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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS E CANTEIROS DE OBRAS

Ano 02 •  nº 10 • 01/08/2002

  NESTA EDIÇÃO
Obra Digital: O A-B-C do Recém Formado
Ética e Qualidade
Meio Ambiente: Política Ambiental
O bom humor tem algo de generoso: dá mais do que recebe. - Alain.
  OBRA DIGITAL

softwares_engenharia O A-B-C DO RECÉM FORMADO


• ASPONE
Sigla que dão por aí ao ASsessor de POrra NEnhuma, também conhecido como Peninha. São profissionais de reconhecida visão que conseguem enxergar e ocupar altos cargos, geralmente de fundamental ajuda no trabalho de seus chefes se porventura estes chefes tiverem trabalho algum dia. A procura por estes cargos-fantasmas em jornais, agências de emprego ou através de concursos, é mera perda de tempo pois não são disponibilizados assim tão facilmente.
Dizem ainda as más línguas que os Aspones quando morrem não vão nem para o céu e nem para o inferno. Permanecem no Purgatório onde são mantidos em cargos administrativos compatíveis com sua experiência.


• CONFERINDO OS MATERIAIS

Já é tradição nas obras jamais conferir as quantidades de madeira, brita e areia que chegam na obra. Como pela voz do povo, ou de Deus, a ocasião faz o ladrão, os fornecedores é que são os menos culpados por entregá-las geralmente a menor.

• ÉTICA

Palavras chaves: honestidade, coragem, humildade e grandeza.
Alerta: nos tempos atuais está havendo enorme intolerância quanto a falta de Ética em todo negócio.
Vantagem definitiva: gerentes e empresários estão mais propensos a pagar melhores salários aos empregados éticos.

• LAVAGEM CEREBRAL

Há quem, para aprender alguma coisa de útil, precisa desaprender outras tantas inúteis. Os dados abaixo, contendo alguns poucos itens como exemplo, deverão ser rapidamente esquecidos e não fazer parte de seus arquivos, anotações, literatura ou agenda profissionais pela total impossibilidade de utilização durante toda sua carreira.
. 1 metro cúbico = 35,32 pés cúbicos
. Temperatura de ebulição do Enxofre = 440 ºC
. Temperatura de fusão do Antimônio = 432 ºC
. 1 quilate métrico = 0,2 g
. Peso específico da Nafta = 0,75 kg/cm³
. 1 Arratel = 459,05 mg
. etc.

• LIDERANÇA

Ser líder é principalmente ser bom. Em segundo plano ser justo ou sábio. Hitler e Salomão, se é que não maculamos o nome deste com a má companhia, não seriam necessariamente grandes tocadores de obra. Os carrascos, que se julgam um sucesso, por não enxergar a realidade da obra e pela falta de empatia, angariam nojo e revolta, os opostos da produtividade; e a Justiça anda é desmoralizada pela Conjuntura atual.

• MACONHA

  Não bebo, não fumo e não cheiro. Apenas minto um pouco. – Tim Maia.
A maconha, em qualquer circunstância, é proibida em obra ou nos alojamentos, sendo motivo, infelizmente, para demissão, ainda que sem justa causa, do usuário contumaz.

• MÃO DE OBRA LOCAL

Caso você esteja adotando troca de turno, ou trabalho em horários extraordinários, dê preferência à mão de obra local, para reduzir complicações de logística. Caso sua obra não adote troca de turno ou horas extraordinárias, dê preferência ainda à mão de obra local, para redução de custos com deslocamentos, alojamentos, e outros.

• MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA

Fala-se demais sobre a inviabilidade em se contratar mão de obra temporária sob alegação que o funcionário que não pertence ao quadro efetivo da Empresa é mais propenso a desordens, ou menos afeito ao trabalho. Realmente isto assim acontece, porém só em obras desorganizadas, onde quanto mais gente, terceirizada ou não, menor é a produção.

• MEIA-COLHER

Trata-se do Ajudante de Pedreiro, com pouca experiência, como é, ou foi, o caso de nós todos, que aspira tornar-se Oficial Pedreiro. Com pouco tempo de obra alguns já estarão produzindo tanto quanto os oficiais, embora com menor salário, e não poderão ficar de fora de seu plano de promoção e equivalência salarial. Para poder participar do plano, entretanto, deverão ser-lhes estabelecidas condições quanto ao desperdício de materiais e mão de obra. Não basta executar bem, é necessário errar pouco. (V. tb. CACHIMBO).

• MEMO (de memorando) / CI (de Comunicação Interna)

Forma antiga de se trocar rapidamente mensagens entre os diversos setores da Empresa. Os blocos de papel, geralmente com a metade da folha ofício, foram substituídos pelo e-mail (em Portugal e-correio). Em qualquer dos casos, e por maior que seja a pressa, não se justifica relegar a ortografia ao terceiro plano.

• NO ESCRITÓRIO

Por incrível que pareça, um profissional trabalhando sozinho e em silêncio, sintonizado no que está fazendo, produz bem mais do que dois profissionais juntos, no mesmo assunto, inclusive nas atividades de dita-digita. O custo dos serviços destes últimos ficará, pois, umas 3 vezes maior, sem se considerar ainda as horas paradas dos demais colegas vizinhos, que ficam ouvindo a novela.

• PAPEL

Pode parecer frescura, mas não é. As folhas de papel devem ser pegas com mão limpas, secas e sem afetações, para não amassá-las. Principalmente tratando-se de documento de Proposta. Não custa repetir que quando arquivadas rentes, e inteligentemente ordenadas, serão localizadas bem mais rapidamente.

