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ORÇAMENTOS,
PLANEJAMENTOS E CANTEIROS DE OBRAS |
| Ano 02 •
nº 10 • 01/08/2002
NESTA
EDIÇÃO
Obra Digital:
O A-B-C do Recém Formado
Ética e Qualidade
Meio Ambiente: Política Ambiental |
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O bom humor tem algo de generoso: dá mais do que recebe. - Alain.
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OBRA DIGITAL |
O
A-B-C DO RECÉM FORMADO
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• ASPONE
Sigla que dão por aí ao ASsessor de POrra
NEnhuma, também conhecido como Peninha. São profissionais
de reconhecida visão que conseguem enxergar e ocupar
altos cargos, geralmente de fundamental ajuda no
trabalho de seus chefes se porventura estes chefes
tiverem trabalho algum dia. A procura por estes
cargos-fantasmas em jornais, agências de emprego
ou através de concursos, é mera perda de tempo pois
não são disponibilizados assim tão facilmente.
Dizem ainda as más línguas que os
Aspones quando morrem não vão nem
para o céu e nem para o inferno.
Permanecem no Purgatório onde são
mantidos em cargos administrativos
compatíveis com sua experiência.
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• CONFERINDO OS MATERIAIS
Já é tradição nas obras jamais conferir
as quantidades de madeira, brita e areia
que chegam na obra. Como pela voz do povo,
ou de Deus, a ocasião faz o ladrão,
os fornecedores é que são os menos culpados
por entregá-las geralmente a menor.
• ÉTICA
Palavras chaves: honestidade, coragem,
humildade e grandeza.
Alerta: nos tempos atuais está havendo
enorme intolerância quanto a falta de
Ética em todo negócio.
Vantagem definitiva: gerentes e empresários
estão mais propensos a pagar melhores
salários aos empregados éticos.
• LAVAGEM CEREBRAL
Há quem, para aprender alguma coisa de
útil, precisa desaprender outras tantas
inúteis. Os dados abaixo, contendo alguns
poucos itens como exemplo, deverão ser
rapidamente esquecidos e não fazer parte
de seus arquivos, anotações, literatura
ou agenda profissionais pela total impossibilidade
de utilização durante toda sua carreira.
. 1 metro cúbico = 35,32 pés cúbicos
. Temperatura de ebulição do Enxofre =
440 ºC
. Temperatura de fusão do Antimônio =
432 ºC
. 1 quilate métrico = 0,2 g
. Peso específico da Nafta = 0,75 kg/cm³
. 1 Arratel = 459,05 mg
. etc.
• LIDERANÇA
Ser líder é principalmente ser bom. Em
segundo plano ser justo ou sábio. Hitler
e Salomão, se é que não maculamos o nome
deste com a má companhia, não seriam necessariamente
grandes tocadores de obra. Os carrascos,
que se julgam um sucesso, por não enxergar
a realidade da obra e pela falta de empatia,
angariam nojo e revolta, os opostos da
produtividade; e a Justiça anda é
desmoralizada pela Conjuntura atual.
• MACONHA
Não bebo, não fumo e não
cheiro. Apenas minto um pouco. –
Tim Maia.
A maconha, em qualquer circunstância,
é proibida em obra ou nos alojamentos,
sendo motivo, infelizmente, para demissão,
ainda que sem justa causa, do usuário
contumaz.
• MÃO DE OBRA LOCAL
Caso você esteja adotando troca de turno,
ou trabalho em horários extraordinários,
dê preferência à mão de obra local, para
reduzir complicações de logística. Caso
sua obra não adote troca de turno ou horas
extraordinárias, dê preferência ainda
à mão de obra local, para redução de custos
com deslocamentos, alojamentos, e outros.
• MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA
Fala-se demais sobre a inviabilidade em
se contratar mão de obra temporária sob
alegação que o funcionário que não pertence
ao quadro efetivo da Empresa é mais propenso
a desordens, ou menos afeito ao trabalho.
Realmente isto assim acontece, porém só
em obras desorganizadas, onde quanto mais
gente, terceirizada ou não, menor é a
produção.
• MEIA-COLHER
Trata-se do Ajudante de Pedreiro, com
pouca experiência, como é, ou foi, o
caso de nós todos, que aspira tornar-se
Oficial Pedreiro. Com pouco tempo de obra
alguns já estarão produzindo tanto quanto
os oficiais, embora com menor salário,
e não poderão ficar de fora de seu plano
de promoção e equivalência salarial. Para
poder participar do plano, entretanto,
deverão ser-lhes estabelecidas condições
quanto ao desperdício de materiais e mão
de obra. Não basta executar bem, é necessário
errar pouco. (V. tb. CACHIMBO).
• MEMO (de memorando) / CI (de Comunicação
Interna)
Forma antiga de se trocar rapidamente
mensagens entre os diversos setores da
Empresa. Os blocos de papel, geralmente
com a metade da folha ofício, foram substituídos
pelo e-mail (em Portugal e-correio). Em
qualquer dos casos, e por maior que seja
a pressa, não se justifica relegar a ortografia
ao terceiro plano.
• NO ESCRITÓRIO
Por incrível que pareça, um profissional
trabalhando sozinho e em silêncio, sintonizado
no que está fazendo, produz bem mais do
que dois profissionais juntos, no mesmo
assunto, inclusive nas atividades de dita-digita.
O custo dos serviços destes últimos ficará,
pois, umas 3 vezes maior, sem se considerar
ainda as horas paradas dos demais colegas
vizinhos, que ficam ouvindo a novela.
• PAPEL
Pode parecer frescura, mas não é. As folhas
de papel devem ser pegas com mão limpas,
secas e sem afetações, para não amassá-las.
Principalmente tratando-se de documento
de Proposta. Não custa repetir que quando
arquivadas rentes, e inteligentemente
ordenadas, serão localizadas bem mais
rapidamente.
