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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS
E CANTEIROS DE OBRAS
Índices Orçamento. Custo Direto
e Indireto. Terraplenagem. |
| Ano 03 . nº 19 . 01/05/2003
NESTA EDIÇÃO
Orçamento de Obra: Os
Índices e suas Apropriações
Qualidade Real: Padronização,
Base da Qualidade
Ética e Educação: Gestão da
Responsabilidade Social nas Empresas e Desenvolvimento
Sustentável
Meio Ambiente: Gestão Ambiental . |
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As reuniões são indispensáveis quando
você não quer fazer nada. - John Kenneth
Galbraith |
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ORÇAMENTO DE OBRA
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ÍNDICES
PARA ORÇAR, CHOVER E PASSAR DIFICULDADES
Nossas pretensões serão alertar o
orçamentista sobre a inconsistência dos índices quando não
aferidos constantemente (ou até mesmo a cada obra
orçada) e mostrar que muitos deles, convertendo-se ao longo
do tempo em valores absolutos (e imutáveis) nos
cálculos, poderão provocar erros grosseiros nos
orçamentos. Tomaremos como exemplo 2 índices de
mão-de-obra, um relacionado aos custos diretos e outro aos
indiretos, verificando os fatores que os influenciam e,
ainda que cientes de serem as mais apropriadas ferramentas
do orçamento, recomendar bom senso na utilização
de praticamente todos eles. Um de nossos
exemplos de índices inquestionáveis é também um dos mais
antigos nos orçamentos: os tais "Dias de chuvas e outras
dificuldades". Na literatura mais antiga há algumas
referências: Ptácek (O Custo de Construção - 1959) refere-se
aos riscos e recomenda pensar em imprevistos.
Stabile (Composições de Custo - também de 1959) sugere 1,5%
sobre o salário direto para cobrir custos com chuvas e
imprevistos de entrega de materiais. O nome pomposo
parece ter sido inventado pela Pini (TCPO), que também adota
os mesmos 1,5% sobre o salário. De nossa amostragem
deduz-se ser Stabile o pai da criança e, ousamos dizer, com
base apenas teórica pois o índice é extremamente
abrangente. Que chuva seria esta? A amazônica de todos os
dias do ano ou as tempestades de dezembro a fevereiro no
Pantanal? A nordestina evidentemente que não é: o peão
até trabalha mais satisfeito quando chove (para
desespero de um dos fiscais, inconformado e querendo parar a
obra pois senão "amanhã estará todo mundo gripado"). Ou
não seria em determinadas obras, a literatura é omissa,
que seria aplicado? O índice não incidiria diferentemente
sobre as obras de terraplenagem ou reaterro, que são
totalmente paralisadas durante e muito além das horas de
chuva, das reformas internas, que pouco são afetadas por
maior que seja o temporal? E as tais dificuldades quais
seriam? Antigamente eram bastante comuns os atrasos na
entrega dos materiais. Hoje impensáveis, as dificuldades na
maioria das vezes são financeiras, o que não imaginaria
Miguel Stabile Sobrinho talvez por não acreditar ser
possível uma obra sem suficiente provisão, fato nem tão
incomum atualmente e que os 1,5% poderão nem ser
suficientes. E o que estaria querendo dizer a Pini com
"outras dificuldades" para ir já lançando 1,5% sobre a
totalidade da mão-de-obra? Não estaria abstendo-se de
praticar Engenharia? Não seria, pois, mais conveniente
considerar a variação do índice de chuvas em função da
região que será implantada e do período que serão
executados determinados serviços da obra, e diluir as demais
dificuldades nos índices de produtividade das composições de
preços? Não seria preferível introduzir, para os imprevistos
inimagináveis, uma taxa de risco, perfeitamente
calculável, aliás, como já prognosticara Frantisek
Ptácek em 1959? Nossa proposta é a adoção de índices
melhor definidos, de fatores de correção dependentes das
variáveis que os influenciam e que cada um de nós
adotemos nossas próprias variáveis, sem fiar-nos
cegamente nas considerações de meio-século atrás e
menos ainda nos petardos
modernos.
A melhor
maneira de se levantar os
índices de produtividade da mão-de-obra é
através das apropriações em campo.
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Passemos aos índices de produtividade
de algumas das composições mais utilizadas
no orçamento: "forma plana de madeirit
- 5 usos - m²" e suas similares, que muitas
vezes são empregados indiscriminadamente
em construções térreas, edifícios de qualquer
número de pavimentos ou em obras industriais.
Para início de conversa a composição só
é válida se as peças forem múltiplas de
5, o que nem sempre acontece, mas, ainda
neste caso, todos os consumos variam
em função também da qualidade da madeira,
do número de peças, andares-tipo, da qualidade
dos serviços de desforma, da região, etc.
Não seria preferível, pois, que o orçamentista
elaborasse antes um rascunho do que estaria
idealizando para as formas e utilizasse
as especificações técnicas ou mesmo seu
bom senso para definir o número de reaproveitamentos,
a quantidade de madeira necessária, o
tipo e bitola da madeira e a trabalhabilidade
da mesma? Não seria muito mais adequado
abandonar de vez sua literatura tacanha
e calcular ele próprio seus índices de
consumo?
Os índices precisariam ser, por cada
um, sempre questionados e depurados. Será
obrigatório muito pensá-los, pesá-los,
e habituar-se a aferi-los constante, tenaz
e insistentemente, evitando-se o hábito de
aceitar passivamente as coisas mastigadas.
Para tanto apropriações mínimas precisariam
ser rotina nas obras, e, ainda que isto
não aconteça, baseá-los na maior
ou menor experiência, e disposição, de
cada um. Quem executou recentemente um
serviço poderá definir índices bastante
confiáveis.
Nas
apropriações em obras de índices
de produtividade dois critérios
deverão ser adotados e confrontados:
1. A apropriação direta
em campo em diversificadas
frentes do mesmo serviço.
2. A apropriação da totalidade
dos serviços em determinado período,
sendo comparadas as horas
apropriadas com as da folha de
pagamento, que fornece com exatidão
o total das horas trabalhadas
por função.
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Coluna do Pimpão |

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OBSOLETOS OU
CHUTADOS?