• PERT

Preferivelmente antes de iniciada a obra, e sem se restringir a esta oportunidade, deverá, obrigatoriamente, ser feito o PERT. Não para apresentá-lo e menos para se dizer que a obra foi planejada, mas descobrir, na elaboração, as peculiaridades, dificuldades e atividades críticas da obra. Depois é só ficar de olho, confrontando-o o com o que se passa na obra. Diferentemente do que se imagina o PERT não se justifica apenas em grandes empreendimentos, mas também em construções modestas.

• PRODUÇÃO X PLANEJAMENTO X ORÇAMENTO

São três visões diferentes da obra. Nenhuma delas, entretanto, irá funcionar bem sem as outras duas.

• PROJETO – LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Chegou a hora de demonstrar seus conhecimentos de geometria analítica e cartesiana. Você não poderá falhar. Estude em casa, analise os cortes, plantas e mínimos detalhes do projeto e evite que percebam sua insegurança. Aqui você demonstrará também que sabe o que quer e, afinal, o que está fazendo (V. tb. DONOS DA VERDADE).

ENTREVISTA À REVISTA GERENCIAMENTO & OBRA
Softwares de engenharia


Íntegra da entrevista de nosso titular à Revista Gerenciamento & Obra, para quem não está cansado de falar sobre computador. Muitos dos nossos textos, e do parceiro Paulo Sertek, estarão saindo lá também. Para não falarem que não escrevemos em revistas sérias. A G&O é uma proba Publicação. E ponha proba nisto:

O HOMEM DO SOFTWARE PIMPÃO

Nesta entrevista o engenheiro Amado Gabriel da Silva fala
um pouco dos softwares do mercado de construção civil

De um tempo em que fartavam serviços na Construção Civil e escasseavam profissionais, o currículo do Engº Amado confunde-se com o das grandes obras e empresas nacionais. As palavras mais e maior> são utilizadas repetidamente.
Iniciou sua carreira participando da Rodovia dos Bandeirantes (a maior obra de então). Trabalhou como Engenheiro de Campo em Itaipu (maior obra do mundo). Seus colegas foram os recordistas mundiais em lançamento de concreto (330.000 m³/mês) e construiu a ponte mais sólida do mundo (para tráfego de caminhões fora-de-estrada).
Em seguida trabalhou nas obras da Açominas (a maior em andamento exclusivamente nacional) e prestou seus serviços à Camargo Corrêa (maior Construtora nacional).
Foi Gerente de Orçamentos da Método Engenharia (maior em seu Setor) e participou, como Residente, da montagem dos Bancos de Capacitores de Ivaiporã (maiores equipamentos elétricos do mundo e primeiros de porte montados no país).
Há menos tempo, como Planejador, participou da construção de Usina de Beneficiamento da Souza Cruz, no Sul do País (o maior investimento em obras na América Latina de então).
É o idealizador e autor do EngWhere, que não surpreenderia sendo o melhor, ou o maior, dos softwares de orçamento de obras, como garante.

Revista G&O - Qual a sua visão sobre os softwares que o mercado de construção civil oferece para quem quer fazer obra?
R. Os softwares de Construção Civil caracterizam-se por altíssimos preços e extrema dificuldade de operação.
Tornaram-se artigos exclusivos das empresas, que podem adquiri-los e que criaram a figura do Operador de Software para que estes funcionem.
A grande maioria foi desenvolvida por quem não é do ramo. O MSProjet, da própria Microsoft, e das poucas exceções com preço acessível e fácil operação, deixa transparecer isto ao gerar instantaneamente uma espécie de NeoPert, com base nos dados do Cronograma de Gantt, que nada tem a ver com o PERT original, e que não acrescenta absolutamente nada aos planejamentos das obras.
O ponta-pé inicial do preço alto foi dado pelo AutoCad e seguido à risca principalmente pelos softwares de orçamento. Estes, entretanto, não se modernizaram como o Cad e raramente passam por melhorias ou incrementos, além dos de Marketing. Muitos deles, como na Época do DOS, não chegam sequer a acentuar palavras.
A Construção Civil encontra-se ainda na onda da necessidade de se informatizar para sobreviver, porém nem tudo ainda justificou a mudança dos antigos processos pré-informáticos.

Revista G&O - O mercado está cansado do que existe?
R. O Mercado está hipnotizado e acomodado. Saber operar um software hoje é uma glória e motivo até para ilustrar currículos.
A dificuldade de operação dos softwares de orçamento nacionais, entretanto, criou uma crise de ojeriza e desconfiança que se generaliza e chega a envolver até quem não tem nada com isto, como já sentimos na pele. Além do Excel, o Engenheiro não está operando softwares no dia-a-dia, como fazem, por exemplo, os médicos e suas atendentes, que dispõem de produtos simplificados e em conta.
A tendência, entretanto, é voltar-se aos softwares das micro empresas, cuja qualidade, modernizações constantes e as possibilidades que oferece de suporte, são valores agregados reais que enriquecem o produto. Temos um Parceiro, autor de um software para cálculos estruturais, que até ensina seus usuários a calcular obras. É também muito mais confiável a qualidade do software desenvolvido por quem o utiliza e domina a matéria e suas complicações. A linguagem do Orçamento, que deve ser um suplício para os analistas, é muito mais complexa que a de Programação.

Revista G&O - As softhouses alegam que os serviços de suporte é caro, pois a empresa tem encargos sociais altos dos seus profissionais e o desenvolvimento de novos produtos está estruturado nesse sentido. O que o sr diz a respeito?
R. À Empresa enxuta o suporte é até vantajoso. Não há mais eficiente, e barata, maneira de melhorar o produto do que participando das dúvidas do cliente, modificando os comandos que não simpatiza, facilitando onde surgem mais dificuldades e aceitando sugestões.
O suporte prestado pela maioria de nossos softwares é através de revendas ou de setores da empresa que não mantêm contato com os desenvolvedores que, no geral, consideram suas criações irreparáveis.

