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ORÇAMENTOS, PLANEJAMENTOS
E CANTEIROS DE OBRAS
    Ano 05 • nº 51 • 01/04/06
Nesta Edição

Coluna Social: Engenho & Arte, e Política com Dendê
Marketing Empresarial: Dez Coisas que Aborrecem o Cliente do Engenheiro e do Arquiteto
Dicas e Macetes de Obras e Projetos
Natureza: Os Quatro Elementos
Ética e Educação: Discurso de Formatura!

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  Coluna Social . O ENGENHO & A ARTE

Dispositivo para caçar raposas

Invenções

Engenho & Arte, e Política com Dendê

O rebenque estala, um leque aponta: foi por lá!...
De Caça à Raposa - João Bosco e Aldir Blanc.

Todo grande invento tem, invariavelmente, 1001 utilidades além de sempre gerar polêmicas.
Como o Leitor não é, ainda, um grande inventor - inventor só fica "grande" depois que morre, quando, então, se unanimifica - a melhor política é inspirar-se em suas idéias.
A traquitana ao lado, imaginada para dispensar toda aquela parafernália de cavalos e cavaleiros, a matilha enraivecida, como são vistos nos filmes, e nas músicas, é também um bom exemplo para a produção de obra.
Ao observador atento fica claro que 'na empolgação as coisas ficam mais leves, e no revezamento o descanso é dobrado' (da Sabedoria Chinesa, que traduzimos).
O Pimpão, despertando de forte ressaca, exclamou: "é pura gambiarra!". Já o Borduna, ao ver o invento, retrucou: "dois peões, em harmonia, trabalham muitas vezes mais que um só!".
O que não sabemos é se quem inventou a engenhoca ainda é vivo, mas que deixou pano para manga não se tem dúvida nenhuma.

Engenheiro é metido a inventor, a maioria ainda mirim no assunto. Aliás, desde criança, quando tentávamos inventar o avião a vapor, um parente próximo já vaticinara: deste jeito este menino vai acabar virando engenheiro.
Temos, porém, de importante na agenda uma bicicleta com mola que carrega nas descidas, um xampu para cabelos anormais (a metade das mulheres compra xampus para cabelos secos e a outra metade para oleosos. Pouquíssimas, ou nenhuma, utilizam xampu para cabelos normais), e muitas outras utilidades e inovações, para não falar nas lâmpadas prismáticas, e não esféricas, com as faces paralelas às paredes do aposento que irá iluminar (melhor).

Mas apenas ser bom em invenção não basta. A perfeição requer além do engenho, uma pitada de arte, e esta seria a grande deficiência de todos nós. Seria! Não será mais, acompanhando-nos o raciocínio e os passos.
Uma das artes mais simples, e à mão, é a Culinária: basta pôr a imaginação para funcionar e inventemos nós a Cozinha Social: camarão de terceira com sabor do de primeira (qual a vantagem em fazer bem um prato tão caro?), idem para a bacalhoada.
Após a gabarolice dos ricos com seu melão com presunto celebremos a melancia com mortadela (mais saborosa, saudável e nutritiva). Tiremos a maizena do grã-fino mingau de milho-verde e obtenhamos o milho-verde cozido puro ou com sal, uma guarnição muito mais saborosa, e barata.
Neste terreno há um campo enorme pela frente, e o importante é ser do contra e radicalizar para causar boa impressão (observe -se, de quebra, o quanto é fácil criticar, enquanto que elogiar é matéria muito mais difícil e sutil): se 12 milhões afirmam que em S.Paulo é onde se come melhor, retruque que é lá também o lugar que pior se come. Seus milhões de hambúrgueres consumidos por ano é caso de saúde-pública.
Em cada 1000 botequins do Rio, 1001 não fazem a feijoada carioca segundo as normas da boa higiene.
Para não ir muito longe não existe um único restaurante mineiro que entende de leitão à pururuca (ao retirar uma costeleta do assado, puxando-a pelo osso, a carne deve se desprender e permanecer no assado, de tenra).
Já no Sul não existe uma única churrascaria como minguadas 3 ou 4 em S.Paulo com carne macia e que não seja de gato.
E isto para falar apenas dos restaurantes que usam guardanapos de papel para não perder tempo. Só tem direito a servir mesa com guardanapos de papel os restaurantes do Norte e Nordeste onde é permitido, e inevitável, lamber os beiços.