• PERT
Preferivelmente antes de iniciada a obra,
e sem se restringir a esta oportunidade,
deverá, obrigatoriamente, ser feito o
PERT. Não para apresentá-lo e menos para
se dizer que a obra foi planejada, mas descobrir,
na elaboração, as peculiaridades, dificuldades
e atividades críticas da obra. Depois
é só ficar de olho, confrontando-o
o com o que se passa na obra. Diferentemente
do que se imagina o PERT não se justifica
apenas em grandes empreendimentos, mas
também em construções modestas.
• PRODUÇÃO X PLANEJAMENTO X ORÇAMENTO
São três visões diferentes da obra. Nenhuma
delas, entretanto, irá funcionar bem sem
as outras duas.
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• PROJETO – LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Chegou a hora de demonstrar seus conhecimentos de
geometria analítica e cartesiana. Você não poderá
falhar. Estude em casa, analise os cortes, plantas
e mínimos detalhes do projeto e evite que percebam
sua insegurança. Aqui você demonstrará também que
sabe o que quer e, afinal, o que está fazendo (V.
tb. DONOS DA VERDADE).
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ENTREVISTA À REVISTA
GERENCIAMENTO & OBRA
Softwares de engenharia
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Íntegra da entrevista de nosso titular à
Revista Gerenciamento & Obra,
para quem não está cansado de falar
sobre computador. Muitos dos nossos textos,
e do parceiro Paulo Sertek, estarão saindo
lá também. Para não falarem que
não escrevemos em revistas sérias. A G&O
é uma proba Publicação. E ponha proba
nisto:
O
HOMEM DO SOFTWARE PIMPÃO
Nesta entrevista o engenheiro Amado Gabriel
da Silva fala
um pouco dos softwares do mercado
de construção civil
De um tempo em que fartavam serviços
na Construção Civil e escasseavam
profissionais, o currículo do Engº
Amado confunde-se com o das grandes
obras e empresas nacionais. As palavras
mais e maior>
são utilizadas repetidamente.
Iniciou sua carreira participando
da Rodovia dos Bandeirantes (a maior
obra de então). Trabalhou como Engenheiro
de Campo em Itaipu (maior
obra do mundo). Seus colegas foram
os recordistas mundiais
em lançamento de concreto (330.000
m³/mês) e construiu a ponte mais
sólida do mundo (para tráfego
de caminhões fora-de-estrada).
Em seguida trabalhou nas obras da
Açominas (a maior em
andamento exclusivamente nacional)
e prestou seus serviços à Camargo
Corrêa (maior Construtora
nacional).
Foi Gerente de Orçamentos da Método
Engenharia (maior em
seu Setor) e participou, como Residente,
da montagem dos Bancos de Capacitores
de Ivaiporã (maiores
equipamentos elétricos do mundo e
primeiros de porte montados no país).
Há menos tempo, como Planejador, participou
da construção de Usina de Beneficiamento
da Souza Cruz, no Sul do País (o maior
investimento em obras na América Latina
de então).
É o idealizador e autor do EngWhere,
que não surpreenderia sendo o melhor,
ou o maior, dos softwares
de orçamento de obras, como garante.
Revista G&O - Qual
a sua visão sobre os softwares que o mercado de construção
civil oferece para quem quer fazer obra?
R. Os softwares de Construção Civil
caracterizam-se por altíssimos preços
e extrema dificuldade de operação.
Tornaram-se artigos exclusivos das empresas, que podem adquiri-los
e que criaram a figura do Operador de Software para que
estes funcionem.
A grande maioria foi desenvolvida por quem não é do ramo.
O MSProjet, da própria Microsoft, e das poucas exceções
com preço acessível e fácil operação, deixa transparecer
isto ao gerar instantaneamente uma espécie de NeoPert, com
base nos dados do Cronograma de Gantt, que nada tem a ver
com o PERT original, e que não acrescenta absolutamente
nada aos planejamentos das obras.
O ponta-pé inicial do preço alto foi dado pelo AutoCad e
seguido à risca principalmente pelos softwares de orçamento.
Estes, entretanto, não se modernizaram como o Cad e raramente
passam por melhorias ou incrementos, além dos de Marketing.
Muitos deles, como na Época do DOS, não chegam sequer a
acentuar palavras.
A Construção Civil encontra-se ainda na
onda da necessidade de se informatizar
para sobreviver, porém nem tudo ainda
justificou a mudança dos antigos processos
pré-informáticos.
Revista G&O - O mercado
está cansado do que existe?
R. O Mercado está hipnotizado e
acomodado. Saber operar um software hoje é uma glória e
motivo até para ilustrar currículos.
A dificuldade de operação dos softwares de orçamento nacionais,
entretanto, criou uma crise de ojeriza e desconfiança que
se generaliza e chega a envolver até quem não tem nada com
isto, como já sentimos na pele. Além do Excel, o Engenheiro
não está operando softwares no dia-a-dia, como fazem, por
exemplo, os médicos e suas atendentes, que dispõem de produtos
simplificados e em conta.
A tendência, entretanto, é voltar-se aos
softwares das micro empresas, cuja qualidade,
modernizações constantes e as possibilidades
que oferece de suporte, são valores agregados
reais que enriquecem o produto. Temos
um Parceiro, autor de um software para
cálculos estruturais, que até ensina seus
usuários a calcular obras. É também muito
mais confiável a qualidade do software
desenvolvido por quem o utiliza e domina
a matéria e suas complicações. A linguagem
do Orçamento, que deve ser um suplício
para os analistas, é muito mais complexa
que a de Programação.
Revista G&O - As softhouses
alegam que os serviços de suporte é caro, pois a empresa
tem encargos sociais altos dos seus profissionais e o desenvolvimento
de novos produtos está estruturado nesse sentido. O que
o sr diz a respeito?
R. À Empresa enxuta o
suporte é até vantajoso. Não há mais eficiente,
e barata, maneira de melhorar o produto
do que participando das dúvidas do cliente,
modificando os comandos que não simpatiza,
facilitando onde surgem mais dificuldades
e aceitando sugestões.
O suporte prestado pela maioria de nossos
softwares é através de revendas ou de
setores da empresa que não mantêm contato
com os desenvolvedores que, no geral,
consideram suas criações irreparáveis.
