimos um certo vazio no peito quando nos deparamos
com aqueles troncos nus, vítimas da eficiência de alguma empresa
que recebe por árvore cortada. Um verdadeiro desastre. É como
se tirassem um pedaço de nossa memória, de nossa cidadania. E
as maiores vítimas tem sido as amendoeiras. Trazidas da Índia,
de onde são nativas, adaptaram-se tão bem ao nosso clima que crescem
quase com alegria e estão presentes em quase todas as ruas do
Rio. Não é sua culpa se são plantadas em lugares errados, sob
fios de energia ou telefone, junto a calçadas, prédios e muros,
etc. Muito menos devem ser sacrificadas por perderem as folhas
com a chegada do inverno. As amendoeiras, diferente das árvores
tropicais, são caducifólias, isto é, suas folhas caducam, caem,
no inverno. Dão um trabalho danado para os garis, entopem bueiros,
mas são uma beleza! Antes de caírem, sua folhas mudam da cor verde
para diversos tons de vermelho, cor-de-abóbora, amarelo. Pouco
depois de perder todas as folhas, nascem milhares de brotos, que
logo viram folhas, de um verde novinho, como se a cidade se renovasse.
Pena que os apressadinhos não conseguem perceber as amendoeiras.
Aliás, percebem bem pouca coisa da cidade, tão preocupados em
chegar a algum lugar. São moradores, não são cidadãos. Para eles,
tanto faz estar aqui ou ali, pois estão sempre de passagem. Já
os cidadãos lutam por sua memória, ainda que dela faça parte as
amendoeiras. Pouco importa se vieram da Índia, irritem os garis
com suas folhas, dêem trabalho para pedreiros que precisam vez
por outra consertar uma calçada aqui, uma rachadura ali. São nossas
amendoeiras. São as árvores da cidade!
3.
Balões Ecológicos
Assim como existem
caçadores que trocaram o rifle pela máquina
fotográfica, passando de caçadores de vidas
a caçadores de imagens, e ainda, pescadores
que devolvem o peixe vivo à natureza, depois
de medido e fotografado, garantindo assim a
continuidade do esporte e do peixe, também os
baloeiros podiam encontrar uma solução menos
predatória para sua atividade que, apesar de
ilegal, continua com cada vez maior intensidade,
constituindo-se no principal fator de destruição
das florestas por queimadas, principalmente
em épocas de estiagem prolongada, como agora.
Pelo tamanho, sofisticação e verdadeiro esquema industrial usado
pelos baloeiros na fabricação, soltura e recuperação dos balões,
custa acreditar que não existam soluções tecnológicas que permitam
apagar a bucha do balão caso ele ameace cair. Talvez um instrumento
medidor de altitude acoplado em extintores amarrados com arame
junto à bucha, ou mesmo um dispositivo movido por controle remoto
ou rádio para apagar a bucha e ainda acionar sirene de alerta.
Os balões são capazes de suportar este peso extra sem problemas.
Nos períodos de estiagem prolongada, os baloeiros poderiam associar-se
ainda aos grupos ecologistas, como os Defensores da Terra e Clubes
Excursionistas, que adotaram trilhas no Parque Nacional da Tijuca
e fundaram, no sábado, dia 9, em Teresópolis, no Parque Nacional
da Serra dos Órgãos, a Rede Fluminense de Unidades de Conservação,
para ampliar este trabalho voluntário para os demais parques e
reservas do Estado. Entre os objetivos das ONGs está a realização
de plantões 24 horas junto às áreas mais vulneráveis ao fogo,
com uso de binóculos e rádios transmissores, para dar o alerta
no caso da aproximação de balões acesos ou de mudança nos ventos,
que podem empurrar os balões contra as montanhas. Os baloeiros
poderiam ainda criar brigadas voluntárias de incêndios florestais,
mediante treinamento no Corpo de Bombeiros, para reforçarem as
guarnições de combate a incêndios florestais.
A forma mais simples de não resolver o problema é proibir completamente
a atividade, como ocorre hoje. Além de ineficaz, a proibição só
tem servido como mais um fator de corrupção. Entre proibir totalmente
os balões e permitir a atividade, desde que sob condições de segurança
e preservação ambiental, parece mais sensato a segunda hipótese.
Por mais destruidores e perigosos que sejam - e são - não podemos
deixar de admitir que os balões, quando bem construídos, são verdadeiras
obras de arte popular. O desafio é como garantir o direito dos
baloeiros ao desenvolvimento de sua atividade, sem comprometer
o direitos dos outros à preservação do patrimônio e o direito
de todos ao meio ambiente preservado. Nada tão difícil que a tecnologia
e a boa vontade de todos não seja capaz de resolver.
4. O diálogo possível
Continuo divergindo dos defensores da energia nuclear. Acho
uma opção energética de alto risco ambiental pela dimensão dos
impactos no caso de um hipotético, mas não improvável acidente,
já que não existe risco zero. Sei que as usinas de Angra 1 e 2
não são nenhuma potencial Chernobil, por se tratar de tecnologia
diferente que, mesmo no eu pior cenário, mesmo que alguém deliberadamente
pretendesse provocar um acidente, jamais lançaria para o ar, por
quilômetros, seu veneno radioativo. Claro que, se fôssemos aplicar
esta mesma visão catastrófica, o risco do rompimento da barragem
de uma hidrelétrica, apesar de hipótetico, mas não improvável,
ou da explosão de um depósito de gás natural, como o do Gasômetro
do Rio de Janeiro, também causariam danos seríssimos ao meio ambiente,
à vida e ao patrimônio humanos.
Mas seriam danos imediatos, e não por sucessivas gerações, como
no caso de um grave acidente nuclear que chegasse ao meio ambiente.
Entretanto, o fato de não concordar, não significa que os ambientalistas
tenham também que recusar-se ao diálogo. Por outro lado, este
diálogo não significa aceitação, mas coerência de cobrar do setor
nuclear o mesmo rigor no trato da questão ambiental que cobramos
das indústrias siderúrgicas, químicas, de transporte, etc. Afinal,
as empresas que compõem o setor nuclear são indústrias e, como
tal, devem prestar contas à sociedade da forma como tratam seus
efluentes e resíduos, protegem a saúde dos trabalhadores, recuperam
área degradas, monitoram o meio ambiente realizam uma política
de comunicação transparente, assumem, postura de responsabilidade
social e ambiental perante a sociedade, etc.
Ser contra, no entanto, não é motivo para impedir o diálogo entre
ambientalistas e o setor nuclear, muito menos para ser antidemocrático.
O diálogo pode ser uma forma inteligente de ampliar espaços democráticos,
abrir os caminhos para que a sociedade brasileiro possa decidir
sobre a utilização da alternativa nuclear como fonte energética
para o país.
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