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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS
E CANTEIROS DE OBRAS
 
Revista EngWhere   
    Ano 05 .  nº 45.  01/08/2005
Nesta Edição
Interação: Todo Teste é Chato e Não Seria Teste se não fosse Chato
Marketing Empresarial: Não Cumprir Prazos
Comportamento: Dependência Cínica - Sobre Corruptos e Corruptores
Ética e Educação: Virtude da Temperança
  Picados . GESTÃO DE OBRAS

Testando o Leitor

Bem-aventurados somos os ricos persistentes
Jogue US$ 1,00 no vermelho.
Se der vermelho passe a moeda ganha para o bolso esquerdo e jogue US$ 1,00 novamente no vermelho.
Se der preto jogue US$ 2,00 no vermelho, se der preto jogue US$ 4,00 novamente no vermelho, e assim por diante até dar vermelho (nunca dará uma única cor indefinidamente); sempre dobrando de modo a apostar US$ 1,00 a mais que o total investido nas rodadas perdidas.
Cada dólar ganho vai para o bolso esquerdo e é motivo para reiniciar tudo de novo: jogue US$ 1,00 no vermelho...
Ficar rico é questão de persistência, e ser mais sabido que o dono do cassino.

1. Quem você acha que é mais inútil ou nocivo à produção de sua obra?

   

2. Você acha ético uma construtora de obras públicas ou outra empresa de Engenharia, pedir o currículo completo de um Engenheiro, sem se identificar no anúncio?
a. Estariam escondendo, ou evitando, o quê e de quem?
b. Teria sido um outro engenheiro que redigiu o anúncio?
c. Estariam substituindo outro engenheiro e querendo surpreendê-lo?

3. É legal as empresas de RH anunciarem vagas para engenheiros oferecendo salários menores que o mínimo da Classe e ainda exigindo ter carro ou celular à disposição da firma?


4. Você é dos tais que saíram da escola sem saber calcular, sem saber orçar, sem saber planejar, sem saber controlar e sem saber construir?
a. Não tenho vocação para estas coisas.
b. Justo no dia que ensinaram as matérias cheguei atrasado e não assisti à aula.

5. Usuário do EngWhere tem 60% garantido
No extremo absurdo dos Creas resolverem fazer testes de conhecimento nos profissionais antes de validar seus diplomas (como é moda em outras profissões), quais das matérias abaixo você não concordaria que fizesse parte das provas? (não é permitido discordar de todas para não tirar zero).
a. Execução de Obra: túneis;
b. Produção de Obra: programação periódica;
c. Gerenciamento de Obra: acompanhamento e controle financeiro;
d. Orçamento de Obra: BDI;
e. Planejamento de Obra: despesas e receitas - margens prevista x realizada;
f. Planejamento de Obra: Pert-CPM;
g. Redação: Métodos Construtivos;
h. Cálculo estrutural de grandes abóbadas e outras abobrinhas.


6. Publicidade. Não leia!
Você sabe valorizar o seu trabalho?
O segredo do sucesso da Revista EngWhere, revelamos, é a qualidade dos textos de seus parceiros, que nos permite contar piadinhas infelizes a três por quatro sem prejudicar o resultado final.
Impressionados com o e-mail do estudante por fora (vide e-mails recebidos) resolvemos testar se o leitor está mesmo aprendendo as matérias, entre elas as de Marketing e Ética, assuntos no mínimo conflitantes, como eram os temas na Música Clássica e razão do sucesso de Mozart e Haydn - presentes na Revista sob pseudônimo.
O leitor teria aprendido mesmo a valorizar o seu trabalho (como foi explicado), e também já estaria se comportando de maneira ética (depois de tudo que foi dito)?
As perguntas, por mais capciosas que pareçam, deverão ser respondidas com sinceridade:

a. Sabendo-se que nós os programadores de softwares viemos ao mundo já alimentados, somos as pessoas mais ricas do planeta, andamos com os bolsos da cueca cheios de dólares, e, como já começa a ser veiculado na grande imprensa, somos distinguidos na lista do mensalão - e não é mais que nossa obrigação distribuirmos gratuitamente o que fizermos - pergunta-se: você teria coragem de pagar para adquirir um software nosso, mesmo que este software eventualmente lhe traga algum benefício profissional?

b. Devido ao alto preço do Ensino no Brasil a Revista EngWhere, pelo seu caráter didático, não deveria ser distribuída gratuitamente, mas cobrada. Como são 15.000 leitores, se cada um pagasse R$ 3,00 (a título de melhorar a qualidade), já daria para comprar um carrão com o logotipo da Revista nas portas. O que você acha?