Revista G&O - O que se espera em verdade de um bom software? É apenas preço? As empresas de construção querem desenvolvimento tecnológico a que preço?
R. O que se espera do Office hoje é que seus programas parem de travar o computador. O que se espera dos softwares de Construção Civil é intuitividade, preços, recursos e graus de dificuldade, pelo menos parecidos com os programas da Microsoft.
Não se justifica a necessidade de cursos para poder operar um programa que se diz facilitador das tarefas do Engenheiro.
Atualmente temos a meta de oferecer um produto cuja operação dispensa inclusive a leitura do Help, uma das irritações maiores do usuário, e estamos já conseguindo. As coisas simples, diferentemente do que parece, são muito mais difíceis de se fazer.
Os softwares de orçamento necessitarão, para poder sobreviver, possibilitar o intercâmbio de dados por e-mail e com outros programas como o Excel, gerarem arquivos de pequeno tamanho, ter flexibilidade para todos os lançamentos, não fugirem do roteiro lógico do orçamento nem criar para ele códigos estranhos, sofrerem modernizações constantes e ter interface mais camarada.
Estamos a quilômetros disto: a maioria destes softwares, como no DOS, não chegam sequer a acentuar palavras, e pecam por uma falta de inteligência que dá medo operá-los. Estão vendendo à custa de Marketing, um bom negócio para os donos de revistas.

Revista G&O - Algumas empresas procuram desenvolver seu próprio sistema... o sr concorda que a empresa foge da sua atividade fim? Não é caro manter uma equipe que desenvolve essas ferramentas como alegam as softhouses?
R. O desenvolvimento de um software de qualidade demanda uma enormidade de tempo e um trabalho sem fim de melhorias, revisões, ampliações, modernizações, etc. O preço disto tornaria o produto inviável se feito na própria empresa. Além do mais, quem desenvolve softwares com algumas similaridades à vários usuários, e sabendo aproveitar-se do suporte prestado, poderá utilizar as dúvidas e sugestões de diversificados clientes para constantemente melhorar seu produto.

Revista G&O - Um problema que existe é base de dados... codificar insumos e composições... como padronizar os insumos para que todos falem a mesma língua?
R. Quem inventou estes códigos estranhos ao orçamento e com uma infinidade de números de identificação, foram os analistas que fazem software por encomenda, e que precisam urgentemente desinventá-los. O próprio nome e unidade do insumo são mais que suficientes para identificá-los, e mais descomplicado tanto para o usuário como para a própria máquina que não precisa armazená-los. Em média a quinta parte do espaço nos bancos de dados é ocupada por eles.
A quantidade de números que envolve um orçamento é tão grande que até fez com que rotulássemos as próprias versões de nosso software com os apelidos ou nomes das cidades em que elas foram desenvolvidas, e não com outros números.
As composições de preços jamais necessitariam de codificação pois não são genéricas, mas próprias de cada empresa, região, administração da obra e outros fatores. Há um equívoco muito grande no Setor de que os índices, mormente os criados em laboratórios, prestar-se-iam para orçar obras. O Engenheiro precisa urgentemente se conscientizar que é responsável pela apropriação em obra de seus próprios índices, não colhendo-os de literatura qualquer, para cegamente utilizá-los.

  Coluna do Pimpão
engenharia civil

• DESTA NINGUÉM ESCAPA: LEITURA E REDAÇÃO
Em estudo estatístico realizado em nossa Redação sobre um universo de cerca de 7.000 diplomados nos cursos superiores do Setor, e que com exclusividade revelamos, apenas 0,02% são analfabetos. Somente 28%, entretanto, sabem ler (cartas, contratos e propostas de preços) e bem menos escrevem (cartas, contratos e propostas de preços). Apenas 11,5% redigem editais, propostas técnicas e outros documentos considerados mais difíceis. Portanto, vá dando um jeito de se livrar destas estatísticas enquanto é tempo.

• CALHORDAS
Suporte os chatos, os incompetentes e os mal-educados. Parte de seu alto salário é paga para isto. Corra com todas as pernas dos calhordas independentemente do cargo que ocupem que você só perderá com eles. Previna-se dos calhordas simpáticos, dos calhordas bonzinhos e dos calhordas gozados. E ainda, in Ode aos Calhordas de Rubem Braga: "as mulheres dos calhordas chamam-se calhôrdas ...e às sextas-feiras comem peixadas."

  Novidades no Site

NEGÓCIO DE PARENTE
(OU MELHOR, DE AMIGO)

É possível adquirir o EngWhere de outro Usuário por preço mais baixo que o praticado por nós. Leia a Cláusula j. da Permissão de Representação abaixo e as demais clásulas no Site:
 j. É permitido ao Usuário do EngWhere, para atrair interessados, oferecer desconto do próprio produto, deduzindo o valor do desconto de parte ou de toda sua Taxa de Indicação.

 
Não deixe de assistir:
A Triste História dos Softwares de Orçamento de Obras Nacionais ou
A saga do Pimpão2000 saindo do fundo do quintal para os computadores dos engenheiros mais inteligentes do País

Apresentação em Powerpoint 95-97
Em 18 quadros e final promissor.
Para download (231KB)

  Coluna do Borduna

construcao civil

• URUBUS NA OBRA
Saque rápido sua calculadora e faça a conta em voz alta. Conte nos céus os urubus que sobrevoam o bezerro morto: são 80, para 40 quilos de carne (os ossos estão fora). Cada urubu se abastece com 250 gramas de carne por hora, logo, em 2 horas o bezerro acaba. Os peões irão confundí-lo com Malba Tahan (pseudônimo do matemático e escritor carioca Júlio César de Melo, 1895-1974, formado pela Escola Nacional de Engenharia).

