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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS E CANTEIROS DE OBRAS |
| Ano 03 • nº 20
• 01/06/2003
NESTA
EDIÇÃO
Causos
& Lorotas
Novo Parceiro em Marketing
Empresarial: Por que é que a Gente é assim?
Qualidade Real: Os Princípios da
Qualidade Total Ética e Educação: O que é o
Supérfluo?
Meio Ambiente: Gestão Ambiental |
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O Eclesiástico
(37, 11) ensina que não se deve pedir conselho: "à mulher
sobre a rival; ao medroso, sobre se é o caso de fazer
guerra; ao negociante, sobre a mercadoria; ao comprador,
sobre venda; ao invejoso, sobre gratidão; ao egoísta,
sobre generosidade; ao preguiçoso, sobre qualquer trabalho;
ao empreiteiro, sobre o acabamento de uma tarefa; ao
servo indolente, sobre um trabalho".
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CAUSOS &
LOROTAS
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ENGENHEIROS (E DIRETOR DE
ESCOLA) COM IDÉIAS DE MUÇULMANO
É notória a
aversão que os engenheiros
(no geral) temos pelas Belas-Artes e também pela Poesia,
pelo Romance, pela Filosofia, pela Música Clássica, pela
Cultura enfim, e pela criatividade em particular: coisas
para desocupados ou então coisa de
fresco. Tendo estudado Matemática e Física na
escola, sentímo-nos desobrigados de aprender outras
matérias por tê-las como incompatíveis às nossas
atividades, e lixamos-nos pela Filosofia da Matemática
e pelo enorme esforço de criatividade e
imaginação que originou a Física. Os
muçulmanos queimaram bibliotecas pois nada viam de
interessante fora do Alcorão, e constando do Alcorão
seriam dispensáveis outros livros para tratar do
mesmo assunto, enquanto nós não lemos livro
nenhum, nem o Alcorão. Outras profissões
acompanham-nos na pouca ilustração, como a dos dentistas,
porém a grande maioria das demais profissões
liberais só dá sábios: os advogados se julgam
uns Águias de Haia. Muitos médicos, embora a inaptidão em
escrever à mão, cultivam o saudável hábito de
"datilografar" livros. O pessoal de marketing dispõe de
mais artigos na Internet que os próprios jornalistas, que
acabaram se especializando em escrever rápido para
pessoas com pressa. Os arquitetos são uns Leonardo da
Vinci (engenheiro) e os Professores passam-se por Filósofos,
Psicólogos e outras erudições. Nunca se vê um
engenheiro arrogando-se como um Euclides da Cunha
ou um outro Joaquim Cardozo, cujos poemas, aliás, são
pouquíssimo conhecidos dos colegas, que até revistas lêem
pouco. É bem verdade que enfrentamos muitas
dificuldades para angariar assinaturas para a Revista,
cuja principal finalidade seria a de agregar valor ao
Software para que vendesse mais. O Software, talvez por
ser barato, até que teve saída satisfatória, mas a
Revista, talvez por ser de graça, não se assinou com
tanto empenho, ou foi assinada porque o
Software já estava mesmo comprado. É também certo
que as poesias não têm nenhuma utilidade e a
Música só dá dinheiro para alguns poucos músicos, mas os
excessos sempre causam constrangimentos. Vejamos um
exemplo.
Era uma vez (toda história que se
preza precisa começar assim) em São
Luís do Maranhão, a Ilha dos Amores, onde morávamos. Até falávamos
baixinho sobre as maravilhas do Olho D'água
com receio que o pessoal de outras práias
- são 8.000 km - soubesse e resolvesse
mudar em peso para lá destruindo
nosso paraiso perdido.
A casa holywoodiana à
beira-mar estava precisando de uns quadros nas paredes,
mormente daqueles famosos, para alegrá-la um
pouco. Privilegiados pela sorte, entretanto, nós os
polivalentes não nos apertamos com detalhes: resolvemos
pintar nossas próprias obras-primas. E, numa curta
temporada, foi o que fizemos. Definido o abstracionismo
geométrico como nosso estilo por afinidade, munidos de todos
os apetrechos, produzimos, com alguma ajuda braçal
- traçávamos os esboços, pincelávamos as cores que
queríamos sobre os quadrados, linhas e outras figuras,
e Dora então concluía-os - finalizamos 22
obras-primas de rara beleza a contrastar com o mar
cristalino à nossa frente. No décimo quinto dia descansamos,
ou melhor, despertamos. Deparamo-nos
tardiamente com um grave dilema: o que não iriam dizer
de nós, pintando quadros, nossos colegas
engenheiros? O babaca do Chefe? Os engenheiros
do Cliente? E, de fato, nosso primeiro
crítico-engenheiro observou entusiasmado: sendo
você tão bom nisto poderia ter sido
arquiteto! Já um
engenheiro-crítico indagou desanimado: mas o que
você está querendo dizer com estas coisas? Foi
o suficiente. Expunhamo-nos passar
por estranhos na profissão, ou, o que é
pior, desconfiarem
que estaríamos, naquela idade, malucos.
Para disfarçar assinamos todas as obras com o nome
de Dora e a fizemos passar-se pela artista das obras.
Não víamos outra opção para evitar o
escândalo, e entendíamos
nossa atitude até muito coerente já que foi
grande sua colaboração - muitos que se passam por
artistas não fizeram nem isto por suas obras -
entretanto mal sabíamos que nossas dores de cabeça estavam
apenas começando. O diretor do colégio em que Dora
estudava tomou conhecimento das obras da aluna e ficou
surpreso por encontrar-se em sua escola alguém possuidor
de tão nobre vocação. Viu-se no dever
de divulgar o fato e até tirá-la da
obscuridade mesmo porque não são todas as
escolas que produzem talentos desta
envergadura. Não poupou esforços nem prestígio para
que Dora fosse notícia em 5 importantes jornais da
Capital e concedesse entrevistas às rádios e à
televisão. Como parte das comemorações, uma
exposição, em regra, foi feita na Galeria Enei Santana
(anexa ao Teatro Artur Azevedo na rua do Sol,
que, talvez por isto, é um dos melhores teatros do
Nordeste Encantado). Às pressas preparamos o salão, o
melhor posicionamento das obras, textos sobre o
Abstracionismo, faixas publicitárias, convites, doces e
salgadinhos para o vernissage, enquanto ministrávamos à Dora
um curso intensivo sobre os grandes mestres, suas técnicas e
estilos, para não se sair tão mal durante as entrevistas. Em
algumas delas não resistimos a, respeitosamente,
intrometermo-nos na conversa para, com a cara em frente à
câmara como fazem hoje os Cassetas, dar nós mesmo
as respostas mais convenientes.
