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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS E CANTEIROS DE OBRAS
Ano 03 •  nº 21 • 01/07/2003
  Nesta Edição
A fundo na Picaretagem: O Nome da Rede
Marketing Empresarial:  Cumprimento de Prazos
Qualidade Real: Definindo Tarefas Prioritárias para Padronização
Ética e Educação: Ética e seus Fundamentos I/II
Meio Ambiente:  Gestão Ambiental III/IV

O justo come e sacia a sua alma; mas o ventre dos maus é insaciável - Provérbios 13-25 (922 a.C.)

Ensaio


arquitetura e construcao  O NOME DA REDE

Arquitetura e Construção

[...] vi cada vez mais circular pela Europa: falsos monges, charlatões, embrulhões, truões esfarrapados e maltrapilhos, leprosos e estropiados, ambulantes, vagabundos, cantadores, clérigos sem pátria, estudantes itinerantes, trapaceiros, malabaristas, mercenários inválidos, judeus errantes, salvos dos infiéis com o espírito destruído, sandeus, fugitivos perseguidos por bandos, malfeitores de orelhas cortadas, sodomitas, e entre eles artesãos ambulantes, tecelões, caldeireiros, amoladores, empalhadores, pedreiros, e ainda biltres de todo feitio, trapaceiros, birbantes, vigaristas, velhacos, galhofeiros, guiões, alcoviteiros, saltimbancos, andarilhos, esmoleres, e cônegos e padres simoníacos e traficantes, e gente que vivia da credulidade alheia, falsários de bulas e selos papais, vendedores de indulgências, falsos paralíticos que se estendiam às portas das igrejas, trânsfugas dos conventos, vendedores de relíquias, adivinhos e quiromantes, curandeiros, falsos esmoleres, e fornicadores de toda laia, corruptores de monjas e de donzelas com enganos e violências, simuladores de hidropisia, epilepsia, hemorróidas, gotas e chagas, e mais loucura melancólica. Este e os fragmentos seguintes extraídos do romance O Nome da Rosa, de Umberto Eco, com ação em 1300.
Em nenhuma outra época o Calhorda gozou de tantas regalias e facilidades. Está à vontade nos dias atuais, e na dianteira em informações. Retém de pronto as inovações da tecnologia para adequá-las aos seus propósitos, e sai da moita já surpreendendo. Desde sempre existiu, evidencia o Antigo Testamento, mas nunca deu pulos tão altos e causou tantos malefícios aos outros e à sociedade. Imiscuiu-se nos setores produtivos, introduziu-se na Política, na Polícia e na Favela, informatizou-se, e intrometeu-se na vida e no bolso de todos. Corrompe, falsifica, falseia, mente, desdenha a Família, a Amizade e o Coleguismo, violenta, irrita, e ainda é tratado com indulgência extrema. Faz-se de ingênuo e é amparado pela Lei. Passa-se por empreendedor, e é incentivado pelos poderosos. Faz fileira entre os poderosos. Passa-se por visionário e angaria a admiração geral - fomentada pelas empresas, que preferem os "espertos" e ainda têm na transigência e na aceitação indiscriminada os fundamentos do trabalho em grupo.
Mesmo sem pudor em escancarar seu lambido ou envernizado semblante, a grande rede exorbita-lhe as regalias: nem precisa mais mostrar sua cara. Sente-se em casa e não faz cerimônias. É o mais insistente dos chatos, e o precursor do Anticristo que, se já não é nosso conviva, está por pouco. As pretensões deste depoimento serão demonstrar isto.

Voltemos no tempo e observemos como cavavam a vida na Idade Média. Suas dificuldades eram tantas que nos convencem que o crime realmente não compensava. Umberto Eco, doutor em Estética medieval e profundo conhecedor da época e do assunto, relata-nos com a precisão dos eruditos, em que cumbucas se metiam:
Haviam os que se aplicavam emplastros no corpo para fingir úlceras incuráveis, outros que enchiam a boca de uma substância cor de sangue para simular hemoptises de tuberculose, velhacos que fingiam ser fracos de um dos membros, trazendo bastões sem necessidade e simulando a epilepsia, sarnas, tumores, inchaços, aplicando bandas, tinturas de açafrão, trazendo ferros nas mãos, faixas na cabeça, introduzindo-se fedorentos nas igrejas e deixando-se cair de repente nas praças, babando e arregalando os olhos, lançando sangue pelas narinas, feito de suco de amoras e colorau, para arrancar comida ou dinheiro das gentes tementes que lembravam os convites dos santos padres à esmola: divide com o esfaimado o seu pão, leva para casa quem não tem teto, visitemos Cristo, acolhamos Cristo, vistamos Cristo, porque como a água purga o fogo assim a esmola purga os nossos pecados.

Corramos disto, entretanto, e saltemos para 50 anos atrás. No tempo de nossos pais e avós o Picareta já é quase um herói nacional. Existiam eventuais vendedores de poltronas no céu, é verdade, porém a grande maioria formava-se de batedores de carteiras nas proximidades das rodoviárias. Os que cochilavam, ou seja, os próprios assaltados é que davam motivo para risos e zombarias.
Eram também motivo de risos e zombarias os exageradamente precavidos que, para viajar, costuravam bolsos nas ceroulas, colavam o dinheiro por toda parte do corpo, guardavam-no dentro das meias, nas guarnições dos chapéus, nos estofos dos paletós, ou seja, o astuto batedor de carteiras era motivo de boas piadas, e já não sofria tanto.

