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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS E CANTEIROS DE OBRAS
Concreto Armado, Protendido e Traço de Concreto. Aço.
Ano 02 •  nº 06 • 07/03/2002   Edição Emílio Henrique Baumgart
   NESTA EDIÇÃO
Sua Majestade o Concreto Armado (8 matérias e 1 estudo escatofílico)
Finalmente: Ética e Educação
Ergonomia na Indústria Têxtil

Engenharia é o esforço de evitar esforço.-Ortega y Gassset (1883-1955), filósofo e escritor espanhol.
  OBRA DIGITAL   DICAS


O A-B-C DO RECÉM-FORMADO

• DESCIMBRAMENTO DE VIGAS
As vigas, todos sabem, devem ser descimbradas do centro para as extremidades, ou ainda, ao desformar uma viga é terminantemente proibido deixar por último o escoramento de sua região central, fazendo que ela trabalhe diferentemente do calculado (agora com 1 apoio a mais, forçando a parte superior da viga e sujeitando-a a trincas). Ao retirar as tais escoras haverá ainda uma brusca descarga, de seu peso próprio, que poderá também trincá-la (agora na parte inferior) ou causar-lhe danos maiores.

• PROTEÇÃO DO AÇO EXPOSTO ÀS INTEMPÉRIES
Adotemos um caso extremo: sua obra está em frente a uma praia aí do Nordeste Encantado (as melhores do planeta). A brisa marinha irá derreter sua moto em 3 meses se não ficar protegida.
Todo o aço em estoque deverá ser coberto com lona preta. Esta deverá ficar bem presa ao aço.
O CP-125 deverá receber obrigatória e periodicamente um banho de óleo solúvel. O CA-50 eventualmente.
A primeira camada de ferrugem dificulta ou retarda as camadas seguintes, mas tem a mesma vantagem que um coco caindo em sua cabeça para lhe fazer dormir. Que melhora a aderência já é conversa para caranguejo dormir.
Os arranques e esperas, dependendo do período de exposição, deverão ser protegidos com a própria nata do concreto lançado na camada anterior, ou lambuzados com óleo queimado e envolvidos com sacos de cimento amarrados com arame recozido. A chuva dissolve o óleo solúvel que escorregaria mais rápido que ostra na garganta.
Para exposição prolongada medidas mais radicais deverão ser tomadas, inclusive o transporte do aço estocado para local coberto e fechado, ou para uma praia sem sal de alguma outra região.
Lembre-se que uma consulta posterior ao Calculista, que mandará chumbar mais esperas para substituir a área de aço deteriorada, é solução bem mais cara que a manutenção periódica dos arranques.
Outras medidas deverão ser pensadas para se evitar surpresas: nosso professor de Corrosão, na Escola, dono de uma fábrica de urinóis esmaltados e resistentes aos ácidos mais agressivos, faliu quando a concorrência lançou o penico plástico.
Spray antiferrugem, na moto, semanalmente.

  TUMULTO NA OBRA...
OS CORPOS DE PROVA ACUSAM QUEDA ABRUPTA DA RESISTÊNCIA DO CONCRETO.
E AGORA?

A matéria, que irá requerer um trabalho de leitura de quase 2 páginas, espalhadas em lugares diferentes das Normas Técnicas, deverá ser subdividida em pelo menos 3 partes:

A. Pelas técnicas convencionais de investigação conclui-se ser elementar: O culpado é o cimento!

B. Pela teoria que o Peão jamais erra e a Administração nunca acerta:
• A prensa do laboratório, com prazo de aferição vencido há 2 anos, pifou. Ou então foi a balança dos agregados na central de concreto que começou a pesar brita e areia mais do que o necessário;
• Foi confundida a moldagem do corpo de prova cilíndrico com o cônico e feita como se fosse slump. Depois deixaram cair os CP’s durante o transporte que, curados ao sol escaldante aí do Nordeste, mas que o encanta com as mais belas praias do Planeta, trincaram mais cedo;
• O Mestre cochilou em serviço e informou o traço do Concreto Magro ao Encarregado, que mandou ver um pouco mais de água para adiantar o expediente;
• O comprador, para ganhar pontos com o chefe, comprou cimento mais barato, como o de classe 25 ou mesmo Pozolana, e entregou ao Encarregado do item anterior.

C. Pelas Leis de Murph:
• O cimento se mumificou;
• O retardador de pega foi utilizado como se fosse plastificante para aproveitar o excedente em estoque.

Sugestões:
• Simular novo traço, idêntico ao da peça, e cozinhar os CP’s em banho-maria para cura-rápida e rompimento em 24 horas (V. Em dia com a ABNT) e livrar o cimento das suspeitas.
• Esclerômetro diário nas peças para ver se compensa extrair corpos de prova da estrutura (conforme NB);
• Já ir cotando preços para a extração dos CP’s através de sonda (são menores que os convencionais de 15x30 mas bem caros) e também levantando os custos para demolição e reconstrução da peça.

NOTA: não desprezar a possibilidade de ocorrer acumulativamente mais de uma das falhas acima em escala menor, ou outras menos significativas.


  • AGREGADOS DO CONCRETO
    CONSUMO DOS AGREGADOS: se somarmos os volumes de brita (1 e 2) e areia, nas tabelas de preparo de concreto, teremos cerca de 1,65m³ de agregado para cada metro cúbico de concreto.

    Tanto o Cimento Portland Comum (conforme EB1) como o Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (EB2) devem ser armazenados sobre entrado de madeira em pilhas de no máximo 10 sacos.

    VOLUME DA AREIA: A areia úmida tem um ganho de volume (inchamento) de cerca de 30% em relação à areia seca.

    ESCAVAÇÃO EM ROCHA: 1m³ de rocha fornece cerca de 1,35m³ de pedra.

