Resumo
do Curso Grátis do EngWhere
O Orçamento como Matéria
da Engenharia
EXTRATOS DA REVISTA ENGWHERE
Orçamento Padrão
A dica maior ao Orçamentista iniciante é que procure estabelecer
seus próprios critérios para orçar. Deverá elaborar
pelo menos 1 orçamento completo, defini-lo como padrão e corrigi-lo
e ampliá-lo à medida que ganha experiência e obtém
novas informações.
Com o tempo seus orçamentos serão cada vez
mais ágeis, precisos e principalmente coerentes.
Exercício
ao Orçamentista
Lançar índices em uma composição de preço
requer profundos conhecimentos de regra de três. Teste suas possibilidades
(sem a calculadora):
Uma lata de spray dá para pintar uma superfície
com 3 m². Uma letra grande ocupa uma área de
0,5 m². Quantas letras grandes poderão ser pintadas
com 3 latas de spray?
O Caldo
O Inseguro termina seu orçamento e, sem muito acreditar
em seus resultados ou sentindo-se no direito de dormir tranqüilo,
acrescenta uns 10% a 20% a mais nos resultados.
Já o Superconfiante, valorizando o poder de suas
posteriores negociações, ou de seu desempenho
durante a execução da obra, reduz as contas
em semelhantes percentuais.
Lembrando que entre as Taxas do BDI existe o campo Taxa
de Risco, calculável, e o que se está fazendo
não é sonoterapia ou preparando macarronada,
o "caldo" é expressamente proibido ao Orçamentista.
Curva
A-B-C
Uma relação de preços qualquer, como
de insumos, ou de serviços, quando disposta do item
de maior valor para o item de menor valor, irá lhe
propiciar outra visão do todo. Poderá fazer
com que ganhe tempo, estudando apenas os itens mais significativos
e ajudar na deteção de eventuais erros nos
itens com valores excessivamente baixos. Nos orçamentos
de obras a Curva A-B-C é fundamental.
COLUNA
DO PIMPÃO
Índice Obsoleto ou Chutado?
Se na prática, na grande maioria das obras, a distribuição
da mão-de-obra é sempre proporcional (4 ajudantes
para 8 carpinteiros, 6 ajudantes para 6 pedreiros, etc.
e sempre juntos), ao deparar com alguma composição
de preço que não mantém a mesma proporção
(e não serão poucas), desconfie e analise
o motivo para a diferença.
Chutes Horários de Equipamentos
Se você estiver orçando obra que utiliza poucos
equipamentos, cote o preço de mercado de sua locação
para lançar nas composições de preços.
Se os equipamentos predominam em sua obra, utilize os índices
de consumo e manutenção de sua própria
empresa. Não fie-se nos índices dos fabricantes,
que são demais otimistas, e menos ainda em qualquer
das coletâneas disponíveis no Mercado, muito
teóricas, confusas e não acertam uma.
COLUNA
DO BORDUNA
Adotando Valores
Se o médico ao aplicar uma injeção
não acertar a veia de primeira irá cair na
boca do povo. Já o engenheiro se vê no direito
de chutar, ou copiar o chute alheio, e se safar afirmando
em tom de madre superiora que "o valor foi adotado".
Estará praticando Engenharia?
ÍNDICES PARA ORÇAR, CHOVER E PASSAR DIFICULDADES
Nossas pretensões serão alertar o orçamentista sobre a inconsistência
dos índices quando não aferidos constantemente (ou até mesmo
a cada obra orçada) e mostrar que muitos deles, convertendo-se
ao longo do tempo em valores absolutos (e imutáveis) nos
cálculos, poderão provocar erros grosseiros nos orçamentos.
Tomaremos como exemplo 2 índices de mão-de-obra, um relacionado
aos custos diretos e outro aos indiretos, verificando os
fatores que os influenciam e, ainda que cientes de serem
as mais apropriadas ferramentas do orçamento, recomendar
bom senso na utilização de praticamente todos eles.
Um de nossos exemplos de índices inquestionáveis é também
um dos mais antigos nos orçamentos: os tais "Dias de chuvas
e outras dificuldades".
Na literatura mais antiga há algumas referências: Ptácek
(O Custo de Construção - 1959) refere-se aos riscos e recomenda
pensar em imprevistos. Stabile (Composições de Custo - também
de 1959) sugere 1,5% sobre o salário direto para cobrir
custos com chuvas e imprevistos de entrega de materiais.