Antes de retornarmos aos dias atuais, para concluirmos nossa proposição, que se anote que o Calhorda que nos referimos não é necessariamente o assaltante ou o bandido que troca tiros com a Polícia. Referimo-nos ao mau-caráter em um universo muito mais amplo: o Assaltante corta o dedo da madame se o anel não quiser sair, o Político odeia o necessitado, o Chefe de Governo assume a parte maior da propina, e muitos e muitos outros, em todas as esferas sociais, marcados pela falta de empatia: a doentia incapacidade de sentir o que os outros sentem, ou pensam a seu respeito. É um cancro muito mais purulento, e que emporcalha suas próprias ocupações: é o vigário libidinoso, o médico praticante do aborto e da eutanásia, o policial traficante, o assassino que mata por impaciência, o seqüestrador que violenta a vítima, o indivíduo que faz da Astúcia e do Calote as razões de sua existência, mesmo não necessitando disto.
Primam-se pela falta de escrúpulos e do senso de limites e por isto são tão mais nocivos: o golpe aplicado na Caixa Econômica de Goiás, conhecido como o Escândalo Caixego, fez, sozinho, um rombo maior que todos os batedores de carteiras, prostitutas punguistas e ladrões de bancos conseguiram em toda a História do Estado.

Livra-me, Deus meu, da mão do ímpio, do poder do homem injusto e cruel, - Salmos 71-4 (961a.C.)

Suplantando em eficácia as peripécias e apelos da Idade Média, e desdenhando o humor dos anos 50, estão sendo criadas por falsas instituições de caridade, através do Telemarketing, as indústrias organizadas do molambo terminal: campanhas para ajudar as criancinhas de rua aidéticas, os velhinhos tuberculosos, os órfãos cancerosos, as anciãs sifilíticas, os paralíticos com meningite, etc.
Na TV, ao vivo e à cores, charlatões superam em curtas semanas a quantidade de milagres que Cristo realizou na Terra e ainda os dos patriarcas das Antigas Escrituras.
Através de spans vendem-se correntes milionárias, disponibiliza-se fortunas fáceis, empregos fartos e mirabolantes, remédios para aumentar a inteligência, a memória e o tamanho dos pênis, empréstimos bancários fajutos, enquanto sites gigantescos, e que se passam por respeitáveis, vendem listas dos ingênuos que se cadastram em sua rede e aceitam receber suas novidades - mas, como em www.globo.com/anuncieaqui, não permitem que seja referida a origem destas listas.
Convenientemente criou-se o 5º Cavaleiro do Apocalipse, em forma de Vírus de Computador, arrasador, diabólico, mas que rende fortunas aos fabricantes das vacinas e às revistas de informática que estampam manchetes e o temor em todas suas edições. A palavra de ordem é vender. Por trás disto os invisíveis e enigmáticos programadores: espertíssimos que não imaginam estar favorecendo aos megaempresários? Inteligentíssimos mas revoltados contra a humanidade? Brilhantíssimos mas trabalhando sem remuneração? Não remunerados mas esbanjando tempo em programação, e dinheiro na distribuição aos montões e aos milhões? Fascinados pela fama mas obrigados a se camuflar? Coitados, ou sádicos que se divertem em amedrontar e prejudicar pessoas? Filhos de satã ou mancomunados com os magnatas?
Chefes de órgãos governamentais promovem aumento generalizado de salários para favorecer um único funcionário, seu parente, e são ovacionados. Desperta-se para o aumento ilimitado dos próprios salários, e o milagre em cascata de São Lalau.
Provedores aceitam receber anuidades com a simples apresentação, via telefone, do número da conta corrente e do CPF de um outro - que desembolsará R$ 390,00 se não verificar e reclamar a origem do débito em sua conta bancária. O convênio com o banco legaliza a transação, que também dispensa preocupações: a Política de Privacidade do provedor encobre os íncubos.
É criada por grandes coorporações a burocracia útil: se o indivíduo não cumprir com seus compromissos um batalhão de cobradores estará de prontidão para aprontar-lhe todo tipo de humilhação até que receba a dívida - por menor que seja e ainda que à custa do confisco de seus bens. Caso, por outro motivo qualquer, pague a maior, então é embrulhado, protelado, ignorado, até desmilingüirem-se suas pretenções quanto ao estorno. Outro grande provedor utiliza a técnica de, por telefone, informar um valor 6 vezes menor que aquele que lançará na conta corrente do desinfeliz, utilizando-se como contra-argumento a obrigatoriedade da leitura online de mais de 40 páginas para seu afiliado utilizar seus serviços.
Cartões são clonados, senhas desvendadas, contas bancárias e os bolsos dos ingênuos, dos contribuintes, dos internautas, são revirados e expostos. O simples ato de verificar o próprio saldo bancário é um risco, e não verificar uma temeridade ainda maior.

[...] o trabalho parecerá a todos uma grande fadiga, de toda parte elevar-se-ão cânticos de glória à permissividade, ao vício, à dissoluta liberdade dos costumes. E depois disso, estupros, adultérios, perjuras, pecados contra a natureza seguirão em grandes vagalhões, e males, e advinhações, e encantamentos, e aparecerão no céu corpos voadores, surgirão em meio aos bons cristãos falsos profetas, falsos apóstolos, corruptores, impostores, bruxos, estupradores, avarentos, perjuros e falsificadores, os pastores se transformarão em lobos, os sacerdotes mentirão, os pobres não acorrerão em auxílio dos chefes, os poderosos não terão misericórdia, os justos servirão de testemunhas à injustiça. Todas as cidades serão sacudidas por terremotos, haverá pestilências em todas as regiões, tempestades de vento erguerão a terra, os campos serão contaminados, o mar segregará humores enegrecidos, novos prodígios desconhecidos terão lugar na lua, as estrelas abandonarão seu curso normal, outras - desconhecidas - sulcarão o céu, nevará no verão e fará calor tórrido no inverno. E chegarão os tempos do fim e o fim dos tempos... 