O Engenheiro só não é bom em Política e nisto não deve se meter. O Maluf foi dar uma de engraçadinho e por pouco não foi o primeiro miliardário a ir preso.
Os presidentes de CREAs, que se acham os tais e mandam estampar suas fotografias em todas as páginas das publicações e sites sob sua responsabilidade, são uns fiascos: a Revista do Alonso é a coisa mais ridícula de toda a Engenharia.

Quanto a nós, temos catalogados uns 2.500 engenhos e, neste embalo, dentro de mais uns 6 meses deveremos ultrapassar Thomas Alva Edson, com suas cerca de talvez 4.000 maluquices que não deram certo para poder acertar as 2.000 que funcionaram.
O importante é competir! E preparar o terreno para o julgamento e os aplausos da Posteridade.

  Ênio Padilha . MARKETING EMPRESARIAL

Dez Coisas que Aborrecem o Cliente do Engenheiro e do Arquiteto Durante a Execução do Serviço

Ênio Padilha
Engenheiro, escritor e palestrante.
Formado pela UFSC, em 1986, especializou-se em Marketing Empresarial na UFPR, em 1996/97.
Escreve regularmente e seus artigos são publicados, todas as semanas, em diversos jornais do país.
eniopadilha@uol.com.br

Nesta semana continuaremos nossa discussão sobre as coisas que aborrecem os clientes de engenheiros e arquitetos. Desta vez vamos falar sobre o DURANTE (que é a segunda das três fases do relacionamento cliente/profissional). Na semana que vem apresentaremos as principais fontes de aborrecimentos para os clientes na fase seguinte: "depois que o serviço foi concluído".
Boa leitura. Aproveite para mandar sua opinião sobre este artigo para o nosso site. Leia também os comentários dos demais leitores.

1. Profissional inacessível e desinteressado. Seu celular está sempre desligado. Seus e-mails nunca são respondidos. O telefone do escritório toca e ninguém atende. E se alguém atende é pra dizer que o profissional não está no escritório. Se o cliente deixa um recado, pedindo um retorno, ficará esperando em vão... (se você tem a sensação de já ter lido isto na semana passada... não é apenas uma sensação. Você leu mesmo. É que esta coisa de ser inacessível, desinteressado e ausente aborrece tanto antes quanto durante e também depois da prestação do serviço. E não é por acaso que recebeu o número 1 na nossa lista. Praticamente todos os problemas listados no texto anterior seriam aplicáveis a este, mas, daqui pra frente, vamos conversar apenas de "problemas novos")

2. Profissional que não acompanha o serviço. Que sempre chega depois que outro já encontrou a solução para o problema. Que não cumpre os prazos prometidos, não cumpre o cronograma estabelecido e esquece de aparecer nas reuniões programadas. Uma obra de Engenharia e de Arquitetura é um manancial de dúvidas e de angústia. Espera-se que o profissional contratado resolva este problema.

3. Profissional que repassa o trabalho para assistentes. A prestação de serviços é uma relação pessoal. O cliente espera ser atendido pessoalmente pelo profissional que foi contratado. Portanto, se você tem assistentes que assumem determinadas tarefas durante a realização do serviço, isso deve ser explicitado durante a negociação, para evitar esta frustração do cliente;

4. Profissional com problemas de Comunicação. Muitas coisas que parecem óbvias para um engenheiro ou arquiteto podem ser absolutamente confusas para o cliente ou para o pessoal de obra. Habilidade de comunicação passa pela sensibilidade em relação ao grau de entendimento dos outros e também da clareza com que as idéias são apresentadas. Uma obra de engenharia ou de Arquitetura é sempre um evento de longa duração. Terreno fértil para mal-entendidos e pequenas confusões que resultam em grandes prejuízos.

5. Profissional que não sabe fazer Lista de Material para compras. Um projeto (no fim, todo o serviço de Engenharia ou Arquitetura é, em alguma medida, um projeto) serve para saber, com antecedência, o que vai acontecer no futuro: que tamanho vai ter, quanto vai custar, quando vai ficar pronto... essas coisas. Espera-se de um Engenheiro ou Arquiteto a capacidade de fazer essa previsão da forma mais completa possível. De nada adianta fazer os desenhos e calcular os dimensionamentos se o profissional não consegue dizer quanto vai custar. Isso é o que o cliente quer saber. Os profissionais, durante a negociação, ficam preocupados em reduzir o preço do seu próprio trabalho e esquecem que o cliente quer, no final das contas é ter controle sobre o preço do produto final. Quem tiver a capacidade de oferecer a ele essa informação será "o cara".