Tudo para esconder um hobby que ainda hoje
é imperdoável em nosso Islã. Outras passagens
e correrias se sucederam e o trabalho
de disfarce ainda foi grande
e duradouro mas conseguimos preservar
o emprego e a dignidade, e só obtivemos
a condescendência dos colegas após saberem
que, afinal de contas, teríamos vendido
2 obras-primas daquelas.
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ENGENHEIRO ILUSTRE |
Cardozo, Joaquim (1897-1978),
poeta e teatrólogo brasileiro. Nasceu
em Recife e faleceu em Olinda, Pernambuco.
Engenheiro estrutural, transpôs para a
poesia um pouco de sua atividade profissional:
grafismos, números, símbolos. Lírico,
cultivou o soneto e o verso livre com
a mesma desenvoltura formal - Enciclopédia
Encarta.
Chuva de Caju Como te chamas, pequena chuva inconstante e
breve?
Como te chamas, dize, chuva simples e
leve. Tereza? Maria? Entra, invade a casa,
molha o chão. Molha a mesa e os livros. Sei de
onde vens, sei por onde andaste. Vens dos
subúrbios distantes, dos sítios aromáticos. Onde
as mangueiras florescem, onde há cajus e
mangabas, Onde os coqueiros se aprumam nos baldes
dos viveiros E em noites de lua cheia passam
rondando os maruins. Lama viva, espírito do ar
noturno do mangue. Invade a casa, molha o
chão. Muito me agrada a tua companhia. Porque
eu te quero muito bem, doce chuva.
Quer te chames Tereza ou Maria.
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POR QUE É QUE A GENTE É ASSIM?
Ênio
Padilha Engenheiro, escritor e palestrante. Formado
pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial na
UFPR, em 1996/97. Escreve regularmente e seus artigos são
publicados, todas as semanas, em diversos jornais do país. eniopadilha@uol.com.br
É na
Escola de Engenharia que começa a ser destruída
a nossa auto-estima. É na Escola de Engenharia
que começa a ser forjado o nosso comportamento
autodestrutivo, nosso desprezo pelos valores
da própria profissão, nosso desgosto com a
nossa própria atividade profissional.
É na Escola de Engenharia que nasce
a nossa falta de coragem empresarial e essa
submissão inaceitável aos caprichos dos clientes.
É batata ! Toda vez que, numa conversa qualquer,
o assunto “comportamento no mercado”
vem à tona acabamos caindo nas inevitáveis
comparações de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos
com Médicos, Dentistas e Advogados...
Quando me perguntam o que eu acho disso (dessa
comparação de profissionais tão diferentes)
respondo sempre a mesma coisa: acho que essa
comparação é JUSTÍSSIMA.
Se eu, engenheiro, por qualquer motivo, tiver
de ser comparado com outros profissionais,
acho muito justo que seja com médicos, com
dentistas ou com advogados.
Afinal temos muito mais coisas em comum do
que diferenças. Somos todos prestadores
de serviços. Nosso produto (nosso serviço)
é altamente especializado e todas essas atividades
demandam profissionais com capacidade intelectual
superior. Não se chega a ser médico,
advogado, dentista, agrônomo, arquiteto ou
engenheiro apenas por ter um belo par de olhos,
uma voz doce ou algum dinheiro no banco...
O exercício das profissões e o comportamento
empresarial de cada grupo, no entanto, é o
que têm construído enormes diferenças operacionais,
comportamentais e, conseqüentemente, patrimoniais,
entre engenheiros médicos, arquitetos, dentistas,
advogados e agrônomos.
Mas isso não elimina as semelhanças imensas
que sempre tiveram e que ainda têm.
Neste texto concentramos nossas reflexões
sobre a formação dos profissionais de engenharia.
No entanto, nossa experiência e a convivência
com milhares de arquitetos e agrônomos dos
mais distantes lugares do Brasil nos permitem
acreditar que os conceitos podem se estender
sem problemas também para esses profissionais.
Voltemos no tempo. Voltemos ao tempo
em que essa pessoa (que hoje é um engenheiro)
tinha seus quinze, dezesseis anos, um ou dois
anos antes do vestibular. Esse moço
ou essa moça é, muito provavelmente, um dos
melhores alunos da sua sala (talvez da escola).
É um expoente estudantil, requisitado pelos
colegas, elogiado pelos professores, respeitado
pelos pais, de quem é motivo de muito orgulho,
valorizado pelos parentes, pelos vizinhos,
admirado pelas garotas (ou garotos).
Comparemos nosso amiguinho com o estudante
de quinze ou dezesseis anos que virá a ser
médico, dentista ou advogado. Veremos
quase nenhuma diferença.
É isso mesmo. Na origem, são todos iguais.
Têm o mesmo perfil, a mesma história, o mesmo
rendimento. Todos são brilhantes e bem
sucedidos.
Vem o vestibular. Ingressa, cada qual
na faculdade que escolheu... E é aí que as
diferenças começam a aparecer.
Os estudantes de medicina e de odontologia
são enquadrados em um ambiente novo, com pessoas
que se vestem de uma maneira diferente, se
comportam de uma maneira diferente e que estabelecem
uma identidade visual (e, por decorrência,
uma identidade psicológica) com a atividade
profissional que irão exercer alguns anos
depois.
Os estudantes de direito, já nos primeiros
meses de escola convivem com professores que
vêm para as aulas de terno, gravata, sapato
social, barba feita ou bem cuidada.
E o mais interessante: aqueles senhores e
senhoras respeitáveis, bem vestidos e de fina
educação (os professores), tratam os seus
alunos por “senhor” ou “senhora”,
com toda a fineza e educação que a prática
profissional recomenda. E estimulam seus alunos
a acreditar e se convencerem de que são superiores.
Que estão se preparando para “falar
com o Estado” (privilégio que não é
concedido a nenhum outro profissional...).
Enfim, aprendem que precisam respeitar os
outros, mas aprendem, antes de tudo, que precisam
exigir respeito para si.
Nos últimos anos de faculdade, estudantes
de odontologia e medicina já se vestem como
se médicos ou dentistas fossem. Freqüentam
clínicas e atuam como profissionais na área
da saúde. Assumem, enfim, um ou dois anos
antes de terminada a faculdade, todo um comportamento
típico de médico. De dentista.
Os estudantes de Direito, por sua vez, a partir
da Segunda metade do curso, já se vestem como
advogados (roupa social, sapato, eventualmente
gravata e um terno ou blazer...). Mantém
com os seus professores e com os seus colegas
um comportamento e um vocabulário apropriado
para as lides jurídicas. E, o mais importante:
são tratados, pelos seus professores, como
Doutor. (Dr. Fulano, termine seu relatório
até a próxima aula. Dr. Sicrano, esteja
preparado para a prova final, na sexta-feira.).
Apesar de ainda não terem concluído o curso.