Daqui pra frente - e a conclusão salta aos olhos - certamente que continuará aumentando a prole, diversificando as técnicas e ampliando os negócios. Com as mentes e os bolsos sob seu controle, não consolidará seu absoluto domínio também sobre o Direito, a Lei e a Justiça, logrando o poder ilimitado?
Ou estará, ainda, atrás de sangue novo e carne mais macia? Agirá agora ou estará dando um tempinho para abrir as asas sobre nossos filhos e netos?
O que andará aprontando neste exato momento?
Apêndice

MAL (filosofia)
Numa formulação do problema, atribuída ao filósofo grego Epicuro, ou Deus pode impedir o mal e não o faz (e, com isso, não é bom), ou então quer impedir o mal e não consegue (e, portanto, não é todo-poderoso). O problema do mal tem sido uma preocupação central dos filósofos e de todas as grandes religiões. Em fins do século IV, Santo Agostinho sugeriu que o mal, que não foi criado por Deus, é a privação ou ausência do bem, filosofia que teve grande influência entre os pensadores cristãos posteriores. Já no século XVII, Gottfried Wilhelm Leibniz afirmou que o poder de criação de Deus se limitava a mundos logicamente possíveis e que o mal é uma parte necessária do "melhor de todos os mundos possíveis" - Enciclopédia Encarta.

De qualquer forma a problemática dos calhordas é para ser resolvida neste mundo mesmo e, neste particular, são muito mais eficientes as técnicas muçulmanas que, quando não lhes ceifam as cabeças cortam-lhes as mãos, independente do que acham ou deixam de achar as empresas modernas.
  Ênio Padilha . MARKETING EMPRESARIAL


arquitetura e construcao  CUMPRIMENTO DE PRAZOS
(extraído do livro "Os Pecados de Marketing na Engenharia e na Arquitetura")

Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br

Você deve conhecer a expressão "Preço combinado não é caro!"
Com relação ao prazo, pode-se dizer a mesma coisa: um prazo combinado para a realização de um serviço não é tempo curto (nem longo) demais. Se foi combinado é porque as duas partes concordaram, não é mesmo?
Ainda assim, a queixa mais freqüente apresentada pelos clientes de engenheiros e arquitetos é, seguramente, relativa ao não cumprimento dos prazos estabelecidos.  E os engenheiros e arquitetos, por sua vez, reclamam que os prazos são sempre curtos demais...
O brasileiro, por natureza, não é adepto do cumprimento de prazos.  Os serviços de Engenharia e de Arquitetura, além disso, costumam atrasar por muitos outros motivos.  Mas o principal deles é que engenheiros e arquitetos acreditam que ISSO É NORMAL.  Acreditam que não existem meios e maneiras de enfrentar essa questão.  Que as demandas de criatividade e de relacionamento com os clientes são explicações mais do que suficientes para esses atrasos costumeiros.
Pura desculpa barata.  Puro bla-bla-blá!
O cumprimento de prazos na prestação de serviços de Engenharia e de Arquitetura não só é possível como altamente desejável.
Uma atividade produtiva (a prestação de serviços de Engenharia e Arquitetura é uma atividade produtiva) só é economicamente interessante se apresentar um bom nível de produtividade.  Produtividade se obtém com Sistematização de Processos.  Essa sistematização nada mais é do que a racionalização de processos, a organização do tempo e o estabelecimento de regras claras de procedimentos por parte do cliente.
Para vencer o problema dos atrasos a primeira barreira a ser enfrentada é a da convicção: o engenheiro ou o arquiteto precisa ACREDITAR que é possível concluir TODOS os serviços no prazo combinado com o cliente, desde que os processos sejam sistematizados e que o tempo a ser gasto com cada tarefa seja melhor dimensionado.
Isso requer uma certa dose de experiência profissional, uma boa capacidade de organização e uma equipe disciplinada.  Lembrando sempre que a organização de um escritório ou de uma empresa consiste, simplesmente, em definir o lugar, o tempo e a maneira de fazer ou guardar coisas. O processo de organização define um lugar para cada coisa. Mas é a disciplina interna da empresa que faz com que cada coisa esteja sempre no seu devido lugar e cada tarefa realizada a seu tempo.
Sistematizar uma empresa de engenharia ou de arquitetura , nada mais é do que organizar as tarefas que podem ser rotinizadas e estabelecer melhores critérios para promessas de desempenho aos clientes.
Cumprir prazo e horários estabelecidos confere ao profissional engenheiro ou arquiteto uma desejável aura de profissionalismo que desestimula o cliente para barganhas e exigências descabidas.

Leia outros artigos no site do Especialista: http://www.eniopadilha.com.br

 
Coluna do Pimpão
engenharia civil

• DESCUBRA A DELE...
É característica do calhorda não se irritar e nem se aborrecer, mas fazer de desentendido, quando sua "ética" é posta em dúvida, cabendo, pois, uma pegadinha para desmascará-lo.
O inconveniente da " técnica" é, em caso de engano, levar um chaga-pra-lá de alguém bem-intencionado, que de forma nenhuma aceita sua Ética sendo questionada.

civil
Os bandidos não são assim tão bonzinhos quanto foi dito no início: só em roubo de carros faturam mais que a Ford.
E-mails recebidos  Agenda, Memos & CI´s


REVISTA Nº 20
Senhor Editor,
Cumprimentando-os cordialmente pelo excelente nível dos textos publicados na Revista, gostaria de fazer um pequeno reparo: muito embora os assuntos trazidos à cola sejam de qualidade indiscutível, a forma como estão sendo apresentados não é muito convidativa: letras muito miúdas, textos muito longos...
Como bem lembrado em um dos textos, nós engenheiros lemos muito pouco. Temos pouco tempo...
De toda forma, vocês estão de parabéns. Sinto-me um privilegiado por ter acesso a tão boa publicação.
  Jefferson.