Se na prática, na grande maioria
das obras, a distribuição da mão-de-obra
é sempre proporcional (4 ajudantes
para 8 carpinteiros, 6 ajudantes para
6 pedreiros, etc. e sempre juntos),
ao deparar com alguma composição de
preço que não mantém a mesma proporção
(e não serão poucas) desconfie, e
analise se haveria motivos para
justificar a diferença.
CHUTES HORÁRIOS DE EQUIPAMENTOS
Se você estiver orçando obra
que utiliza poucos equipamentos,
cote o preço de mercado de sua
locação para lançar nas composições
de preços. Se os equipamentos
predominam em sua obra, utilize
os índices de consumo e manutenção
de sua própria empresa. Não
fie-se nos índices dos fabricantes,
que são demais otimistas, e menos
ainda nas coletâneas disponíveis
no Mercado, muito teóricas,
confusas e não acertam uma.
MAIS
BARATO DO QUE VOCÊ PENSA
As apropriações em
campo têm baixíssimo custo podendo
ser feitas por apontadores e pelo
Chefe da Obra, que levanta os quantitativos.
Basta tirarem um tempinho
de sobra para isto. São, aliás,
as 2 funções que mais tempinho de
sobra têm de toda a obra.
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Coluna do
Borduna
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ADOTANDO VALORES
Se o médico não acertar a veia de
primeira irá cair na boca do povo. Já
o engenheiro se vê no direito de chutar, ou copiar
o chute alheio, e se safar afirmando
em tom de Madre Superiora que "o valor
foi adotado". Estará praticando
Engenharia?
ESTUDO DO CORTE DO AÇO
Ei! você que está em obra anote aí. É
necessário que o Chefe da Obra tenha
participação ativa no estudo do corte
e aproveitamento do aço. Não que a tarefa
seja difícil ou exija cálculos
e algoritmos intrincados, mas é missão
muito importante para ser relegada ao
primeiro orelha-seca que aparecer na
mira.
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QUALIDADE REAL
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PADRONIZAÇÃO, BASE
DA QUALIDADE
Luís Renato Vieira Diretor da
empresa Qualidadereal Cons. e Assessoria S/C
Ltda. Empresa especializada em implantação de sistemas da
qualidade e gestão ambiental.
qualidadereal@ig.com.br
A sobrevivência humana depende há
milhares de anos da padronização, claro que originalmente
não era necessário registrar os processos padronizados, pois
as pessoas aprendiam observando e gravando na memória.
Imaginem como seria os calçados, o tráfego aéreo, terrestre
e marítimo, materiais de construção (tijolos, portas, bitola
da fiação elétrica, bitolo dos canos d'água, etc.),
equipamentos diversos, tais como chaves de boca, trenas e
outros medidores sem os padrões registrados ou padrões
conhecidos ao longo do tempo. Hoje os procedimentos
documentados através do papel ou eletronicamente é que fazem
nossa memória e para isso contamos com organismos,
governamentais ou não, que nos auxiliam na elaboração de
procedimentos documentados, através de normas técnicas
(exemplos: ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas /
ISO - International Organization for Standardization). A
sigla ISO, foi escolhida de propósito, por significar o
mesmo que o radical grego que significa igualdade em
qualquer idioma. As empresas devem enxergar a
padronização como uma ferramenta que trará benefícios de
custo, prazos, satisfação do cliente e principalmente
qualidade nos serviços e produtos oferecidos, porém devemos
lembrar que a adoção de normas de padronização, não garante
por si só, resultados ótimos, para atingir os objetivos,
convém que o sistema implantado, estimule as organizações a
considerarem a implementação da melhor tecnologia
disponível. O grande papel da padronização esta no
gerenciamento de sistemas ou por sistemas. O gerenciamento
por sistemas, envolve a padronização desde a contratação do
projeto até a entrega do produto final (ver requisitos da
NBR ISO 9001 ou em qualquer outra norma da série NBR ISO
9000). A padronização é fundamental no controle da
qualidade e dos sistemas que pretendam atingir a qualidade
total, assim os problemas de qualidade, custo, atendimento,
moral e segurança, podem ser eliminados. Afinal, quem é o
responsável pela padronização nas empresas? O "dono" do
negócio é o grande responsável pela padronização das
atividades das empresas, mas é necessário que todas as
pessoas da organização pratiquem qualidade e qualidade só se
pratica quando temos processos padronizados e documentados
para ter indicadores da eficácia dos sistemas. Os
aspectos para padronização dependem do tamanho e tipo da
instituição que pretende a padronização, mas todas as
empresas não podem dispensar: 1- Os responsáveis pela
aprovação dos procedimentos padronizados. 2- Os responsáveis
pelo planejamento da padronização. 3- O pessoal operacional,
aqueles que escrevem os procedimentos padronizados. Assim
asseguramos que uma equipe para a padronização estará
formada. Existem alguns fatores que podem atrapalhar a
padronização nas empresas, entre os principais fatores
estão: Falta de planejamento, falta de ações corretivas para
os desvios observados, treinamento e implantação prática dos
procedimentos padronizados, medição da eficácia dos sistemas
padronizados. Além da padronização de sistemas, devemos
nos preocupar com a padronização de produtos, e o principal
objetivo da padronização de produtos é a satisfação do
cliente, isto é, devemos saber o que o cliente procura,
quais são as suas necessidades. A especificação do produto e
especificações da matéria-prima, visando a padronização
contínua na fabricação do produto, proporciona a melhoria
contínua dos processos e do produto.
As empresas que estão procurando o reconhecimento
pela comunidade da qualidade de seus produtos
e comprovar a preocupação ambiental que
a empresa tem com seu sistema produtivo,
devem procurar a padronização com base nos
requisitos das NBR ISO 9001 e NBR ISO 14001
e criar um Sistema de Gestão Integrada.
A implantação destes sistemas pode ser feita
por pessoal da própria organização e sem
ajuda externa, mas normalmente os consultores
externos, por terem treinamentos especializados,
são uma ajuda fundamental na implantação
de sistemas padronizados.