Os estudantes de engenharia, ao contrário,
desde o início do curso, a única diferença
que eles conseguem perceber na faculdade,
em relação ao ensino médio é o grau de dificuldade
(que simplesmente quintuplica!)
Não existe nenhum estímulo a um comportamento
novo, nenhuma referência, um exemplo positivo
de comportamento. Nenhuma motivação para um
desenvolvimento psicológico alternativo. Nenhum
elemento que interfira na formação do profissional
do ponto de vista da sua imagem física composta
de aspectos visuais e comportamentais.
A vida social, no ambiente da faculdade, é
muito restrita, quando não inexistente.
Além do mais, a faculdade entra na vida desses
jovens como um elemento de ruptura. Os alunos
são colocados em uma condição a que eles não
estavam acostumados. Estavam acostumados a
tirar notas máximas com a maior facilidade
e, de repente, passam a sofrer e ter grandes
dificuldades para obter notas mínimas ou médias.
Deixam de ser respeitados pelos seus professores
que se tornam distantes e autoritários e perdem
a admiração dos colegas que estão todos desesperados
tentando se salvar de uma coisa que ainda
não estão entendendo direito.
Não que as faculdades de medicina, direito
ou odontologia sejam fáceis. Ocorre
que lá os estudantes têm compensações psicológicas
que os estudantes de engenharia não têm.
Essas faculdades, por diversos mecanismos,
inexistentes nas escolas de engenharia, dão
continuidade ao amadurecimento psicológico
e social do futuro profissional. E,
com isto, mantêm em alta a motivação e auto-estima
dos seus estudantes.
Na engenharia não existe nenhum processo de
acompanhamento psicológico para aquele estudante
desesperado que teve a sua carreira de sucesso
estudantil subitamente interrompida (mesmo
os alunos que continuam conquistando notas
altas, acabam sentindo a falta do aplauso
dos colegas, do respeito dos professores e
da admiração coletiva). E não existe
ninguém para explicar o que está acontecendo.
Ninguém para dizer a este estudante que ele
não é tão inepto ou incapaz como, algumas
vezes os professores parecem querer provar.
É quase geral, por parte dos professores,
nas escolas de engenharia, o exercício gratuito
de poder e o terrorismo psicológico.
E o aluno, que entrou na faculdade no auge
positivo da auto-estima, vai recebendo, ao
longo de cinco anos, das mais variadas formas,
uma única mensagem: “Você não é tão
bom quanto você pensava que fosse !”.
Ao contrário dos estudantes de direito, medicina
ou odontologia, que têm como professores,
profissionais que atuam no dia-a-dia de suas
atividades, os estudantes de engenharia passam
cinco anos submetidos aos rigores (e, em alguns
casos, caprichos) de engenheiros que não atuam,
profissionalmente, como engenheiros e sim
como professores, e que, portanto, não têm
a vivência da atividade profissional e não
têm a ciência ou a consciência das relações
comerciais que vão definir o sucesso ou o
fracasso dos profissionais que eles estão
formando.
Como resultado disso, ao final de cinco anos,
o estudante de engenharia se transforma em
um engenheiro. E este engenheiro é completamente
desprovido de auto-estima, de respeito próprio,
de prazer profissional ou de consciência de
mercado. Na metade do último semestre
da faculdade, dois meses antes de receber
o diploma e ser entregue aos leões do mercado,
o estudante de engenharia ainda é tratado
como mero es-tu-dan-te.
Em momento algum, durante a faculdade, o estudante
de engenharia é tratado como engenheiro, em
momento algum, durante esses cinco anos, a
escola propicia a percepção da mudança de
condição de estudante para a condição de profissional.
Estudantes de direito, medicina e odontologia,
ao contrário, muito antes do fim da faculdade
já têm uma noção razoavelmente clara das dificuldades
do exercício profissional que eles irão enfrentar.
Com isso vão desenvolvendo mecanismos psicológicos
de defesa e saem da faculdade com maior grau
de segurança. Entram no mercado profissional
de cabeça erguida, com uma consciência de
valor. E com todo o processo de construção
da imagem profissional em andamento.
Estudantes de engenharia não são estimulados
a se vestir bem, nem a ter preocupações com
técnicas de comunicação ou relacionamento
social ou de exercício intelectual não linear.
Com isso acabam não desenvolvendo habilidades
gerenciais ou de relacionamento com o mercado.
Esta é uma das razões pelas quais as organizações
de engenharia são quase sempre extremamente
burocráticas e conservadoras.
Os engenheiros, via de regra, só vão perceber
os resultados da negligência com a imagem
física e o comportamento no mercado, depois
de já terem acumulado algumas perdas desnecessárias
(algumas das quais, infelizmente, irreversíveis).E
qual é a utilidade desse discurso? Qual a
importância de se colocar este tema no papel?
Porque tornar pública esta opinião, que, com
certeza aborrecerá alguns segmentos?
Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que
a simples leitura deste ensaio leve um diretor
de escola de engenharia, um professor, um
estudante ou um profissional de engenharia
a alterar o seu comportamento.
O que se espera é que essas pessoas, a quem
o texto é dedicado, tenham um momento de reflexão.
E que a esse momento de reflexão se siga uma
atitude. E que essa atitude tenha como
objetivo dar um futuro melhor para a engenharia
no Brasil.
A engenharia depende dos engenheiros.
E os engenheiros começam a ser formados aos
quinze ou dezesseis anos, ainda no ensino
médio.
Eu ainda acho, como sempre achei, que o conhecimento
científico que é transmitido aos estudantes
durante a faculdade de engenharia é fundamental.
E que o valor da engenharia está sustentado
na capacidade intelectual e técnica dos seus
profissionais.
No entanto, vejo como importantíssima uma
nova visão, nesse processo de formação do
engenheiro, que leve em consideração todo
o relacionamento social dos estudantes entre
si e com os seus professores. É importante
que, aos estudantes, seja transmitida uma
visão mais clara das relações comerciais que
eles enfrentarão na vida profissional, seja
na condição de profissionais autônomos, empresários
ou empregados em alguma empresa.
Em qualquer um desses casos as relações sociais
são elementos definitivos para o sucesso.
É um “detalhe” que faz toda a
diferença.
Na Escola de Engenharia o engenheiro precisa
ser “construído” para ser
um vencedor. Precisa ser estimulado a acreditar
no seu potencial. Confiar na sua inteligência.
E, acima de tudo, precisa aprender a importância
de manter a cabeça erguida.
Leia outros artigos no
site do Especialista:
http://www.eniopadilha.com.br
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Coluna
do Pimpão |
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103 ANOS DEPOIS DE
NIETZSCHE... Exija capricho de
seu subordinado para agradá-lo. Apontar-lhe a varinha mágica
da possibilidade de subir de cargo
o hipnotizará. Permitir-lhe escolher como irá executar
sua própria tarefa será conceder-lhe um
grande prêmio.