   

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Atenção praticantes do EngWhere com o gum boot, jongo, fado, reel, huayno e outras danças
Atuando em 6 países de 3 continentes, multinacional por vocação e predestinação - vaticinado por competentes ciganas de virtude e valia nestas épocas bicudas - o EngWhere informa estar disponibilizando suas planilhas também em USD e aceitando encomendas para fornecimento gratuito ao Usuário de outros países de planilhas formatadas em suas moedas.
Os interessados deverão solicitar-nos os 56 relatórios, informando o símbolo da moeda e a posição dos separadores de milhares e de centavos, para receber a nova formatação no e-mail.
Por aqui dólar está dançando em cuecas samba-canção.

  Ênio Padilha . MARKETING EMPRESARIAL

Não Cumprir Prazos

Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br

Você deve conhecer a expressão "Preço combinado não é caro!"

Com relação ao prazo, pode-se dizer a mesma coisa: um prazo combinado para a realização de um serviço não é tempo curto (nem longo) demais. Se foi combinado é porque as duas partes concordaram, não é mesmo?

Ainda assim, a queixa mais freqüente apresentada pelos clientes de engenheiros e arquitetos é, seguramente, relativa ao não cumprimento dos prazos estabelecidos. E os engenheiros e arquitetos, por sua vez, reclamam que os prazos são sempre curtos demais...

O brasileiro, por natureza, não é adepto do cumprimento de prazos. Os serviços de Engenharia e de Arquitetura, além disso, costumam atrasar por muitos outros motivos. Mas o principal deles é que engenheiros e arquitetos acreditam que ISSO É NORMAL. Acreditam que não existem meios e maneiras de enfrentar essa questão. Que as demandas de criatividade e de relacionamento com os clientes são explicações mais do que suficientes para esses atrasos costumeiros.

Pura desculpa barata. Puro bla-bla-blá !

O cumprimento de prazos na prestação de serviços de Engenharia e de Arquitetura não só é possível como altamente desejável.

Uma atividade produtiva (a prestação de serviços de Engenharia e Arquitetura é uma atividade produtiva) só é economicamente interessante se apresentar um bom nível de produtividade. Produtividade se obtém com Sistematização de Processos. Essa sistematização nada mais é do que a racionalização de processos, a organização do tempo e o estabelecimento de regras claras de procedimentos por parte do cliente.

Para vencer o problema dos atrasos a primeira barreira a ser enfrentada é a da convicção: o engenheiro ou o arquiteto precisa ACREDITAR que é possível concluir TODOS os serviços no prazo combinado com o cliente, desde que os processos sejam sistematizados e que o tempo a ser gasto com cada tarefa seja melhor dimensionado.

Isso requer uma certa dose de experiência profissional, uma boa capacidade de organização e uma equipe disciplinada. Lembrando sempre que a organização de um escritório ou de uma empresa consiste, simplesmente, em definir o lugar, o tempo e a maneira de fazer ou guardar coisas. O processo de organização define um lugar para cada coisa. Mas é a disciplina interna da empresa que faz com que cada coisa esteja sempre no seu devido lugar e cada tarefa realizada a seu tempo.

Sistematizar uma empresa de engenharia ou de arquitetura , nada mais é do que organizar as tarefas que podem ser rotinizadas e estabelecer melhores critérios para promessas de desempenho aos clientes.

Cumprir prazo e horários estabelecidos confere ao profissional engenheiro ou arquiteto uma desejável aura de profissionalismo que desestimula o cliente para barganhas e exigências descabidas.

Leia outros artigos no site do Especialista: http://www.eniopadilha.com.br

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quero cancelar tudo ai tem q pagar to fora

Software grátis com abundância, senão as uvas estarão verdes
(Resposta a emails, um nos destratando e outro nos depreciando por negarmos fornecer os softwares de graça. O primeiro alegando, após a recusa, não dispormos de dispositivo para acompanhar orçamentos e o segundo, também depois, por não dispormos do serviço de cotação de preços)