• PICADINHO
Não deixe o cantineiro servir picadinho nas refeições, que você irá se passar por afrescalhado ou pão-duro. Os peões gostam mesmo é do picadão, se possível de carne de pescoço. O inconveniente é que você terá que comer o mesmo que eles.

• MESTRE DE OBRA
Figura chave em seu ofício. Antes de entrar em disputa de conhecimento com o Mestre, procure aprender com ele. Será seu maior professor e sabe das coisas. Não teve escola, porém o que ele sabe, seu curso também não ministrou. Tenha como meta saber mais do que ele, para só então considerar-se um Tocador de Obra. Lembre-se que a voz do povo, que não falha, diz que a experiência vale mais que a ciência. Fique também sabendo que o Mestre é líder nato, arrojado, de iniciativa e vencedor consumado já que em seu peculiaríssimo vestibular, frente a uma multidão de concorrentes, lhe foi imposta a cláusula sine qua non de ser o primeiro da turma. Desconverse sobre perguntas como Quem sabe mais o Engenheiro ou o Mestre? Ou então, tenha uma boa resposta e que agrade a todos, como: cada macaco no seu galho.
  NOSSOS PARCEIROS
  Ética e Educação

ÉTICA E QUALIDADE


Engº Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico, Licenciado em Mecânica e Especialista em Gestão de Tecnologia e Desenvolvimento
Professor de Cursos de Pós-Graduação em Ética nas Organizações e Liderança
Pesquisador em Gestão de Mudanças e Comportamento Ético nas Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento organizacional
Portal educativo

1. Introdução

A Ética é o conjunto de conhecimentos que aplicados ao agir humano de forma consciente e deliberada, promove o processo de auto-educação visando a máxima realização do homem. Talvez todos lembrem da frase marcante de Pindaro, poeta grego: "Torna-te o que és". A ética visa essa elevação da estatura para a qual o homem foi chamado a atingir. Dito de outra forma: "torna real, com as tuas escolhas livres aquilo que está ainda em germe dentro de ti" . O processo que se inicia é o mesmo que o cultivo de um território. O território é a natureza humana. É um terreno a ser conquistado; através da vivência, de maneira a perfilar convicções na inteligência e arraigar hábitos fortes na vontade.
A realização plena da pessoa é a que se refere ao homem enquanto homem. Não uma realização circunstancial ou parcial da vida, como por exemplo poderia ser a realização profissional, financeira, afetiva, etc. Independentemente de que alguém seja lixeiro ou ministro; que seja advogado ou engenheiro, novo ou velho: isto é quando falamos de uma realização mais profunda comum a todos os homens independentemente das suas circunstâncias específicas; estamos colocando a questão da realização através dos princípios do "dar certo como homem". Falamos afinal de uma realização pessoal proveniente da adesão e do cultivo dos princípios e valores éticos.


2. Princípios éticos

Os princípios éticos ou estão ancorados em leis naturais, correspondentes as leis do bom "funcionar" humano ou acabamos imersos num mar de relativismo.
Vale a pena lembrar da tradicional comparação de que as leis naturais que regulam o "bom funcionar do homem" são o território. O conhecimento deste território possibilita a formulação dos princípios éticos, que já estão inscritos na realidade. É lógico que o meu conhecimento do território, para ser verdadeiro conhecimento, deve gerar mapas em conformidade com a realidade, caso não, serão fonte de desvios. Mesmo que tenha me enganado involuntariamente no conhecimento do território experimentarei as canseiras de errar o caminho ou edificar em terreno alheio.
Também tem a sua validade a experiência de que pautar-se pelos princípios corretos, permite uma visão clara, é a via iluminada. Por outro lado ao seguir pelo caminho escuro experimenta-se uma diminuição da capacidade de locomoção, da capacidade efetiva de auto-realização.
Voltando a idéia dos mapas, por vezes há desvios por via de malícia da vontade em que vence uma certa conveniência por um certo vício na sua construção. Com o tempo ocorre aquilo que diz o adágio "quem não vive como pensa, acaba pensando como vive".
Há dois princípios fundamentais em que se apoia a ética: "faz o bem e evita o mal" e o outro "querer o bem do outro assim como se quer o próprio bem". As decisões concretas decorrentes destes princípios, aplicadas as diversas necessidades e circunstâncias da vida humana vão gerando as curvas nível os contornos claros do mapa. Isto corresponde ao processo de aquisição de critérios éticos. A aplicação ou prática habitual dos critérios éticos no dia a dia vão gerando as qualidades pessoais.
Uma boa bússola ajuda o direcionamento pessoal num terreno difícil e montanhoso ou cheio de perigos. A consciência bem formada faz o papel desta bússola.
Hoje mais do que nunca precisamos de gente de consciência bem formada. Líderes que se apoiam nos princípios certos e sejam uma ajuda para os outros.


3. Qualidade técnica e qualidade humana

As melhorias tecnológicas produzem bem estar material. Ajudam e muito a minimizar as durezas da vida humana, melhoram a qualidade de vida no que se referem ao conforto. Por outro lado continuamos carentes de um sentido mais profundo em tudo o que fazemos. Hoje mais do que nunca, com os avanços tecnológicos, dentro da nossa sociedade de consumo fácil, necessitamos enxergar que os anseios de realização ultrapassam os limites do bem estar material.