Revista G&O -
O que se espera em verdade de um bom software? É apenas
preço? As empresas de construção querem desenvolvimento
tecnológico a que preço?
R. O
que se espera do Office hoje é que seus
programas parem de travar o computador.
O que se espera dos softwares de Construção
Civil é intuitividade, preços, recursos
e graus de dificuldade, pelo menos parecidos
com os programas da Microsoft.
Não se justifica a necessidade de cursos para poder operar
um programa que se diz facilitador das tarefas do Engenheiro.
Atualmente temos a meta de oferecer um produto cuja operação
dispensa inclusive a leitura do Help, uma das irritações
maiores do usuário, e estamos já conseguindo. As coisas
simples, diferentemente do que parece, são muito mais difíceis
de se fazer.
Os softwares de orçamento necessitarão, para poder sobreviver,
possibilitar o intercâmbio de dados por e-mail e com outros
programas como o Excel, gerarem arquivos de pequeno tamanho,
ter flexibilidade para todos os lançamentos, não fugirem
do roteiro lógico do orçamento nem criar para ele códigos
estranhos, sofrerem modernizações constantes e ter interface
mais camarada.
Estamos a quilômetros disto: a maioria
destes softwares, como no DOS, não chegam
sequer a acentuar palavras, e pecam por
uma falta de inteligência que dá medo
operá-los. Estão vendendo à custa de Marketing,
um bom negócio para os donos de revistas.
Revista G&O -
Algumas empresas procuram desenvolver seu próprio sistema...
o sr concorda que a empresa foge da sua atividade fim? Não
é caro manter uma equipe que desenvolve essas ferramentas
como alegam as softhouses?
R. O desenvolvimento de
um software de qualidade demanda uma enormidade
de tempo e um trabalho sem fim de melhorias,
revisões, ampliações, modernizações, etc.
O preço disto tornaria o produto inviável
se feito na própria empresa. Além do mais,
quem desenvolve softwares com algumas
similaridades à vários usuários, e sabendo
aproveitar-se do suporte prestado, poderá
utilizar as dúvidas e sugestões de diversificados
clientes para constantemente melhorar
seu produto.
Revista G&O - Um problema
que existe é base de dados... codificar insumos e composições...
como padronizar os insumos para que todos falem a mesma
língua?
R. Quem inventou estes códigos estranhos
ao orçamento e com uma infinidade de números
de identificação, foram os analistas que
fazem software por encomenda, e que precisam
urgentemente desinventá-los. O próprio
nome e unidade do insumo são mais que
suficientes para identificá-los, e mais
descomplicado tanto para o usuário como
para a própria máquina que não precisa
armazená-los. Em média a quinta parte
do espaço nos bancos de dados é ocupada
por eles.
A quantidade de números que envolve um orçamento é tão grande
que até fez com que rotulássemos as próprias versões de
nosso software com os apelidos ou nomes das cidades em que
elas foram desenvolvidas, e não com outros números.
As composições de preços jamais necessitariam
de codificação pois não são genéricas,
mas próprias de cada empresa, região,
administração da obra e outros fatores.
Há um equívoco muito grande no Setor de
que os índices, mormente os criados em
laboratórios, prestar-se-iam para orçar
obras. O Engenheiro precisa urgentemente
se conscientizar que é responsável pela
apropriação em obra de seus próprios índices,
não colhendo-os de literatura qualquer,
para cegamente utilizá-los.
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| Coluna do Pimpão |
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DESTA
NINGUÉM ESCAPA: LEITURA E REDAÇÃO
Em estudo estatístico realizado
em nossa Redação sobre um universo de
cerca de 7.000 diplomados nos cursos
superiores do Setor, e que com exclusividade
revelamos, apenas 0,02% são analfabetos.
Somente 28%, entretanto, sabem ler (cartas,
contratos e propostas de preços) e bem
menos escrevem (cartas, contratos e
propostas de preços). Apenas 11,5% redigem
editais, propostas técnicas e outros
documentos considerados mais difíceis.
Portanto, vá dando um jeito de se livrar
destas estatísticas enquanto é tempo.
CALHORDAS
Suporte os chatos, os incompetentes
e os mal-educados. Parte de seu alto
salário é paga para isto. Corra com
todas as pernas dos calhordas independentemente
do cargo que ocupem que você só perderá
com eles. Previna-se dos calhordas simpáticos,
dos calhordas bonzinhos e dos calhordas
gozados. E ainda, in Ode
aos Calhordas de Rubem Braga: "as
mulheres dos calhordas chamam-se calhôrdas
...e às sextas-feiras comem peixadas."
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| Novidades no Site |
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NEGÓCIO DE PARENTE
(OU MELHOR, DE AMIGO)
É possível adquirir o EngWhere
de outro Usuário por preço mais baixo
que o praticado por nós. Leia a Cláusula
j. da Permissão de Representação abaixo
e as demais clásulas no Site:
j. É permitido ao Usuário do EngWhere, para
atrair interessados, oferecer desconto do próprio produto,
deduzindo o valor do desconto de parte ou de toda sua Taxa
de Indicação.
Não deixe de assistir:
A
Triste História dos Softwares de Orçamento
de Obras Nacionais ou
A saga do Pimpão2000
saindo do fundo do quintal para os computadores
dos engenheiros mais inteligentes do País
Apresentação em Powerpoint 95-97
Em 18 quadros e final promissor.
Para download (231KB)
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| Coluna do Borduna |
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URUBUS NA OBRA
Saque rápido sua calculadora e faça a conta em voz
alta. Conte nos céus os urubus que
sobrevoam o bezerro morto: são 80,
para 40 quilos de carne (os ossos
estão fora). Cada urubu se abastece
com 250 gramas de carne por hora,
logo, em 2 horas o bezerro acaba.
Os peões irão confundí-lo com Malba
Tahan (pseudônimo do matemático e
escritor carioca Júlio César de Melo,
1895-1974, formado pela Escola Nacional
de Engenharia).