Prezado Amado:
Gostei dos "Causos e Lorotas" desta edição. Aliás você é sempre fértil nas idéias, na sutileza de seu espírito observador e no estilo saboroso de expor seus temas, sempre dentro "da nossa ótica". E demonstra ser um grande pesquisador da história humana.
Pena que, por vezes, este brilhantismo fique empanado por pequenos senões de português, que me apresso em corrigir, confiando que serei perdoado pela intromissão e como estímulo para que grande escritor/editor desabroche em definitivo.
Na Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, de Domingos Pachoal Cegalla, editada pela Companhia Editora Nacional, página 506, relativo ao emprego do verbo "haver", lê-se que:
...3 - O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente na 3a. pessoa do singular - quando significa:
... 2) acontecer, suceder : Houve casos difíceis. Não haja desavenças entre vós. Portanto, você deveria ter empregado em seu último parágrafo daquele artigo: Outras passagens e correrias houve.
Favor não replicar apontando os meus erros de português neste comentário. A intenção é ajudar, pois como já disse Henry Ford: "Você pode ter 8 ou 80 anos e nunca ser considerado velho, a menos que desista de continuar aprendendo."
Com a admiração do amigo
  Décio

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  Coluna do Borduna
construcao civil

• COMPARATIVOS
Ladrões nos suprimiram, nestes últimos anos, cerca de R$ 400,00 e 1 toca-fita usado, enquanto a canalha desfalcou-nos em 1 carro, 1/2 apartamento, parte de 1 terreno e acima de R$ 20.000,00 em negociatas e golpes sujos, sendo reavidos R$ 12.000,00 que foram assumidos pelo banco titular do cartão clonado, ou seja, 1200 vezes mais, sem falar num carnê do Baú que adquirimos de alegre, e numa visita a uma favela no Botafogo - em expedição intelectual - que tivemos que comprar maconha [¹] "senão tá todo mundo preso".


(¹) A propósito não repetiremos aqui a conversa mole daquele presidente americano que não comeu maconha, nem tragou a Estagiária.
Luís Renato Vieira . QUALIDADE REAL

arquitetura e construcao  DEFININDO TAREFAS PRIORITÁRIAS PARA PADRONIZAÇÃO

Luís Renato Vieira
Diretor da empresa Qualidadereal Cons. e Assessoria S/C Ltda.
Empresa especializada em implantação de sistemas da qualidade e gestão ambiental.
qualidadereal@ig.com.br

Primeiramente devemos perguntar: O que é uma tarefa prioritária?
Tarefas prioritárias são aquelas em que havendo um pequeno erro, a qualidade do produto fica comprometida, onde já ocorreram erros no passado também são consideradas tarefas prioritárias e ainda, na visão dos supervisores ocorrem "problemas".
A ocorrência de acidentes, a reclamação de clientes, a análise de anomalias de alto custo, defeitos repetitivos também devem ser considerados para priorizar as tarefas que devem ser padronizadas.
Classifique as tarefas dentro dos critérios da curva "ABC", sendo as tarefas classificadas como "A" devem ser as primeiras que serão padronizadas. Inclua as tarefas onde ocorrem erros que afetem a qualidade do produto como "A" e na sequência as tarefas que envolvam mais pessoas.
Após a definição das prioridades, cada responsável pelas atividades deve elaborar um fluxo que reflita a realidade e não aquela imaginada como a ideal.
Na elaboração do fluxo, leve em consideração quem é o responsável por cada etapa do processo, quais são os equipamentos e ferramentas necessárias.
A verificação da realidade deve ser "in loco" e em todos os turnos de trabalho. Providencie um check-list, faça as anotações necessárias para as devidas correções.
Agora você já tem subsídios para padronização de tarefa, ou seja, sabe quais são as tarefas prioritárias, conhece o fluxo das tarefas, quem são os responsáveis e quais equipamentos e ferramentas necessárias para o bom desenvolvimento da tarefa.
Leia outros artigos sobre Qualidade no site do Especialista: http://www.milenio.com.br/qualidadereal
Fone/Fax.: (41) 336-0921
  Paulo Sertek . ÉTICA E EDUCAÇÃO


arquitetura e construcao  ÉTICA E SEUS FUNDAMENTOS - I/II

Engº Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico, Licenciado em Mecânica e Especialista em Gestão de Tecnologia e Desenvolvimento
Professor de Cursos de Pós-Graduação em Ética nas Organizações e Liderança
Pesquisador em Gestão de Mudanças e Comportamento Ético nas Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento organizacional
psertek@xmail.com.br
Portal educativo

A arte de viver bem.
De acordo com RODRIGUEZ LUÑO, a ética é a ciência da moral (1). A moral é a arte de viver bem. Arte de viver como um ser humano. Autores clássicos entendem a moral como "o ser do homem, doutrina sobre o que o homem é e está chamado a ser [...] Note-se que para caracterizar a ética·, estamos falando de realização (no singular), e não das realizações (plural) nos diversos aspectos da vida: financeiro, saúde, status, etc. Pois a moral diz respeito precisamente à realização; realização não deste ou daquele aspecto parcial, mas afeta a totalidade, o que se é enquanto homem"(2). A moral é uma arte, assim como é uma arte a pintura, o saber vender, o tocar piano ou o entalhar madeira. Exige como todas as artes uma série de conhecimentos teóricos e técnicos e também experiências e destrezas que são necessárias para desempenhar com mestria qualquer atividade.