Não queira pressa para não afobá-lo
e principalmente não lhe peça para pensar.
O homem nasceu para viver e não
para pensar e jamais fará com gosto
o que não sabe fazer.
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Mas nada disto resolve se o salário não
estiver agradando.
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| Coluna do
Borduna |
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BANHOS
INESQUECÍVEIS Esta é para os sabichões que não imaginam
que o buraco é mais embaixo. A
obra está sendo implantada em
uma região que mal dispõe de água
para se tomar banho. Como executar
a obra é problema seu, explicaremos como
se deliciar com um banho farto,
nestas condições.
Antes de mais nada mantenha em lugar
seguro 5 garrafas plásticas para coleta da água que
eventualmente aparece. Por mais minguada que esteja de
algum lugar ela sempre aparece mas furtivamente. Por
isto jamais empreste suas garrafas a ninguém. Complete-as na
primeira oportunidade, tampe-as e reserve-as para
o cerimonial. Já no banho, garrafas destampadas,
utilize a primeira delas para molhar o corpo. Irá sobrar
água, mas, nesta fase, não a economize. Em seguida ensaboe
abundantemente todo o corpo, ou, afogue-se em
espumas. A segunda das garrafas se destina a retirar a
espuma da região da cabeça (cabelos, olhos, orelhas, etc).
Seja comedido. A terceira é para os membros:
primeiramente os braços e depois as pernas deverão ser
desensaboados completamente. A quarta retira o sabão do
corpo, das regiões íntimas, e eventuais
espumas teimosas que insistem em ficar.
A quinta garrafa, e a mais importante,
é para esbanjar água. Utilize-a como
achar melhor. Molhe novamente o
rosto, a nuca, e não faça conta do desperdício.
Sinta-se como um marajá da água e de
outras farturas. Relaxe! E tenha um
bom banho, que você merece.
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OS PRINCÍPIOS DA QUALIDADE TOTAL
Luís Renato
Vieira Diretor da empresa Qualidadereal Cons. e
Assessoria S/C Ltda. Empresa especializada em implantação de
sistemas da qualidade e gestão ambiental.
qualidadereal@ig.com.br
A implantação de programas de Qualidade Total
representa uma mudança radical nas organizações.
Os conceitos que mudam são tantos e de tal exigência
que a grande maioria das empresas que iniciam
este processo desistem. Pensando nestas dificuldades,
propomos as empresas que antes de iniciar um
processo de implantação do programa de Qualidade
Total analise os seguintes princípios:
A) A total satisfação dos
clientes: Primeiramente devemos conhecer nossos clientes,
avaliando sistematicamente o que ele quer. Formar uma "parceria"
com o cliente e superar suas expectativas.
B) Gerência participativa:
A organização
deve incentivar a manifestação de idéias e opiniões e compartilhar
informações e decisões.
C) Desenvolvimento dos recursos humanos:
A
valorização do ser humano, capacitando-o para o trabalho. Promover
a motivação e a satisfação no trabalho.
D) Constância de propósitos:
O planejamento
estratégico da organização deve prever a elaboração da
padronização dos processos com ações contínuas e manter a
coerência nas atitudes e ser persistentes nas ações de
melhoria.
E) Aperfeiçoamento contínuo:
Manter
indicadores confiáveis para verificar o cumprimento de metas (as
metas não devem ser inatingíveis). Procurar conhecer e implantar
novas tecnologias.
F) Gerência de processos:
A organização deve
identificar a relação (cadeia entre clientes e fornecedores
internos) entre os processos e os pontos de monitoramento para
correção dos desvios.
G) Delegar:
Procurar descentralizar o poder
dando autonomia para tomadas de decisões ao pessoal que estão
diretamente envolvidos com a qualidade.
H) Sistema de informações:
Trocar
informações (experiências) com outras organizações. Manter um
sistema de comunicação interna eficaz e transparente.
I) Garantia da qualidade:
Propor ações sistemáticas e padronizadas com processos
de inspeções e tomadas de decisões para não-conformidades
e auditorias internas para garantir este processo.
Leia outros artigos sobre
Qualidade no site do Especialista: http://www.milenio.com.br/qualidadereal
Fone/Fax.: (41) 336-0921
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As
conseqüências nocivas de se criarem necessidades
O QUE É O SUPÉRFLUO?
Engº Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico, Licenciado em
Mecânica e Especialista em Gestão de Tecnologia e
Desenvolvimento Professor de Cursos de Pós-Graduação em
Ética nas Organizações e Liderança Pesquisador em Gestão
de Mudanças e Comportamento Ético nas
Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento
organizacional
psertek@xmail.com.br
Ainda
que ninguém proponha o consumismo como doutrina, é o estilo
de vida que mais influencia. Não há outro ismo que conte com
menos ideólogos e mais adeptos, satisfeitos ou frustados. No
entanto, poucos reconhecerão ter incorrido nesta hipertrofia
do consumo. Para o autor deste artigo , o primeiro passo
para superar a tentação consumista é saber o que é o
supérfluo em cada caso e como ele afeta o ser profundo do
homem.
A antropologia filosófica afirma
genericamente, desde a remota antigüidade, a existência de
necessidades naturais (aquelas que o homem requer como tal)
e necessidades acrescentadas (isto é, supérfluas), que o
homem imagina necessitar, mas com uma necessidade fingida.
Isto é o que se denomina por criar necessidades. Movidos
hoje decisivamente pelo impulso de satisfazer tais
necessidades acrescentadas, inclusive com atrofia da
satisfação das necessidades que nos são naturais, torna-se
imperioso contar com uma pedra de toque para distinguir umas
das outras.
UM GREGO, UM MEDIEVAL E
MARX Muitos pensadores de todos os tempos trataram de
estabelecer a distinção entre os bens necessários e os bens
supérfluos e fazer uma lista rigorosa dos primeiros, ainda
que de uma forma pouco feliz. Tive a curiosidade de anotar
as listas elaboradas por três filósofos de muito distintas
épocas, origens e orientações: o grego Platão, o medieval
Tomás de Aquino e o alemão Karl Marx. Platão, em sua
República (livro II), se propõe uma relação de bens
necessários rigorosamente restritiva, e consegue esta
sucinta enumeração: alimentação, habitação e vestuário. Mas,
poucas linhas depois, arrepende-se das suas restrições e
acrescenta uma quarta necessidade - a do calçado -, ao
parecer esquecida, e a partir daí se vê impelido a
acrescentar muitas outras.