6. Profissional que não sabe lidar com imprevistos. A palavra "imprevisto" deve ser eliminada do vocabulário dos Engenheiros e Arquitetos. Um engarrafamento no trânsito, um defeito no computador, a falta de energia elétrica na obra... nada disso deve ser usado como desculpa. Tudo deve ser previsto (este é o nosso trabalho!). Todas as pessoas comuns devem ter um "plano B" pra tudo. Um engenheiro ou arquiteto deve ter um "plano C", um "plano D" e um "plano E" só depois disso é que a palavra imprevisto é aceitável.

7. Profissional Inseguro. É aquele profissional que não tem certezas (já foi citado no texto anterior). Não tem argumento para sustentar suas propostas técnicas. Não demonstra conhecimento profundo da técnica correspondente ao trabalho proposto. Não sabe expor nem especificar claramente o produto oferecido. Não sabe dizer quanto custa. Foge das responsabilidades e nunca é incisivo. Acaba deixando as decisões (inclusive as técnicas) para o cliente.

8. Profissional Irresponsável. Engenharia e Arquitetura são profissões de grande responsabilidade. Quem não tem estrutura para assumir isso deve procurar outras profissões. Um profissional que tenta descarregar sobre o funcionário, o fabricante do material, a transportadora ou mesmo o próprio cliente as responsabilidades por um trabalho mal feito é alguém muito indesejável.

9. Profissional Medicine Ball. Lembra aquelas bolas pesadas que a gente usava no ginásio, nas aulas de Educação Física? Você chuta uma bola daquelas e ela rola apenas alguns metros. Se quiser que ela ande mais um pouco terá de chutar novamente...Alguns profissionais são assim. Pesados, travados, sem vida própria. Só funcionam quando são acionados. Só fazem o que lhes foi solicitado, não quicam nem rolam além dos poucos metros próximos de quem chutou a bola. Este tipo (de gente) aborrece qualquer um. Nenhum cliente fica satisfeito com um profissional que só funciona se for cobrado o tempo inteiro.

10. Profissional Desonesto. Uma tentativa de fugir à responsabilidade através da transgressão de regras estabelecidas ou mudanças no contrato ou acordo feito é algo muito deplorável. A honestidade do profissional é um dos seus mais valiosos patrimônios. Precisa ser mantida a qualquer custo! Até mesmo os clientes desonestos admiram e respeitam os fornecedores honestos.

Leia outros artigos no site do Especialista: http://www.eniopadilha.com.br

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  Roberto Magnani . OBRAS & PROJETOS

Dicas e Macetes de Obras e Projetos

Roberto Magnani
Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia de São Carlos – USP
Calculista de concreto armado, estruturas metálicas, programador Delphi e Lisp para AutoCAD.
Araraquara - SP (016) 3324-3634
roberto.magnani@bol.com.br

. Toda Norma fornece parâmetros teóricos e experimentais, que nos indicam os caminhos que devemos seguir em nossos cálculos. Mas não devemos deixar de considerar também a experiência que o tempo nos ensina.
De acordo com o atual Código Brasileiro do Consumidor, a lei manda primeiro "executar", e só depois o responsável técnico pode se "defender", isto é, primeiro deve saldar o prejuízo e só depois entrar com recursos para se defender.
Na ocorrência de algum problema, os juízes não estarão interessados em saber se o responsável técnico seguiu ou não as Normas, mas sim em saber quem irá pagar os prejuízos.

. Dispomos de distanciadores plásticos para construção, especiais para o cobrimento das armaduras das estruturas de concreto armado (lajes, vigas, pilares, fundações, reservatórios, etc.), que substituem com vantagens nossos tradicionais calços, pastilhas e caranguejos.
Dois de seus fabricantes encontram-se em www.coplas.com.br e www.jeruelplast.com.br.

