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CANTEIRO DE OBRA |
O Sentimento de Peão de
Obra
O sapo coaxa o urubu voa eu
encarno o Peão de Obra
Neste Natal a Revista EngWhere está
completando sua 15ª Edição (1 única e isolada
desistência de assinatura). Com a dupla
comemoração vimo-nos também com direito ao nosso
papai-noel: uma resenha do que mais significativo se
falou aqui sobre nossa predileta matéria; o valente,
alegre, sofrido, puro, injustiçado, pacífico, forte
(antes de tudo) e desbundante Peão de Obra. Para
a festa convocamos o leitor, mormente o pouco
aprofundado, a experimentar com mais intensidade
este fantástico convívio, ou, mais apropriadamente,
assumir de vez o peão de obra que é.
Irmanando-se, sentindo-se, e sendo mesmo um
deles. Querendo ou não - já que "quem muito
evita", diz Guimarães Rosa, "se convive" - não é
outra a condição do Engenheiro de Obra. Uns
gostam dos olhos, outros da meleca, assumamos com
satisfação esta identidade. Se não é grande o
mérito, abunda consolo: sendo o que somos seremos, e
nos enxergaremos, muito mais competentes. Mais
que prazeroso é bastante cabido o compromisso, e
dignificante a adoração. Feliz Natal
Peão.
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SEU AMIGO O PEÃO DE OBRA
Não venha com esta gabarolice
que peões são como crianças grandes. Peão de
obra não é criança e nem tão crescido assim. Está
mais é para o sertanejo, de Euclides da
Cunha, também construtor, é antes de tudo um
forte. E pode ser, como aquele, bruto e meigo
e, apesar da coragem, acreditar em
assombração. Mesmo subalimentado é alegre,
cordial e respeitador, e sem dinheiro no bolso é bom
companheiro, amigo e humilde. Se você, Engenheiro de
Obra, é dos que não conseguem se compadecer ou se
desvencilhar dos preconceitos contra os menos
favorecidos pela sorte, errou na escolha da
profissão. Principalmente trate-o com respeito.
Todo relacionamento exige isto. Se você o tratar
como "bicho", ele responderá com sua única
argumentação possível: portando-se como um bicho. Se
o agradar, terá um amigo para todas as horas. Ele
chegou à obra cedo. Bem antes das 7 estava na fila
do ponto. Trabalhou pesado e merece um almoço
decente. Capriche em sua refeição. Não há nada que o
irrite tanto quanto uma refeição inadequada.
Descubra seus gostos. Lembre-se que não há obra bem
tocada com
o refeitório desagradando. Ouça-o e
oriente-se com suas críticas. Não há mais sinceras e
precisas. Principalmente se direcionadas à sua
própria administração. Mais que qualquer outro
funcionário da empresa, estará ele sabendo sobre a
produtividade da obra, que lhe é filtrada do próprio
suor. Os resultados da obra, aliás, não só
dependem mas são méritos dele. Faça-o enxergar
isto. Impressione-o com camaradagens e humor. O
elogio, como a nenhum outro indivíduo, cai-lhe como
uma benção. Seja mesmo astucioso. Nesta relação de
trabalho ele nunca irá perceber que entre os dois,
quem mais precisa do outro é você. Não o
amedronte usando sua condição de chefe e nunca lhe
dê ordens diretas, atravessando seu
organograma. Saiba que a firmeza, a liderança, o
humor e o caráter do chefe da obra, estão entre as
notícias que mais se espalham, e sempre em manchete
nas rádios-peões. Não se faça de ocupado para
impressioná-lo. Retribua-lhe seus bons-dias. Afinal
você está em campo, num local de trabalho arejado,
de respeito e educação, e não em um mofado
escritório na Avenida Paulista. O trabalho é
pesado, mas não lhe negue. Não há mais impróprio
lugar para rixas e picuinhas que em uma obra. Se
quer ser admirado, não aceite bajuladores em sua
sala. Preocupe-se em dar-lhe condições seguras de
trabalho e cientificar-lhe disto. Jamais tenha
medo do peão, até porque ele não é de briga e não
morde. Além de ofendê-lo gravemente, você perderá
sua autoridade e respeito, e o insucesso da
obra, e o seu, serão iminentes.
Sobretudo goste do peão. Ele é parte
significativa de seu ofício e faz
por merecer. Sua companhia é agradabilíssima,
seu humor irresistível e está dispondo-se,
em troca de algum reconhecimento
pelo seu trabalho, a admirá-lo.
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• AVISO BREVE
Nome que o peão geralmente dá ao Aviso
Prévio. Chegou a hora da porca beber água
e você demonstrar ser mesmo o Francisco
de Assis que vinha apregoando. Sempre
que possível evite que o peão perca seus
direitos e faça com que o pedido de dispensa
seja iniciativa sua, principalmente em
finais de obras. A máxima "aos amigos
tudo, aos inimigos justiça" é de extrema
eficiência para se formar equipe duradoura.