Leia outros artigos sobre Qualidade no
site do Especialista: http://www.milenio.com.br/qualidadereal
Fone/Fax.: (41) 36-0921
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O pior cego é o que não quer comprar. Estamos nos
aproximando perigosamente do recorde
de vendas entre os softwares
de orçamento brasileiros - devido à
alta qualidade - sem vender nenhuma
cópia às 6 mega-construtoras
- devido ao baixo preço.
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ÉTICA E EDUCAÇÃO |
GESTÃO DA
RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS E DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
Engº Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico, Licenciado em
Mecânica e Especialista em Gestão de Tecnologia e
Desenvolvimento Professor de Cursos de Pós-Graduação em
Ética nas Organizações e Liderança Pesquisador em Gestão
de Mudanças e Comportamento Ético nas
Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento
organizacional
Portal educativo
1.
Introdução
Atualmente as empresas para se adaptarem
ao ambiente comercial exigente e dinâmico
têm que desenvolver novos produtos mais
competitivos e lançá-los com mais rapidez
no mercado. A inovação constitui o diferencial
competitivo das empresas, pois de outra
forma são penalizadas com o possível
fracasso das suas atividades. A necessidade
de inovação gera um desenvolvimento
organizacional/social focalizado nas
necessidades do mercado, produzindo,
como conseqüência, uma busca pela produção
e consumo de novos produtos de forma
exacerbada onde os critérios éticos
de desenvolvimento sustentável e responsabilidade
social quase não entram em jogo ou,
se entram, não transformam o núcleo
essencial da atividade da organização,
que é a de criar riqueza compatível
com o bem comum da sociedade. MARTINEZ
refere-se criticamente à ênfase na estratégia
de resultados afirmando que:
Uma maneira global de contemplar a ação humana, implica
no deslocamento da perspectiva do resultado
para o processo. Estudar a ação humana
desde a lógica do resultado, força falar
em termos de eficiência. Sem dúvida,
quando se contempla a globalidade da
ação humana, o que interessa é sua própria
harmonia. Amplia-se assim, o modo em
que o homem deve contemplar a interação
com o seu meio, que é ao mesmo tempo
inseparavelmente humano.
Isto, de modo algum, implica no desprezo
da eficácia, mas a submete ao conjunto
de aspectos que descrevem a totalidade
do sistema da ação humana. Aparece assim
um novo caminho para superar uma economia
governada exclusivamente pelo resultado
e a eficácia na que só se cogitava a exploração
dos recursos naturais e humanos. Portanto,
resulta necessário uma economia que contemple
não só a eficácia, mas também as relações
globais do homem com o seu meio [1].
A inovação é o diferencial chave e decisivo
para a sobrevivência da organização moderna.
Falar de responsabilidade social da empresa
necessariamente exige promover ações a favor
da sua continuidade histórica e de melhorias
da qualidade de vida em seu entorno social.
Afirma LLANO que:
A empresa (...) caracteriza-se não só por sua
capacidade de adaptar-se às rápidas mutações
do entorno, mas também sobretudo porque
constitui o motor da inovação social.
Disto se pode inferir que a inovação
constitui a responsabilidade social mais
própria das corporações empresariais.
(...) O núcleo da responsabilidade social
da empresa vem dado atualmente pelo exercício
de sua capacidade para suscitar novas
realidades que promovam uma melhor qualidade
de vida em seu entorno social. Qualidade
de vida, obviamente, que não se identifica
com o aumento do consumismo (...) tem
como base o respeito à dignidade da pessoa
humana e a atenção às suas operações superiores,
entre as que se destacam o conhecimento
e o desenvolvimento efetivo de sua liberdade"
[2].
As organizações nasceram com a finalidade
de facilitar que uma parcela enorme das
pessoas da sociedade consigam adquirir os
bens materiais e os da cultura que não teriam
possibilidade de obter por ação puramente
pessoal. Como o ser humano é um ser social
por natureza (zwo/n
politiko/n[3] e o seu aperfeiçoamento
passa pela convivência e pela prática
pessoal e coletiva das virtudes da justiça
e da solidariedade, é necessário solidificar
as organizações na sua função de promotoras
da coesão social através dos princípios
e valores éticos. Nada mais razoável que
as organizações, como pequenas células do
tecido social, sejam a matriz ou suporte
de uma ação promotora/integradora dos fatores
de desenvolvimento social eticamente responsável.
O princípio da subsidiariedade é o fator
diferencial de crescimento de uma sociedade,
especialmente nas situações como as atuais,
onde há uma crescente pressão pela mudança.
Do princípio da subsidiariedade decorre
a necessidade de desenvolver as pessoas
e instituições intermediárias, situadas
entre indivíduo e o Estado, de modo que
exerçam ao máximo a sua responsabilidade
no seu próprio nível. Reforça-se portanto
o princípio chave do máximo de liberdade
com o mínimo de controle. Ora,
este tipo de comportamento ideal, exige
um desenvolvimento das virtudes humanas
que possibilitam o empowerment social de
forma a sanar as deficiências com mais rapidez,
desde a perspectiva de que as pessoas ou
instituições mais próximas dos problemas
os resolvem melhor, ou pelo menos estarão
mais envolvidas na sua solução. Este princípio
organizativo da sociedade através da capacitação
das pessoas exige um trabalho educativo
permanente, o que se aplica totalmente à
responsabilidade social. A UNESCO [4] indica como diretrizes educativas
em âmbito mundial os seguintes pilares:
a) aprender a aprender; b) aprender a
fazer; c) aprender a conviver, e d) aprender
a ser. Nos cursos para
o desenvolvimento de gerentes e diretores de empresa como
também nos cursos de especialização em gestão de pessoas,
finanças, como também nos cursos de graduação das faculdades
de administração onde atuamos, temos experimentado a
necessidade de estimular uma educação que enfatize
o: a)
aprender a aprender: onde os
conteúdos não podem ser mais estanques dentro da grade
curricular, pois muitos dos conhecimentos evoluem ou se
tornam obsoletos muito rapidamente. Há por isso a
necessidade de se desenvolver a competência de
meta-aprendizagem com iniciativa e criatividade para atuar
em um mundo em mudança; b) aprender a
fazer: refere-se aos aspectos ligados à
aprendizagem por meio da prática, pois o processo educativo
em geral tem priorizado processos cognitivos; c) e d)
aprender a conviver e a ser:
referem-se mais propriamente aos fatores de ordem
ético/moral que passaram a ser extremamente necessários numa
sociedade complexa e multicultural como a nossa onde os
resultados empresariais, sociais e políticos são obtidos por
meio de uma alta interação entre os diversos implicados nos
problemas. Os assuntos não se resolvem adequadamente dentro
de gabinetes mas é preciso um trabalho de conscientização,
gestão participativa, conexão de conhecimentos diversos e
pulverizados levando necessariamente ao trabalho solidário e
participativo. A participação, dependendo das pessoas,
situações e momentos, terá que ser a apropriada, a
prudencialmente pensada e valorada. Daí a necessidade da
educação para a convivência como fator chave na solução dos
problemas da comunidade onde se aprende a trabalhar para o
bem comum. A exacerbação da procura do "ter", como
conseqüência da sociedade de hábitos consumistas, estimula a
alta velocidade de descarte de produtos de consumo, daí a
insistência na priorização educativa em todos os níveis
sociais do desenvolvimento dos valores morais.
