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Resumo
do Curso EngWhere
O Orçamento como Matéria da Engenharia
OS CUSTOS DIRETOS (SEM BDI)
São os custos oriundos da mão de obra aplicada,
dos materiais utilizados, dos equipamentos empregados, ou
subempreiteiros contratados para os serviços da obra
propriamente dita, tais como, o cimento, a areia, as horas
de pedreiros, carpinteiros, ajudantes, etc., para elevação
da alvenaria, para o revestimento das paredes, para execução
da estrutura da obra, por exemplo. Poderão incluir,
ainda, os Custos Diretos, em alguns casos, o operador, o
combustível, e os custos com sua manutenção
e mobilização, quando são agrupados
para compor os preços horários do equipamentos.
Todas estas depesas serão agrupadas e formarão
as Composições de Preços Unitários,
para cada tipo de serviço.
Os recursos referentes aos Custos Diretos mantém certa
proporcionalidade com a Produção, ou seja,
aumentando-se, por exemplo a quantidade da mão de
obra aplicada, teoricamente, os serviços serão
também realizados em menor tempo.
Observamos que os mesmos insumos, quando utilizados na construção
do Canteiro de Obra, por exemplo, farão parte, como
este, dos Custos Indiretos.
2.1. As Composições de Preços Unitários
São os custos unitários dos serviços e representam
a maneira mais comum, e eficiente, para se calcular os custos
das obras.
Através da apropriação
da mão de obra e equipamentos empregada em serviços
anteriormente executados (em uma ou várias obras)
ou da apropriação ou cálculo de consumo
dos materiais gastos, são elaboradas as CPU's (Composições
de Preços Unitários), que com relativa precisão,
irão nos fornecer o custo unitário dos serviços.
Vejamos um exemplo de CPU e de sua elaboração:
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Serviço: Bloco de Concreto Aparente 19cm
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Unidade: m²
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A - Mão de Obra
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Un
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Índice
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Preço Unit.
|
Total
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Pedreiro
|
h
|
0,63
|
R$ 2,22
|
R$ 1,21
|
|
Serventes
|
h
|
0,63
|
R$ 1,49
|
R$ 0,82
|
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SOMA
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R$ 2,03
|
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Encargos Sociais (126,10%)
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R$ 2,56
|
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Total da Mão de Obra
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R$ 4,59
|
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B - Materiais
|
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Bloco de concreto 19x19x39
|
un
|
13
|
R$ 0,88
|
R$ 11,44
|
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Cimento
|
kg
|
2,5
|
R$ 0,20
|
R$ 0,50
|
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Areia
|
m³
|
0,1216
|
R$ 24,90
|
R$ 3,03
|
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Total dos Materiais
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R$ 14,97
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C - Equipamentos / Ferramental
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Betoneira 380 l
|
h
|
-
|
-
|
-
|
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Ferramentas diversas
|
vb
|
-
|
-
|
-
|
|
Total dos Equipamentos / Ferramental
|
-
|
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D - Total dos Custos Diretos (A + B + C)
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R$ 19,56
|
|
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E - Custos Indiretos (por exemplo: 70,50% s/
a somatória de todas as CPU's desta obra)
|
R$ 13,79
|
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Soma D + E
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R$ 33,35
|
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F - Taxas do BDI (por exemplo 30,00% s/ D +
E)
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R$ 10,01
|
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TOTAL GERAL D + E + F (Preço
de Venda)
|
R$ 43,36
|
Observação: durante a orçamentação
as Taxas dos itens E e F acima são unificadas
para se facilitar os cálculos. Assim:
- D - Total dos Custos Indiretos R$ 19,56
- F - Taxas do BDI (E+F) - 121.68% R$ 23,80
- Preço de venda - R$ 43,36
Antes de passarmos às etapas, ou dicas, para se elaborar
uma Composição de Preços Unitários
será necessário ter em mente as seguintes
regras:
Regra Primeira - O CHUTE
Não existem estimativas em orçamento. O Engenheiro
tem, ou precisa obter, todas as condições de
calcular ou cotar a totalidade dos valores com
precisão e tranqüilidade.
O "chute" deverá sempre ser dispensado,
mesmo a título de se adiantar os serviços, pois
com o tempo e a experiência, os orçamentos inevitavelmente
acabarão se tornando cada vez mais rápidos e
precisos. Nosso pelé-orçamentista trabalha,
pois, muito mais com a paciência e persistência,
que com a canela.
Regra Segunda - O ARREDONDAMENTO
Tão nocivo quanto o "Chute" poderá ser
o Arredondamento, inexplicável prática feita
obstinadamente por quem parece não gostar de todo
e qualquer número que não termine com 0(zero).
É expressamente proibido ao Orçamentista.
