Diferindo fundamentalmente dos Editores de Texto,
cuja função básica é o
simples processamento de textos, e das Planilhas Eletrônicas,
que trabalham especificamente com tabelas e seus derivados,
os Sofwares de Orçamento de Obras geram produtos
bem mais complexos e sofisticados.
Matéria manhosa, a linguagem do Orçamento
é provavelmente até mais complicada
que a de Programação, devendo ser um
suplício para os analistas que desenvolvem
tais softwares por encomenda. A infinidade de códigos
que utilizam, alheios ao orçamento, confirmam
o que afirmamos.
Com diversificadas funções e variáveis,
atualizações de preços de tantos
insumos, edição de índices, armazenamento
de dados (em forma de texto e de tabelas), consultorias
e inter-relacionamento entre bancos de dados, os softwares
de orçamento, em sua essência, abrangem
todas as funções básicas dos
Editores de Texto, das Planilhas Eletrônicas
e ainda dos Bancos de Dados. Além de, é
claro, ter que "ensinar" ao Usuário
como orçar obra, ou como foi concebido para
fazer isto.
Tais dificuldades já são pistas suficientes
para se tentar explicar esta verdadeira crise de ojeriza
e desconfiança que estão passando.
Exigindo do operador a assimilação de
quantidade considerável de novos conceitos,
tais softwares pecam principalmente por se distanciar
da seqüência lógica, ou roteiro,
do tradicional, eficiente e já familiarizado
Orçamento Manual.
Logo a seguir, e despertando não menor grau
de ojeriza, vem sua despreocupação com
a navegabilidade (carente de objetivos) e com a interface
(nem um pouco amigável). Muitos destes programas
chegam a ser mera transposição para
Windows de suas antigas versões em DOS, com
uma "frieza" que causa medo operá-los.
Não é satisfatório atender apenas
ao requisito de manipular e arquivar composições
de preços. Aliás, isto é fundamental
ao Software, pois se não permite o acréscimo
ou a edição das composições,
nem justifica ser assim rotulado.
Então, um grave conflito com o usuário
é gerado quando este, principalmente se orçamentista
experiente, se vê forçado à reaprender
a orçar, em uma concepção e roteiro
inabituais e ilógicos.
Não é aceitável também
ao profissional do ramo se submeter a cursos para
lidar com um programa cuja função esperada
é a de ser um parceiro facilitador das rotinas
do orçamento.
Aos softwares nacionais, outrossim, são impostas
dificuldades de ordem econômica que acabam contribuindo
para seu pouco entendimento. Seus altíssimos
preços proíbem ao profissional tê-los
instalados em seu computador pessoal e poder consultá-los,
curti-los, ou mesmo utilizá-los em sua casa,
como o faz com o Word ou com o Excel.
Para curti-los em finais de semana, entretanto, teriam
ainda que ser dispensados os tais códigos,
que obrigam à memorização, dispersam
o raciocínio e chegam a impor maior dificuldade
que o próprio ato de orçar. Agradável...
diríamos.
A linguagem de programação não
poderia ser outra que não o Visual Basic, da
Microsoft, para que tenham interface e comandos mais
amigáveis e já familiarizados. E muitos
carecem de um melhor intercâmbio com outros
programas do Windows, perdendo-se a oportunidade de
importação de muitos dados que nos dispõe
a Internet.
Não se prevendo possibilidades a curto prazo
de serem importados softwares estrangeiros, que teriam
obrigatoriamente de trabalhar com índices,
taxas, moeda e impostos restritos às nossas
obras e que dificilmente seriam adaptados e aceitos,
temos que aceitar goela abaixo estes produtos como
nossas únicas opções.
Enfim, sendo restritos às Empresas, não
se popularizam. Pouco se atualizam e passam por esta
crise de ojeriza devido às dificuldades operacionais,
por fugirem do roteiro lógico, acrescentarem
códigos estranhos e complicados ao orçamento
e devido à interface obsoleta. Carecem, antes
de tudo, serem inteligentes.
A crise se generaliza e, estamos sentindo, começa
a envolver até quem está chegando no pedaço, e não tem nada a ver com
tudo isto...