    Em um silo de 30m de altura a densidade do cimento CPE-32 varia de 1,4 a 1,6t/m³ conforme esteja na superfície ou no fundo do silo (a do Cimento AF-40 varia de 1,25 a 1,5 t/m³.
  ASSUNTO PARA ENTENDIDOS
VENDENDO O BACALHAU ALHEIO COM AS BOLHAS E AS BICHEIRAS

Não há dúvida nenhuma!
A matéria que dispõe de maior número de doutos e arrematados talentos criadores, esclarecidos especialistas, incontestáveis experientes, tarimbados pesquisadores e eficientes experimentalistas, em todas as obras, é Como Evitar Bicheiras e Bolhas nas Superfícies do Concreto e Como Recuperá-lo.
Relacionamos a seguir algumas das técnicas sugeridas pelos mestres antes de, em busca da fama, propormos também as nossas:

Bicheiras
• Parar imediatamente com os desmoldantes caseiros e utilizar os desmoldantes das empresas idôneas. Para evitar as bicheiras use um eficiente desmoldante da Cica (e ganhe um copinho de cristal de brinde).
• Deve-se vibrar bastante nas superfícies e contornos e interromper a vibração antes da fôrma começar a abrir. Utilize apenas formas das fábricas tradicionais e nunca as de tábuas comuns.
• Deve-se diminuir a brita e aumentar a areia para se obter um concreto mais argamassoso.
• Concretos com muita água, com pouca água, sem nenhuma água, sempre têm bicheiras.

Bolhas de Ar 
• Os incorporadores de ar foram feitos para erradicá-las de vez. Mas observe bem as instruções dos catálogos dos Fabricantes, antes do uso.
• O que causa as bolhas é o excesso de água, e uma parte dela deverá ser substituída por igual volume de plastificante. Todos irão pensar que a água foi reduzida.
• Só ocorrem bolhas quando as fôrmas são permeáveis.

Reparos
• Utilize Bianco na água (cole com Bianco e descole se for capaz! Ou isto é sobre uma cola?).
• Faça uma massinha com cimento branco e cimento verde até obter os matizes acinzentados do concreto.
• A ciência é substituir as desempenadeiras por espátulas ou desempene com luvas de raspa, sandálias havaianas, borracha, feltro ou isopor (algumas marcas de isopor são mais aconselháveis para isto). Depois de endurecer usar lixa bem fina.

Nossas Técnicas
Nestes assuntos onde se requer altíssimo grau de especialização e lucidez, ser simples é se passar por simplório, ser desconfiado é demonstrar desconhecimento, e propor o convencional é falta de imaginação ou de modernidade. Ainda assim não podemos deixar de sugerir:
• A vibração inapropriada provoca falhas. Se excessiva ocorrem as bolhas, se insuficiente as bicheiras.
• O reparo perfeito e invisível, se é que estes adjetivos podem ser empregados juntos, e que se consegue 1 vez em 2000 tentativas, é inviável. (A grande maioria destes reparos são feitos para se justificar o erro à Fiscalização ou ao Proprietário e geralmente não melhoram a aparência do concreto, com ou sem as pequenas bichocas).
E, infelizmente, é só.
  ALTO VOLUME

 orcamento_de_obra O ARMAGEDON, URGENTE!!!

Em estudo realizado em nossa Redação finalizado nestas últimas horas, e que revelamos com exclusividade aos nossos leitores,  concluímos que nossa atual Civilização está mesmo chegando ao fim. Desta vez os vilões da história não serão os terroristas árabes e muito menos os belicistas americanos.
Ninguém mais que nossos conhecidos Aços CA 24/50/60 irão parar de trabalhar "que não são bestas de ficar fazendo força a vida inteira" (ipsis verbis que na voz do povo, endossada por Deus).
Embora a longa duração do concreto poder ser comprovada pelo estado de conservação de colunas construídas pelos egípcios há mais de 3.600 anos, o concreto armado é recentíssimo (o primeiro arranha-céu destinado a abrigar escritórios, não armado, foi construído pela primeira vez por volta de 1890 em Chicago) e, evidentemente, não decorreu tempo suficiente para se conhecer com precisão a duração dos aços e até quando irão querer suportar o elevado peso do concreto, do vento, da terra e de tantos usuários imprevidentes. Os poucos estudos de fadiga-corrosão no decorrer do tempo, baseados em simulações grosseiras não são confiáveis e carecem de precisão científica.
O Concreto Armado, utilizado em grande escala para construir muitos tipos de estruturas, como auto-estradas, ruas, pontes, represas, grandes edifícios, pistas de aterrissagem, sistemas de irrigação e canalização, quebra-mares, embarcadouros e cais, calçadas, silos ou celeiros, fábricas, casas e até barcos, estará se aposentando de suas funções.
Nossos estudos escatológicos tiveram sua consistência checada a posteriori pelas Leis de Murph (coisas prováveis de acontecer acabam mesmo acontecendo), e se recorreram a outros especialistas do assunto, como nossa Consultora de Marketing que pela primeira vez endossou nossos receios, aventando inclusive sobre a possibilidade do aparecimento de um 5º Cavaleiro do Apocalipse, até então não revelado para se provocar o efeito-surpresa.
Sem querer provocar pânico estamos recomendando especial observação quanto a torre Eiffel (de 1889), em Itaipu, que poderá afundar ainda mais a Argentina, e no Empire State Building (1931) que aliás já vem correndo risco de desabamento por outros motivos.
Estaremos de prontidão e voltaremos a informar em nossos próximos Números, ou assim que um fato novo justificar uma Edição Extraordinária.

concreto_armado

  PROPAGANDA. NÃO LEIA!  CORRESPONDÊNCIA

QUEM ESTÁ FAZENDO A REVISTA:
PARCEIROS, REFERÊNCIAS E COLABORADORES NOTÁVEIS

Aristóteles, Assis Chateaubriand, Carlos Drummond de Andrade, Celso Pitta, Dee Hock, Euclides da Cunha, Fernando Collor de Mello, Fiódor Dostoiévski, Frédéric Chopin, Gaetano Donizetti, Galileu Galilei, Horácio, Jader Barbalho, Jean-Jacques Rosseau, Jesus Cristo, Johann Sebastian Bach, John Milton, John Ruskin, L.F.Veríssimo, Leonard Bernstein, Ludwig van Beethoven, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Maquiavel, Mário de Andrade, Mikhail Baryshnikov, Millôr Fernandes, Mozart, Paulo Salim Maluf, Péricles Maranhão, Platão, Rene Descartes, São Tomás de Aquino e William Shakespeare.