4. Trabalho meio de aperfeiçoamento pessoal

Tudo o que encontramos a nossa volta, com exceção dos elementos puramente naturais, são fruto da criatividade e transformação humana. Frutos do trabalho humano. Cabe ressaltar que qualquer trabalho requer umas habilidades e conhecimentos específicos. A medida que uma pessoa trabalha produz um resultado externo a si, que costuma-se designar pelo aspecto do "fazer"; trabalho enquanto aperfeiçoa algo externo ao agente. As ações humanas nascem do interior da pessoa; a toda ação externa corresponde atos internos do agente (admitindo que estamos falando de atos conscientes e voluntariamente desejados). A todo "fazer" corresponde a uma dimensão interna da ação; -"agir". Ao "fazer" corresponde um aperfeiçoamento de algo externo. Ao "agir" corresponderá um aperfeiçoamento interno do indivíduo. Aperfeiçoamento das suas potencialidades motoras, intelectuais e volitivas, mas sobretudo pode haver ou não um aprimoramento do homem enquanto homem. Tudo dependerá do sinal do seu "agir"; caso esteja informado ou não pelos princípios éticos.
Não se pode dissociar a dimensão externa da ação da dimensão interna "agir". Uma operação na bolsa pode estar tecnicamente perfeita no entanto não ser justa. Este documento está muito bem bolado tecnicamente, atinge os resultados mas corresponde a uma falsidade.
Temos de nos ater em todas as ações a qualidade tanto no "fazer " como no "agir". Chama a atenção algumas abordagens utilitaristas da qualidade em que o cliente é o rei enquanto ele estiver satisfazendo meus interesses. O polo da ação está vincado num excessivo utilitarismo.
As empresas existem para cumprirem uma função básica que é a de apresentarem resultados econômicos, pois não são obras sociais ou de voluntariado. Mas no momento em que se reduz a função da empresa somente ao resultado econômico ela deixa de cumprir a sua função social; estar a serviço do bem comum. É necessário competência técnica para atingir resultados mas nunca se pode esquecer que os resultados de ordem de promoção do homem e a sua realização plena são tarefas essenciais.


5. Ecologia do agir humano

Podemos constatar a influência notória do "agir"; dimensão interna da ação no "fazer" dimensão externa da ação. Vale a pena lembrar este famoso pintor e pensador De Lacroix que afirmava que "uma pintura fraca é de um fraco". O externo por mais maquiagem que se use com o tempo se descobre o que vai por debaixo. Atribui-se a Lincoln aquele pensamento "é possível enganar alguém durante todo o tempo, também é possível enganar todos durante algum tempo, mas é impossível enganar todos todo o tempo." Conhece-se a pessoa pelas suas obras, conhece-se a qualidade de um produto no seu uso. Por isso é importante enxergar os resultados a médio e longo prazo, agir anti-éticamente sempre é um oportunismo.
As ações que realizamos podem contribuir para a realização própria ou deteriora-la. Terreno cultivado produz fruto. Terreno onde não há trabalho de jardineiro não se pode colher flores. Os nossos atos marcam o nosso interior de forma positiva se estão de acordo com os princípios éticos; negativamente se contrários.
Alem de afetar a qualidade pessoal, as ações repercutem no entorno. Melhoram ou caotizam os ambientes ou pessoas. Todo comportamento anti-ético tem repercussões "ecológicas". Implicam em um efeito "poluente", nocivo a comunidade.
Qualidade no "agir" é o mesmo que virtude. São as qualidades adquiridas; bons hábitos. É o caso da lealdade, justiça, fortaleza, veracidade, etc., As pessoas que se forjam na vivência das virtudes, podemos compará-las como as águias, ganham asas fortes. A primeira vista estas asas parecem prejudicar o vôo devido ao peso no entanto são as que fazem capazes de vôos rápidos e altos. A falta das virtudes leva a trabalhar num nível mais chão, pequeno sem visão de altura. Os caminhos anti-éticos seguem duas leis básicas e todas as outras são corolários: a lei do mínimo esforço, e a lei de levar vantagem em tudo. Estas leis são as lei do curto prazo, são as leis do oportunismo. A médio e longo prazo deterioram as pessoas, as tornam moralmente obesas e atrofiam a sua capacidade de comunicar bem aos outros. O mesmo se aplica às instituições pois são o somatório de atitudes individuais.
Os procedimentos anti-éticos, são socialmente anti-ecológicos. Beneficiam-se como parasitas de uma maioria que produz, de uma maioria que vai pelo caminho das pedras. Quando torna-se moeda comum o procedimento anti-ético deixa de ser vantajoso e aparece a figura do traficante "ético". Os que querem instrumentalizar como elemento de influência a postura "ética", no entanto são nada mais que técnicas de instrumentalização que com o tempo deixam ver a verdadeira face.


6. Virtudes

As virtudes são os bons hábitos. Desenvolvem-se a custa de esforço de repetição de atos da mesma forma que conseguimos o hábito de falar uma língua nova. As virtudes não se improvisam, exigem empenho e constância no seu cultivo, são as bases de uma efetiva transformação pessoal e uma ajuda a afogar o mal que vemos a nossa volta. Elas nos dão uma estatura tal que nos possibilita a liderança de transformações necessárias na nossa família na empresa e na nação. Construiremos de fato ambientes melhores com esse compromisso.


7. Papel do trabalho na realização da pessoa

Trabalhar bem, corresponde a um fazer bem aliado a um agir bem. Competência e honradez. Temos de nos empenhar por um caminho de melhoria contínua através do aperfeiçoamento de qualidades pessoais. Conseguir nas nossas empresas exercer uma influência positiva para que vá nascendo um cultura empresarial voltada aos valores éticos. Pensar que estas transformações começam em ponto pequeno. Não se medem as grandes transformações pelo tamanho do seu início mas pelo seu código genético. Vale a pena pensar como dizia alguém que: "não se destinguem pelo tamanho as sementes que darão ervas anuais das que vão produzir árvores centenárias". Não despreze as pequenas iniciativas, os pequenos propósitos de transformação. É importante que cada um de nós pense que "isso é comigo".