Antonio Millán-Puelles, na
sua Economía y Libertad diz-nos que a lista mais completa
enunciada por Marx acerca das necessidades básicas do homem
é a que se encontra no primeiro tomo de O Capital, da
seguinte maneira: alimento, habitação, vestuário - no que
coincide com a enumeração platônica -, aquecimento, etc. Com
o seu bom humor andaluz, diz-nos Millán-Puelles que o leitor
estranhará de imediato os elementos da lista: a calefação e
o etc.
Quando se trata, com efeito, de definir o
necessário, não se pode deixar indeterminação em pontos
suspensivos, porque estes abrem a porta ao
supérfluo.
Pois bem: é curioso notar que a enumeração
de Tomás de Aquino acerca dos bens necessários se identifica
com a de Marx, até no etcétera, com duas peculiares
ressalvas: a falta de calefação (era napolitano, não alemão)
e em troca menciona, como um clarividente precursor do
futuro, os veículos: a sua obesidade exigia, ao que parece,
um burro.
QUANDO O SUPÉRFLUO SE
GENERALIZA Vê-se claramente que toda a relação de
bens necessários se encontra tingida pelo subjetivismo: as
irregulares ruas da antiga Grécia fazem pensar a Platão no
calçado, como o frio da Alemanha do século XIX incita Marx a
acolher-se à lareira, e o seu próprio volume sugere a São
Tomás o requerimento de um burro para
deslocar-se.
Tampouco é válido considerar como
necessários aqueles bens que se tenham generalizado em uma
determinada etapa social. A generalização não os torna
imprescindíveis; nem sequer convenientes. Basta ter em conta
que em muitas sociedades, e na nossa também, chegaram a
generalizar-se determinados vícios. Com razão, ainda que com
certa agressividade, comentando o terceiro livro da Ética de
Aristóteles, dizia Tomás de Aquino que não é por ter-se
generalizado que o supérfluo adquire selo de autenticidade,
como quando a generalização fosse feita por uma multitudo
stultorum, que se teria que traduzir como bando de
estúpidos.
A informática exacerbou em nós a atenção
às estatísticas: para muitos, encontrar-se abaixo da média
seria como contrair uma doença ou ser vítima de uma
desgraça. Esta é, sem parecê-lo, uma das origens do
consumismo: termina-se instalando uma antena parabólica pela
única razão de que todos os vizinhos já a
instalaram. Igualmente, deve-se rechaçar a consideração
de que o artificial torna-se por isso supérfluo. Há um modo
artificial de satisfazer necessidades naturais, que se deve
ao engenho do homem e que se constitui como parte importante
das grandes civilizações. O mesmo Tomás de Aquino, que
investe contra a generalização como critério de necessidade,
diz-nos que a sociabilidade da cidade deriva de que com ela,
vivendo agrupados, se alcançam artifícios benéficos que quem
vivesse isolado nunca poderia encontrar.
O SEGREDO DE ARISTÓTELES Que é,
então, que distingue o necessário do supérfluo? Antes de
responder a esta questão, devemos fazer uma advertência e
estabelecer uma hipótese. Advertimos que, na realidade, nos
bens humanos não se estabelece uma divisão bipartida -
necessários e supér-fluos - mas sim quádrupla: necessários,
convenientes, supérfluos e nocivos. E a hipótese que me
aventuro a propor é a de que os bens convenientes têm a
tendência de tornar-se necessários e que os bens supérfluos
tendem por fim a ser nocivos. À luz do que foi dito já
poderemos concluir que o necessário (e conveniente) não pode
distinguir-se do supérfluo (e nocivo) mediante fórmulas
gerais, sem fazer referência direta à pessoa que usa esses
bens. A mesma droga que prejudica um morfinomaníaco
beneficia um doente. Os bens são necessários (e
convenientes) ou supérfluos (e nocivos) pela repercussão que
têm em cada indivíduo que os possui, os usa ou os aproveita;
quer dizer, pelos efeitos que produzem
nele.
Aristóteles oferece-nos no primeiro livro da
Ética a Nicómaco, um critério que poderia ter-se esquecido
(hoje somos vítimas desse esquecimento) mas não superado:
são bens necessários (e convenientes) aqueles que tornam
exeqüível ao homem o exercício da virtude. Se este critério
caiu no esquecimento, deve-se a que a palavra virtude perdeu
a sua força, o qual constitui um dos paradoxos mais graves
da nossa linguagem, pois o termo virtude significa isso
mesmo que perdeu: força. O homem virtuoso é o que possui com
força, com consistência, com nervo, aquilo mesmo que é ser
homem, e o homem se define pelo seu espírito. Aristóteles
identifica a virtude - ser mais homem - com a felicidade:
"Chamamos felicidade ao desenvolvimento ou expansão da
atividade do espírito". Por isso mesmo os gregos não tinham
mais do que uma palavra (areté) para expressar a virtude e o
êxito: o êxito do homem consistia em sê-lo na máxima medida
possível.
Serão bens necessários (e convenientes),
pois, aqueles que ampliam a nossa capacidade de ser homem,
no que consiste a felicidade que se pode alcançar nesta
vida. Hoje, a voz ilustre de João Paulo II disse-o na
Sollicitudo rei socialis: "os verdadeiros bens são os que
abrem horizontes ao homem".
SOBRIEDADE E VIRTUDE O
cristianismo sublinha e potencia o que a mente pagã de
Aristóteles vislumbrara na sua Ética. Cada um saberá - é
melhor que o saiba - se os bens que possui facilitam ou
estorvam o crescimento do seu próprio ser homem, e conhecerá
então qual é a linha que separa os bens que tem e utiliza
como necessários ou como supérfluos; os que clareiam o seu
panorama vital ou o enturvam.
Mas a sabedoria grega
deu mais um passo: a carência de bens, o prescindir do
supérfluo, contribui à virtude. Isto, que não é inteligível
agora, já que a escassez nos parece intrinsecamente má,
entendiam-no muito bem aqueles que constituem uma boa parte
do nosso mais valioso patrimônio cultural. Assim o lemos em
Heródoto: "A Grécia foi em todos os tempos um país pobre.
Mas nisso se fundamenta a sua virtude. Chega a ela mediante
o engenho e submissão a uma severa lei. Mediante ela se
defende a Grécia da pobreza e da servidão". Paradoxo hoje
certamente ininteligível!: a pobreza gera em nós a força, e
a força - não a abundância - nos defende da pobreza. Fica
todavia um ponto em suspenso. Muitos aceitarão com
facilidade que os bens convenientes se nos transformem em
necessários. Mas é muito possível que tenha obtido a repulsa
de todos quando aventurei a hipótese de que os bens
supérfluos têm a tendência de converterem-se em nocivos. Em
que posso basear esta hipótese?
