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Softwares de Orçamento Ojerizados

Ignoti Nulla Cupido.
(Não se deseja o que se não conhece.)
- Ovídio, A Arte de Amar.

Diferindo fundamentalmente dos Editores de Texto, cuja função básica é o simples processamento de textos, e das Planilhas Eletrônicas, que trabalham especificamente com tabelas e seus derivados, os Sofwares de Orçamento de Obras geram produtos bem mais complexos e sofisticados.

Matéria manhosa, a linguagem do Orçamento é provavelmente até mais complicada que a de Programação, devendo ser um suplício para os analistas que desenvolvem tais softwares por encomenda. A infinidade de códigos que utilizam, alheios ao orçamento, confirmam o que afirmamos.

Com diversificadas funções e variáveis, atualizações de preços de tantos insumos, edição de índices, armazenamento de dados (em forma de texto e de tabelas), consultorias e inter-relacionamento entre bancos de dados, os softwares de orçamento, em sua essência, abrangem todas as funções básicas dos Editores de Texto, das Planilhas Eletrônicas e ainda dos Bancos de Dados. Além de, é claro, ter que "ensinar" ao Usuário como orçar obra, ou como foi concebido para fazer isto.

Tais dificuldades já são pistas suficientes para se tentar explicar esta verdadeira crise de ojeriza e desconfiança que estão passando.

Exigindo do operador a assimilação de quantidade considerável de novos conceitos, tais softwares pecam principalmente por se distanciar da seqüência lógica, ou roteiro, do tradicional, eficiente e já familiarizado Orçamento Manual.

Logo a seguir, e despertando não menor grau de ojeriza, vem sua despreocupação com a navegabilidade (carente de objetivos) e com a interface (nem um pouco amigável). Muitos destes programas chegam a ser mera transposição para Windows de suas antigas versões em DOS, com uma "frieza" que causa medo operá-los.

Não é satisfatório atender apenas ao requisito de manipular e arquivar composições de preços. Aliás, isto é fundamental ao Software, pois se não permite o acréscimo ou a edição das composições, nem justifica ser assim rotulado.

Então, um grave conflito com o usuário é gerado quando este, principalmente se orçamentista experiente, se vê forçado à reaprender a orçar, em uma concepção e roteiro inabituais e ilógicos.

Não é aceitável também ao profissional do ramo se submeter a cursos para lidar com um programa cuja função esperada é a de ser um parceiro facilitador das rotinas do orçamento.

Aos softwares nacionais, outrossim, são impostas dificuldades de ordem econômica que acabam contribuindo para seu pouco entendimento. Seus altíssimos preços proíbem ao profissional tê-los instalados em seu computador pessoal e poder consultá-los, curti-los, ou mesmo utilizá-los em sua casa, como o faz com o Word ou com o Excel.

Para curti-los em finais de semana, entretanto, teriam ainda que ser dispensados os tais códigos, que obrigam à memorização, dispersam o raciocínio e chegam a impor maior dificuldade que o próprio ato de orçar. Agradável... diríamos.

A linguagem de programação não poderia ser outra que não o Visual Basic, da Microsoft, para que tenham interface e comandos mais amigáveis e já familiarizados. E muitos carecem de um melhor intercâmbio com outros programas do Windows, perdendo-se a oportunidade de importação de muitos dados que nos dispõe a Internet.

Não se prevendo possibilidades a curto prazo de serem importados softwares estrangeiros, que teriam obrigatoriamente de trabalhar com índices, taxas, moeda e impostos restritos às nossas obras e que dificilmente seriam adaptados e aceitos, temos que aceitar goela abaixo estes produtos como nossas únicas opções.

Enfim, sendo restritos às Empresas, não se popularizam. Pouco se atualizam e passam por esta crise de ojeriza devido às dificuldades operacionais, por fugirem do roteiro lógico, acrescentarem códigos estranhos e complicados ao orçamento e devido à interface obsoleta. Carecem, antes de tudo, serem inteligentes.

A crise se generaliza e, estamos sentindo, começa a envolver até quem está chegando no pedaço, e não tem nada a ver com tudo isto...

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