1. Nada contra que utilize outro software de orçamento, ou não utilize software nenhum, mas cobrar para cotar preços de insumos não está em nossos planos.
A cotação, e sua consequente pré-negociação, são peças importantíssimas dos orçamentos e não deverá nunca ser repassada a terceiros, ou substituída por preços de revistas (também indispensáveis, mas para consulta).
Não é perda de tempo, pois permitirá conhecer melhor os produtos e como aplicá-los, ou seja, ensina e dá seriedade aos orçamentos.
2. Orçamento não se acompanha, o que se acompanha é enterro. Orçamento afere-se: índices, preços, taxas, percentuais, quantitativos, calculando tudo de novo.
O Planejamento, sim, é de Lei acompanhá-lo e o Controle faz parte dele. Um bom Planejamento, e feito com seriedade, permite que a obra seja, através de seus dados, acompanhada e controlada.
Um profissional deve levar a sério seu trabalho. E também o dos outros.
Abraços

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EngWhere
. Gestão de Custos de Obra
  Adilson Luiz Gonçalves . COMPORTAMENTO
Dependência Cínica
Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro, Professor Universitário e Articulista.
algbr@ig.com.br

Corrupção é um vício! E dos mais graves e pernósticos.

Pois é... Quem começa tende a aumentar a dose até perder a noção de ética, moral, realidade e humanidade. Acostuma-se com o mau-cheiro e passa a considerá-lo um suave perfume; prostitui-se, mas se acredita puro e inocente; decai até rastejar na lama, apesar de sentir-se no “topo da pirâmide”. Digamos que gera uma “dependência cínica”.

A maior parte dos casos de introdução ao vício da corrupção está no ambiente familiar. Há casos seculares, passados de pai, ou mãe, para filho! Mas nem só de corruptos com linhagem vive esse “grupo de risco” – para a sociedade. Ele é pródigo em aliciar novos adeptos, normalmente já predispostos, por falha de caráter.

A análise dos, ainda, poucos casos expostos pela mídia mostra que tudo começa inocentemente, com as “caixinhas” e “agrados”. Depois, vêm o suborno, com seus muitos nomes e expressões, que vão desde os tradicionais: “comissão”, propina, jabaculê, “por fora”, “molha-mão”, “cala-boca”, etc; até aos mais modernos, como: “consultoria” e “reserva técnica”, por exemplo. Como em outros tipos de vício, as desculpas para entrar são várias: Há os que dizem que aceitam corrupção porque ganham pouco e precisam comprar o “leite das crianças”. Dão ao ilícito uma conotação de carência social. Só que, depois que a “dependência” se instala, o vício continuará evoluindo mesmo que o salário não seja mais problema. O “leitinho” vai virar férias no exterior, carro importado, casa luxuosa, conta bancária em paraísos fiscais... A partir daí o “viciado” fará de tudo para manter o padrão atingido, perdendo completamente a noção do certo e do errado! A corrupção fará parte de sua vida em qualquer lugar onde estiver: em casa, na rua, no lazer ou num templo religioso.

Como qualquer outro dependente, o corrupto acreditará que ninguém sabe de seu vício. Também crerá que não está preso a ele, e que poderá largá-lo quando desejar. Então, sem perceber, exporá e, até, viciará a própria família, tornando-a tão dependente quanto ele. Criará a cultura do vício, do “todo mundo faz!”, e do “agora é minha vez!”.

Nas prateleiras da vida serão mercadorias sempre à venda!

10%? 20%? 100%? Preço fixo? Tanto faz... O importante é, sempre, “levar algum”! E rapidamente a corrupção tornar-se-á o principal traço de seu caráter!

O corruptor, adaptado aos modernos conceitos de mercado, os chamará, às vezes, de “facilitadores” – das dificuldades que eles próprios criam - ou “lobistas” de um outro tipo de tráfico: o de influência, que transforma cidadãos de quinta categoria, moralmente, em elite. Alguns corruptores até preferem trabalhar dessa forma, pois cultivam um prazer sádico e, também, vicioso por comprar pessoas ou tê-las “na palma da mão”.

Não adianta fazer propagandas falando sobre o mal que uns e outros geram, e o cancro que são... No “céu, com diamantes” onde habitam, ignoram completamente esse tipo de alerta ou sentimento de culpa. Pelo contrário, anseiam por drogas cada vez mais “pesadas”!

Só voltam à realidade, quando sofrem, eventualmente, de uma “crise de abstinência”, ou quando uma “overdose” os expõe, na mídia.

Corruptor e corrupto, no final das contas, não passam de faces opostas de uma moeda de duas caras, descaradas. São componentes de uma mesma “droga”, que lhes dá prazer e financia seus “baratos” e “viagens”, enquanto a população, que paga a conta, tenta ganhar a vida honestamente, trabalhando dia e noite.