A ANGÚSTIA CONSUMISTA Já o
próprio conceito implica um fator pejorativo: supérfluo é o
que sobra, o inútil, o que não é preciso ter. Este fator
negativo implica de per si algo prejudicial: pois não é
razoável - e portanto é irracional - ter o que sobra,
conservar o que é inútil. Mas esta consideração, obtida
analiticamente do mesmo conceito do supérfluo, torna-se
demasiado abstrata, e deveria por isso ser empiricamente
constatada. Para isto, devemos distinguir entre
superfluidade e riqueza; porque se bem que o supérfluo tenha
um matiz claramente negativo, a riqueza possui um claramente
positivo. As riquezas, inclusive materiais, podem servir sem
dúvida de apoio instrumental à virtude: quem é bom, fará
mais bem se tem recursos para fazê-lo. Mas, igualmente, as
riquezas podem ser um estorvo que estreite o espírito
humano, "na medida em que pela inquietude que geram, se
impede a paz da alma", disse com aguda expressão Tomás de
Aquino. Há, pois, uma riqueza que serve para ampliar o raio
de ação da virtude, e uma riqueza que a perturba. Hoje em
dia está à flor da pele social esta inquietude que rompe o
sossego da alma. Não se trata de uma afirmação anacrônica.
Octavio Paz, na sua Pequena crônica de grandes dias diz-nos
que "a tristeza e a angústia dos europeus e dos
norte-americanos não vem da falta de comida mas sim da
abundância de bens". A avareza, enquanto afã, angústia ou
desejo enfermiço de acumulação de riquezas, transformou-se
no afã, angústia ou desejo enfermiço do seu uso,
substituindo uns bens por outros supostamente melhores, numa
corrida atropelada que contraria a serenidade do espírito;
mais ainda: que volta o espírito para fora na sua acelerada
substituição. A hipótese diria que os bens que são de per si
instrumento do espírito, se convertem naqueles que sobram
quando semeiam a inquietude da sua acumulação ou da sua
contínua substituição progressiva.
RIQUEZA GERADORA DE POBREZA Mas,
não é apenas a inquietude de espírito que gera em nós os
bens supérfluos. Platão, no oitavo livro da República,
adverte-nos que o excesso de bens materiais gera a
decadência da alma. E dois mil quatrocentos anos depois,
Mariano Grandona assegura-nos que "a prosperidade tornou-nos
brandos". É o que Daniel Bell chamou certeiramente "o beco
sem saída" do Ocidente: o trabalho disciplinado e duro
produziu uma prosperidade que nos impede já de seguir
trabalhando, de modo que a prosperidade pode terminar em
miséria. Pois se a virtude é força, fibra, vigor, e se os
bens supérfluos não só nos inquietam, como também nos
amolecem, atentarão nocivamente contra a vida interna do
homem.
Então, o reter para si o supérfluo é uma
opção grave: optar pela primazia das coisas
que sobram, em detrimento das pessoas
que as necessitam. Poderíamos concluir
que o supérfluo de uns torna-se prejudicial
ou nocivo àqueles que carecem do que,
a outros, seus vizinhos, seus coetâneos,
lhes está sobrando. Mas a conclusão ficaria
incompleta. Porque, quem retém para si
o supérfluo não prejudica somente a quem
carece do necessário; prejudica-se sobretudo
a si mesmo, já que impede o exercício
da solidariedade, que é a virtude mais
profundamente humana: o ser insolidário
torna-se nocivo, já que longe de abrir
o horizonte do homem, encerra-o em si
mesmo e o empequenece. Talvez seja este
o sentido que João Paulo II tenha querido
dar em Durango (MÉXICO) à "riqueza geradora
de pobreza"; pobreza material nos demais,
mas também pobreza espiritual em si mesmo,
enquanto homem.
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CETEC -Consultoria
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GESTÃO AMBIENTAL II/IV
Jornalista Vilmar
Berna Ambientalista de renome internacional
e único brasileiro homenageado pela ONU com o Prêmio
Global 500 Para o Meio Ambiente, no ano de
1999.
Fundador do Jornal do Meio Ambiente.
http://www.jornaldomeioambiente.com.br
4. Globalização e Imagem
Ambiental Hoje, mais do que nunca, as empresas
estão cuidando de sua imagem ambiental e de seus produtos para que
sejam mais ecológicos por diversas razões, nenhuma delas por que
de repente ficaram mais conscientes ambientalmente, mas por
exigência do 'mercado' e por pressão da sociedade e de seus
consumidores.
A globalização e o agigantamento das empresas
levaram as empresas a ter de cuidar de fato do meio ambiente por
diversos motivos: 1) para evitar que seu produto seja sobretaxado
pelo lobby dos concorrentes no exterior; 2) para se livrar de
possíveis boicotes por parte de seus consumidores; 3) para evitar
que pedidos de ampliação ou renovação de licença para a produção
sejam negados ou dificultados por órgãos de controle ambiental
que, por sua vez, sofrem pressões do parlamento e das ONGs e da
própria sociedade que está cada vez mais consciente
ambientalmente.
No caso de filiais no Brasil de empresas
com matriz na Europa, significa ainda ter a má vontade dos
investidores e acionistas da matriz na aprovação de novos
projetos, quando a filial não cuida direito do meio ambiente.
Muitas filiais sofrem auditorias e pressões de suas matrizes
regularmente. Ás vezes essas matrizes possuem exigências mais
rigorosas do que a legislação ambiental do país onde está a
filial. As empresas européias estão bem mais conscientes de seu
papel social e ambiental que as empresas brasileiras, isso por que
a sociedade européia cobra mais e pressiona mais. Empurrar,
simplesmente, para o Brasil, sua tecnologia suja para ter uma
Europa limpa, não funciona mais numa era de globalização, onde
qualquer ambientalista interligado na internet pode enviar
mensagens para concorrentes das empresas poluidoras no exterior
(para que sobretaxem os produtos poluidores fabricados no Brasil)
e até mesmo os acionistas europeus (para que fiquem contrangidos
com seus 'pares' brasileiros. Tem conselhos de administração de
empresas européias que já contam com ambientalistas donos de ações
e com poder de voto).
Os ambientalistas cada vez mais estão
descobrindo estes caminhos de pressão e, quanto mais as empresas
crescem, mais frágeis ficam em suas imagens institucionais.
5. Empresas a audiências
públicas
Com o surgimento da nova legislação
ambiental, que exige audiência pública como
uma importante etapa no processo de licenciamento
de empreendimentos de potencial impacto ambiental,
a adequada comunicação com o público transformou-se
em ferramenta estratégica, que pode significar
o sucesso ou fracasso para o investimento. Por
isso, a definição prévia de públicos-alvo é
garantia de eficiência e principalmente economia
de esforços, energia e recursos.
Apesar de distintos entre si, os diferentes
públicos-alvo devem integrar uma campanha global da empresa que
seja uma espécie de espinha dorsal do seu Programa de Comunicação.