Para tocar o piano requerem-se conhecimentos teóricos de música, técnicas que ensinam a movimentação dos dedos nas teclas, etc. Para chegar a ser um bom pianista não basta o domínio dos conhecimentos teóricos, é preciso praticá-los.

A moral exige além dos conhecimentos teóricos a capacidade de os pôr em prática. Há necessidade de adquirir os bons hábitos: o sentido de justiça, o respeito ao outro, a solidariedade, a laboriosidade, etc.

O homem necessita "aprender o que é próprio do homem: necessita aprender a falar e a escrever; a tratar os demais e a comportar-se na convivência; e mil coisas mais. Se não se educa, não desabrocham suas capacidades. Se não há um ambiente em que se fale, não aprende a falar; se não se ensina a andar em pé, anda agachado; se não vive em um meio culturalmente estimulante, não desenvolve nenhuma capacidade cultural; nem gosto artístico, nem sensibilidade musical, nem sequer refinamento gastronômico. Tudo deve ser transmitido e só pode fazê-lo num ambiente humano suficientemente estimulante. As capacidades do homem vêm dadas com sua natureza, mas o desenvolvimento dessas capacidades necessita da educação"(3).
Os hábitos de convivência social e de exercício da cidadania podem ser estimulados e fazem parte do processo educativo. Ninguém é capaz de desenvolver a arte de viver bem somente a base dos bons desejos. É preciso ter claro em que consiste o "viver bem" e adquirir os hábitos necessários para levar a prática esse conhecimento. Não basta a boa intenção para tocar piano. Isto exige conhecimentos teóricos, aplicação de técnicas e muito treino para fazer progressos.
Não se pode pedir menos que isso para a aquisição dos hábitos de convivência e de exercício da cidadania. Todas as boas qualidades adquirem-se a força de prática constante.

Inteligência e instinto
É próprio do homem ser livre, ele se faz por "um processo levado a cabo livre e responsavelmente e que incide sobre o nível mais fundamental, o do ser-homem"(4). Os outros animais estão determinados por seus instintos, que dizem o que fazer em cada momento. O homem recebe a influência dos instintos, mas não está predeterminado por eles. Possui uma inteligência e uma vontade livre. Possui uma bússola no seu intimo (a consciência), não tem piloto automático que lhe diga o que fazer. Necessita decidir pessoalmente o que fazer e definir a trajetória da sua vida com responsabilidade. No interior da sua consciência pode escolher livremente suas ações e torna-se responsável pela edificação do seu próprio ser.
À medida que uma criança vai crescendo, começa perceber que não existe só ela no mundo e que o mundo não é só para ela. Inicia-se um processo de descentramento. É exatamente com o desenvolvimento da sua inteligência que percebe o que está a sua volta. Começa a reconhecer que as coisas têm suas leis e suas necessidades. Com esta abertura para o externo é que se dá a disposição básica de superar o seu egoísmo instintivo.
Ao leão só interessa o mundo enquanto serve para sobreviver e reproduzir-se. Para o homem as coisas não funcionam assim, a inteligência permite contemplar o mundo sem animo de "comê-lo".
Capta uma gama ampla de valores e é capaz de apreciar o que o cerca e escolher para além dos determinismos biológicos.