PICADINHO
Não deixe o cantineiro servir picadinho
nas refeições, que você irá se passar
por afrescalhado ou pão-duro. Os peões
gostam mesmo é do picadão, se possível
de carne de pescoço. O inconveniente
é que você terá que comer o mesmo que
eles.
MESTRE DE OBRA
Figura chave em seu ofício. Antes de entrar
em disputa de conhecimento com o Mestre,
procure aprender com ele. Será seu maior
professor e sabe das coisas. Não teve
escola, porém o que ele sabe, seu curso
também não ministrou. Tenha como meta
saber mais do que ele, para só então considerar-se
um Tocador de Obra. Lembre-se que a voz
do povo, que não falha, diz que a experiência
vale mais que a ciência. Fique também
sabendo que o Mestre é líder nato, arrojado,
de iniciativa e vencedor consumado já
que em seu peculiaríssimo vestibular,
frente a uma multidão de concorrentes,
lhe foi imposta a cláusula sine qua
non de ser o primeiro da turma. Desconverse
sobre perguntas como Quem sabe mais
o Engenheiro ou o Mestre? Ou então,
tenha uma boa resposta e que agrade a
todos, como: cada macaco no seu galho.
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| NOSSOS PARCEIROS |
ÉTICA E QUALIDADE
Engº Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico, Licenciado em
Mecânica e Especialista em Gestão de Tecnologia
e Desenvolvimento
Professor de Cursos de Pós-Graduação em
Ética nas Organizações e Liderança
Pesquisador em Gestão de Mudanças e Comportamento
Ético nas Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento
organizacional
Portal educativo
1. Introdução
A Ética é o conjunto
de conhecimentos que aplicados ao agir
humano de forma consciente e deliberada,
promove o processo de auto-educação visando
a máxima realização do homem. Talvez todos
lembrem da frase marcante de Pindaro,
poeta grego: "Torna-te o que és".
A ética visa essa elevação da estatura
para a qual o homem foi chamado a atingir.
Dito de outra forma: "torna real, com
as tuas escolhas livres aquilo que está
ainda em germe dentro de ti" . O processo
que se inicia é o mesmo que o cultivo
de um território. O território é a natureza
humana. É um terreno a ser conquistado;
através da vivência, de maneira a perfilar
convicções na inteligência e arraigar
hábitos fortes na vontade.
A realização plena da pessoa é
a que se refere ao homem enquanto homem.
Não uma realização circunstancial ou parcial
da vida, como por exemplo poderia ser
a realização profissional, financeira,
afetiva, etc. Independentemente de que
alguém seja lixeiro ou ministro; que seja
advogado ou engenheiro, novo ou velho:
isto é quando falamos de uma realização
mais profunda comum a todos os homens
independentemente das suas circunstâncias
específicas; estamos colocando a questão
da realização através dos princípios do
"dar certo como homem". Falamos afinal
de uma realização pessoal proveniente
da adesão e do cultivo dos princípios
e valores éticos.
2. Princípios éticos
Os princípios éticos ou estão ancorados
em leis naturais, correspondentes as leis
do bom "funcionar" humano ou acabamos
imersos num mar de relativismo.
Vale a pena lembrar da tradicional comparação
de que as leis naturais que regulam o
"bom funcionar do homem" são o território.
O conhecimento deste território possibilita
a formulação dos princípios éticos, que
já estão inscritos na realidade.
É lógico que o meu conhecimento do território,
para ser verdadeiro conhecimento, deve
gerar mapas em conformidade com a realidade,
caso não, serão fonte de desvios. Mesmo
que tenha me enganado involuntariamente
no conhecimento do território experimentarei
as canseiras de errar o caminho ou edificar
em terreno alheio.
Também tem a sua validade a experiência
de que pautar-se pelos princípios corretos,
permite uma visão clara, é a via iluminada.
Por outro lado ao seguir pelo caminho
escuro experimenta-se uma diminuição da
capacidade de locomoção, da capacidade
efetiva de auto-realização.
Voltando a idéia dos mapas, por vezes
há desvios por via de malícia da vontade
em que vence uma certa conveniência por
um certo vício na sua construção. Com
o tempo ocorre aquilo que diz o adágio
"quem não vive como pensa, acaba pensando
como vive".
Há dois princípios fundamentais em que
se apoia a ética: "faz o bem e evita
o mal" e o outro "querer o bem do
outro assim como se quer o próprio bem".
As decisões concretas decorrentes destes
princípios, aplicadas as diversas necessidades
e circunstâncias da vida humana vão gerando
as curvas nível os contornos claros do
mapa. Isto corresponde ao processo de
aquisição de critérios éticos. A aplicação
ou prática habitual dos critérios éticos
no dia a dia vão gerando as qualidades
pessoais.
Uma boa bússola ajuda o direcionamento
pessoal num terreno difícil e montanhoso
ou cheio de perigos. A consciência bem
formada faz o papel desta bússola.
Hoje mais do que nunca precisamos de
gente de consciência bem formada. Líderes
que se apoiam nos princípios certos e
sejam uma ajuda para os outros.
3. Qualidade técnica
e qualidade humana
As melhorias tecnológicas produzem
bem estar material. Ajudam e muito a minimizar
as durezas da vida humana, melhoram a
qualidade de vida no que se referem ao
conforto. Por outro lado continuamos carentes
de um sentido mais profundo em tudo
o que fazemos. Hoje mais do que nunca,
com os avanços tecnológicos, dentro da
nossa sociedade de consumo fácil, necessitamos
enxergar que os anseios de realização
ultrapassam os limites do bem estar material.
4. Trabalho meio
de aperfeiçoamento pessoal
Tudo o que encontramos a nossa volta,
com exceção dos elementos puramente naturais,
são fruto da criatividade e transformação
humana. Frutos do trabalho humano. Cabe
ressaltar que qualquer trabalho requer
umas habilidades e conhecimentos específicos.