O primeiro público-alvo são os próprios funcionários,
compreendendo a Diretoria, o corpo técnico e os operários, com
extensão aos funcionários e prestadores de serviços. Esse público
pode se tornar um ótimo multiplicador de opinião da empresa,
guardadas, naturalmente, as especificidades da relação
Empresa-Sindicatos, principalmente quando dominadas por outros
interesses que não os trabalhistas. É bom realizar seminários
internos e campanhas de conscientização adequados a cada nível na
empresa, conscientizando a todos sobre o novo empreendimento, sua
importância tanto a nível dos trabalhadores quanto da comunidade e
para o meio ambiente, a fim de que disponham dos argumentos
adequados diante de questionamentos na comunidade.
O
segundo público-alvo da empresa são as comunidades vizinhas ou
próximas ao empreendimento. Elas costumam funcionar para a
imprensa como contraponto às declarações da empresa,
principalmente quando acontece algum problema, acidente, boato,
etc. Não adianta adotar a política de "comprar" as lideranças da
comunidade ou os políticos da região pois, com raras exceções, em
momentos de crise, quando a imagem da empresa corre risco, estas
lideranças tendem a ficar contra a empresa ou não se envolvem em
sua defesa com receio de contrariar a opinião pública, pois temem
perder votos.
O terceiro público-alvo é o público regional,
junto ao qual a empresa deve manter uma imagem positiva, de
credibilidade no controle ambiental e da saúde do trabalhador,
transparência de informação e canais abertos ao diálogo,
ressaltando os aspectos positivos como a função sócio-ambiental do
empreendimento e seu papel de ascenção da economia da região. Aqui
os melhores caminhos podem ser: patrocínio a programa de rádio na
região, com apelo popular; patrocínio a jornais especializados,
destinados a multiplicadores de opinião; patrocínio a ações e
projetos de amplo apelo comunitário e ambiental, etc. As medidas
compensatórias ou reparadoras exigidas em lei ou no próprio
licenciamento, podem ser objeto de parcerias com grupos
ecológicos, universidades, associações de moradores, etc., com
vistas ao seu planejamento e execução. Além da empresa poder se
concentrar na sua atividade fim, ainda estabelece importantes
parcerias com multiplicadores de opinião da região, que estarão
diretamente envolvidos no empreendimento, constituindo-se numa
espécie de avalista sobre o correto monitoramento ambiental e os
cuidados e compromissos assumidos pela empresa no processo de
licenciamento. Pode ser uma vantagem a mais para a empresa na
negociação com o poder público, além de garantir pontos positivos
numa audiência pública.
E, por quarto e último, o público
específico, compreendido pelos jornalistas e ecologistas, devido
seu alto poder de influência junto a opinião pública e de
multiplicação de informação. É um público crítico, desconfiado e
exigente. O melhor antídoto para esta desconfiança é a verdade e a
transparência, com a circulação de documentos e informações
específicas para este público e identificação de parceiros para
projetos. Pode-se ainda promover visitas desse público ao
empreendimento e palestras de especialistas independentes, cujas
posições, apesar de críticas em relação ao empreendimento, mantêm
abertas as portas aos diálogo e aprovam o empreendimento, embora
com restrições e exigências, o que é melhor que posições
absolutamente contrárias, que não favorecem o diálogo ou provocam
um clima de confronto da comunidade com a empresa.
As
audiências públicas não possuem o poder de aprovar ou desaprovar
um empreendimento, pois se trata de uma fase apenas de divulgação.
Isso não significa que as empresas devem subestimar o poder dos
ambientalistas junto à mídia e ao Ministério Público, tanto
Estadual quanto Federal. É comum os jornalistas ouvirem os
ambientalistas contrários ao empreendimento como contraponto às
declarações favoráveis ao empreendimento. Se as críticas forem
intensamente desfavoráveis e gerarem campanhas sistemáticas, podem
influenciar a opinião pública, acabando por constranger os
políticos que apóiam o projeto e até mesmo os órgãos públicos com
a responsabilidade pela aprovação do empreendimento. O Ministério
Público tem um importante papel em situações de confronto. Mesmo
com todas as licenças aprovadas, se o Ministério Público entender
que os direitos difusos da coletividade estão sendo
desrespeitados, conforme denúncia dos ambientalistas, por exemplo,
pode mover ação civil pública e até obter liminar que impede a
implantação do empreendimento, iniciando uma batalha judicial que
pode inviabilizar qualquer investimento. Toda essa exposição deixa
a empresa vulnerável, principalmente quando ela tem um passivo
poluidor ou de degradação ambiental a recuperar, ou quando já
deixou a opinião pública formar uma consciência contrária ao
empreendimento. Por isso, pode ser mais barato prevenir que
remediar, começando o trabalho o quanto antes, de forma planejada,
evitando acumular tudo para a audiência pública.
Estratégias de Ação
É preciso implantar um programa de
trabalho que se baseie, primeiro, em atitudes
visíveis para a sociedade e sinceras da empresa
com o meio ambiente, através do controle da
poluição e adoção de melhores métodos e tecnologias
de produção. Afinal, a mentira tem pernas curtas,
e será pior para a imagem da empresa quando
o público descobrir que ela prega uma coisa
mas pratica outra. É aconselhável ainda que
a Direção da empresa, principalmente sua Presidência,
se capacite para falar de forma adequada em
público e para a imprensa, compreendendo a importância
de cada público-alvo, qual a melhor linguagem
e informação relevante em cada caso.
Segundo, é preciso adotar um Plano de Comunicação de
forma sistêmica, ou seja, envolvendo toda a empresa e não apenas
um de seus setores. Pois não adianta um setor para preservar e
criar uma imagem de compromisso da empresa com o meio ambiente, se
outros setores continuam contribuindo para a imagem de empresa
poluidora, ou que se mantenha distante da opinião pública. Logo,
tão importante quanto a atuação coordenada dos setores de relações
públicas, assessoria de imprensa, publicidade e propaganda, é a
atuação de setores como de controle e monitoramento ambiental,
engenharia de produção, etc.
Terceiro, qualquer Plano ou
Campanha de Comunicação Institucional deve estar baseado no desejo
sincero da empresa em se comunicar francamente com seus diversos
públicos. Durante o período autoritário que vivemos no Brasil,
muitas empresas adotaram o silêncio como estratégia para se
proteger de problemas, o que deu certo em muitos casos. Hoje, com
a abertura democrática e instrumentos de participação da sociedade
como as audiências públicas, a ausência de investimentos em
programas de comunicação ou, o que é pior, a não circulação da
informação correta, na linguagem adequada a cada público-alvo, é a
maneira mais rápida de favorecer e até estimular boatos ou
notícias erradas contra o empreendimento, por maiores que sejam
seus méritos ou vantagens para a comunidade. Além de favorecer
lideranças políticas eleitoreiras que ficam de olho em qualquer
oportunidade para aparecerem como contraponto na mídia e
administradores corruptos, mestres em criar dificuldades para
vender facilidades.