Revista EngWhere
Pra lá de notável!

  VOCÊ SABIA...
COMPARATIVOS
Se um software de orçamento de obras for vendido a R$ 4.000,00, depois de 2.500 cópias haverá um benefício ao Setor (setor de faturamento da empresa) de R$ 10.000.000,00, ou o equivalente ao salário de um Cientista-Programador durante 120 anos.
Já os roubos de medicamentos em estradas, segundo o Sindicato de Transporte de Cargas do Rio de Janeiro (Sindicargas) entre janeiro de 1996 e junho de 1998, atingiram R$ 8,3 milhões em 13 ocorrências envolvendo remédios, ou seja, 99 anos do Cientista.
• Uma menção à Revista feita gentilmente pelo webCREA, e tornando-nos ainda mais devedores do pessoal daquele CREA, foi mais um motivo para arriscarmos uma homenagem, dando à Edição o nome do barriga-verde Emílio Henrique Baumgart (1889-1943), engenheiro brasileiro, natural de Blumenau, e considerado "o pai do concreto armado" no Brasil.

Tendo já lido quase que um livro inteiro, no Ginásio, tivemos que ler agora mais outros dois só para responder à mensagem de nosso novo parceiro, que a partir deste Número estará discorrendo sobre Ética e Educação, assuntos, aliás, que estavam mesmo em falta na Revista.

  • Caro Engº Amado Gabriel da Silva
    De fato não comungo as idéias de tipo utilitarista em ética ainda que respeite outras opiniões. Ao que parece a "ética" pode padecer da síndrome do "leito de Procusto" da mitologia grega. Conta-se na lenda que o hospedeiro ao receber as pessoas só tinha um tipo de leito e de certo tamanho. Na fábula se diz que Procusto cortava as pernas dos que eram maiores, para que coubessem no leito, aos outros as esticavam para que de fato se ajustassem.
    De algum modo a ética utilitarista torna-se ferramenta manipulável, e extremamente útil para justificar atitudes à priori. Como cada um tem o seu "leito de procusto" onde formatar as suas idéias segundo as "necessidades do momento" a ética nada mais será que uma forma hábil e esperta de justificar por vezes o injustificável. Outras vezes será fazer o mínimo (minimalismo ético-consensualismo), outras, quem sabe, não prejudicar ninguém mas não se vive nenhuma virtude, que é a excelência, o melhor. Até hoje em dia se fala das "best practices" nas empresas, coisa que não querem aplicar ao comportamento humano. Enfim!
    A meu ver a Ética é das Virtudes, a da excelência no comportamento. Não sabe de minimalismos. O uso de Maquiavel, ainda que seja um tratado, não da sagacidade, mas da astúcia, pode atender ao campo do mais eficaz mas vai contra um princípio chave "nem tudo que se pode fazer se deve fazer" que é o princípio defensor da continuidade do nosso diálogo, senão - homo hominis lupus!
    De fato penso que os meus artigos não comungam com as idéias expostas no artigo da edição número 5 ano 2 de 7.02.2002. Mas nada impede que este comentário meu figure como opinião e possa também expressar nesta revista os conhecimentos que fui tendo com esforço, garimpado nas leituras, e aprendendo com gente muito capaz.
    Um abraço
    Paulo Sertek

    Prezado Engº Paulo
    Não duvidamos ter entendido que pelo menos o "alerta" que fizemos sobre nosso texto tenha sido um ato ético. Sabemos até mais que isto, ou, o que teria imaginado sobre ele. O santo admite o libertino e o criminoso tanto quanto o libertino e o criminoso admitem o santo (Franklin de Oliveira, sobre Hermann Hesse), isto se estivéssemos em campos opostos, o que não acontece. Antes de tudo a divergência de idéias enriquece a Revista e a Polêmica é a sua cachaça. Quando todos pensam o mesmo, ninguém está pensando (Walter Lippmann).
    Coisas piores poderão surgir, entretanto: sendo intenção maior da Revista transmitir experiência e conhecimento aos colegas, tanto as nossas (particularmente não temos outra opção), como as de nossos parceiros e dos próprios leitores, e vendo-nos dentro de uma realidade nacional que exige do Engenheiro, mormente do Orçamentista, conhecimentos mínimos sobre as técnicas de orçamento voltadas a subsidiar o relacionamento Construtora-Político (leia-se licitações mancomunadas, ou então, imoralidades), técnicas estas que acabamos adquirindo algum domínio, mas que pouquíssimos engenheiros se familiarizaram, ficamos a indagar-nos: o que fazer então? O que seria ético? Calarmos? Maquiavel pelo menos não pestanejou.
    Algumas vezes, confessamos, cometemos pequenos deslizes: uma de nossas últimas apregoações foi afirmar que nossa Revista é única no gênero a abordar a poética da obra. E poética no sentido original dos gregos é, diferentemente do que se imagina, o estudo de uma obra a ser feita, do "como fazer" e o que nos propomos discorrer, relevando-nos os excessos, está mais é para a Poética de Aristóteles, seja obra de arte ou de engenharia. Somos de São Tomás de Aquino (Minas) e tal como nosso Padroeiro sentimo-nos no direito de complementar as palavras do Filósofo.
    E, como Sócrates, pretendemos corromper a juventude.
    Apreciamos muito seus Artigos.
    Abraços.
    Amado
  EM DIA COM A ABNT
  ENSAIOS DO CONCRETO

CORPOS DE PROVA DE CONCRETO

HASTE
- comprimento 600mm
- diâmetro 16mm (pode ter punho).
MOLDES
-  6 unidades
- 2 aos 7, 2 aos 28 e 2 aos 90 dd.
AMOSTRA
- não colher no início ou final da betonada.
ADENSAMENTO
- 4 camadas iguais
- 30 golpes por camada
- a haste não deve penetrar na camada já adensada
- pode-se bater levemente na face externa do molde para fechar os vazios criados com a haste - alisar a superfície.
CURA:
- cobrir com panos ou papéis molhados
- conservar à sombra
- mantê-los, por 12 horas, em superfície horizontal.