Leia outras dicas no site do Calculista: http://robertomagnani.tripod.com.br

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   E-mails no Mês
 Agenda, Memos & CI's

Revista 50
Prezados Senhores Editores,
Gostaria de agradecer o recebimento de um número desta tão conceituada, importante e prática revista sobre os problemas da engenharia.
Gostei imensamente do assunto sobre as “Marquises e Sacadas”. Muito interessante o tema sobre as “Dez Coisas que Aborrecem o Cliente do Engenheiro e do Arquiteto”. Importante “O Pedido (em 8 atos)”. Muito bom o assunto sobre “o Projeto e o Analista”, assim como o assunto “Gostar da Profissão”.
Parabéns a quem escreve, quem contribui, quem edita, enfim, parabéns a todos que fazem parte da revista. Muito boa mesmo. Obrigado.
Atenciosamente,
Engº Civil Jesiel de Jesus Melo Araujo
Tocantins

Prezados. Já disse em outras ocasiões, mas nunca é demais repetir: "é muito bom jogar em time que está ganhando!"
Parabéns a todos (e muito obrigado pela parte que me toca).
Ênio Padilha
www.eniopadilha.com.br

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Palavras chaves:
Concreto Celular
Concreto Usinado;
Concreto Protendido
  Adilson Luiz Gonçalves . NATUREZA
Os Quatro Elementos

Adilson Luiz Gonçalves

Engenheiro, Professor Universitário e Articulista.
algbr@ig.com.br

Ar, terra, água e fogo. Esta não é, exatamente, a ordem em que os quatro elementos são mencionados, mas, considerando a desordem com que vêm sendo tratados, tanto faz...

O elemento ar, o mais fundamental para a vida terrestre, está contaminado, sobretudo nos grandes centros populacionais e industriais, por substâncias nocivas à biodiversidade. Em casos extremos, máscaras passaram a integrar a indumentária dos pedestres, e, quando há inversões térmicas, os pronto-socorros ficam lotados!

O elemento terra nos dá a maior parte dos alimentos. A vegetação que dele brota é responsável pela depuração do elemento ar. De suas entranhas são extraídos minerais e substâncias indispensáveis à sobrevivência e evolução dos seres vivos. Mas, o extrativismo selvagem destrói a vegetação que depura o ar e estabiliza o solo. Com isso, abre espaço para a erosão e, no limite, para a desertificação. Ironicamente, os que destruíram suas florestas querem, hoje, preservar, internacionalizar ou tomar para si as dos outros...

O elemento água? Bem, existe muita água, é verdade: água que flui continuamente, desde tempos imemoriáveis. Mas, menos de 1% dela é potável, e os mananciais estão, em grande parte, fora dos territórios das grandes potências econômicas. Elas também parecem estar vivamente interessadas em sua “preservação”. Teorias de conspiração à parte: parecem muito mais do que interessadas... Mas, mesmo esse 1% vive sob constante ameaça, pois a mesma chuva que "lava" o ar, trás seus poluentes para o solo que, somados aos defensivos agrícolas agressivos, metais pesados das indústrias e garimpos, e resíduos de toda a espécie, poluem os rios e aqüíferos.

Já o fogo é o único elemento que permanece firme, forte e pródigo! Ele está em toda a parte: no aquecimento global, nas queimadas, nas guerras, na violência urbana e rural, na busca insana pelo lucro. Esse "fogo" dizima o ar e a terra, e parece não haver água que o apague. Mas a culpa não é do fogo, é de quem o ateia e fomenta por ignorância, estupidez, ganância...

A falta de consciência ambiental dos grandes conglomerados econômicos internacionais e governos impede que seus "visionários" e "carismáticos" dirigentes antevejam as conseqüências de seus atos, talvez por terem sua visão encoberta pela fumaça dos charutos e cachimbos, que acendem para celebrar sua soberba.

O Protocolo de Quioto plantou a semente para uma mudança de atitude global. Medidas posteriores criaram incentivos, como os créditos de carbono. Mas os principais atores desse processo devastador e poluidor insistem em ignorá-lo! Leais aos seus princípios históricos, às vezes "justificados" por crenças oportunas, para eles o lucro continua a vir, sempre, em primeiro lugar! Mesmo o caos, para eles, é encarado com uma oportunidade, dentro dos princípios "motivadores" do mercado financeiro. Guerra, violência, doença, fome e pobreza são lucrativas, e podem ser "excelentes" investimentos, antes, durante e depois. Não é à toa que, quando ocorre uma catástrofe, enquanto uns correm para prestar solidariedade, outros correm para a Bolsa de Valores...

Talvez, o caos ambiental não lhes pareça real, nem próximo, de dentro de seus escritórios climatizados, restaurantes e hotéis refinados, ou paraísos que elegeram e preservam para seu desfrute. A água de Vichy ainda continua cristalina. O ar de Aspen, Val d’Ysère e de outras estações de inverno da moda, ainda continua puro. Os mares do sul e do Caribe ainda estão límpidos... Estão alheios, mas não estão imunes, em absoluto!