Não iremos nos prender nos erros que este podem ocasionar,
mormente se acumulativos, porém em outro detalhe: não
há condições de se conferir uma série
longa de cálculos, quando se pratica o Arredondamento.
Ao serem refeitos os cálculos, cada vez se encontrará
um valor final diferente, já que os Arredondamentos
dificilmente serão, em rigor, os mesmos.
Regra Terceira - O CALDO
O Engenheiro termina seus cálculos e, por insegurança
no que está fazendo, e por sentir-se com direto de
dormir tranqüilo, acrescenta uns 10% ou 20% a mais nos
resultados.
Já os super-confiantes, acreditando no poder de suas
posteriores negociações ou de seu desempenho
durante a execução da obra, reduz suas contas
em iguais percentuais.
Lembrando que entre as Taxas do BDI existe o campo
Taxa de Risco, calculável, e que não
estamos fazendo sonoterapia ou preparando macarronada...
É expressamente proibido ao Engenheiro.
2.1.1. As cotações
Todos os preços lançados numa CPU, a menos
dos salários que são os praticados pela Empresa,
deverão ser cotados preferivelmente com mais de um
fornecedor. Observar sempre, nas cotações:
- O local da obra e do fornecedor (há diferenças
significativas entre o mesmo material em regiões
distintas);
- O valor do transporte até a obra;
- Os impostos (IPI, ICMS, etc.);
- As condições de pagamento;
- Os prazos de entrega;
- As dimensões, peso e características do
material a ser cotado (tendo nosso bloco aparente 18,5
x 18,5 x 38,5 deverão ser alterados seus índices
de consumo);
- A logística do fornecimento: são estudos,
a maioria das vezes agradabilíssimos e gratificantes,
que podem influir no resultado de uma concorrência.
Não seria possível, por
exemplo, adquirir nosso cimento diretamente em uma fábrica
e transportá-lo, talvez via ferroviária,
até nossa obra?
- A logística do transporte, em função
da quantidade do material adquirido ou possibilidade de
transportá-lo juntamente com materiais de outra
aquisição.
Regra para as cotações
Em vista do acima disposto, os preços
informados em revistas ou jornais, mesmo que especializadas,
deverão, somente em último caso, placidamente
aceitas.
2.1.2. A Apropriação
Os índices de mão de obra de nossa CPU deverão
ter sido apropriados diretamente em campo e em mais de uma
obra e região, devido às variações
que são sujeitos.
Os índices encontrados na literatura
a respeito deverão, sempre que possível, serem
constantemente aferidos, servindo sua itemização
apenas orientativamente.
Ao se apropriar os índices em uma
obra, pelo menos 2 (dois) critérios deverão
ser obedecidos:
A Apropriação direta do tempo gasto pelos
profissionais envolvidos, que é feita por apropriadores,
sob instruções de Engenheiro Orçamentista,
que também calculará os quantitativos destes
serviços e
A Apropriação geral de todos os serviços
executados e afins (pelo setor de medição),
confrontando-os com as horas da folha de pagamento (que
é elaborada no Departamento de Pessoal);
Ambas as apropriação deverão
fornecer, evidentemente, os índices ou sua somatória
idêntica, para muitos grupos de atividades.
A apropriação da mão
de obra - Ao se apropriar a mão de obra, deverá
ser levada em conta a relação entre oficiais
e ajudantes usualmente empregada em campo, segundo os critérios
de cada Empresa. Assim, como exemplo, as seguintes relações
poderão ser empregadas em turma de 12 operários:
- 4 ajudantes de carpinteiro para 8 carpinteiros;
- 5 serventes para 7 pedreiros;
- 6 ajudantes de armadores para 6 armadores;
- 6 ajudantes de montagem para 6 montadores;
- etc.
Serventes
x Ajudantes - É sempre conveniente, distinguir
nas CPU's, funções como Serventes, Ajudantes,
Ajudantes de Armador, Ajudantes de Carpinteiro, embora com
mesmo salários, para que se obtenha melhores informações
dos serviços, ao serem
extraídas os Cronogramas e Curvas de mão-de-obra.
Taxas de Leis Sociais e Riscos do Trabalho - Sobre
os salários constantes nas CPU's deverão ser
consideradas as Taxas de Leis Sociais e Riscos do Trabalho,
que, para os mensalistas compreendem-se de:
A. ENCARGOS SOCIAIS BÁSICOS
20.00
A.1 Previdência Social
8.00 A.2 Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
2.50 A.3 Salário Educação
1.50 A.4 Serviço Social da Indústria (SESI)
1.00
A.5 Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial(SENAI)
0.60 A.6 Serviço Apoio . Pequena e Média Empresa
(SEBRAE)
0.20 A.7 Instituto Nacional Coloniz. e Ref. Agrária
INCRA)
3.00 A.8 Seguro contra os acidentes de trabalho (INSS)
37.80 1.00 A.9 SECONSI - Serv. Soc. da Indúst.da
Const.e Mobil.