ENSAIOS ACELERADOS DE CONCRETO
CONSISTEM-SE EM AQUECER OS CORPOS DE PROVA EM ÁGUA FERVENTE (BANHO-MARIA) PARA OBTENÇÃO PRÉVIA DE SEUS RESULTADOS
• Ensaio: 24 horas após a moldagem.
• Aquecimento: 3,50 horas (a 100 graus Centígrados).
• Moldagem e Cura: as mesmas do processo convencional.
• Resultado: equivalente aos de 28 dias (sendo necessária a aferição dos primeiros rompimentos).

SLUMP-TESTE
HASTE: comprimento 600mm - diâmetro 16mm.
ENSAIO:
- untar os moldes com óleo fino
- manter os moldes firmemente com os pés
- 3 camadas iguais
- 25 golpes por camada uniformemente distribuídos
- na primeira camada aplicar a metade dos golpes próxima à borda
- a haste deve penetrar na camada imediatamente inferior
- remover o excesso da última camada com a haste
- desmoldar em seguida
- tomar a medida no centro do cone
- havendo desmoronamento, repetir o ensaio.

  NOSSOS PARCEIROS
  ÉTICA E EDUCAÇÃO


DIREÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES COM PRINCÍPIOS ÉTICOS

Engº Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico, Licenciado em Mecânica e Especialista em Gestão de Tecnologia e Desenvolvimento
Professor de Cursos de Pós-Graduação em Ética nas Organizações e Liderança
Pesquisador em Gestão de Mudanças e Comportamento Ético nas Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento organizacional
psertek@uol.com.br
Portal educativo


As virtudes são disposições básicas do caráter, de acordo com a expressão cunhada por ARISTÓTELES, "a virtude torna bom àquele que a possui"(1). Esta idéia aplica-se também ao caso concreto de uma organização, onde há um conjunto de ações coordenadas das pessoas visando atingir um objetivo comum. O bom andamento da organização está condicionado à interação coletiva das qualidades éticas de cada pessoa, tanto dos seus dirigentes como dos seus funcionários.

As virtudes como são hábitos operativos, adquirem-se através da ação, de acordo com MELÉ CARNÉ(2), "ter uns valores assumidos ou possuir umas determinadas atitudes não é o mesmo que ser virtuoso. Possuir virtudes é muito mais que atuar de acordo com seus valores morais e ter uma atitude positiva, ainda que as virtudes pressupõem ambas ao mesmo tempo. As virtudes dão uma disposição firme e arraigada no caráter que facilita atuar e viver bem, e não só uma atitude psicológica ou a uma capacidade valorativa".

As virtudes podem permear a vida da organização desenvolvendo os hábitos relativos à obra bem feita. De acordo com FRANKL, "Toda pessoa humana representa algo de único e cada uma das situações da sua vida algo que não se repete. Cada missão concreta de um homem depende relativamente deste ‘caráter de algo-único’, desta irrepetibilidade".(3). O trabalho pode ser o caminho para a realização da pessoa, e isto têm conseqüências importantes para o clima organizacional, começando pela atitude dos diretores da empresa e depois sendo levado a todos os níveis. São extremamente necessárias: a diligência, a laboriosidade, a prudência ao assumir riscos, a confiabilidade nas relações com os outros, a prudência na tomada de decisão, etc., como requisitos chave para o desenvolvimento de uma cultura efetiva de valores. GÓMEZ PÉREZ, também nos seus estudos afirma que: "Na numerosa e quase interminável bibliografia sobre management, sobre o modo de conduzir uma empresa, de forma mais ou menos reiterativa se enumeram as condições do empresário eficiente ou eficaz. Nessa literatura a terminologia empregada parece as vezes nova, mas os conceitos não vão mais além, como era de se esperar, do âmbito das virtudes"(4).

MELÉ CARNÉ(5) no mesmo texto destaca a importância do desenvolvimento da cultura das virtudes na organização pelos seguintes motivos:
   a. importância de se adquirir um caráter maduro e firme;
   b. a qualidade prudencial para a tomada de boas decisões em todos os níveis;
   c. exercício efetivo da capacidade de liderança;
   d. criação de uma cultura empresarial com qualidade ética que favoreça a continuidade da empresa.

a) importância de se adquirir um caráter maduro e firme
De acordo com COVEY(6): "mais importante que a competência profissional está o caráter maduro". Todo ser humano é solicitado pela sua afetividade em qualquer situação através de movimentos de atração e repulsão. Atração, por exemplo: devida ao dinheiro, à busca do poder, ao aprendizado, a níveis sociais de influência, ao desejo de reconhecimento social, à necessidade de auto-afirmação, etc. que em si não tem conotação ética; podem ter, dependendo do seu encaminhamento para fins bons ou maus.

"As paixões humanas são boas ou más, dependendo de que o seu objeto e o modo de atuar seja ou não conforme a reta razão. A natureza sensível do homem forma parte de um ser racional, e por isso deve estar ao serviço do bem integral da pessoa, que é de índole fundamentalmente espiritual. Esta integração do sensível no racional impõem uma ordem e uma medida para a consecução dos bens sensíveis, que é assinalado pela reta razão (em sua máxima concretização, pela virtude da prudência)"(7).

A pessoa sente aversão por aquelas coisas que percebe ou presume que sejam custosas, incomodas, difíceis de atingir, etc. A reação emocional das pessoas, com relação aos resultados possíveis ou efetivos, devido às mudanças na organização, tem aspectos positivos que produzem movimentos de atração e outros negativos que produzem aversão. Dentre os positivos, está o desejo de melhora pessoal, a esperança de novas soluções ou situações melhores, a busca de um desafio que leva a um crescimento. Por outro lado quando se estima um provável fracasso ou a perda de domínios, aparece a aversão emocional às mudanças.