Os bens e os deveres
A conduta humana vê-se afetada por duas chamadas distintas da natureza: uma que vem principalmente de dentro e outra que chega principalmente de fora. Uma procede de dentro de si mesmo; é a voz das suas próprias necessidades e a outra das coisas que o rodeiam. À medida que conhece o que está no seu entorno, põe-se no seu lugar e se dá conta de que os demais seres também têm necessidades.
O homem precisa comer, beber, vestir-se, etc.; este é o apelo das suas necessidades instintivas ou primárias. Ao mesmo tempo o entorno também o solicita e exige uma resposta. Abre-se assim um campo para a tomada de posição diante dos deveres.
"O desenvolvimento da inteligência amplia enormemente a possibilidade de descobrir bens, isto é, a possibilidade de descobrir coisas que convêm. O instinto busca localizadamente os bens que garantem a sobrevivência, mas a inteligência vai muito mais além. Logo se aprende a desejar como bens àquelas coisas que servem para conseguir os bens primários. Por exemplo, o dinheiro não é comestível, mas pode proporcionar comestíveis; nessa medida é um bem. Para descobri-lo necessita de um raciocínio elementar: um animal é incapaz de captar a relação entre dinheiro e comida, por isso não deseja o dinheiro; por outro lado, a criança muito cedo é capaz de entender essa relação e começa a querer o dinheiro como um bem, ainda que não possa come-lo. Essa relação não consegue descobrir o instinto, é captada pela inteligência"(5).
Os bens primários são apetecidos diretamente pelos instintos. Outros são desejados porque é a inteligência que leva; por exemplo, prever necessidades, pois o instinto não é capaz de antecipar-se, ele apenas impulsiona satisfazer necessidades do "aqui e agora". Há outras necessidades que se deseja satisfazer por causa da educação recebida. Por exemplo, deseja-se aqueles bens que tem a ver com a realização pessoal: habilidades, destrezas e conhecimentos; posição, a boa fama e êxito profissional; as relações pessoais de amizade e amor; os bens estéticos; os costumes morais - as virtudes- que fazem um homem ser honrado e honesto.
Virtude de acordo com RHONHEIMER: "não expressa o sentido original do grego 'arete'. Mas sim conserva algo do significado da palavra latina virtus. Arete significa excelência, capacidade, valia. Virtus vem de 'vir' (varão) e alude em seu sentido original à virilidade, mas também simplesmente à excelência, à perfeição moral. Arete e virtus designavam a excelência do homem enquanto homem"(6).
O trabalho é o modo como cada homem se insere na vida social, útil para ganhar o seu sustento. No entanto a inteligência leva o homem abrir-se para outros valores como o bem da família, a realização pessoal, o serviço prestado aos outros, a sua contribuição para com a sociedade através do trabalho bem feito, etc.
Aprender desejar os bens que são próprios da excelência humana exige: educação dos sentimentos, saber aplicar os princípios morais e pôr ordem nas escolhas pessoais. Caso contrário acaba-se dominado unicamente pela satisfação dos bens primários. Saber quais são os bens que realizam a pessoa em plenitude e possuí-los é o que forma parte da educação moral.
"A inteligência descobre que não se está só. Permite pôr-se no lugar dos outros seres e tomar consciência de que também têm necessidades como as próprias. É uma comparação elementar e inevitável. O objeto que melhor conhecemos no mundo somos nós mesmos. É o primeiro que conhecemos e o que melhor conhecemos. Por isso, utilizamos nossa experiência para entender as demais coisas e as compreendemos desde uso de razão, deduzimos que o que é bom para nós deve ser bom para os outros e ao contrário, o que é mau para nós, deve ser mau para os demais"(7).
Deste raciocínio simples aplicado ao que captamos como valores formulam-se os princípios básicos da conduta ética: "faz o bem e evita o mal", "querer positivamente o bem dos outros como se quer o seu próprio bem" e "não querer um fim bom empregando meios maus". Estes princípios devem permear toda e qualquer decisão humana. A educação moral visa à interiorização dos valores humanos, assimila-los vitalmente e aplicá-los com responsabilidade pessoal às circunstâncias concretas. À medida que se vai praticando a arte de viver bem ou a arte da aplicação dos princípios fundamentais às situações que se apresentam, vai-se desenvolvendo o comportamento ético pessoal.
HILDEBRAND, trata esta questão da seguinte forma: "Assim o reconheceram já todos os grandes espíritos, um Sócrates e um Platão, insistindo sempre em que é melhor sofrer uma injustiça do que comete-la. [...] Um homem é incapaz de ser moralmente bom se estiver cego para o valor moral das outras pessoas, se não distinguir o valor inerente à verdade do não-valor inerente ao erro, se não entender o valor que he numa vida humana ou o não-valor de uma injustiça"(8).
Os animais que sentem só a voz dos instintos não ouvem o apelo do meio que os circunda. O ser humano por estar dotado de inteligência é capaz de ouvir o chamado das coisas e pessoas que o circundam.
Tem consciência de que as coisas e pessoas não existem só para satisfazer as necessidades pessoais. Um homem normal não pode comer tranqüilo, enquanto tem ao seu lado um homem faminto; sabe o que ele sente e necessita. A sua presença ali, ao lado, o condiciona e o obriga a fazer algo.
Portanto a educação para os valores exige conjugar bens e deveres, porque por vezes uns limitam os outros. "A moral que é a arte de viver bem, é também a arte de conjugar bens e deveres, pôr cada coisa no seu lugar, por ordem nos amores"(9).
"Junto a sua natureza biológica, recebida por nascimento, o homem é capaz de adquirir uma segunda natureza: repetindo ações livres vai tecendo seu próprio estilo de conduta, seu modo de ser melhor ou pior. Através dos atos que repetimos e esquecemos, decanta-se em nós uma forma de ser que permanece. Mas a liberdade oferece a possibilidade permanente de atingir tanto uma conduta digna do homem como uma conduta indigna e patológica. Assim, alguns se fazem justos e outros injustos, uns trabalhadores e outros preguiçosos, responsáveis ou irresponsáveis, amáveis ou violentos, verazes ou mentirosos, reflexivos ou precipitados, constantes ou inconstantes"(10).

Leia outros textos sobre Ética e Educação no site do Professor
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1. LUÑO, A. R., Ética General, 2. ed., Pamplona, Eunsa, 1993, p. 24. idem, p. 19, a origem etimológica do termo <<ética>> , procede do vocábulo <<êthos>> (hdoV), que significa <<caráter>>, <<modo de ser>>. Aristóteles adverte que <<êthos>> procede por sua vez de <<edoV>>, que se traduz por <<hábito>>.
2. LAUAND, Jean, Os fundamentos da ética, In. LAUAND, Ética: questões fundamentais, São Paulo-SP, Ed. Edix, 1994, pp. 7-8
3. LORDA, Juan Luis, Moral: A arte de Viver, 1. ed., Quadrante, São Paulo-SP, 2001, p. 13
4. LAUAND, op. cit. pp. 7-8
5. LORDA, op. cit. p. 32
6. RHONHEIMER, Martin, La Perspectiva da moral, Fundamentos da ética filosófica, Madrid, Ediciones Rialp, 2000, p. 199.
7. id. p. 34
8. HILDEBRAND, Dietrich Von, Atitudes éticas fundamentais, 1. ed., São Paulo-SP, Quadrante, 1988, p. 4.
9. LORDA, idem.,p. 36
10. AYLLÓN, José R., Ética Razonada, 1. ed., Ediciones Palabra, Madrid, 1998, p. 69.