O desenvolvimento social, passando cada
vez mais pela necessidade de rapidez de
adequação às necessidades mutáveis do ambiente,
e sendo necessária a solução de problemas
mais complexos, exige uma forte e orgânica
ação educacional para que o processo de
inovação não estimule ainda mais o crescimento
de uma "sociedade sem alma" onde os resultados
econômicos/financeiros prevaleçam sem mais
sobre os bens da cultura e do espírito.
"O Pnuma, com o apoio da ONU e de diversas organizações não-governamentais,
propôs, em 1991, princípios, ações e estratégias
para a construção de uma sociedade sustentável".
Entre os princípios propõe: "Modificar
atitudes e práticas pessoais (meio de
se chegar à sustentabilidade). Para adotar
a ética de se viver sustentavelmente,
as pessoas devem reexaminar os seus valores
e alterar o seu comportamento. A sociedade
deve promover atitudes que apóiem a nova
ética e desfavoreçam aqueles que não se
coadunem com o modo de vida sustentável".
[5]
A sociedade como um todo, enveredando por
um processo extremamente reativo, influenciado
quase que por "osmose" somente por critérios
redutivos, tendo em conta predominantemente
os aspectos técnico-econômicos em detrimento
da qualidade de vida do ser humano, alimentará
necessariamente os processos de deterioração
social, entre eles: a concentração de
renda, a degradação do meio ambiente,
o aviltamento da condição da dignidade
humana no trabalho, a perda da qualidade
de vida, o aviltamento do sentido do trabalho
humano, etc. Nestas circunstâncias o uso dos recursos
naturais de forma não sustentável e socialmente
irresponsável fica à mercê da velocidade
das mudanças. Situação esta que exige
dos atores do desenvolvimento social uma
qualidade prudencial ética no governo
do desenvolvimento social de forma coerente,
integrada e responsável.
Logicamente a opção da inovação a qualquer
preço e a exacerbação do consumo, provoca
a dificuldade crescente devida aos impactos
ambientais/sociais causados pela alta utilização
dos recursos naturais que são limitados
e em muitos casos não renováveis. A equação,
inovação versus responsabilidade
social, necessita ser equilibrada por uma
eficaz mentalidade de desenvolvimento baseado
nos princípios da sustentabilidade e da
ética das virtudes, isto é: que o uso dos
recursos naturais e o emprego das tecnologias
sejam utilizados de tal forma que o meio
ambiente em que se vive atualmente possa
ser utilizado sem prejuízo para as próximas
gerações. Ainda de acordo com ECHEVARRÍA:
"Sustentabilidade é
o conceito chave desta nova economia.
Surgida da confrontação entre o capitalismo
e ecologia, propõem o problema global
das relações entre as pessoas e seu
ambiente humano natural. Ainda que ambíguo
e impreciso, este conceito central elimina
pela raiz toda referência ao resultado.
Falar de resultado sustentável seria
internamente contraditório. Somente
são sustentáveis as relações ou interações
que mantêm o processo, mas não tem sentido
falar de sustentabilidade de resultados.
Um resultado não oferece nenhum critério
para saber se se estabeleceram relações
sustentáveis" [6].
Na literatura sobre o
tema cada vez mais se verifica a necessidade da
conscientização e da prática da análise e tomada de decisão
a partir do tríplice balanço: econômico, ambiental e social.
O balanço ambiental e social por vezes é relegado ao segundo
plano usando como justificativa à necessidade sine qua
non dos resultados financeiros da organização. A
contraposição entre o lucro da empresa e responsabilidade
ambiental e social não é adequada, pois o lucro é uma
condição de trabalho da empresa comercial, o lucro não é o
seu fim, é uma condição de meio para um fim que é o serviço
à sociedade. DRUCKER esclarece bem esta idéia da seguinte
maneira:
"[...] a lucratividade não
é a finalidade, mas sim o fator limitante da empresa
comercial e da atividade empresarial. Lucrar não é a
explanação, causa ou filosofia do comportamento
empresarial e das decisões empresariais, mas é o teste de
suas validades" [7].
Daí a necessidade de se conscientizar todos
os afetados e interessados na atuação
da empresa que elas existem para um serviço
à comunidade e assumem a responsabilidade
de produzir riqueza social. Esta riqueza
não se contrapõe ao lucro. Na verdade
o lucro tem que estar voltado para a permanência
e crescimento da organização, por meios
legítimos, e deve assegurar a sua existência
futura, tendo em conta os impactos ambientais
e sociais, por vezes de percepção difícil
no curto prazo, mas desastrosos a médio
e longo prazo. As empresas devem procurar preparar-se
para atuar eficazmente na gestão das suas
responsabilidades econômica, social e
ambiental pois devem antecipar-se aos
possíveis passivos escondidos que recaem
sobre a sociedade como um todo, que se
revelam freqüentemente pelo aumento dos
impostos, pelas penas mais fortes visando
o desestímulo às práticas irresponsáveis,
pelas sanções, pelas normativas fortes
e drásticas a fim de coibir abusos, etc.