O problema, como sempre, é que tem mais gente viciada do que pessoal disposto a combater e erradicar o vício...

Fones: (13) 32614929 / 97723538

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  Paulo Sertek . ÉTICA E EDUCAÇÃO

Qualidade Emocional
Virtude da Temperança
(1/3)

Engº Paulo Sertek
Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento
Engenheiro Mecânico e Professor de Cursos de Pós-Graduação em Ética nas Organizações e Liderança
Pesquisador em Gestão de Mudanças e Comportamento Ético nas Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento organizacional
psertek@xmail.com.br

Todo processo de melhoria de qualidade exige um conhecimento das causas que levam a deficiências de conduta que tem conotação ética. A falta de controle da emotividade gera problemas de qualidade de decisão, de relacionamento e também defeitos na execução do projeto das ações. GOLEMAN dedica o capítulo 5 do seu livro Inteligência Emocional sob o título: “Escravos da Paixão”, e destaca especialmente a necessidade do conhecimento próprio dentro da perspectiva da “otimização” das próprias emoções ou paixões para ter equilíbrio pessoal e poder construir o próprio ser.
“A capacidade de manter o autocontrole, de suportar o turbilhão emocional que o ocaso nos impõe e de não se tornar um ‘escravo da paixão’, tem sido considerada, desde Platão, como uma virtude. Na Grécia clássica, esse atributo era denominado sophrosyne, ‘precaução e inteligência na condução da própria vida, equilíbrio e sabedoria’, como interpreta Page DuBois, um estudioso do idioma grego. Para os romanos e para a antiga Igreja cristã isso significava temperantia, temperança, contenção de excessos. O objetivo é o equilíbrio e não a supressão das emoções: cada sentimento tem seu valor e significado. Uma vida sem paixão seria um entediante deserto de neutralidade, cortado e isolado da riqueza da própria vida. Mas, como observou Aristóteles, o que é necessário é a emoção na dose certa, o sentimento proporcional à circunstância. Quando as emoções são sufocadas, geram embotamento e frieza; quando escapam ao nosso controle, extremadas e renitentes, tornam-se patológicas, tal como ocorre na depressão paralisante, na ansiedade que aniquila, na raiva demente e na agitação maníaca”(2).
Numa abordagem critica sobre as linhas de estudo sobre a afetividade, CHOZA(3) recorre aos autores clássicos e transmite nos seus estudos, a experiência de que os projetos de vida ou empreendimentos de valor exigem sacrifício para a sua consecução. Pretender a excelência traz consigo uma boa dose de abnegação, pois corresponde a umas convicções fortes e determinação no agir. As dificuldades que se apresentam no caminho são o teste necessário da categoria do ideal que move a pessoa. Os procedimentos éticos positivos, todos os que buscam a qualidade no “agir” e qualidade no “fazer” contribuem para a melhoria plena da pessoa humana. Vale a pena lembrar que as árvores de planície são mais débeis que as árvores de montanha, pois estas últimas têm que suportar grandes ventanias e com isso se fazem mais robustas e fortes. O mesmo dá-se com a personalidade ou forja-se nas dificuldades ou acaba por ser débil e deliqüescente.
Ajuda pensar o que dizia um empresário bem sucedido e de bom senso: As pessoas de valor e que têm sucesso são aquelas que se habituaram a fazer aquelas coisas que os outros não gostam de fazer. Hoje em dia estando imersos numa sociedade de cultura "soft"; esta sociedade de consumo facilita o bem estar, que dentro de umas certas medidas é necessário para a prática das virtudes, no entanto quando se cerca do supérfluo e poupa todo e qualquer esforço da vontade causa o debilitamento da personalidade.
Algumas palavras vão saindo de uso, como por exemplo; o dever, disciplina, responsabilidade, etc. e afirma-se de forma especial o prazer, o gosto, a liberdade etc. Esquece-se que é preciso saber compor harmonicamente estas palavras para se conseguir escrever qualquer coisa séria na vida. Faz parte da "cultura" atual o tender a encontrar motivos para atuar unicamente nos sentimentos e nas tendências espontâneas. A valorização educativa do sentimento de forma não equilibrada, leva ao predomínio dos comportamentos irrefletidos; de estímulo-resposta. É comum encontrar pessoas que não agem, simplesmente reagem.