8. Conclusão

Para estabelecer um processo de melhoria das instituições exige-se uma tomada de posição. Uma mudança de idéia, uma "metanóia" como se diz em grego literalmente uma mudança de idéia uma conversão uma mudança de paradigma. O modelo é o modelo de uma ética positiva que leva a aquisição das virtudes e influenciar para que outras pessoas enxerguem o seu valor e a sua necessidade.
Como estabelecer esse processo de mudança.
· tomar uma posição clara e resoluta.
· interessar-se pelo assunto.
· informar-se, isto é ler, estudar, ir atrás.
· envolver-se, participar e fazer participar desta motivação
.

Cada um de nós pode desenvolver a capacidade de agir dentro do seu próprio círculo de influência de uma forma pró-ativa. Vale a pena!

Leia outros textos sobre Ética e Educação no site do Professor

  MEIO AMBIENTE

POLÍTICA AMBIENTAL - II/II

Jornalista Vilmar Berna
Ambientalista de renome internacional e único brasileiro homenageado pela ONU
com o Prêmio Global 500 Para o Meio Ambiente, no ano de 1999.
Fundador do Jornal do Meio Ambiente.
http://www.jornaldomeioambiente.com.br

6. Pobre meio ambiente

Enquanto Roraima ardia no maior desastre ecológico do Planeta, segundo especialistas da ONU, Gustavo Krause, do PFL de Pernambuco, era reconduzido ao cargo de Ministro do Meio Ambiente, para apaziguar briga interna do PFL, dono do cargo, entre os grupos do Senador Antônio Carlos Magalhães e Marco Maciel.

Nem a denúncia de omissão no incêndio florestal em Roraima, ou de ceder na Lei de Crimes Ambientais, impediu sua recondução. Também parece não ter sido obstáculo a constatação de que a Amazônia está sendo destroçada por exércitos de pequenos ‘cupins’ e grandes madeireiras, inclusive asiáticas, ou que as verbas do meio ambiente foram descaradamente desviadas para construção de açudes e barragens eleitoreiras, que dão muito mais voto, que investir para impedir o sucateamento do IBAMA, ou o abandono das Unidades de Conservação ou o combate ao vergonhoso tráfico de animais silvestres no Brasil, etc, etc, etc.

Pobre meio ambiente, elevado à condição de moeda de troca, sem muito valor eleitoral, no jogo político que garante a governabilidade, pois, segundo a perversa lógica desse loteamento do poder entre os ‘vencedores’, além dos cargos em meio ambiente não darem voto, ainda tiram, devido às cobranças dos ambientalistas nacionais e internacionais. Os detentores destes cargos também acabam vítimas dessa própria lógica, pois os recursos só vão chegar ao meio ambiente, um setor sem muito prestígio, só depois de atender aos órgãos mais fortes políticamente. Administração holística, então, nem pensar. O meio ambiente acaba restrito quase a um gueto dentro da administração. Se eu estiver errado, por favor, me corrijam logo. Eu adoraria.


7. Um lugar para a Ecologia, ou a Ecologia em todo lugar?

Qual é a melhor maneira de administrar os problemas ambientais num governo ou empresa? A tendência tem sido criar departamentos, diretorias, chefias, secretarias específicas para tratar do assunto. Mas esta é a melhor solução? O problema de se criar um órgão para cuidar do meio ambiente é que outros órgãos se consideram descomprometidos com as causas ambientais, e podem continuar contribuindo para a poluição e degradação ambiental.

Galileu provou que a Terra não era o centro do Universo – e sofreu por pensar diferente, na época, assim como sofrem os ecologistas, hoje, guardadas as devidas proporções, acusados de românticos, ecochatos, xiitas, radicais. A ecologia veio mostrar que nossa espécie não é a mais importante da Criação, pois dependemos tanto da natureza quanto a mais comum das bactérias. Tão simples assim. Sem planeta, não há espécie humana, justiça social, riqueza, democracia.

Romper com a tendência à compartimentalização da questão ambiental em setores da administração pública ou privada é só o primeiro passo. O seguinte, é ‘ecologizar’ a administração, incorporando a questão ambiental em todas as esferas do poder. Os atuais setores especializados em meio ambiente poderiam ter a função de coordenação e capacitação dos outros setores, para se adaptar à nova realidade. Mas até lá, ainda temos uma grande caminhada.


8. Maus políticos

O grande problema do Brasil não é a política econômica ou o Plano Real, mas a falta do Estado do Direito. Esta frase foi dita pelo sociólogo francês Alain Touraine, amigo de Fernando Henrique Cardoso, durante entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura, em novembro do ano passado. Este mesmo pensamento já havia sido dirigido ao Presidente Fernando Henrique, também em novembro, através de carta do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais, conforme noticiou o boletim Parabólicas, da ONG Instituto Socioambiental.
No documento, o Fórum relata ao Presidente cerca de dez casos concretos de abusos dos mais diferentes tipos, como, por exemplo, a falta de atitude ou mesmo manifestação do Governo em defesa da legislação de proteção da Mata Atlântica, que vem sofrendo sucessivos bombardeios no Congresso e por parte de parlamentares que integram sua base de sustentação. Também foi citado a situação particularmente grave das ameaças de morte que os ecologistas catarinenses Wilgold Schaeffer e Miriam Prochnow, da ONG Apremavi, vêm sofrendo por causa da luta contra os desmatadores.