Os elementos da natureza correm risco, e com eles a humanidade! Ainda temos elementos suficientes para reverter esse quadro, mas, para tanto, é preciso que os elementos humanos que governam o planeta aprendam a controlar sua ganância! Eles são poucos e cegos... Cabe a cada um de nós conscientizá-los, antes que: água, terra, fogo e ar não nos sirvam mais...

Fones: (13) 32614929 / 97723538

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  Paulo Sertek . ÉTICA E EDUCAÇÃO

Gestão de Pessoas: Contribuição e Serviço à Sociedade

Engº Paulo Sertek
Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento
Engenheiro Mecânico e Professor de Cursos de Pós-Graduação em Ética nas Organizações e Liderança
Pesquisador em Gestão de Mudanças e Comportamento Ético nas Organizações
Assessor empresarial para desenvolvimento organizacional
psertek@xmail.com.br

Discurso de formatura dos Bacharelandos em Administração da Faculdade Anchieta de Ensino Superior do Paraná: Habilitação em Marketing e Recursos Humanos e Bacharelandos em Sistemas de Informação, do ano 2005.

Hoje quero dirigir-me especialmente aos caros bacharelandos na sua festa de formatura. É um dia especial, pois nos vêm à memória os muitos momentos alegres, outros difíceis, mas graças a Deus superados, que agora de relance, apreciados no seu conjunto, estes momentos, formam como que os marcos do nosso caminho.
Viemos nestes quatro anos de intensas lutas, crescendo diante dos obstáculos! Não deixamos de caminhar! Exupery no livro Terra dos Homens, ao relatar a saga de Guillaumet, seu colega aviador acidentado, que caminha na neve extremamente esgotado, buscando a salvação, diz para si mesmo: "O que salva é dar um passo. Mais um passo. É sempre com o mesmo passo que se recomeça"(1). Com este mesmo espírito, temos de continuar caminhando, sempre dando um passo mais.
As dificuldades revelam o valor do que atingimos hoje. A grandeza de um ideal, verifica-se pelo sacrifício, pela capacidade de superação, pelo esforço denodado em buscar os nossos objetivos. Entretanto, esses sacrifícios passam ocultos no dia de hoje, porque tudo são luzes, escondem-se no alvoroço da alma em festa!. Hoje é dia de alegrar-se, com familiares, amigos, noivas e namoradas e tantas outras pessoas presentes e talvez em algum caso outras pessoas que já foram mas que nos olham desde o mais alto!
Assistimos na semana de administração do ano passado, o depoimento de um dos palestristas, profissional de futebol de salão, que ao se acidentar e inutilizar-se para sua profissão, não teve remédio, senão o de procurar emprego em outra área. Diz ele ? "freqüentava a escola e não aprendi nada" - "eu não sabia fazer outra coisa senão jogar bola!" E o que conseguiu depois de duras penas? Um emprego como porteiro de indústria. Porém deu a reviravolta, já no seu primeiro dia de trabalho, formulou o propósito de ser o melhor porteiro de indústria do Paraná! Desde aquele momento, transformou a sua atividade diária, ela adquiriu um significado grande! Tornou a sua atividade, cheia de significado! Deu o conteúdo de missão, àquilo que poderia significar uma diminuição existencial! Enriqueceu o seu trabalho, pelo amor à sua tarefa, em crescer em duas competências chaves: o conhecimento da missão da empresa e do que faziam as pessoas em cada área e em segundo lugar crescer na capacidade de relacionamento com pessoas.
Sua atividade como porteiro de indústria ampliou-se em virtude da sua dedicação, ampliou-se por causa da sua motivação profissional. A sua motivação interna o levou a agregar valor à sua atividade. Esta motivação o transformou em um verdadeiro homem de recursos humanos e marketing. Conhecia muito bem as pessoas, produtos e serviços. Desenvolveu o atendimento diferenciado a clientes e fornecedores. Fez uma contribuição comprometida às pessoas a que servia. Encarou seu trabalho como um serviço. Não perdeu de vista que estava para servir.
Logo que pôde, buscou o curso colegial, a seguir o curso superior e por fim a sua especialização em administração de empresas. Hoje esta pessoa ocupa a gerencia de recursos humanos da firma que o contratou.
Chama a atenção, a sua referência a outro personagem: o Tião! - porteiro de indústria que trabalhava com ele. Perguntava se ele estava estudando, e como não, o animou a fazê-lo. Nos momentos de folga, via-se o Tião entre livros e cálculos, aos poucos e com sacrifício foi dando um passo e outro sem parar e sempre com as ajudas de seu amigo. Hoje Sebastião é o engenheiro de segurança da mesma empresa.
O que moveu o nosso modelo de hoje foi a motivação de tipo colaborativa, aquela que denominamos como motivação transcendente, que se volta para o outro, quebra os limites do individualismo e promove a cooperação.
Este exemplo, real, encerra muitíssimas virtudes e podemos com certeza, inspirar-nos nele!
Pela formação que recebemos, temos o dever de atuar como agentes de promoção humana e social. Não tratamos as pessoas como simples recursos, os clientes como objetos de resultados, mas sabemos que o diferencial e a riqueza de uma coletividade, de um grupo, de uma nação está sobretudo na riqueza humana da sua gente, na capacidade de trabalhar bem e na sua capacidade solidária. Cada um de vocês que hoje recebem o bacharelado em administração, tem pela frente um desafio: o de transformar o potencial humano em realidades, como o exemplo do Gerente do RH e do Engenheiro de Segurança que citamos. Encarar a profissão como um serviço que se presta à sociedade, encará-la como é, uma contribuição que prestamos aos outros.
Em nenhum momento pode-se desprezar qualquer que seja a função, por mais humilde que seja. O que torna digna uma pessoa são suas virtudes, o seu amor às pequenas coisas não importando, se exerce tal ou qual atividade!
De que adianta a uma pessoa, como vemos infelizmente nos dias que correm, que ocupe um alto cargo na vida política da nossa nação, se o seu exercício é maculado por atitudes antiéticas. Cada pessoa desde a sua atividade pode contribuir para o bem do todo. Fazer com qualidade a sua pequena parte!
Julgo que pode ser útil o pensamento de ESCRIVÁ em seu livro Caminho: "Não julgues nada pela pequenez dos começos. Uma vez fizeram-me notar que não se distinguem pelo tamanho as sementes que darão ervas anuais das que vão produzir árvores centenárias"(2). Assim temos de nos comportar: contribuir com as ações valiosas, ainda que muito pequenas!
Como sugestão, penso que todos nós podemos nos desenvolver cuidando de três etapas: realizar o trabalho seja qual for, bem feito; em segundo lugar desenvolver conhecimentos, habilidades e virtudes para atuar de forma competente e por último atuar neste trabalho de forma colaborativa, aprendendo e ensinando.
Não sejamos pessoas apenas técnicas, que cuidam de coisas técnicas e que o único objetivo seja a eficácia. Sejamos profissionais dedicados às pessoas, envolvidos no seu crescimento, promotores de talentos e sobretudo desenvolvendo as virtudes e os valores morais à nossa volta, no trabalho e desde o ambiente de trabalho.
Cito, para não me alongar muito mais, um personagem da nossa história política , o ex-governador de Santa Catarina, Jorge Lacerda, em que apontava dois males da nossa época e que pode nos dar uma luz para os dias de hoje, assim dizia ele:

- Sofre muito a humanidade de dois males: o dos homens bons, que não têm noção alguma das técnicas que deveriam empregar para que se torne eficiente a sua bondade, e dos técnicos, em que se abalaram ou em que quase se perderam as qualidades humanas.(3)

Portanto, meus caros formandos, saibamos nós empregar os conhecimentos, a arte e a técnica da gestão a serviço do crescimento do nosso país, a serviço do crescimento das nossas empresas, a serviço do crescimento das pessoas, procurando em tudo pautar-se pelo caminho das virtudes, que aduz o Filosofo:

"A virtude torna boa a pessoa que a pratica e faz bela a sua obra!"(4)

Meus parabéns!

Dia 17 de março de 2006, às 19 h na PUC
Teatro TUCA - R. Imaculada Conceição, 1155.
Paulo Sertek (paraninfo dos Bacharelandos em Administração Habilitação em Marketing e Recursos Humanos).

Leia outros textos sobre Ética e Educação no site do Professor
tel. (41) 233-5676
CETEC -Consultoria
www.ief.org.br

(1) SAINT-EXUPERY, Antoine de – Terra dos Homens. 27. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 38-44
(2) ESCRIVÁ, J. Caminho. Quadrante: São Paulo. 1998. p. 820.
(3) LACERDA, Jorge. Democracia e Nação. 1. ed. Ed. J. Olympio, Rio de Janeiro, 1960, p. 173.
(4) ARISTÓTELES - Ética a Nicomacos, 2. ed. Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 1992.

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