A medida que uma pessoa trabalha produz
um resultado externo a si, que costuma-se
designar pelo aspecto do "fazer";
trabalho enquanto aperfeiçoa algo externo
ao agente. As ações humanas nascem do
interior da pessoa; a toda ação externa
corresponde atos internos do agente (admitindo
que estamos falando de atos conscientes
e voluntariamente desejados). A todo
"fazer" corresponde a uma dimensão
interna da ação; -"agir". Ao "fazer" corresponde
um aperfeiçoamento de algo externo. Ao
"agir" corresponderá um aperfeiçoamento
interno do indivíduo. Aperfeiçoamento
das suas potencialidades motoras, intelectuais
e volitivas, mas sobretudo pode haver
ou não um aprimoramento do homem enquanto
homem. Tudo dependerá do sinal do seu
"agir"; caso esteja informado ou não pelos
princípios éticos.
Não se pode dissociar a dimensão externa
da ação da dimensão interna "agir". Uma
operação na bolsa pode estar tecnicamente
perfeita no entanto não ser justa. Este
documento está muito bem bolado tecnicamente,
atinge os resultados mas corresponde a
uma falsidade.
Temos de nos ater em todas as ações a
qualidade tanto no "fazer " como no "agir".
Chama a atenção algumas abordagens utilitaristas
da qualidade em que o cliente é o rei
enquanto ele estiver satisfazendo meus
interesses. O polo da ação está vincado
num excessivo utilitarismo.
As empresas existem para cumprirem uma
função básica que é a de apresentarem
resultados econômicos, pois não são obras
sociais ou de voluntariado. Mas no momento
em que se reduz a função da empresa somente
ao resultado econômico ela deixa de cumprir
a sua função social; estar a serviço
do bem comum. É necessário competência
técnica para atingir resultados mas nunca
se pode esquecer que os resultados de
ordem de promoção do homem e a sua
realização plena são tarefas essenciais.
5. Ecologia do
agir humano
Podemos constatar a influência notória
do "agir"; dimensão interna da ação no
"fazer" dimensão externa da ação. Vale
a pena lembrar este famoso pintor e pensador
De Lacroix que afirmava que "uma pintura
fraca é de um fraco". O externo por
mais maquiagem que se use com o tempo
se descobre o que vai por debaixo. Atribui-se
a Lincoln aquele pensamento "é possível
enganar alguém durante todo o tempo, também
é possível enganar todos durante algum
tempo, mas é impossível enganar todos
todo o tempo." Conhece-se a pessoa
pelas suas obras, conhece-se a qualidade
de um produto no seu uso. Por isso é importante
enxergar os resultados a médio e longo
prazo, agir anti-éticamente sempre
é um oportunismo.
As ações que realizamos podem contribuir
para a realização própria ou deteriora-la.
Terreno cultivado produz fruto. Terreno
onde não há trabalho de jardineiro não
se pode colher flores. Os nossos atos
marcam o nosso interior de forma positiva
se estão de acordo com os princípios éticos;
negativamente se contrários.
Alem de afetar a qualidade pessoal, as
ações repercutem no entorno. Melhoram
ou caotizam os ambientes ou pessoas. Todo
comportamento anti-ético tem repercussões
"ecológicas". Implicam em um efeito
"poluente", nocivo a comunidade.
Qualidade no "agir" é o mesmo que virtude.
São as qualidades adquiridas; bons hábitos.
É o caso da lealdade, justiça, fortaleza,
veracidade, etc., As pessoas que se forjam
na vivência das virtudes, podemos compará-las
como as águias, ganham asas fortes. A
primeira vista estas asas parecem prejudicar
o vôo devido ao peso no entanto são as
que fazem capazes de vôos rápidos e altos.
A falta das virtudes leva a trabalhar
num nível mais chão, pequeno sem visão
de altura. Os caminhos anti-éticos seguem
duas leis básicas e todas as outras são
corolários: a lei do mínimo esforço,
e a lei de levar vantagem em tudo. Estas
leis são as lei do curto prazo, são as
leis do oportunismo. A médio e longo
prazo deterioram as pessoas, as tornam
moralmente obesas e atrofiam a sua capacidade
de comunicar bem aos outros. O mesmo se
aplica às instituições pois são o somatório
de atitudes individuais.
Os procedimentos anti-éticos, são socialmente
anti-ecológicos. Beneficiam-se como parasitas
de uma maioria que produz, de uma maioria
que vai pelo caminho das pedras. Quando
torna-se moeda comum o procedimento anti-ético
deixa de ser vantajoso e aparece a figura
do traficante "ético". Os que querem instrumentalizar
como elemento de influência a postura
"ética", no entanto são nada mais que
técnicas de instrumentalização que com
o tempo deixam ver a verdadeira face.
6. Virtudes
As virtudes são os bons hábitos. Desenvolvem-se
a custa de esforço de repetição de atos
da mesma forma que conseguimos o hábito
de falar uma língua nova. As virtudes
não se improvisam, exigem empenho e constância
no seu cultivo, são as bases de uma efetiva
transformação pessoal e uma ajuda a afogar
o mal que vemos a nossa volta. Elas
nos dão uma estatura tal que nos possibilita
a liderança de transformações necessárias
na nossa família na empresa e na nação.
Construiremos de fato ambientes melhores
com esse compromisso.
7. Papel do trabalho
na realização da pessoa
Trabalhar bem, corresponde a um fazer
bem aliado a um agir bem. Competência
e honradez. Temos de nos empenhar por
um caminho de melhoria contínua através
do aperfeiçoamento de qualidades pessoais.
Conseguir nas nossas empresas exercer
uma influência positiva para que vá nascendo
um cultura empresarial voltada aos valores
éticos. Pensar que estas transformações
começam em ponto pequeno. Não se medem
as grandes transformações pelo tamanho
do seu início mas pelo seu código genético.
Vale a pena pensar como dizia alguém que:
"não se destinguem pelo tamanho as
sementes que darão ervas anuais das que
vão produzir árvores centenárias".
Não despreze as pequenas iniciativas,
os pequenos propósitos de transformação.
É importante que cada um de nós pense
que "isso é comigo".