Acontecimentos como estes, segundo o Fórum, fazem parte de um contexto de intolerância por parte do Governo e de setores dominantes da sociedade, onde a tendência é desqualificar críticas das ONGs. Lutar por um meio ambiente saudável tem sido encarado não como um direito social, mas como subversão. Essa situação, segundo o Fórum das ONGs, "possibilita a setores econômicos e políticos atrasados, mas ainda poderosos, o sentimento de que o desenvolvimento do Brasil equivale aos seus interesses particulares, que podem impunemente continuar o saque dos nossos recursos e a exploração da massa pobre da população e que qualquer manifestação de cidadania deve ser considerada como ação inimiga".

Um caso para reflexão e ação. Principalmente em ano eleitoral, afinal, os maus políticos não chegam ao Poder sozinhos, mas são eleitos por todos nós, brasileiros.


9. Agenda ambiental em vésperas de eleições

Políticos tradicionais e novas lideranças começa a lançar seus nomes para a mais de 5 mil prefeituras brasileiras. É uma boa hora para colocarem as questões ambientais na agenda política, pois sem um meio ambiente preservado, dificilmente as cidades alcançarão os padrões de qualidade de vida que os candidatos prometem e os moradores merecem ter. Logo, uma cidade ambientalmente melhor não deve ser do interesse deste ou daquele partido ou político, mas de todos.

Assim, fica aqui a proposta de que todos os políticos e candidatos, se unam em torno de uma Agenda Ambiental Para a Cidade, comum a todos os partidos, que poderiam divergir na estratégia e no enfoque na solução dos graves problemas ambientais que todo município possui, mas que seria um compromisso de todos. O diagnóstico todos já conhecem. Cabe pensarmos nas soluções. Bem, aqui vai a minha contribuição.


Ecologizar a Administração Municipal

Preservar o meio ambiente das cidades não pode - nem deve - ser tarefa de uma secretaria, mas de todas. As atuais Secretaria ou Diretorias de Meio Ambiente poderiam ser transformadas em Coordenadoria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, ligada direto ao Gabinete do Prefeito e que funcionaria com a principal função de ecologizar todos os órgãos, departamentos e secretarias do Governo para que todos, igualmente, fossem responsáveis pelo meio ambiente. Por exemplo, a educação ambiental seria tarefa da Secretaria de Educação, a fiscalização ambiental seria tarefa dos Fiscais de Posturas, a coleta seletiva e a reciclagem seria responsabilidade da Companhia Municipal de Limpeza, e assim por diante. Caberia à nova Coordenadoria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável a função supletiva de capacitar cada departamento com cursos e reciclagem profissional, além de prestar consultoria a cada órgão no sentido de buscar a correta adequação à questão ambiental. Também seria função da Coordenadoria estimular e fazer funcionar o Conselho e o Fundo Municipal do Meio Ambiente.


Falta de Saneamento é o Maior Problema Ambiental

O maior problema ambiental das Cidades, na minha opinião, é a carência de um sistema de saneamento adequado, o que leva não apenas à morte e contaminação de ecossistemas inteiros, mas aumentam os casos de doenças por veiculação hídrica e a mortalidade infantil. O melhor indicador ambiental de uma cidade deve ser seu índice de mortalidade infantil e do idoso. As empresas que cuidam do sistema de água e esgoto têm um enorme desafio ambiental, pois precisam levar água tratada e rede de esgoto com tratamento adequado a toda a cidade e no menor tempo possível. Por isso, não dá para se pensar apenas no clássico sistema de coleta, transporte e tratamento, que exige grandes investimentos e concentra a poluição em emissários. É preciso pensar também em pequenos sistemas de fossa e filtro que as novas tecnologias têm tornado com eficiência de remoção de mais de 90% da poluição. O governo poderia incentivar estes pequenos sistemas com abatimento na conta de água e esgoto proporcional à poluição que o sistema conseguisse remover. Deveria ainda ser estimulado a formação de Consórcios por usuários de água por micro-bacias, à luz da nova Lei Federal sobre recursos hídricos, para garantir investimentos na recuperação dos mananciais da cidade, leia-se, investir em reflorestamento e preservação das matas existentes, pois são elas as responsáveis pelos poços e nascentes que abastecem as áreas que não recebem água encanada.


Salve os Ecossistemas!

O segundo maior problema ambiental das cidades, sem dúvida, é a destruição de seus ecossistemas, provocada principalmente pelo crescimento desordenado ou até pela falta de limites para o crescimento. Além das queimadas, provocadas por balões ou pela queima do lixo não recolhido, a grande responsável pela destruição dos ecossistemas é mesmo a necessidade de moradia da população, de todas as classes sociais. Não há solução simples ou fácil neste caso, já que não dá para se decretar o fim da natalidade ou proibir o acesso das pessoas à cidade. Assim, cada novo condomínio ou emprendimento precisa ser analisado com os rigores da lei, estabelecendo-se restrições que permitam o máximo de aproveitamento e preservação dos ecossistemas e das árvores, negociando medidas compensatórias, mitigadoras e reparadoras que levem no mínimo a repor em ecossistemas o dobro do que estiver sendo autorizado retirar, tudo num ambiente de transparência e da legalidade, com audiências públicas no âmbito do Conselho Municipal de Meio Ambiente.

Nessas medidas compensatórias podem estar desde a recomposição do verde urbano quanto a obrigatoriedade dos interessados em investirem na efetiva implantação das Unidades de Conservação da Cidade. Mas também são importantes outras medidas como o incentivo à criação de RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) no município, para que os atuais proprietários de áreas florestadas possam ser beneficiados com abatimento de IPTU além de outras vantagens, como linhas de créditos subsidiadas do Fundo Municipal de Meio Ambiente para investimentos em ecoturismo e preservação ambiental em suas propriedades.