As reações emocionais não são nem boas nem más, simplesmente são reações de tipo involuntárias, que se sente sem mais. O mais importante, onde se situa o domínio da Ética, é o comportamento voluntário escolhido em resposta a estas emoções. Podem ser comportamentos pautados pelos princípios Éticos ou não. As reações emocionais devem passar pelo crivo da virtude da prudência que dirá em cada circunstância o que é mais adequado, conveniente, bom ou mau. A atuação ética supõe o governo das emoções pela inteligência que por sua vez deve estar animada e orientada pelos princípios éticos fundamentais.

As emoções devem ser moderadas para se obter ações de boa qualidade moral. O afã de lucro, a busca de uma posição melhor na empresa, a conquista de um maior grau de reconhecimento diante dos pares, etc., sendo bem orientado eticamente tornam-se impulsos positivos para a ação. Podem gerar uma melhor qualidade serviço e maior riqueza econômica por parte da empresa. O mau uso destes mesmos movimentos podem produzir como resultado, não uma competição para servir legitimamente mais e melhor, mas a competição predatória. Quando a busca do crescimento pessoal é em detrimento dos bens e direitos alheios, levando à avareza e a degradação, deve ser em todo desestimulada em qualquer tipo de sociedade.

"As virtudes são precisamente esta força interior que modera as paixões. Etimologicamente, tanto a palavra grega ‘arete’ como a latina 'virtus', que designam virtude, significam ‘força’. Com efeito, as ‘virtudes’ são forças ou energias interiores que caracterizam uma pessoa, dando-lhe liberdade para atuar bem"(8).

As tendências emocionais pouco trabalhadas pelas virtudes geram hábitos negativos. Afetam o modo de comportamento tanto no "agir", a dimensão interna da ação como também no aspecto do "fazer" que é a dimensão externa da ação. A pessoa que se deixa conduzir pelo medo, pelo ódio, pela avareza, etc. experimenta uma diminuição da sua liberdade, pois não pensa de outra forma a não ser do modo como o impulso a leva conduzir as ações. "Assim ocorre com o vício da avareza ou cobiça, antes citado, ou com a soberba, que leva a uma disposição habitual de não escutar e ainda de desprezar os pareceres alheios; ou com a preguiça que impede de fazer o que se deve, e assim muitos outros cuja incidência na atividade empresarial é evidente"(9).

b) a qualidade prudencial para a tomada de boas decisões  em todos os níveis:
Nas organizações, em todos os níveis, ganha maior importância a melhoria da capacidade prudencial na tomada de decisão. As pessoas são chamadas a contribuir com mais eficácia nos resultados da organização. Há necessidade de que mais poder de decisão desça a níveis inferiores hierárquicos da empresa. Requer-se, portanto maior responsabilidade no uso deste poder.

As decisões a serem tomadas em geral não têm respostas certas, admitem um certo grau de incerteza, não se têm todos os elementos, há a necessidade da virtude da prudência que é a capacidade de ver ao longe, ver através dos dados disponíveis. Na questão 47 da Suma Teológica(10), AQUINO cita Isidoro: "prudente significa o que vê de longe, que é perspicaz e prevê com certeza através da incerteza dos acontecimentos". As decisões são tomadas através de certezas morais. A prudência exige a experiência na aplicação dos critérios morais às situações concretas. As novas formas de organização, mais planas e com poder descentralizado requisitam uma capacidade maior de qualidade de decisão em todos os níveis. Ainda de acordo com MELE conclui que: "nesta situação, a necessidade de que todos os membros da organização tenham sabedoria prática é ainda mais necessária que nas formas antigas (de estruturas organizacionais)"(11).

c) exercício efetivo da capacidade de liderança:
Liderança é a capacidade de conduzir outras pessoas. Dependendo do tipo de temperamento, tal como descreve KIERSEY(12), alguns desenvolvem um estilo de liderança dando ênfase a um aspecto da inteligência em que mais se destaca sobre outros por propensão natural, a saber: a inteligência tática, a inteligência logística, a inteligência diplomática e a inteligência estratégica. Ainda que os estilos sejam ótimos para determinados tipos de situação ou de organizações, alguns autores tais como BENNIS e NANUS (1985)(13), BADARACCO e ELLSWORTH (1988)(14) e KOTTER (1988)(15), estão de acordo em que o comportamento ético favorece o exercício da liderança. Ainda que o enfoque da ética das virtudes ainda não seja trabalhado suficientemente como comenta MELÉ.

A virtude da justiça é um hábito operativo, isto é inclina à ação, tendo sempre em conta o "ius" o devido. Define-se esta virtude de acordo como sendo "a vontade constante e perpétua de dar a cada um o que é devido". Por outro lado a pessoa prudente é a que toma o partido do que é eqüitativo ou justo de uma forma constante (arraiga-se no caráter). É patente que a virtude da justiça é essencial para o exercício da liderança, pois favorece a confiança mútua, o bom ambiente na organização, o envolvimento de todos nas metas da organização em resumo o espírito cooperativo e participativo cada vez mais necessário para as novas formas de organização.

"Hoje em dia aderimos mais a pessoas que têm um caráter sólido e bem constituído, antes que aqueles que defendem modelos, sistemas ou ideologias sociológicas mais ou menos afortunadas, como assinalou BENETT(16)em seu Livro das Virtudes e como manifestou recentemente também Samuel Huntington(17): o que importa às pessoas de forma definitiva não é a ideologia política ou o interesse econômico: a fé e a família, o sangue e as crenças, são as realidades com as que os povos se identificam e pelas quais estão dispostos a lutar e morrer"(18).

Necessariamente o líder deve ir à frente e nada mais eficaz que a incorporação dos valores éticos no comportamento pessoal. A liderança baseada em princípios é desenvolvida por COVEY(19) onde salienta de forma especial a necessidade da exemplaridade. O líder consegue conduzir outros não tanto pelo que afirma, mas pelo que faz. O exemplo ainda é o fator decisivo na qualidade de liderança. Ainda de acordo com MELE(20) "o líder difere do 'sugestinador' que utiliza técnicas psicológicas para manipular seus subordinados e converte-los em seus seguidores. A sugestão psicológica, mais cedo ou mais tarde, pode ser descoberta e voltar-se contra o líder. Isto não ocorre com o líder virtuoso que se preocupa como seus colaboradores de modo sincero e constante, buscando o melhor para eles".