Vilmar Berna . MEIO AMBIENTE

arquitetura e construcao GESTÃO AMBIENTAL III/IV

Jornalista Vilmar Berna
Ambientalista de renome internacional e único brasileiro homenageado pela ONU com o Prêmio Global 500 Para o Meio Ambiente, no ano de 1999.
Fundador do Jornal do Meio Ambiente.
http://www.jornaldomeioambiente.com.br

7. Para quando deixar de ser Manchete
Já vimos este filme antes. Em março de 1997, a mesma Refinaria Duque de Caxias deixou vazar 900 toneladas de óleo na Baía e, se não me engano, por problemas nos mesmos dutos. Na época foi um escândalo. Nas manchetes de primeira página, que duraram algo em torno de uma semana, assistimos juras de autoridades e empresa de solução do problema. Pelo visto, não passaram de promessas e bravatas. Agora, diante desse novo desastre, como devemos nos sentir?

Não podemos nos tornar amargos e irônicos, por mais que mereçam, diante do corporativismo defensivo e arrogante de funcionários, que se colocam acima das críticas, e desqualificam sempre que podem ambientalistas e a sociedade em geral, resumindo essas críticas e manifestações como politicagem e oba-oba.

É difícil, mas por mais que mereçam, por mais que seja essa nossa vontade, precisamos resistir para não jogar óleo na camisa do Presidente da Petrobrás, que investe mais em publicidade e projetos performásticos e menos em meio ambiente como devia, ou nessas autoridades federais e estaduais de órgãos de 'descontrole' ambiental, que agora posam de amigos eternos do meio ambiente, mas deixam uma empresa deste porte e com um notório histórico de acidentes funcionar sem licença ambiental, sem auditoria ambiental, e disputam entre si para saber quem irá aplicar a maior multa ou tomar a providência mais fantástica diante do óleo derramado.

Apesar dos fatos, precisamos ser fortes para lutar, internamente, contra o pessimismo imobilista, esse sentimento de revolta que teima em nos deixar um amargo na boca e uma profunda tristeza diante do olhar perplexo de um socó morto, por exemplo. Minha vontade era sujar a entrada do bonito prédio da sede da Empresa, na Avenida Chile, com animais mortos encharcados de óleo, mas preferi reunir um grupo de cerca de 50 voluntários e ir para a Praia do Limão, em Magé, no sábado do dia 22, junto com a SOS Mata Atlântica, e na segunda, dia 24, com a Univerde. Ver aqueles jovens voluntários se dedicarem com tanto amor à ingrata tarefa de tentar resgatar animais cheios de óleo no meio do manguezal e voltarem completamente sujos de óleo dos pés à cabeça, foi uma injeção de novo ânimo.

Percebo que nós, ambientalistas de muitos anos de militância, não temos o direito de desesperar. Existem centenas de voluntários que depositam em nós uma confiança que nem nós mesmo achamos que temos. Mais alguns poucos dias e a mídia estará dirigindo suas atenções para um outro assunto qualquer. A Petrobrás, como sempre, criará alguma comissão muito importante, formada por funcionários muito importantes e que receberão as determinações muito importantes do presidente da Empresa para dar agilidade às soluções, receber e analisar as propostas encaminhadas pelas ONGs e pela sociedade, e o resultado de todo esse esforço pode acabar dormitando em alguma dessas gavetas importantes, sob o carimbo de inexequível, não-prioritário, etc. Olha eu aí de novo não resistindo ao pessimismo. Vou tentar melhorar.

Acho que é fundamental, antes que o assunto saia da pauta da Grande Mídia, que as ONGs consigam criar uma Câmara Técnica Temporária no CONAMA para tratar das medidas de contingências a serem adotadas pelas indústrias de petróleo diante dos acidentes ambientais, estabelecendo prazos para que as coisas aconteçam, condicionando e revendo licenciamentos para que os Planos de Contingência sejam efetivos e não apenas um monte de papel na gaveta de algum burocrata muito importante. O foco do trabalho da Câmara deveria ser este acidente na Baía de Guanabara, procurando extrair dele todas as lições possíveis para que este mesmo fato não torne a acontecer em nenhum lugar do Brasil.

É importante que a Indústria de Petróleo, especialmete a Petrobras, claro, seja obrigada, ou mesmo voluntariamente, patrocine um Centro Permanente de Voluntários Ambientais, para que as pessoas não tenham mais que atuar com esse amadorismo que estamos assistindo. Pelo menos uma vez por mês, o Centro promoveria um curso sobre como atuar em casos de acidentes, como resgatar animais, como limpar e tratar desses animais, como limpar ecossistemas frágeis, como usar técnicas e tecnologias ambientais de limpeza, etc. Na parte prática do curso, os alunos poderiam ajudar na limpeza dos manguezais ou rios e lagoas, ou trilhas de mata atlântica, retirando as toneladas de lixo e garrafas PET, como estratégia para aprenderem a caminhar nestes ambientes. Os voluntários depois de formados constituiriam um cadastro podendo ser convocados a qualquer acidente e receberiam um boletim para manter a motivação, mobilização e informação do grupo. Se o curso formar 50 voluntários a cada mês, serão 600 ao final de cada ano. Tomei a liberdade de enviar uma proposta por escrito ao Presidente da Petrobrás e já fui informado por um assessor que esta se soma a outras dezenas de propostas que a empresa já recebeu e uma comissão estará julgando os méritos. Quem sabe?

Enquanto isso, que tal um grupo de voluntários manterem-se algumas horas por dia na frente da sede da empresa, na Avenida Chile, no centro do Rio de Janeiro, com uma faixa ou cartaz com um calendário de quantos dias já se passaram desde o dia 18 de janeiro, dia do acidente? Um artista poderia fazer uma grande ave cheia de óleo em papel marchè para segurar entre as asas, como se fosse um varal, as promessas das autoridades e da empresa publicadas nos jornais. Será que assim poderíamos ajudar a não deixar cair no esquecimento, depois que o assunto sair da mídia?