Este tipo de ações normativas geram necessariamente
a difusão social da ética de limites
- entre os detentores do poder, como dos
outros atores sociais - a tão conhecida
educação para os limites de teor
pedagógico duvidoso, para não dizer danoso,
pois em vez do estímulo à educação para
a virtude ou excelência, educa-se para
os limites "do até onde é possível chegar".
Portanto difunde-se o minimalismo ético,
como ressalta RODRIGUEZ:
"Para Sócrates, mais
importante do que a riqueza era a virtude, e se dispôs a
morrer por não faltar com a verdade do que fazia e dizia.
Selou seus ensinamentos com a própria morte. Aristóteles
também defendeu um projeto educativo na Ética a Nicômaco,
seu mais importante tratado de ética, dedicado ao filho.
As pessoas agem procurando um bem, comenta no primeiro
capítulo, e o maior bem (que torna a pessoa feliz) está na
virtude: "a felicidade não está na diversão. Seria absurdo
que o fim do homem fosse a diversão e que o homem se
afadigasse e padecesse toda a vida por causa da diversão
(...). A felicidade é uma atividade de acordo com a
virtude" (1176b). A educação, para Aristóteles, não está
em fixar limites mas em ensinar e viver de acordo com a
virtude" [8].
2. Responsabilidade ambiental e social
Hoje na literatura especializada é recorrente
a referência à necessidade de que as empresas
tenham práticas de responsabilidade ambiental
e social que efetivamente influenciem intrinsecamente
nas suas competências essenciais, isto é:
afetem o núcleo daquilo que ela faz e sabe
fazer melhor que os outros. Via de regra
as atividades propostas para a prática da
responsabilidade social da empresa são acrescentadas
ou justapostas à atividade da organização.
ZADEK ao analisar o desenvolvimento socialmente
responsável das empresas questiona:
"Como é que de fato uma corporação atua dentro dos seus graus possíveis
de liberdade, costuma ser a prova da sua
responsabilidade e revela o fundamento
em que se enquadram suas decisões de gestão.(...).
A corporação denominada cidadã é entendida
como aquela que aproveita como vantagem
de oportunidades, para aprendizagem e
ação, a construção de objetivos sociais
e ambientais dentro do seu 'core business',
desenvolvendo efetivamente seus valores
internos e competências. Esta formulação
provê uma base forte para apoiar nossas
expectativas de negócios e como a estratégia
pode ser concebida e desenvolvida para
canalizar as aspirações e desafios subjacentes
ao desenvolvimento sustentável"[9].
São medidas positivas e muitas vezes louváveis
as promoções de voluntariado ou de ação
social comunitária, mas que não afetam
o "core" dos produtos, tecnologias e serviços
oferecidos à comunidade. Não se pode esquecer
que a responsabilidade social começa no
desenvolvimento de produtos que se atenham
a critérios de sustentabilidade. As diretrizes
atuais estimulam a transformação intrínseca
das práticas industriais desde o seu planejamento
estratégico, missão e visão onde se incorporem
os princípios de sustentabilidade e de
responsabilidade social de modo a permear
de cima a baixo a organização tratando-se
de uma espécie de alma institucional que
gera ações orgânicas envolvendo todos
os que estão direta ou indiretamente implicados
com a empresa e o emprego dos seus produtos
e serviços. Tendo atuado na área de
desenvolvimento industrial e projetos, participado também da
formação de alunos de cursos técnicos de mecânica e
eletromecânica de nível médio (Colégio Técnico Getúlio
Vargas), lecionado nas áreas de engenharia química e
mecânica (Escola de Engenharia Mauá), exercido a atividade
de desenvolvimento de produtos e processos industriais em
empresas (Industria Mecânica Paulista, Themag Engenharia),
atuado como diretor e professor de um centro de capacitação
(Centro Técnico Cultural), tendo assessorado empresas para
projetos especiais através de um centro de pesquisa
(Instituto Mauá de Tecnologia), nos últimos dez anos tenho
me dedicado aos programas de consultoria em desenvolvimento
organizacional, em capacitação gerencial e de diretores,
tanto em cursos in company como nos cursos de
especialização para o nível de pós-graduação, tem sido uma
necessidade constante a sistematização dos critérios para a
sensibilização e mudança de paradigmas, de modo que as
pessoas adquiram critérios éticos-sociais, a fim de permear
as disciplinas técnicas em que estão envolvidas e saibam
orientá-las a serviço do bem das pessoas e da
comunidade. Por mais técnico que possa
parecer um determinado serviço ou produto, encerra no seu
âmago uma relação de justiça e confiança mútua entre
fornecedor e consumidor de que decorrem inúmeras
conseqüências de caráter ético-social. Esta experiência,
leva por exemplo nos cursos de engenharia, a enfocar os
aspectos éticos de projeto, equipamentos e processos em que:
a eficiência, a resistência, a segurança, a exeqüibilidade,
os tipos de materiais a serem empregados, a manutenção, etc.
estejam voltados para o atendimento das necessidades e das
expectativas dos consumidores. Cada um destes aspectos
"técnicos" encerram uma conotação de responsabilidade
social, pois se dão dentro do âmbito da prestação de um
serviço que afeta a vida do consumidor e da
comunidade. As decisões técnicas quase sempre têm repercussões
éticas, sociais e ambientais para todos
os envolvidos com a organização. Portanto
neste sentido os aspectos éticos profissionais
potenciam a excelência no trabalho como
fator gerador de qualidade técnica e humana.
A técnica é feita por homens e para homens
para melhorar a qualidade de vida humana,
que por sinal no ideal clássico da formação
na p/olij grega através da paide/ia era a aspiração à felicidade dos cidadãos.