Amigos Ambientais

E, finalmente, uma Agenda Ambiental precisa incluir um amplo programa de Educação Ambiental que inclua não só a conscientização da população, mas principalmente, que estimule a cidadania participativa através dos fóruns próprios, com o Conselho Municipal de Meio Ambiente e a implantação da Agenda 21. As ONGs (Organizações Não Governamentais) Ambientalistas podem exercer papel fundamental, segundo a natureza institucional de cada uma. As ONGs ditas técnicas ou profissionais, podem ser parceiras do Governo e empresas obrigadas a cumprir medidas compensatórias, na elaboração de projetos ambientais. As ONGs ditas de combate podem ser aliadas na fiscalização das metas, prazos e efetividade dos projetos e exigências assumidas por empresas e em projetos do próprio Governo, como a implantação dos serviços de água e esgoto na cidade. Estimular o voluntariado na cidade é apenas criar canais para que o sentimento de amor e o orgulho pela Cidade, seja estimulado nos moradores e transforme em energia de criatividade e ações práticas pela melhoria da cidade.


10. Não há lixo. O que existe é desperdício de recursos.

O maior problema ambiental das Cidades, na minha opinião, é a carência de um sistema de saneamento adequado, o que leva não apenas à morte e contaminação de ecossistemas inteiros, mas aumentam os casos de doenças e a mortalidade, especialmente de crianças e idosos, pois o lixo é a casa ideal de vetores transmissores de doenças como ratos, baratas, mosquitos, etc.

No caso dos resíduos sólidos, um dos itens do saneamento, tem ainda o problema da queima do lixo não coletado, que sempre acaba atingindo as matas nativas. Dessa forma, lixo, desmatamento e mortalidade infantil andam de mãos dadas na deterioração do meio ambiente urbano.

Mas, para começo de conversa, e como forma de sugerir uma solução para o problema, no fundo no fundo, lixo não existe. O que chamamos de lixo é só matéria prima e recursos naturais misturados e fora do lugar. Se olharmos uma vasilha de lixo bem de perto veremos que ali estão papel, plástico, metal, vidro, pano, madeira, material orgânico, restos de obras, etc. Tudo isso, ao ser misturado, torna-se imprestável para reaproveitamento.

E tem o agravante de que, agora, jogar lixo no meio ambiente é crime ambiental. Os prefeitos estão correndo sério risco de serem enquadrados pelos Promotores, ONGs, órgãos de controle ambiental ou mesmo qualquer cidadão no artigo 41 do decreto federal 3.179, de 21 de setembro de 1999, que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais e que considera crime, punível com multa de R$ 1.000,00 a R$ 50 milhões de reais, "causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora". E, no inciso V, o artigo é bem explícito: "Incorre nas mesmas multas quem lançar resíduos sólidos, líquidos ou gasosos ou detritos, óleos ou substâncias oleosas em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos".

E o problema é grave. Gravíssimo. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, estima-se que mais de 60% das prefeituras lançem os resíduos da cidade em lixões a céu aberto. E, mesmo as Prefeituras restantes, os sistemas de coleta, transporte e destinação final do lixo deixam a desejar em todas estas etapas.

Diante do crescimento das cidades e da consciência ambiental crescente na sociedade, não há mais 'lá fora', pois tudo está dentro do planeta. Logo, não resolve mais levar o lixo lá para fora, num canto escondido qualquer. É urgente que este assunto seja adequadamente tratado, com gestão compartilhada e tecnologias adequadas. As prefeituras podem criar mecanismos de incentivo para a Coleta Seletiva na Cidade, através, por exemplo, de abatimento na taxa de lixo, que seria separada do IPTU. Quem quisesse entregar seu lixo todo misturado pagaria 100% da taxa, mas quem entregasse separado, pagaria só 50%, ou até menos. Todos sabem que o caminho mais curto para a consciência ambiental é o bolso. Claro que deveria ser implantado junto um programa de comunicação e educação ambiental, mas o abatimento no IPTU faria uma enorme diferença.

Ainda, de quebra, os Prefeitos poderiam transformar um problema complicado numa fonte extra de geração de renda e emprego através do incentivo à formação de cooperativas de catadores e beneficiadores de materiais. Até os entulhos de obras que aterram margens de rios e entopem lixões podem ser moídos e se tornar em agregados para habitações populares. Os restos de comida, cascas de frutas e legumes, dão excelente adubo para hortas cultivadas sem agrotóxico a serem feitas em regime de cooperativa nos terrenos vazios e abandonados da cidade, cujos produtos podem contar com a garantia de compra pelas escolas da Rede Municipal para a merenda escolar.

As empresas e as ONGs poderiam incentivar a criação de um Centro de Referência e Treinamento em Reciclagem, em parceria com o CEMPRE, o SEBRAE, e outras instituições, para promover a adequação da legislação municipal, treinar e capacitar trabalhadores para o sistema cooperativado, promover a demonstração de tecnologias que facilitassem o trabalho, protegessem o meio ambiente e recuperassem as áreas degradadas dos lixões, realizassem encontros e seminários com prefeitos e técnicos responsáveis pelos serviços de lixo, etc.

Mas tudo isso só pode se tornar realidade se for coletado separado na origem. Na minha opinião, é uma ilusão pretender coletar tudo misturado e levar para uma milagrosa usina de reciclagem para ver o que pode ser aproveitado. Até hoje não vi uma única usina de reciclagem funcionando direito, pois o problema está na origem. Não dá para coletar tudo misturado, sujo, quebrado, e depois levar para uma esteira e contar com o milagre de que estes materiais conseguirão ser recuperados. A coleta seletiva poderia ser diferenciada entre grandes produtores de lixo, como empresas, produtores de lixos especiais, como hospitais e resíduos perigosos, que teriam programas diferenciados e específicos de incentivo e coleta.

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