8. Conclusão
Para estabelecer um processo de melhoria
das instituições exige-se uma tomada de
posição. Uma mudança de idéia,
uma "metanóia" como se diz em grego
literalmente uma mudança de idéia uma
conversão uma mudança de paradigma. O
modelo é o modelo de uma ética positiva
que leva a aquisição das virtudes e influenciar
para que outras pessoas enxerguem o seu
valor e a sua necessidade.
Como estabelecer esse processo de mudança.
· tomar uma posição clara e resoluta.
· interessar-se pelo assunto.
· informar-se, isto é ler, estudar, ir
atrás.
· envolver-se, participar e fazer participar
desta motivação.
Cada um de nós pode desenvolver a capacidade
de agir dentro do seu próprio círculo
de influência de uma forma pró-ativa.
Vale a pena!
Leia
outros textos sobre Ética
e Educação no site do
Professor
|
POLÍTICA AMBIENTAL - II/II
Jornalista Vilmar Berna
Ambientalista de renome internacional e único
brasileiro homenageado pela ONU
com o Prêmio Global 500 Para o Meio Ambiente, no ano de
1999.
Fundador do Jornal do Meio Ambiente.
http://www.jornaldomeioambiente.com.br
6. Pobre meio ambiente
Enquanto Roraima ardia no maior desastre
ecológico do Planeta, segundo especialistas
da ONU, Gustavo Krause, do PFL de Pernambuco,
era reconduzido ao cargo de Ministro do Meio
Ambiente, para apaziguar briga interna do PFL,
dono do cargo, entre os grupos do Senador Antônio
Carlos Magalhães e Marco Maciel.
Nem a denúncia de omissão no incêndio florestal
em Roraima, ou de ceder na Lei de Crimes Ambientais,
impediu sua recondução. Também parece não ter
sido obstáculo a constatação de que a Amazônia
está sendo destroçada por exércitos de pequenos
‘cupins’ e grandes madeireiras,
inclusive asiáticas, ou que as verbas do meio
ambiente foram descaradamente desviadas para
construção de açudes e barragens eleitoreiras,
que dão muito mais voto, que investir para impedir
o sucateamento do IBAMA, ou o abandono das Unidades
de Conservação ou o combate ao vergonhoso tráfico
de animais silvestres no Brasil, etc, etc, etc.
Pobre meio ambiente, elevado à condição de moeda
de troca, sem muito valor eleitoral, no jogo
político que garante a governabilidade, pois,
segundo a perversa lógica desse loteamento do
poder entre os ‘vencedores’, além
dos cargos em meio ambiente não darem voto,
ainda tiram, devido às cobranças dos ambientalistas
nacionais e internacionais. Os detentores destes
cargos também acabam vítimas dessa própria lógica,
pois os recursos só vão chegar ao meio ambiente,
um setor sem muito prestígio, só depois de atender
aos órgãos mais fortes políticamente. Administração
holística, então, nem pensar. O meio ambiente
acaba restrito quase a um gueto dentro
da administração. Se eu estiver errado, por
favor, me corrijam logo. Eu adoraria.
7. Um lugar para a Ecologia,
ou a Ecologia em todo lugar?
Qual é a melhor maneira de administrar os problemas
ambientais num governo ou empresa? A tendência
tem sido criar departamentos, diretorias, chefias,
secretarias específicas para tratar do assunto.
Mas esta é a melhor solução? O problema de se
criar um órgão para cuidar do meio ambiente
é que outros órgãos se consideram descomprometidos
com as causas ambientais, e podem continuar
contribuindo para a poluição e degradação ambiental.
Galileu provou que a Terra não era o centro
do Universo – e sofreu por pensar diferente,
na época, assim como sofrem os ecologistas,
hoje, guardadas as devidas proporções, acusados
de românticos, ecochatos, xiitas, radicais.
A ecologia veio mostrar que nossa espécie não
é a mais importante da Criação, pois dependemos
tanto da natureza quanto a mais comum das bactérias.
Tão simples assim. Sem planeta, não há espécie
humana, justiça social, riqueza, democracia.
Romper com a tendência à compartimentalização
da questão ambiental em setores da administração
pública ou privada é só o primeiro passo. O
seguinte, é ‘ecologizar’ a administração,
incorporando a questão ambiental em todas as
esferas do poder. Os atuais setores especializados
em meio ambiente poderiam ter a função de coordenação
e capacitação dos outros setores, para se adaptar
à nova realidade. Mas até lá, ainda temos uma
grande caminhada.
8. Maus políticos
O grande problema do Brasil não é a política
econômica ou o Plano Real, mas a falta do Estado
do Direito. Esta frase foi dita pelo sociólogo
francês Alain Touraine, amigo de Fernando Henrique
Cardoso, durante entrevista ao programa Roda
Viva, na TV Cultura, em novembro do ano passado.
Este mesmo pensamento já havia sido dirigido
ao Presidente Fernando Henrique, também em novembro,
através de carta do Fórum Brasileiro de ONGs
e Movimentos Sociais, conforme noticiou o boletim
Parabólicas, da ONG Instituto Socioambiental.
No documento, o Fórum relata ao Presidente cerca
de dez casos concretos de abusos dos mais diferentes
tipos, como, por exemplo, a falta de atitude
ou mesmo manifestação do Governo em defesa da
legislação de proteção da Mata Atlântica, que
vem sofrendo sucessivos bombardeios no Congresso
e por parte de parlamentares que integram sua
base de sustentação. Também foi citado a situação
particularmente grave das ameaças de morte que
os ecologistas catarinenses Wilgold Schaeffer
e Miriam Prochnow, da ONG Apremavi, vêm sofrendo
por causa da luta contra os desmatadores.
Acontecimentos como estes, segundo o Fórum,
fazem parte de um contexto de intolerância por
parte do Governo e de setores dominantes da
sociedade, onde a tendência é desqualificar
críticas das ONGs. Lutar por um meio ambiente
saudável tem sido encarado não como um direito
social, mas como subversão. Essa situação, segundo
o Fórum das ONGs, "possibilita a setores econômicos
e políticos atrasados, mas ainda poderosos,
o sentimento de que o desenvolvimento do Brasil
equivale aos seus interesses particulares, que
podem impunemente continuar o saque dos nossos
recursos e a exploração da massa pobre da população
e que qualquer manifestação de cidadania deve
ser considerada como ação inimiga".