6. Algumas lições da
mancha na Baía
- Não existe Petrobrás só na Baía de Guanabara.
Todos os cidadãos devem exigir da empresa
localizada em outras regiões do país que revejam
seus procedimentos de segurança e meio ambiente.
- Este não é o primeiro grande
vazamento da Petrobrás no mesmo local. Em
março de 1997, outro vazamento provocado
pela Refinaria Duque de Caxias causou o
derramamento de 900 toneladas. Por que a
Petrobrás não tomou as providências que
deveria, permitindo a repetição do acidente,
desta vez com um vazamento muito maior?
Por que os órgãos de controle ambiental
permitiram que uma empresa deste porte continuasse
funcionando sem licença ambiental mesmo
depois do vazamento de 97?
- De que adianta um plano
de contingência para acidentes se ele existe
só no papel, se as pessoas e instituições
não recebem o treinamento adequado e muito
menos têm clara a cadeia de responsabilidades
e a manutenção do sistema? Quanto tempo
será preciso para que empresa e autoridades
esqueçam esta lição, como esqueceram a de
1997?
- A Bacia Hidrográfica da
Baía de Guanabara possui cerca de 10 mil
empresas. As autoridades podem se dar ao
luxo de pressionar empresas do porte de
uma Refinaria da Petrobrás sem que isso
desperte o pânico da população pelo emprego.
Mesmo assim, as autoridades de controle
ambiental estaduais, federais e municipais
deixaram que uma Refinaria de Petróleo funcionasse
sem licença ambiental. Então, que dirá em
cidades do interior, ou numa região afastada,
onde a empresa é a maior, se não a única
empregadora da região? E a imprensa em regiões
assim, será que terão a independência necessária
para criticar uma empresa tão poderosa e
fundamental, sem ser acusada de estar fazendo
'imprensa marrom'?
- O sentimento de revolta
mistura-se com o de impotência diante de
aves com suas penas cheias de óleo. Na tentativa
de salvá-las, é preciso agravar o drama
na tentativa de capturá-las. Elas correm
de um lugar para o outro, tentam voar, mas
acabam capturadas, mortas de medo e perplexidade.
Como podem ter engolido óleo, um tubo é
enfiado em sua goela para encher seu estômago
com uma mistura de soro e carvão. Após um
breve descanso, suas penas são lavadas com
muito detergente de cozinha e água morna
para, finalmente, receberem medicamentos.
Visualmente, depois que secam as penas,
até parecem melhores, para logo depois se
constatar uma alta mortalidade por diárreia
ou desidratação.
- Por que tem de ser secreta
uma reunião entre o Ministro do Meio Ambiente,
o presidente da Petrobras, Henri Phillipe
Reichstul, a Presidente do IBAMA, Marília
Marreco e representantes da Fundação Estadual
de Engenharia de Meio Ambiente (Feema) para
tratar do vasamento na Baía? O Editor do
Jornal do Meio Ambiente, Vilmar Berna, foi
barrado na portaria da Base Aérea do Galeão,
primeiro por ser da imprensa (foi comunicado
que a reunião não era aberta para a imprensa),
e depois como ambientalista (apenas tinha
acesso aqueles cujos nomes estavam numa
tal lista). É uma ironia, quando esse mesmo
jornalista e ambientalista consegue ser
recebido pelo Imperador do Japão, na ocasião
em que foi homenageado pela ONU com o Prêmio
Global 500.
- Com tantos riscos de acidentes
ambientais, por que o país até hoje não
dispõe de um Centro Permanente de Voluntariado
Ambiental que possa manter treinado e mobilizado
um grande contingente de cidadãos para atuarem
em emergências?
- Por que é tão difícil encontrar
especialistas, técnicas, tecnologias para
captura, resgate, ações emergenciais e tratamento
de animais silvestres? Por que não existe
um Centro Permanente de Reabilitação de
Animais Silvestres Vítimas de Acidentes
Ambientais?
- Quanto vale o peixe que
o pescador não consegue mais vender por
que o consumidor teme que esteja contaminado
por óleo derramado pela Petrobrás? Quanto
vale o turismo que restaurantes, hotéis,
pousadas deixarão de vender, por que os
turistas não querem nem pensar de ter de
passar suas férias num lugar sujo de óleo?
Quando a Contabilidade Ambiental será considerada
seriamente no cálculo de acidentes ambientais
deste porte?
- O valor máximo da multa
prevista na Lei de Crimes Ambientais é de
R$ 50 milhões, mas o governo do Estado do
Rio de Janeiro achou razoável uma multa
de apenas R$ 49 mil reais. O Ministério
do Meio Ambiente negociou o cancelamento
desta 'multinha' para aplicar uma outra,
de R$ 50 milhões de reais. Ainda quase nada.
As sanções que foram aplicadas à Exxon pelo
acidente com óleo derramado, ocorrido em
24 de março de 1989 incluíram US$2.2 bilhões
na limpeza. Somente os levantamentos periciais
tiveram o custo de US$ 700 milhões, US$300
milhões em indenizações a particulares US$1
bilhão em condenações criminais e civis
nas ações promovidas pelas autoridades federal
e estadual. Ainda há um processo pendente
onde se pleiteia US$ 5,3 bilhões em indenizações.
- Pelo menos, o presidente
da Petrobras, Henri Phillipe Reichstul,
teve uma atitude pouco comum aos principais
executivos de grandes empresas diante de
acidentes ambientais. Talvez sinal dos novos
tempos de maior conscientização ambiental
da Sociedade. Em, vez de se esconder atrás
de subordinados e adotar a política usual
do 'nada declarar', ou tentar minimizar
o problema e pretender descredenciar os
críticos, assumiu em nome da estatal total
culpa pelo vazamento de óleo na Baía de
Guanabara, e disse que não vai fugir das
responsabilidades, inclusive ressarcir os
prejuízos causados. Ele se mostrou também
a favor da auditoria externa na Petrobras
e garantiu que a estatal vai se adequar
aos padrões ambientais internacionais. "O
fato da Reduc ter sido construída antes
da vigência das leis relativas ao meio ambiente
não a exime de se adaptar às novas normas",
disse Reichstul.
- Se você fosse o técnico ou o presidente
do banco internacional que precisa examinar
o pedido de financiamento para a despoluição
da Baía de Guanabara, diante e um acidente
destas proporções, irá recomendar a renovação
ou a concessão de novo empréstimo.
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A NR 17 da
Portaria Mtb 3.214 admite: Transporte e descarga individual de peso:
máximo de 60kg. Levantamento individual de peso: máximo de
40kg.
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