B. ENCARGOS SOCIAIS QUE RECEBEM A INCIDÊNCIA
DE A
22.53 B.1 Repouso Semanal e Feriados
14.74 B.2 Férias
0.83 B.3 Auxílio-enfermidade
0.36 B.4 Licensa-paternidade
49.54 11.08 B.5 13º salário
C.ENCARGOS SOCIAIS QUE NÃO RECEBEM A INCIDÊNCIA
DE A
4.78 C.1 Depósito por despedida injusta 40% * A2
+ A2*B
18.53 13.75 C.2 Aviso prévio indenizado
D. TAXAS DAS REINCIDÊNCIAS
18.73 18.73 D.1 Reincidência de A sobre B (37,80%
* 49,54%)
1.50 E. DIAS DE CHUVAS E OUTRAS DIFICULDADES
126,10% PERCENTAGEM TOTAL
Esta taxa se reduzirá para cerca de
70,00 % para os mensalistas e deverão ser analisadas
e entendidas. O Engenheiro deverá estar atento em
eventuais mudanças ou variações na
Legislação, que possam alterá-las.
Os equipamentos
Tendo em vista a maior precisão (e
facilidade) em se dimensionar certos equipamentos de forma
global, como é o caso da Betoneira e do Ferramental,
iremos lançar estas despesas nos Custos Diretos.
Exemplificando, imaginemos que baseados em
nossa experiência em obras desta natureza serão
necessárias para execução de todos
os serviços de alvenaria, chapisco, revestimentos,
pisos, concreto magro, e outros, 2(duas) betoneiras pelo
período de 6 (seis) meses.
Será, evidentemente uma macro estimativa
que se aproximará muito mais da realidade (e dos
preços da obra) que se levantarmos os índices
em cada uma destas frentes e as lançarmos em suas
composições de preços.
Da mesma forma se comportará a maioria
dos equipamentos. Assim, somente lançaremos em nossas
Composições os equipamentos específicos
a cada atividade, como, por exemplo, um guindaste que será
mobilizado para a montagem de determinadas peças
ou equipamentos. A quantidade de horas necessárias,
apropriadas anteriormente, ou estimadas, serão lançadas
nas CPU's respectivas.
Levantamento dos quantitativos dos projetos
Concluídas as CPU's (Composições
dos Preços Unitários) será necessário
quantificá-las, para se encontrar o Custo Indireto
Total. Os quantitativos são, na maior parte das vezes
levantados dos projetos.
Para o levantamento dos quantitativos do projeto 2 ferramentas
são disponibilizadas pelo EngWhere:
Os Critérios de Medição, que se encontram nos Textos
do EngWhere e
O formulário Levantamento dos Quantitativos do Projeto acessado
através do formulário Opções
do Orçamento.
As perdas
São parte importante nas composições de
preços e deverão ser estudadas minuciosamente.
As perdas são incluídas nos índices
das CPU's e não no Levantamento do Projeto.
Algumas
das perdas usualmente adotadas:
Aço: 15% - devida ao desbitolamento das barras, principalmente, e às
pontas (quando os projetos especificarem as perdas nas tabelas resumo, estas
deverão ser descontadas);
Azulejos: 10% - devida ao transporte, manuseio com a imersão e cortes
para arremates;
Cimento: 5% - preparo do concreto com betoneira e 10% - preparo do concreto
sem betoneira.
Blocos de concreto: 4% - devida ao transporte, manuseio
e arremates
Deverão, também, ao serem lançadas
as horas de locação de alguns equipamentos,
serem consideradas as horas de seu deslocamento locadora-obra
e obra-locadora, e, quando for o caso, as horas mínimas
da locação, geralmente cobradas pelos locadores.
Iremos repetir aqui alguns trechos dos CRITÉRIOS
DE MEDIÇÃO, lembrando-se que alguns itens
poderão ser alterados, porém, para dar coerência
aos orçamentos, as alterações deverão
ser mantidas indefinidamente:
2.1.3. Os Cálculo
Os quantitativos dos blocos de concreto 19
x 19 x 39, cimento e areia foram calculados. A quantidade
de blocos em função de suas dimensões
e os 2 outros insumos em função do volume
aplicado e do traço especificado.
Vejamos o cálculo da quantidade de blocos de concreto
para 1,00m² de alvenaria:
Considerando a espessura da argamassa de
1,0cm:
- serão necessários em 1,00m² de alvenaria:
[100 / (39+1)] x [100 / (19 + 1)] = 2,5 x 5 = 12,5 blocos
- considerando, ainda, a perda com quebras em transporte,
diferenças de bitola e cortes, de 4,0%, teremos:
12,5 x 1,04 = 13 un
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