Um caso para reflexão e ação. Principalmente
em ano eleitoral, afinal, os maus políticos
não chegam ao Poder sozinhos, mas são eleitos
por todos nós, brasileiros.
9. Agenda ambiental em
vésperas de eleições
Políticos tradicionais e novas lideranças
começa a lançar seus nomes para a mais de 5
mil prefeituras brasileiras. É uma boa hora
para colocarem as questões ambientais na agenda
política, pois sem um meio ambiente preservado,
dificilmente as cidades alcançarão os padrões
de qualidade de vida que os candidatos prometem
e os moradores merecem ter. Logo, uma cidade
ambientalmente melhor não deve ser do interesse
deste ou daquele partido ou político, mas de
todos.
Assim, fica aqui a proposta de que todos os
políticos e candidatos, se unam em torno de
uma Agenda Ambiental Para a Cidade, comum a
todos os partidos, que poderiam divergir na
estratégia e no enfoque na solução dos graves
problemas ambientais que todo município possui,
mas que seria um compromisso de todos. O diagnóstico
todos já conhecem. Cabe pensarmos nas soluções.
Bem, aqui vai a minha contribuição.
Ecologizar a Administração
Municipal
Preservar o meio ambiente das cidades não
pode - nem deve - ser tarefa de uma secretaria,
mas de todas. As atuais Secretaria ou Diretorias
de Meio Ambiente poderiam ser transformadas
em Coordenadoria de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável, ligada direto ao Gabinete do Prefeito
e que funcionaria com a principal função de
ecologizar todos os órgãos, departamentos e
secretarias do Governo para que todos, igualmente,
fossem responsáveis pelo meio ambiente. Por
exemplo, a educação ambiental seria tarefa da
Secretaria de Educação, a fiscalização ambiental
seria tarefa dos Fiscais de Posturas, a coleta
seletiva e a reciclagem seria responsabilidade
da Companhia Municipal de Limpeza, e assim por
diante. Caberia à nova Coordenadoria de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável a função
supletiva de capacitar cada departamento com
cursos e reciclagem profissional, além de prestar
consultoria a cada órgão no sentido de buscar
a correta adequação à questão ambiental. Também
seria função da Coordenadoria estimular e fazer
funcionar o Conselho e o Fundo Municipal do
Meio Ambiente.
Falta de Saneamento é o Maior Problema Ambiental
O maior problema ambiental das Cidades,
na minha opinião, é a carência de um sistema
de saneamento adequado, o que leva não apenas
à morte e contaminação de ecossistemas inteiros,
mas aumentam os casos de doenças por veiculação
hídrica e a mortalidade infantil. O melhor indicador
ambiental de uma cidade deve ser seu índice
de mortalidade infantil e do idoso. As empresas
que cuidam do sistema de água e esgoto têm um
enorme desafio ambiental, pois precisam levar
água tratada e rede de esgoto com tratamento
adequado a toda a cidade e no menor tempo possível.
Por isso, não dá para se pensar apenas no clássico
sistema de coleta, transporte e tratamento,
que exige grandes investimentos e concentra
a poluição em emissários. É preciso pensar também
em pequenos sistemas de fossa e filtro que as
novas tecnologias têm tornado com eficiência
de remoção de mais de 90% da poluição. O governo
poderia incentivar estes pequenos sistemas com
abatimento na conta de água e esgoto proporcional
à poluição que o sistema conseguisse remover.
Deveria ainda ser estimulado a formação de Consórcios
por usuários de água por micro-bacias, à luz
da nova Lei Federal sobre recursos hídricos,
para garantir investimentos na recuperação dos
mananciais da cidade, leia-se, investir em reflorestamento
e preservação das matas existentes, pois são
elas as responsáveis pelos poços e nascentes
que abastecem as áreas que não recebem água
encanada.
Salve os Ecossistemas!
O segundo maior problema ambiental das cidades,
sem dúvida, é a destruição de seus ecossistemas,
provocada principalmente pelo crescimento desordenado
ou até pela falta de limites para o crescimento.
Além das queimadas, provocadas por balões ou
pela queima do lixo não recolhido, a grande
responsável pela destruição dos ecossistemas
é mesmo a necessidade de moradia da população,
de todas as classes sociais. Não há solução
simples ou fácil neste caso, já que não dá para
se decretar o fim da natalidade ou proibir o
acesso das pessoas à cidade. Assim, cada novo
condomínio ou emprendimento precisa ser analisado
com os rigores da lei, estabelecendo-se restrições
que permitam o máximo de aproveitamento e preservação
dos ecossistemas e das árvores, negociando medidas
compensatórias, mitigadoras e reparadoras que
levem no mínimo a repor em ecossistemas o dobro
do que estiver sendo autorizado retirar, tudo
num ambiente de transparência e da legalidade,
com audiências públicas no âmbito do Conselho
Municipal de Meio Ambiente.
Nessas medidas compensatórias podem estar desde
a recomposição do verde urbano quanto a obrigatoriedade
dos interessados em investirem na efetiva implantação
das Unidades de Conservação da Cidade. Mas também
são importantes outras medidas como o incentivo
à criação de RPPNs (Reservas Particulares do
Patrimônio Natural) no município, para que os
atuais proprietários de áreas florestadas possam
ser beneficiados com abatimento de IPTU além
de outras vantagens, como linhas de créditos
subsidiadas do Fundo Municipal de Meio Ambiente
para investimentos em ecoturismo e preservação
ambiental em suas propriedades.
Amigos Ambientais
E, finalmente, uma Agenda Ambiental precisa
incluir um amplo programa de Educação Ambiental
que inclua não só a conscientização da população,
mas principalmente, que estimule a cidadania
participativa através dos fóruns próprios, com
o Conselho Municipal de Meio Ambiente e a implantação
da Agenda 21. As ONGs (Organizações Não Governamentais)
Ambientalistas podem exercer papel fundamental,
segundo a natureza institucional de cada uma.