O objetivo era o de atingir a meta de
qualidade de vida que conduzisse à felicidade
das pessoas da cidade. Este modo de desenvolver uma
organização exige a capacitação das pessoas no sentido ético
e social e na sensibilidade interdisciplinar para harmonizar
exigências técnicas e necessidades humanas. Para que de fato
se consiga um desenvolvimento segundo a perspectiva da
responsabilidade social, não se pode perder de vista a
dimensão da dignidade da pessoa humana no processo de
geração de riquezas. A harmonia entre a técnica e a ética
deve influenciar os critérios de decisão para a priorização
de necessidades e para o desenvolvimento dos produtos e
processos. A fim de atingir este ideal, um possível caminho,
é o de assimilar e aplicar os conceitos de Ética das
Virtudes, de Responsabilidade Social e de Desenvolvimento
Sustentável. Para provocar o efeito
transformador de mentalidades WADDOK, BODWELL e GRAVES
indicam os fatores atuais que mais têm gerado iniciativas
das empresas neste campo:
"As pressões mais comuns para práticas responsáveis
derivam de: 1) a visibilidade e atenção
dada à proliferação de rankings 'melhores
práticas', 2) um crescimento de uma gama
de princípios e normas globais promulgadas
por entidades internacionais, e 3) relatórios
de iniciativas para contabilidade social
com o chamado 'tríplice resultado'. Estas
pressões institucionais exige a atenção
à responsabilidade de práticas corporativas,
particularmente no trabalho, direitos
humanos e práticas ambientais, segurança
e qualidade de produtos e criam demandas
crescentes para transparência e contabilidade
social"[10] .
3. A gestão ambiental e gestão da responsabilidade
social da empresa
Experiências em
consultoria/treinamento em desenvolvimento organizacional
como as pesquisas realizadas para identificar as
dificuldades para a implantação de sistemas de gestão
ambiental e de responsabilidade social, apontam os fatores
críticos como sendo os de ordem comportamental, isto é: as
resistências às mudanças. CAGNIN, confirma estas barreiras
comportamentais e indica os procedimentos utilizados em
empresas nacionais para a implantação de sistemas de gestão
ambiental como a ISO 14001:
"Falta de cultura organizacional: a maior
dificuldade na implantação do SGA (Sistema
de Gestão Ambiental) advém da falta
de uma cultura organizacional e não
da falta de técnicas. Este aspecto é
contemplado no Programa Ética e Disciplina,
em desenvolvimento pela ISO 9000. O
referido programa visa mudar o modo
de pensar das pessoas com relação aos
processos de trabalho e de produção
habitualmente desenvolvidos. (Como solução
sugere-se:) o gerenciamento da mudança
e da cultura organizacional: estímulo
da mudança cultural da empresa através
de sensibilização e treinamentos permanentes
e da identificação de pontos de convergência
quanto ao desenvolvimento do negócio
e a responsabilidade ambiental"[11].
Tendo trabalhado nos processos de sensibilização
para programas de desenvolvimento organizacional
verifica-se que há um elemento facilitador
destes processos de mudança na medida
que o nível de conscientização coletiva
cresce para as necessidades relativas
à qualidade de vida dos funcionários e
da melhoria do entorno social. O PROGRAMA
DE DESENVOLVIMENTO DA ÉTICA DAS VIRTUDES
(PDEV) [12] que tenho aplicado em algumas
empresas constitui um meio facilitador
para os processos de mudança em termos
de responsabilidade social e desenvolvimento
sustentável.
Todos os processos de mudança exigem uma
forte coalizão de pessoas em torno das
metas e objetivos. As melhores práticas
atuais são relacionadas por ZADEK:
a) encorajar as lideranças ao exercício
da cidadania corporativa, b) construir
a competência e responsabilidade social
das entidades públicas e das organizações
civis da sociedade, c) fortalecer
as normas 'voluntárias' de desempenho
social e ambiental para empresas e
outras organizações, d) inserir as
melhores práticas indicadas nas normas
de adesão voluntária sobre responsabilidade
social e desenvolvimento sustentável
em acordos e legislação"[13].
Os dirigentes de topo da organização devem
estar intrinsecamente convencidos da necessidade
da gestão socialmente responsável, pois
caso contrário, seria um engano pretender
algum resultado. O exemplo deve vir de cima
por meio de ações eficazes e não simplesmente
"bons desejos" de atuar com responsabilidade
social. Como a responsabilidade social começa
de dentro para fora da organização, é preciso
realizar o diagnóstico dos primeiros impactos
da organização no seu primeiro círculo de
"implicados": clientes, acionistas, fornecedores
e comunidade próxima e a partir disto eliminá-los
ou diminuí-los.
4.
Referências bibliográficas
[1] ECHEVARRÍA, Miguel A. La
dimensión política de la economia. consulta
no sítio http://www.unav.es/empresayhumanismo/03public/publiframes.html em 11.04.2003. p. 19.
[2] LLANO,
Alejandro. Empresa y responsabilidad social. Revista Nuestro
Tiempo, Navarra, 12-2002. [3] ARISTÓTELES.
Política. I, 2, 1253 a 3-4, Ética a. Nicomaco. I, 7, 1097 b
11. [4] UNESCO, LEARNING: THE TREASURE WITHIN ,
parte 2, cap. 4.- consulta no sitio http://www.unesco.org.br/programas/index.html em 16.04.2003. [5] MEC, Parâmetros
Curriculares Nacionais:Meio Ambiente, Saúde, p. 31. [6]
ECHEVARRÍA, Miguel A. op. cit. p. 19 [7]
DRUCKER, Peter. O melhor de Peter Drucker: A administração,
1. ed. São Paulo: Nobel, 2002, p. 34 [8]
RODRIGUEZ, José M. Educação : limites ou excelência,
Interprensa, A16/99 - Junho de 1999 [9] ZADEK, S.
THE CIVIL CORPORATION:. The new economy of corporate
citzenship. 1. ed. New Economics Foundation, 2001. p.
9. [10] WADDOCK S. BODWELL C, GRAVES S.
Responsibility: The New Business Imperative. Boston
College, 2001 [11] CAGNIN, C. Fatores Relevantes na
Implementação de um Sistema de Gestão Ambiental com Base na
Norma ISO 14001. Dissertação de Mestrado. UFSC.
2000. [12] SERTEK, P. Desenvolvimento
Organizacional e Comportamento Ético. Dissertação de
Mestrado. CEFET/PR - PPGTE . 2002. disponível no endereço:
http://www.ppgte.cefetpr.br/dissertacoes/2002/sertek.pdf
[13] ZADEK, S, LOHMAN, O. Business in Global
Development: The Parliamentary Comission
of Swedish Policy for Global Development,
june 2001. p. 14.