8. Perguntas que não querem calar
Agora, passada a fase mais aguda da emergências, podemos nos debruçar sobre algumas responsabilidades no caso do acidente do dia 18 de janeiro, quando a Petrobras deixou vazar 1,293 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara do duto PE-II, que liga a Refinaria de Duque de Caxias (REDUC) aos terminais da empresa na Ilha D´Água. Se este fosse um fato isolado, poderia ser tratado como um infeliz acidente. Mas, sendo este o segundo vazamento no mesmo duto, como qualificar este acidente? Em 10 de março de 1997, este mesmo duto deixou vazar cerca de 2,8 milhões de litros de óleo combustível, mais, portanto, que o vazamento do dia 18, mas com o fato de não ter deixado rastros, pois ocorreu numa área de mangue. Na época, a Petrobras proibiu que se revelasse um relatório confidencial em que os peritos apontam que a causa do vazamento foi a corrosão externa da tubulação, adicionado aos esforços de expansão térmica, desalinhamento de tramos dos tubos no plano vertical, quando da construção do duto e pouca cobertura ou pouca coesão do solo de enchimento da vala.

Na ocasião, o Sindicato dos Petroleiros denunciou o fato ao Ministério Público Estadual. Cabe perguntar: que medidas o MP tomou na ocasião? Por que não surtiram efeito? Que medidas tomará agora? Como garantir que, desta vez, surtam efeito para que não se repita novamente novos acidentes?

No site da Petrobrás (http://www.petrobras.com.br/portugue/meioambi/meicui/meicui7.htm), constata-se que, apesar de não ter funcionado como o planejado, existe um Plano de Emergência da Baía de Guanabara,elaborado com outras empresas, Governo do Estado e Municípios, para a prevenção e resposta a acidentes na bacia da Baía de Guanabara. Mas salta aos olhos o subdimensionamento dos riscos. Qualquer manual de análise de riscos exige que se leve em consideração o pior cenário possível. Pois o pior cenário que os técnicos da Petrobras imaginaram, e que a FEEMA - órgão de controle ambiental do Estado do Rio de Janeiro - aceitou como verdadeiro foi de apenas 7 m3 (sete metros cúbicos). Uma enorme diferença de mais de 14.428% para o derramamento efetivamente ocorrido neste último acidente, quando vazaram 1.290m3!

Diante desse fato, algumas perguntas que não querem calar:

  • A quem pode interessar um Plano de Emergência subdimensionado? Será que a Petrobrás fez a previsão de riscos de acidentes de acordo com os equipamentos que já possuía, livrando-se assim de ter de comprar mais equipamentos de segurança? Será que o Governo do Estado aceitou aprovar um plano claramente subdimensionado, por que assim poderia atender aos requisitos do BID/JICA (agência japonesa), e continuar liberando os recursos da despoluição da baía de Guanabara?
  • Já que cometeu-se enorme erro ao subdimensionar-se o risco da Petrobras, não estarão subdimensionadas também as demais potenciais fontes de riscos previstas no plano, a saber: Depósito de Combustíveis da Marinha (volume máximo esperado: 600 toneladas), Esso / Exxon / Solutec (Volumes máximo esperado: 5 m3), Metalnave (Volumes máximo esperado: 300 m3), Navegação São Miguel (Volumes máximo esperado: 500 m3), Refinarias de Manguinhos (Volumes máximo esperado: 15 m3).
  • Quem fez o Plano de Emergência da Baía de Guanabara? Quanto custou? Quem pagou? Quem fez o Plano de Emergência da REDUC? Quanto custou? Já que foi feito prevendo a participação da FEEMA, quem aprovou este Plano pelo Governo do Estado/FEEMA? Deve ser fácil de obter esta informação já que o atual diretor de controle ambiental da Feema, Antônio Gusmão, era na época o chefe do serviço de prevenção de acidentes da Feema.
  • Um Plano de Emergência é feito por engenheiros de segurança que respondem por seu trabalho junto ao CREA-RJ. Então, por que o CREA-RJ ainda não convocou estes técnicos e engenheiros para apurar as responsabilidades e punir os responsáveis? O CREA-RJ tem realizado audiências públicas sobre o vazamento, mas nada que se pareça com a investigação técnica dos responsáveis.
  • Quem são e onde estão os engenheiros de risco que elaboraram este plano tão falho? Também não deve ser difícil obter essa informação pois, alguns desses engenheiros, como o caso do Arêas, após se aposentarem da Petrobras foram contratados para trabalhar na Feema, como analistas de riscos.
  • Onde os técnicos da Petrobras aprenderam a analisar riscos com erros de tamanha gravidade? A resposta também parece fácil, pois os técnicos da Feema compementam seus baixos salários ensinando o pessoal da Petrobrás a calcular riscos, através de cursos da Associação dos Funcionários da FEEMA - ASFEEMA. Um dos cursos mais contratados pela Petrobrás é exatamente o de análise de riscos.
  • Por que a Petrobrás não pagou, e nem se fala mais nisto, as multas devidas ao Estado do Rio de Janeiro por irregularidades ambientais que se comprovaram como verdadeiras com o acidente? São mais de 20 milhões de reais em multas acumuladas ao longo de quase 20 anos, que a REDUC nunca pagou!
  • Por que o Governo do Estado do Rio de Janeiro tem tanta tolerância com os desmandos ambientais da Petrobrás, a ponto de admitir que uma Refinaria funcione tanto tempo sem licença ambiental? Será que há uma troca por vantagens em outras áreas, como o Pólo Gás Químico ou usinas térmicas a gás em Campos/Macaé?

    Precisamos encontrar as respostas, sob pena de vermos a repetição de acidentes semelhantes.
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