As ONGs ditas técnicas ou profissionais, podem
ser parceiras do Governo e empresas obrigadas
a cumprir medidas compensatórias, na elaboração
de projetos ambientais. As ONGs ditas de combate
podem ser aliadas na fiscalização das metas,
prazos e efetividade dos projetos e exigências
assumidas por empresas e em projetos do próprio
Governo, como a implantação dos serviços de
água e esgoto na cidade. Estimular o voluntariado
na cidade é apenas criar canais para que o sentimento
de amor e o orgulho pela Cidade, seja estimulado
nos moradores e transforme em energia de criatividade
e ações práticas pela melhoria da cidade.
10. Não há lixo. O que
existe é desperdício de recursos.
O maior problema ambiental das Cidades,
na minha opinião, é a carência de um sistema
de saneamento adequado, o que leva não apenas
à morte e contaminação de ecossistemas inteiros,
mas aumentam os casos de doenças e a mortalidade,
especialmente de crianças e idosos, pois o lixo
é a casa ideal de vetores transmissores de doenças
como ratos, baratas, mosquitos, etc.
No caso dos resíduos sólidos, um dos itens do
saneamento, tem ainda o problema da queima do
lixo não coletado, que sempre acaba atingindo
as matas nativas. Dessa forma, lixo, desmatamento
e mortalidade infantil andam de mãos dadas na
deterioração do meio ambiente urbano.
Mas, para começo de conversa, e como forma de
sugerir uma solução para o problema, no fundo
no fundo, lixo não existe. O que chamamos de
lixo é só matéria prima e recursos naturais
misturados e fora do lugar. Se olharmos uma
vasilha de lixo bem de perto veremos que ali
estão papel, plástico, metal, vidro, pano, madeira,
material orgânico, restos de obras, etc. Tudo
isso, ao ser misturado, torna-se imprestável
para reaproveitamento.
E tem o agravante de que, agora, jogar lixo
no meio ambiente é crime ambiental. Os prefeitos
estão correndo sério risco de serem enquadrados
pelos Promotores, ONGs, órgãos de controle ambiental
ou mesmo qualquer cidadão no artigo 41 do decreto
federal 3.179, de 21 de setembro de 1999, que
regulamenta a Lei de Crimes Ambientais e que
considera crime, punível com multa de R$ 1.000,00
a R$ 50 milhões de reais, "causar poluição de
qualquer natureza em níveis tais que resultem
ou possam resultar em danos à saúde humana,
ou que provoquem a mortandade de animais ou
a destruição significativa da flora". E, no
inciso V, o artigo é bem explícito: "Incorre
nas mesmas multas quem lançar resíduos sólidos,
líquidos ou gasosos ou detritos, óleos ou substâncias
oleosas em desacordo com as exigências estabelecidas
em leis ou regulamentos".
E o problema é grave. Gravíssimo. No Estado
do Rio de Janeiro, por exemplo, estima-se que
mais de 60% das prefeituras lançem os resíduos
da cidade em lixões a céu aberto. E, mesmo as
Prefeituras restantes, os sistemas de coleta,
transporte e destinação final do lixo deixam
a desejar em todas estas etapas.
Diante do crescimento das cidades e da consciência
ambiental crescente na sociedade, não há mais
'lá fora', pois tudo está dentro do planeta.
Logo, não resolve mais levar o lixo lá para
fora, num canto escondido qualquer. É urgente
que este assunto seja adequadamente tratado,
com gestão compartilhada e tecnologias adequadas.
As prefeituras podem criar mecanismos de incentivo
para a Coleta Seletiva na Cidade, através, por
exemplo, de abatimento na taxa de lixo, que
seria separada do IPTU. Quem quisesse entregar
seu lixo todo misturado pagaria 100% da taxa,
mas quem entregasse separado, pagaria só 50%,
ou até menos. Todos sabem que o caminho mais
curto para a consciência ambiental é o bolso.
Claro que deveria ser implantado junto um programa
de comunicação e educação ambiental, mas o abatimento
no IPTU faria uma enorme diferença.
Ainda, de quebra, os Prefeitos poderiam transformar
um problema complicado numa fonte extra de geração
de renda e emprego através do incentivo à formação
de cooperativas de catadores e beneficiadores
de materiais. Até os entulhos de obras que aterram
margens de rios e entopem lixões podem ser moídos
e se tornar em agregados para habitações populares.
Os restos de comida, cascas de frutas e legumes,
dão excelente adubo para hortas cultivadas sem
agrotóxico a serem feitas em regime de cooperativa
nos terrenos vazios e abandonados da cidade,
cujos produtos podem contar com a garantia de
compra pelas escolas da Rede Municipal para
a merenda escolar.
As empresas e as ONGs poderiam incentivar a
criação de um Centro de Referência e Treinamento
em Reciclagem, em parceria com o CEMPRE, o SEBRAE,
e outras instituições, para promover a adequação
da legislação municipal, treinar e capacitar
trabalhadores para o sistema cooperativado,
promover a demonstração de tecnologias que facilitassem
o trabalho, protegessem o meio ambiente e recuperassem
as áreas degradadas dos lixões, realizassem
encontros e seminários com prefeitos e técnicos
responsáveis pelos serviços de lixo, etc.
Mas tudo isso só pode se tornar realidade se
for coletado separado na origem. Na minha opinião,
é uma ilusão pretender coletar tudo misturado
e levar para uma milagrosa usina de reciclagem
para ver o que pode ser aproveitado. Até hoje
não vi uma única usina de reciclagem funcionando
direito, pois o problema está na origem. Não
dá para coletar tudo misturado, sujo, quebrado,
e depois levar para uma esteira e contar com
o milagre de que estes materiais conseguirão
ser recuperados. A coleta seletiva poderia ser
diferenciada entre grandes produtores de lixo,
como empresas, produtores de lixos especiais,
como hospitais e resíduos perigosos, que teriam
programas diferenciados e específicos de incentivo
e coleta.
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