• CACHIMBO
O cachimbo a que nos referimos é o oficial
(carpinteiro, pedreiro ou armador) que
acumula suas funções com a de líder de
uma pequena turma. Aspira tornar-se feitor
(ou encarregado, a nomenclatura varia
com a obra) e proporciona grande economia
já que, além de produzir mais que a média,
evita a contratação de um Chefe de Turma
cujas funções se restringem às de coordenação.
Um plano de promoção e salário deve ser
pensado e concretizado para estes funcionários,
juntamente com os meia-colheres.
• IDADE AVANÇADA
Assim como os engenheiros, o peão de obra
com mais de 50 anos trabalha e produz
mais que a molecada, além de errar menos
e ser menos problemático.
Alguns apenas falam um pouco mais do que
deveriam.
• JUSTA CAUSA (DEMISSÃO)
Lei criada na Inquisição que consiste
em penalizar o assalariado que comete
uma falta considerada grave com a supressão
de seus direitos trabalhistas. Na época
foi tida como mais justa que fazer do
desinfeliz alimento para os leões. Com
a escravidão a lei foi abrandada já que,
embora também não se pagasse salários,
estes eram substituídos pelo fornecimento
de casa, comida, roupa e plano de saúde,
ou seja, um exagero para os dias atuais.
A lei perdeu, pois, o sentido prático,
e como os leões também caíram de moda
para resolver estas pendengas, o preferível
mesmo é ignorá-la.
• LIDERANÇA
Ser líder é principalmente ser bom. Em
segundo plano ser justo ou sábio. Hitler
e Salomão, se é que não maculamos o nome
deste com a má companhia, não seriam grandes
tocadores de obra. Os carrascos, que se
julgam um sucesso, por não enxergarem
a realidade da obra e pela falta de empatia,
angariam nojo e revolta, os opostos da
produtividade.
• MÃO DE OBRA LOCAL
Caso você esteja adotando troca de turno,
ou trabalho em horários extraordinários,
dê preferência à mão de obra local, para
reduzir complicações de logística. Caso
sua obra não adote troca de turno ou horas
extraordinárias, dê preferência ainda
à mão de obra local, para redução de custos
com deslocamentos, alojamentos, e outros.
• MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA
Fala-se demais sobre a inviabilidade em
se contratar mão de obra temporária sob
alegação que o funcionário que não pertence
ao quadro efetivo da Empresa é mais propenso
a desordens, ou menos afeito ao trabalho.
Realmente isto assim acontece, porém só
em obras desorganizadas, onde quanto mais
gente, terceirizada ou não, menor é a
produção.
• MEIA-COLHER
Trata-se do Ajudante de Pedreiro, com
pouca experiência, como já foi o caso
de nós todos, que aspira tornar-se Oficial
Pedreiro. Com pouco tempo de obra alguns
já estarão produzindo tanto quanto os
oficiais, embora com menor salário, e
não poderão ficar de fora de seu plano
de promoção referido acima. Para poder
participar do plano, entretanto, deverão
ser-lhes estabelecidas condições quanto
ao desperdício de materiais e mão de obra.
Não basta executar bem, é necessário errar
pouco. (V. tb. CACHIMBO).
• TAREFAS
A adoção de tarefas durante longos períodos
faz com que o operário, evidentemente,
se acomode com elas. As tarefas, outrossim,
parecem prestar-se mais é para a chefia
sentir-se poderosa, distribuindo-as a
torto e a direito. Depois de algum tempo
a obra só irá trabalhar mediante uma tarefa
prometida e alguns a exigirão até para
ir beber água.
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NOSSOS LEITORES |
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PRÓXIMO
NÚMERO |
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31/01/03 |
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Nova Teoria de Produção
e Canteiro de Obra
Ética
Meio
Ambiente
Gestão Empresarial | |
Revista EngWhere
Por dentro da
obra
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(FEV/2002):
Lendo a
Revista EngWhere 04, senti a dignificação do personagem
de "Ben Hur", em que autoconsciência e fé, resguardados
pela humildade e denodo no cumprimento do dever, valorizam
nossas origens, quando participamos de tarefas tão
dignificantes, que é a convivência de trabalho do Engenheiro
e o Peão. Sempre numa tarde de um dia suarento, era comum ao
cruzarmos com Peão, ver seu sorriso pelo dever cumprido,
caldeando sentimento de uma vaidade simples
com saudades de onde veio. A leitura da Revista
EngWhere reviveu carinhosamente um pouco de minha vida. (O
gosto e apreço que o cupim tem por tábuas de pinus ou
similar, é notório.)