Ao diminuir a capacidade reflexiva e a determinação da vontade pelos valores, a tendência comportamental ficará mais influenciada pelo reino das sensações. As sensações são o fator gerador das emoções e dos sentimentos. O desequilíbrio emotivo acaba sendo fonte de desvios éticos na conduta, já não se baseia no que deve ser feito, mas no que se gosta de fazer. A Ética nos diz, apoiados em LORDA(4) et allia que nem tudo o que se pode fazer se deve fazer, porque ajuda a pautar a conduta de acordo com os princípios de realização plena da pessoa e não pelo critério de pura satisfação egoísta. Com certa freqüência os desvios de qualidade no agir ocorrem pelo predomínio dos estados emotivos. Encontram-se personalidades marcadas pelas alternâncias de estados emotivos positivos como o de satisfação, gosto, entusiasmo, esperança, etc. para estados negativos de apatia, medo, desânimo, tristeza. Em outros casos predominam estados emotivos mais veementes; como raiva, rancor, ódio, etc.
Com razão escrevia RIERA: "Se as idéias proporcionam ideais para a ordenação da vontade, as imagens proporcionam só atrativos sensíveis para o desenvolvimento dos desejos. Não se pode estranhar, portanto, de que os ideais de superação tenham sido substituídos pelos desejos de coisas. O homem de hoje tende a comportar-se como um mecanismo de desejos que se pode dirigir e manipular através do mundo de sensações e de imagens em que vive submerso: já não é o princípio de superação, mas o princípio da não frustração o que rege a conduta”(5).
Nas instituições, como a sua dinamicidade segue a combinação dos diversos comportamentos individuais, têm-se reflexos claros desta deficiência de domínio dos estados emotivos, no comportamento coletivo. Em qualquer empreendimento por estar sujeito necessariamente a dificuldades externas, pode-se imaginar as conseqüências se a nota dominante dos comportamentos for a falta de austeridade ou a alergia à disciplina.
"Outra conseqüência, não menos importante, de viver no reino das sensações, é a passividade e a falta de maturidade que observamos no comportamento individual e coletivo"(6).
O ideal é que a emotividade esteja governada pela razão e pela vontade. Há verdadeira virtude quando a emotividade for "racionalizada". As emoções são muito variáveis; através do seu uso adequado, de acordo com a luz da razão pode-se ter um comportamento de qualidade. BALMES no seu livro sobre "O Critério"(7) resumia os requisitos da autêntica personalidade em ter: a cabeça de gelo, o coração de fogo e os braços de ferro. Pode-se estender estes requisitos para o ideal de personalidade de toda instituição, tendo em conta que o comportamento institucional será o somatório das atitudes individuais. Cada componente desde a sua função no corpo institucional poderá contribuir para o controle emotivo do todo.
Confirma esta realidade o que VAILL indica com características do líder:
"Os líderes de sistemas de alto desempenho investem níveis extraordinários de tempo. Os líderes de sistemas de alto desempenho têm sentimentos fortíssimos quanto à consecução dos propósitos do sistema. Os líderes de sistemas de alto desempenho concentram o seu foco nas questões variáveis cruciais(8). Destaca-se portanto a capacidade de trabalho e quando cita o tempo está subentendida a necessidade da constância de propósitos, os sentimentos correspondem a uma forte paixão para fazer o que se vê como mais adequado e por fim o foco significa a clareza do que se pretende.

Leia outros textos sobre Ética e Educação no site do Professor
tel. (41) 233-5676
CETEC -Consultoria
www.ief.org.br

(1) SERTEK, P. Desenvolvimento Organizacional e Comportamento Ético. Dissertação de Mestrado. CEFET/PR – PPGTE . 2002. disponível no endereço: http://www.ppgte.cefetpr.br/dissertacoes/2002/sertek.pdf
(2) GOLEMAN, Daniel, Inteligencia Emocional, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro-RJ, 1995, p. 69
(3) CHOZA, Jacinto, Conciencia y Afectividad, EUNSA, 2ª. ed., 1991, 270 pp.
(4) LORDA, Juan Luis, Moral: A arte de Viver, 1. ed., Quadrante, São Paulo-SP, 2001, p. 13
(5) RIERA, Isaac- ACEPRENSA- Serv. 56/93- 28.04.93
(6) id. ibid.
(7) BALMES, Jaime, O Critério- 1. ed., Ed. Logos, São Paulo -SP, 1957
(8) VAILL, Peter B., O senso de propósito nos sistemas de alto desempenho, In: STARKEY, Ken, Como as Organizações Aprendem, São Paulo-SP, Futura, 1997, p. 90.

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