Liderar, conduzir pessoas até determinados objetivos, requer um aperfeiçoamento pessoal nas próprias motivações: extrínsecas, intrínsecas e transcendentes. As motivações de ordem transcendente (bem dos outros) são essenciais pois baseiam-se num forte conteúdo ético. As três dimensões motivacionais podem ser desenvolvidas, adotando a nomenclatura de PÉREZ LÓPES, nos aspectos: estrategista (motivação de ordem extrínseca), executivo (motivação de ordem intrínseca) e a de liderança (motivação de ordem transcendente). Através de um programa de análise das forças e fraquezas no exercício da liderança, pode-se estabelecer metas de crescimento.

Doménec Melé, em uma conferência, sublinhou que a liderança "é um desses temas onde o lugar da ética em direção de empresas aparece com maior claridade’. Sem dúvida, acrescentou com palavras de dois pesquisadores, Sumantra Ghoshal e Simon Caulkin, ‘a direção de empresas padece um profundo vazio filosófico e moral’. Segundo Prof. Melé, a raiz está na profunda ruptura, gerada desde há séculos, entre os resultados da ação e a ação em si mesma considerada, com seu significado moral e social".

"Os estudos sobre a liderança, tão abundantes nos últimos anos, adoecem, em sua maioria, dessa deficiência: ‘Geralmente – diagnosticou o Prof. Melé -, não entram para valorar a ação nem as motivações do líder em sua interação com seus seguidores ou colaboradores. [...] A qualidade moral da ação não importa, a menos que influa nos resultados’. Contudo, influi muito e freqüentemente, como já se começou a descobrir. Daí um curioso paradoxo: muitos estudos que prescindem da ética ao tratar da liderança se detem em retratar o bom dirigente com traços que não são senão virtudes chamadas de outro modo. Ou seja, a ética se joga pela porta e entra pela janela"(21).

d) criação de uma cultura empresarial com qualidade ética que favoreça a continuidade da empresa:
De acordo com OUCHI citado por MELÉ(22)destaca que "a tradição e as condições predominantes conformam a cultura de uma companhia", neste caso pode-se desenvolver verdadeira cultura organizacional baseada na ética das virtudes. Pode-se aplicar similarmente pensamento clássico de PLATÃO(23)com referência a ética das virtudes já desenvolvida na República, no diálogo de Sócrates com Glauco "creio que a nossa cidade, se de fato foi bem fundada, é totalmente boa. [...] É, portanto, evidente que é sabia, corajosa, sensata e justa. (...) Logo encontraremos nela qualquer destas virtudes (...)".

As virtudes estão nestas "condições predominantes" da cultura organizacional e se são interiorizadas pelos componentes de uma instituição a cultura torna-se virtuosa. Um benefício importante é o que se adquire na criação de uma cultura de justiça favorável ao espírito cooperativo. Conseqüências diretas importantes advém deste tipo de preocupação: incorporação dos princípios de veracidade e transparência nas comunicações, de lealdade no cumprimento de compromissos, prazos e contratos e de solidariedade para com os objetivos e bem comum da organização.

As organizações de modo amplo buscam a consecução de resultados de tipo material (quota de mercado, participação, ganhos, etc), a satisfação dos stakeholders (clientes, acionistas, fornecedores, funcionários, sociedade, etc.) e o desenvolvimento humano de todos os que fazem parte da organização.

De acordo com o que vimos até agora há um valor intrínseco para a busca dos comportamentos éticos, pois desenvolvem integralmente a pessoa e as situa num plano de melhor "altura" como pessoa. A organização deve ter como prioridade a promoção da cultura das virtudes, primeiro não pondo dificuldades, seja pelo tipo de negócios, ou pelo modo de operar que poderiam prejudicar a prática das qualidades éticas. Por outro lado estimular através de melhores práticas os meios facilitadores para a disseminação de comportamentos excelentes, isto é: favorecer as práticas cooperativas, participativas, baseadas na virtude da justiça.

De acordo com os princípios éticos pode-se planejar e desenvolver a cultura organizacional, procurando que as políticas de alinhamento, engajamento e recompensas das pessoas sejam desenhadas e praticadas adequadamente. Com relação às recompensas, deve-se claramente reconhecer o mérito das ações excelentes e estimula-las. Por exemplo, promover e dar destaque a comportamentos que contribuam para a melhora da cultura organizacional.

MELE(24) sugere os seguintes meios:
   a. manutenção ou mudança da cultura organizacional existente;
   b. promoção de meios institucionais para reforçar comportamentos éticos corretos;
   c. exemplaridade no modo de dirigir a empresa;
   d. desenho de formas organizativas e sistemas de direção que favoreçam o desenvolvimento da pessoa.

GEUS ao fazer o trabalho em que estuda a razão da permanência de empresas de vida maior que 100 anos, indica alguns traços característicos destas empresas, para o nosso interesse especial está: consciência de sua identidade, valorizar pessoas e não ativos, afrouxar a direção e o controle, organizar-se para aprender e criar uma comunidade. A confiança mútua exerce um papel preponderante nestas empresas, portanto uma forte componente ética. "Na empresa viva, os membros entendem o que significa 'nós' e têm consciência dos valores comuns. Eles sabem a resposta à pergunta fundamental sobre a identidade corporativa: O que valorizamos? Quem não conseguir conviver com os valores da empresa não pode e não deve fazer parte dela. A sensação de fazer parte do todo une até os seus mais diferentes integrantes"(25).