Leia
outros textos sobre Ética
e Educação no site do
Professor tel. (41) 252.9500
CETEC -Consultoria
|
GESTÃO AMBIENTAL I/IV
Jornalista Vilmar
Berna Ambientalista de renome internacional
e único brasileiro homenageado pela ONU com o Prêmio
Global 500 Para o Meio Ambiente, no ano de
1999.
Fundador do Jornal do Meio Ambiente.
http://www.jornaldomeioambiente.com.br
1. Não se faz omeletes sem quebrar
ovos Quantas vezes os ambientalistas tiveram de engolir em
seco diante de poluidores que usam essa frase, justificando as
agressões ambientais que produziram para gerar empregos, impostos,
moradias, etc. Como se a única maneira de gerar progresso e
desenvolvimento fosse a destruição do meio ambiente da maneira em
que foi feita. Nada mais
falso.
Que a 'casca do
ovo precisa ser quebrada', não resta a menor dúvida, pois não
pretendemos um planeta apenas para as plantas e bichos. Mas será
que precisamos quebrar a casca no meio e jogar no lixo? Se o meio
ambiente deve ser explorado, isso deve ser feito com todo o
cuidado, levando sempre em consideração alternativas de menor
impacto, tomando medidas mitigadoras, reparadoras e compensatórias
que reduzam esse impacto, que promova a recuperação do meio
ambiente e compense a natureza diante da danos realmente
impossíveis de evitar. Em vez de quebrar a casca no meio e jogar
fora, pode quebrar com jeitinho, só num lado, o suficiente para
extrair o conteúdo, sem precisar destruir tudo e, ainda, reciclar
a casca, aproveitando como fonte de cálcio ou para
artesanato...
O preparo dos ovos para o omelete também pode
ser com cuidados especiais. Por que usar um
óleo cheio de colesterol e de baixa qualidade,
se existem alternativas mais saudáveis? E, melhor
ainda, quem sabe em vez de um omelete, não se
opta por um ovo pochê, que não precisa de fritura?
Hoje, existem tecnologias limpas que conseguem
o mesmo e até melhor resultado que as tecnologias
poluidoras, sem custar mais por isso. Muito
pelo contrário. Poluição é desperdício do processo
produtivo. Tecnologias limpas, que não produzem
resíduos e poluição, significa fim de desperdícios
e aumento nos lucros. E, um programa de educação
ambiental para funcionários, acoplado a um programa
de incentivos à produtividade limpa e a criatividade
na busca de solução aos problemas ambientais
da empresa podem fazer verdadeiros milagres
dentro de qualquer negócio!
E quem irá avisar que o omelete está pronto? Sem uma
política de comunicação adequada, a empresa gasta às vezes
verdadeiras fortunas para adotar procedimentos ambientais
adequados e controlar ou eliminar sua poluição, mas se não avisa a
ninguém, como quer que as pessoas descubram? Ás vezes até avisa,
mas da forma errada, para o público errado. Depois reclama quando
os ambientalistas, jornalistas, lideranças comunitárias,
parlamentares continuam acusando a empresa de poluidora. Eles
foram informados do contrário? A empresa divulgou seu
investimentos nos veículos especializados em meio ambiente
destinados ao público formador de opinião ambientalista? Ou sua
agência de publicidade ou o departamento de comunicação da empresa
preferiu gastar uma fortuna com anúncio em veículos da Grande
Mídia, que estão longe de atingir o público que
interessa?
Concluído o preparo do omelete, não adianta deixar a
cozinha toda suja e desarrumada. Coletar, tratar, reciclar,
transportar e dar um destino adequado aos resíduos é hoje uma
necessidade imperiosa das empresas. Seja seus resíduos líquidos,
gasosos ou sólidos. E, hoje, o que existe de tecnologias para
fazer isso com segurança e eficiência não justifica deixar mais o
fogão sujo após o preparo do omelete. Mas melhor mesmo que ter de
limpar tudo após o final do trabalho é adotar procedimentos e
tecnologias menos poluentes durante o processo de produção, para
não ter de gastar uma fortuna no final do
processo.
E quem vai comer o omelete? Quem preparou vai poder
comer também? A questão ambiental se interliga com as questões
econômica e social. A humanidade vem quebrando ovos há muito
tempo, gerando desastres ambientais atrás de desastres, preparando
omeletes que apenas engordam uma pequena minoria de privilegiados
que já começam a se assustar com a 'invasão' dos famintos em
países ricos, ou enclausuram-se cada vez mais em condomínios de
luxo, cercado de grades, cães e seguranças 24 horas por dia. Mas
até quando?
2. Festa de aniversário
que ninguém
vai Entre o momento da decisão de organizar a festa e
cantar os parabéns, muito trabalho precisa ser feito. Lembra um
pouco certas empresas quando decidem investir em tecnologias de
despoluição. Algumas fazem isso espontaneamente, como parte de seu
processo de melhoria contínua, se programam com antecedência,
reservam os recursos necessários e pessoal capacitado, treinam e
motivam adequadamente seus funcionários. Outras fazem pressionadas
pela legislação, pelas ONGs, pela imprensa, pelos órgãos de
controle ambiental do Governo. Acabam tendo de se endividar,
comprar nem sempre o melhor processo ou tecnologia, trabalhar com
profissionais disponíveis, nem sempre os mais competentes.
Parece muito
com certas festas de aniversário em família. Tem gente que tem o
cuidado de anotar na agenda com cuidado e planejar antes,
reservando os recursos necessários para não ser pego de surpresa.
Outros tem de correr na última hora, pressionados pela tias, avós,
sogros, amigos, cônjuge, aniversariante. Guardadas as devidas
proporções, não é muito diferente numa empresa. Meio tonto ainda
com o esforço de encher as bolas de borracha, é preciso
providenciar o gelo para as bebidas, ver se o carvão do churrasco
está seco e queimará bem sem gerar muito fumaça ou fogo em
excesso. Equivale à verdadeira corrida de obstáculo que é atender
às inúmeras exigências de órgãos ambientais, instituições
financeiras, exigências para importação de equipamentos, etc.