Eneber C. Carvalhaes
Engenheiro Civil
(Autônomo)
Belo Horizonte - MG.
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Coluna do Pimpão |
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RESPONSABILIDADE A Responsabilidade
é característica pessoal e não
do cargo. Existem mesmo vigias
noturnos que não dormem em serviço,
cumprindo preocupada e rigorosamente
suas funções. Assim como existem
os chefes que, enquanto o circo
pega fogo, cochilam sobre a barriga,
mesmo durante o dia, e principalmente
se o sol estiver quente.
URUBUS
Saque rápido sua calculadora e faça
a conta em voz alta. Conte nos céus
os urubus que sobrevoam o bezerro
morto: são 80 urubus para 40 quilos
de carne (os ossos estão fora). Cada
urubu se abastece com 250 gramas de
carne por hora, logo, em 2 horas o
bezerro acaba. Os peões irão confundi-lo
com Malba Tahan (pseudônimo do matemático
e escritor carioca Júlio César de
Melo, 1895-1974, formado pela Escola
Nacional de Engenharia).
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| Coluna do
Borduna |
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MESTRE DE
OBRA
Figura chave em seu ofício. Antes de
entrar em disputa de conhecimento com
o Mestre, procure aprender com ele.
Será seu maior professor e sabe das
coisas. Não teve escola, porém o que
ele sabe, seu curso também não ministrou.
Tenha como meta saber mais do que ele,
para só então considerar-se um Tocador
de Obra. Lembre-se que a voz do povo,
que não falha, diz que a experiência
vale mais que a ciência. Fique também
sabendo que o Mestre é líder nato, arrojado,
de iniciativa, e vencedor consumado
já que em seu peculiaríssimo vestibular,
frente a uma multidão de concorrentes,
lhe foi imposta a cláusula sine qua
non de ser o primeiro da turma.
Desconverse sobre perguntas como Quem
sabe mais o Engenheiro ou o Mestre?
ou então, tenha uma boa resposta e que
agrade a todos, como: cada macaco
no seu galho.
PICADINHO
Não deixe o cantineiro servir picadinho
nas refeições, que você irá se passar
por afrescalhado ou pão-duro. Os peões
gostam mesmo é do picadão, se possível
de carne de pescoço. O inconveniente
é que você terá que comer o mesmo que
eles.
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HISTÓRIAS DA ENGENHARIA QUE NINGUÉM CONTA
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O sertanejo maranhense, castigado com a
falta de chuvas, rijo, mais que gente, como
um babaçu, e confundindo-se com o babaçu
(enganam-se os que pensam serem palmeiras
o que tem em sua terra), admirava a Linha
de Transmissão rasgando seu Estado. Quem
sabe, agora, tudo não se resolveria?
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MEDIDAS PROFILÁTICAS DE HIGIENE E SAÚDE
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Em todos os locais de
trabalho haverá água potável, não sendo permitido o uso de
copo coletivo;
-
Os
locais de trabalho e alojamentos serão
mantidos higienicamente limpos e arrumados.
Serão distribuídos vasilhames com tampa
para recolhimento do lixo e detritos em
geral;
-
O refeitório será
dimensionado de forma que todos os funcionários
possam tomar suas refeições assentados, à
mesa.
Proposta Técnica: a Proponente defende
a posição que Segurança do Trabalho
é colocada como prioritária e inerente
ao seu sistema de trabalho.
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A última palavra (do Ecologista)
Ainda segundo a ONU, existem no planeta
cerca de 1,1 bilhão de pessoas vivendo
em absoluta pobreza, 1 bilhão de analfabetos
e cerca de 13,5 milhões de crianças com
menos de cinco anos que morrem de fome
a cada ano. Dados como esses levaram a
Conferência Mundial Sobre População e
Desenvolvimento, realizada em setembro
de 1994, no Cairo, Egito, a definir um
programa para o controle da população
mundial nos próximos 20 anos, como se
o maior perigo para o planeta fosse a
explosão demográfica nos países pobres.
Mas e os países ricos? Quando serão obrigados
a rever seu modelo predatório e socialmente
injusto de desenvolvimento, baseado em
lucros crescentes, que coloca um fardo
ecológico excessivo sobre países pobres
e em desenvolvimento, reduzidos à condição
de meros exportadores de matérias primas
e em lixeira do ‘primeiro mundo’
desenvolvido?
Jornalista
Vilmar Berna
| O pão
do pobre sempre cai com a manteiga pra
baixo. | Se todo dia
eu perder um pedaço de mim, no fim do mês cadê eu? – Peão
maranhense, em época de dificuldades, ganhando uma bicicleta no
concurso de frases da CIPA.
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