(1) ARISTÓTELES - Ética a Nicomacos, 2. ed. Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 1992
(2) MELÉ CARNÉ, Domènec, Mejora Ética de Diretivos y Empleados. In. Ética en el gobierno de la empresa. Navarra-ES: Eunsa, 1996. Cap. 1. p. 57-74
(3) FRANKL, Viktor - Psicoterapia e Sentido da Vida, 3. ed, São Paulo - SP, Quadrante, 1989, p. 75
(4) GOMEZ PEREZ, Rafael, Ética Empresarial: Teoria e Casos, 1. ed., Madrid-ES, Ed. Rialp, 1990, p. 68.
(5) MELÉ CARNÉ, id. ibid. p. 60
(6) Apud MELÉ CARNÉ, op. cit. p. 60
(7) LUÑO, A. R., Ética General, 2. ed., Pamplona, Eunsa, 1993, p. 299
(8) MELÉ CARNÉ, id. Ibid. p. 60
 (9) id. ibid. p. 60
(10) AQUINO, Tomás de, Suma Teológica, tomoVIII, Madrid, BAC, 1956, p. 19.
(11) CARNÉ, id. Ibid. p. 60
(12) KEIRSEY, David. Please Understand Me II: Temperament Character Intelligence. 1. ed. USA: Prometheus, 1998
(13) BENNIS, W., NANUS, B., Leaders. The strategies for taking charge, Harper&Row,Pub, New York, 1985.
(14) BADARACCO, J. L. Jr., ELLSWORTH, R. R., Leadership and the Quest for Integrity, Harvard University Press, Cambridge, Massachussets, 1988.
(15) KOTTER, J. P., The Leadership Factor, New York, The Free Press.
(16) BENETT, Willian, O livro das virtudes II, O compasso moral, 2. ed.,Ed. Nova Fronteira, 1995, pp.693.
(17) Apud LLANO, Carlos, HUNGTINGTON, Samuel, Foreing Affairs, Nov-Dic. de 1993, em resposta às críticas ao seu artigo "The clash of civilizations?" idem, julho-Agosto 1993.
(18) LLANO, Carlos, La persona humana en la empresa de fin de siglo, Revista Nuestro Tiempo,jun. 1996, p. 111
(19) COVEY, Stephen R., Liderança Baseada em Princípios. 1. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1994
(20) MELÉ CARNÉ, op.cit., p. 63
(21) ACÍN, Javier, La ética del directivo, más allá del utilitarismo, Madrid, ACEPRENSA, 1999, refere-se a "Ética en el liderazgo empresarial: retos ante el siglo XXI": IX Coloquio de Ética Empresarial y Económica del IESE, Barcelona, 4-5 de noviembre de 1999.
(22) Apud MELÉ CARNÉ, p. 63 , OUCHI, Willian, Teoria Z, Fundo Educativo Interamericano, México, 1982
(23) PLATÃO, A República, 1. ed., Ed. Martim Claret, São Paulo, SP, 2001, p. 121 –427 a-e
(24) MELÉ CARNÉ, op.cit., p. 68
(25) DE GEUS, Arie, The living company, Harvard Business Review, março-abril 1997 - tradução HSM Management 13 março-abril 1999

BIBLIOGRAFIA
ACÍN, Javier, La ética del directivo, más allá del utilitarismo, Madrid, ACEPRENSA, 1999, refere-se a "Ética en el liderazgo empresarial: retos ante el siglo XXI": IX Coloquio de Ética Empresarial y Económica del IESE, Barcelona, 4-5 de noviembre de 1999.
AQUINO, Tomás de, Suma Teológica, tomoVIII, Madrid, BAC, 1956, p. 19.
ARISTÓTELES - Ética a Nicomacos, 2. ed. Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 1992
BADARACCO, J. L. Jr., ELLSWORTH, R. R., Leadership and the Quest for Integrity, Harvard University Press, Cambridge, Massachussets, 1988.
BENETT, Willian, O livro das virtudes II, O compasso moral, 2. ed.,Ed. Nova Fronteira, 1995, pp.693.
BENNIS, W., NANUS, B., Leaders. The strategies for taking charge, Harper&Row,Pub, New York, 1985.
COVEY, Stephen R., Liderança Baseada em Princípios. 1. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1994
DE GEUS, Arie, The living company, Harvard Business Review, março-abril 1997 - tradução HSM Management 13 março-abril 1999
FRANKL, Viktor - Psicoterapia e Sentido da Vida, 3. ed, São Paulo - SP, Quadrante, 1989, p. 75
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KEIRSEY, David. Please Understand Me II: Temperament Character Intelligence. 1. ed. USA: Prometheus, 1998
KOTTER, J. P., The Leadership Factor, New York, The Free Press.
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LUÑO, A. R., Ética General, 2. ed., Pamplona, Eunsa, 1993, p. 299
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PLATÃO, A República, 1. ed., Ed. Martim Claret, São Paulo, SP, 2001, p. 121 –427 a-e

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  ERGONOMIA, QUALIDADE E SEGURANÇA DO TRABALHO

ERGONOMIA NA INDÚSTRIA TEXTIL

Prof. Carlos Maurício Duque dos Santos
Mestre e Doutorando em Ergonomia pela Escola Politécnica da USP em Engenharia de Produção.
Professor de Ergonomia da UNIP-Universidade Paulista nos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e Engenharia de Produção.
Diretor da ABRAPHISET e Consultor de Empresas na Implantação de Programas de Ergonomia para Prevenção das LER/DORT e melhorias da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT).
mauricioduque@uol.com.br

Considerações Ergonômicas na Indústria Têxtil
As inadequações ergonômicas na indústria têxtil no Brasil, como em qualquer outro segmento produtivo, está relacionado a vários aspectos.
Em estudos ergonômicos que realizamos em indústrias de fiação e de tecelagem no estado de São Paulo, detectamos diversos fatores contributivos para as inadequações ergonômicas nos ambientes de produção, alguns extremamente críticos devido a natureza das tarefas.
As questões ergonômicas no setor têxtil devem contemplar os aspectos da macro ergonomia e da micro ergonomia no ambiente de trabalho. No que se refere a macro ergonomia no setor têxtil, o principal aspecto que se deve analisar é a questão das tecnologias utilizadas nos processos de produção e os aspectos relativos aos métodos de produção e a organização do trabalho. Em relação a micro-ergonomia, o estudo ergonômico deve contemplar os aspectos relativos ao posto de trabalho (máquinas, equipamentos, ferramentas e etc.) e ao micro clima no local de trabalho.
O parque industrial têxtil no Brasil é composto por empresas que se utilizam desde processos semi-artesanais, até processos informatizados e automatizados, e existem problemas ergonômicos tanto nos processos semi-artesanais quanto nos automatizados.
Ao nosso ver, a grande maioria dos riscos de acidentes e de doenças ocupacionais nas indústrias têxteis estão relacionados as inadequações ergonômicas nas máquinas e equipamentos e na organização do trabalho, agravados pelas inadequações das condições ambientais (ruído, iluminação, temperatura, qualidade de ar , entre outros).