Ainda na preparação do local, sempre há a fase de escavações e
terraplenagem para construir estações de tratamento de efluentes
parecem que não acabam nunca. Depois a fase das obras civis e a
instalação dos equipamentos, tudo obedecendo prazos que, quando
precisam ser prorrogados, é outra romaria.
A entrada da
empresa no feliz mundo dos ambientalmente corretos, assim como o
momento de assoprar a velinha do bolo, deveria ser uma hora de
glória, mas aí vem o pior. Alguém lembrou de avisar sobre a festa?
Onde estão os convidados? Quem já viveu a experiência pode contar.
Com tanto trabalho mais importante a ser feito, quem iria se
preocupar com divulgação? E é aí que as empresas costumam cometer
seus maiores erros. Apesar de investir às vezes milhões de dólares
em filtros, estações tratamento e novas tecnologias, continuam
sendo vistas como poluidoras irresponsáveis diante de uma
população que não tomou o menor conhecimento dos avanços
realizados. Tem empresas que gastam 40 milhões num sistema de
despoeiramento, por exemplo, mas relutam em investir numa campanha
de divulgação que não vai gastar nem 1% disso.
Algumas
empresas até se preocupam com a questão, mas contratam agências ou
trabalham com profissionais que não têm o menor conhecimento de
uma Política de Comunicação Ambiental, seus diferentes públicos
alvo, o interno, o comunitário, o formado por multiplicadores de
opinião e o público geral, só para dar um exemplo. Cada um com
motivações diferentes, linguagens específicas e, portanto,
veículos diferenciados.
Só que festas de aniversários se faz todo ano,
e de um ano para o outro dá para corrigir erros.
Já nas empresas, não é todo dia que existem
notícias ambientais positivas a serem captalizadas
para a melhoria da imagem institucional.
3. Purpurina verde
Hoje, é difícil uma grande empresa
que não tenha um programa social corporativo
ou que não desenvolva um ou mais projetos ambientais,
mas existem problemas como, por exemplo, empresas
que investem um tiquinho num ou outro projeto
ambiental e faz grande alarde disso, ao passo
que investe um caminhão de dinheiro no empreendimento
poluidor ou degradador que promove. Ou seja,
faz marketing ecológico para 'inglês ver', o
que tem levado ao descrédito certas campanhas
ecológicas de empresas, o que naturalmente é
ruim para todas, atingindo até mesmo aquelas
que trabalham seriamente e é um golpe mortal
nas teses das empresas de que são capazes de
se autoregular.
Na minha opinião, a seriedade de uma empresa
no campo ambiental deveria ser medido pelo percentual
entre o que investe em meio ambiente e o que
investe em sua produção, bem dentro do espírito
da resolução nº 2, de 18/04/96, do CONAMA, por
exemplo, que estabelece o princípio de medidas
reparadoras pelo dano causado por grande empreendimento.
No artigo 2º, inclusive, diz que o montante
dos recursos a serem empregados na área a ser
utilizada será proporcional à alteração e ao
dano ambiental a ressarcir e não poderá ser
inferior a 0,50% (meio por cento) dos custos
totais previstos para a implantação do empreendimento.
Este princípio deveria ser adotado voluntariamente
pelas empresas ao anunciarem seus projetos ambientais
dentro do espírito da RSC (Responsabilidade
Social Corporativa) ou da Atuação Responsável,
para não parecer purpurina verde ou simples
marketing ecológico. De fato, nenhuma lei obriga
empresas a manterem projetos ambientais. Entretanto,
os órgãos de controle ambiental podem exigir
medidas compensatórias, mitigadoras ou reparatórias
em função de licenciamento de ampliação ou implantação
de atividades potencialmente poluidoras. Mas
aí vem outro problema. Em princípio, a nenhum
Governo deveria ser permitido licenciar uma
atividade se não tivesse também como demonstrar
sua capacidade de fiscalizar o que está licenciando.
Entretanto, não é isso que ocorre. Os governos
em suas diversas instâncias, na minha opinião,
irresponsavelmente, licenciam atividades e empresas
aos milhares, e não dispõem de quadros de fiscais
nem em número suficiente e, quase sempre, nem
com a competência e a credibilidade necessárias
para verificar se o que licenciaram está de
acordo com as exigências. Não é à toa que existem
tantas empresas poluidoras que postergam suas
responsabilidades e não acontece nada com elas,
e o meio ambiente anda cada vez mais degradado!
A saída pode ser uma parceria entre empresa,
governo e as ONGs (Organizações Não-Governamentais),
desde que se respeite as ONGs em suas especificidades.
Tem muita ONG séria que acaba envolvida e utilizada
por empresas pouco sérias, que contratam os
serviços ou fazem parceria com as ONGs para
tocar projetos ambientais que são na verdade
uma espécie de 'purpurina verde' para iludir
os olhos dos consumidores e clientes. As ONGs
deveriam adotar um critério mais profissional
antes de aceitarem certas parcerias. Afinal,
não tem a menor graça uma empresa investir um
pouquinho para plantar umas árvores e distribuir
umas cartilhas, ao mesmo tempo que seu processo
produtivo é altamente poluidor ou degradador
do meio ambiente, não possui ISO 14.000, trata
seu passivo ambiental como um assunto a ser
distribuído para toda a sociedade, etc.
Para se protegerem, as ONGs poderiam adotar
uma divisão de trabalho segundo suas naturezas:
ONGs pragmáticas/de projetos/profissionais,
ajudariam as empresas no desenvolvimento de
projetos ambientais e as ONGs de combate/sectárias/cidadãs,
ajudariam o governo na fiscalização das atividades
licenciadas, numa condição de instituições técnicas,
independentes, pagas pelo interessado na licença,
e que acompanhariam a implementação das exigências
legais e seus prazos, mantendo o órgão licenciador
permanente informado das desconformidades, para
que atue apenas neste casos. Às federações de
ONGs, como as APEDEMA estaduais (Assembléia
Permanente de Entidades de Meio Ambiente) ou
outro Fórum coletivo de ONGs, caberia estabelecer
parâmetros éticos e exercer a fiscalização sobre
a atuação das ONGs, para evitar a ação de 'eco-oportunistas'.
| É lícito afirmar
que são prósperos os povos cuja legislação se deve aos
filósofos. - Aristóteles
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