As Inadequações Ergonômicas nas Máquinas
A grande maioria das máquinas operatrizes do setor têxtil são inadequadas do ponto de vista ergonômico, pois quando concebidas (projetadas) não se levou em considerações as características antropométricas dos usuários/operadores e as necessidades biomecânicas na realização das tarefas.
Os elementos de comando e/ou acionamento (botoeiras, manetes, alavancas) e os dispositivos de sinalização (indicadores luminosos) das máquinas normalmente estão posicionados fora do alcance físico e visual dos usuários/operadores obrigando-os a assumirem posturas inadequadas e realizarem movimentos biomecânicos que comprometem a estrutura músculo-esquelética (fatores contributivos para desenvolvimento das LER/DORT).

As Inadequações Ergonômicas no Mobiliário
Nas indústrias é comum o uso de cadeiras em algumas máquinas operatrizes para que as tarefas possam ser realizadas na posição sentado, contudo, na maioria das fábricas visitadas, as cadeiras são inadequadas e não atendem as normas ABNT (pois a norma NR-17 não oferece nenhuma referência para uma boa cadeira). Em algumas indústrias nem cadeiras utilizam, fazendo uso dos tradicionais banquinhos de madeira ou mesmo, sem assentos.
Salientamos que não adianta apenas uma boa cadeira, é importante que esta seja compatível com o posto de trabalho e com a tarefa.
Encontramos também algumas bancadas, especialmente em setores de embalagens e expedição na indústria de fios. A maioria das bancadas também são inadequadas pois não foram ergonomicamente projetadas.

As inadequações Ergonômicas em Relação ao Transporte de Materiais
Em algumas indústrias o uso de transporte de materiais e produtos manual é comum. Normalmente o deslocamento vertical e horizontal de cargas é feito de forma incorreta e sem uso de meios auxiliares (carrinhos e/ou talhas). O peso das peças transportadas manualmente com frequência e constância, ultrapassa os 18Kg (para homens) e 12Kg (para mulheres) segundo recomendação da FUNDACENTRO.
O transporte manual de materiais e produtos de forma incorreta também é um fator contributivo para as LER/DORT.

As Inadequações Ergonômicas nos Processos de Produção e Organização do Trabalho
As principais inadequações são relativas as exigências de ritmo de trabalho e ao conteúdo das tarefas. Tanto no setor de fiação quanto no setor de tecelagem, as máquinas é que ditam o ritmo de trabalho, ou seja, os operadores tem que seguir o ritmo das máquinas (velocidade e ciclo), quanto mais eficiente a máquina, ritmo mais intenso ela impõe ao trabalhador.
O ritmo intenso de trabalho, na mesma tarefa e na mesma atividade continuamente durante a jornada de trabalho também é um dos fatores contributivos para o desenvolvimento das LER/DORT e também dos acidentes.
A sobrecarga de trabalho em alguns setores tem aumentado consideravelmente, pois na procura de redução de custos com pessoal tem-se demitido trabalhadores e quem fica, é obrigado a fazer o serviço de dois ou mais (e isto não é exclusividade da indústria têxtil).
É evidente que os que continuam trabalhando ficam sobrecarregado e, consequentemente, apresentam fadiga física e stress, o que os torna mais propensos a cometer erros e provocar acidentes.

As Soluções para os Problemas Ergonômicos
Ao nosso ver os problemas ergonômicos devem ser solucionados de forma ampla e abrangente, com ações ergonômicas tanto nos fatores macro-ergonômicos quanto nos fatores micro-ergonômicos, pois estes estão intimamente ligados e não adianta resolver um sem resolver o outro.
Portanto, as ações ergonômicas devem ser nos métodos e processos de produção e também nos postos de trabalho (máquinas, equipamentos, ferramentas, mobiliário e condições ambientais).
Tentar resolver os problemas ergonômicos apenas com a ginástica laborativa, como alguns tem tentado fazer, estão apenas tampando o sol com a peneira, pois estão combatendo o Efeito e não a Causa.
A causa dos problemas ergonômicos está nos métodos e processos de produção, na organização do trabalho e, principalmente, na inadequação ergonômica do posto de trabalho (projetado sem conceitos ergonômicos).
Para que possamos efetivamente contribuir para minimizar os problemas das LER/DORT e dos acidentes de trabalho no setor têxtil, temos que exigir das empresas as adequações ergonômicas dos postos de trabalho (adaptação ergonômica dos postos de trabalho, concepção ergonômica de novas máquinas e equipamentos, mobiliário adequado, ferramentas adequadas e etc.) nos processos de produção e organização do trabalho (ritmo de trabalho e conteúdo de tarefas compatível com os limites e capacidades dos trabalhadores, adequação dos horários e pausas na jornada de trabalho).
Recomendamos especialmente aos profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho uma ação integrada com os profissionais da área de Produção, pois ações ergonômicas estão intimamente ligadas a Qualidade e Produtividade, e a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) poderá ser um fator decisivo também para a competitividade da empresa.
Para finalizar sugerimos a implantação de um Programa de Gestão de Ergonomia na empresa envolvendo as seguintes ações: Análise Ergonômica, Projetos de Adequação Ergonômica dos Postos de Trabalho e dos Sistemas de Produção, Implantação dos Projetos, Treinamentos de Orientação Postural e Biomecânica, Programas de Ginástica Laborativa, Documentação das Ações, Auditorias de Ergonomia para verificação, consolidação e sugestão de novas melhorias, que devem ser contínuas e integradas.

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- O concreto aguenta muito desaforo. Mestre de Obra Mazarollo
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