O nome pomposo parece ter sido inventado pela Pini (TCPO),
que também adota os mesmos 1,5% sobre o salário.
De nossa amostragem deduz-se ser Stabile o pai da criança
e, ousamos dizer, com base apenas teórica pois o índice
é extremamente abrangente.
Que chuva seria esta? A amazônica de todos os dias do ano
ou as tempestades de dezembro a fevereiro no Pantanal? A
nordestina evidentemente que não é: o peão até trabalha
mais satisfeito quando chove (para desespero de um dos fiscais,
inconformado e querendo parar a obra pois senão "amanhã
estará todo mundo gripado").
Ou não seria em determinadas obras, a literatura é omissa,
que seria aplicado? O índice não incidiria diferentemente
sobre as obras de terraplenagem ou reaterro, que são totalmente
paralisadas durante e muito além das horas de chuva, das
reformas internas, que pouco são afetadas por maior que
seja o temporal?
E as tais dificuldades quais seriam? Antigamente eram bastante
comuns os atrasos na entrega dos materiais. Hoje impensáveis,
as dificuldades na maioria das vezes são financeiras, o
que não imaginaria Miguel Stabile Sobrinho talvez por não
acreditar ser possível uma obra sem suficiente provisão,
fato nem tão incomum atualmente e que os 1,5% poderão nem
ser suficientes.
E o que estaria querendo dizer a Pini com "outras dificuldades"
para ir já lançando 1,5% sobre a totalidade da mão-de-obra?
Não estaria abstendo-se de praticar Engenharia?
Não seria, pois, mais conveniente considerar a variação
do índice de chuvas em função da região que será implantada
e do período que serão executados determinados serviços
da obra, e diluir as demais dificuldades nos índices de
produtividade das composições de preços? Não seria preferível
introduzir, para os imprevistos inimagináveis, uma taxa
de risco, perfeitamente calculável, aliás, como já prognosticara
Frantisek Ptácek em 1959?
Nossa proposta é a adoção de índices melhor definidos, de
fatores de correção dependentes das variáveis que os influenciam
e que cada um de nós adotemos nossas próprias variáveis,
sem fiar-nos cegamente nas considerações de meio-século
atrás e menos ainda nos petardos modernos.
A
melhor maneira de se levantar os índices de produtividade
da mão-de-obra é através das apropriações em campo.
Passemos
aos índices de produtividade de algumas das composições
mais utilizadas no orçamento: "forma plana de madeirit -
5 usos - m²" e suas similares, que muitas vezes são empregados
indiscriminadamente em construções térreas, edifícios de
qualquer número de pavimentos ou em obras industriais.
Para início de conversa a composição só é válida se as peças
forem múltiplas de 5, o que nem sempre acontece, mas, ainda
neste caso, todos os consumos variam em função também da
qualidade da madeira, do número de peças, andares-tipo,
da qualidade dos serviços de desforma, da região, etc.
Não seria preferível, pois, que o orçamentista elaborasse
antes um rascunho do que estaria idealizando para as formas
e utilizasse as especificações técnicas ou mesmo seu bom
senso para definir o número de reaproveitamentos, a quantidade
de madeira necessária, o tipo e bitola da madeira e a trabalhabilidade
da mesma? Não seria muito mais adequado abandonar de vez
sua literatura tacanha e calcular ele próprio seus índices
de consumo?
Os índices precisariam ser, por cada um,
sempre questionados e depurados. Será obrigatório muito
pensá-los, pesá-los, e habituar-se a aferi-los constante,
tenaz e insistentemente, evitando-se o hábito de aceitar
passivamente as coisas mastigadas. Para tanto apropriações
mínimas precisariam ser rotina nas obras, e, ainda que isto
não aconteça, baseá-los na maior ou menor experiência, e
disposição, de cada um. Quem executou recentemente um serviço
poderá definir índices bastante confiáveis.
Nas
apropriações em obras de índices de produtividade dois critérios
deverão ser adotados e confrontados: 1. A apropriação direta
em campo em diversificadas frentes do mesmo serviço. 2.
A apropriação da totalidade dos serviços em determinado
período, sendo comparadas as horas apropriadas com as da
folha de pagamento, que fornece com exatidão o total das
horas trabalhadas por função.
ROTINAS PARA SE AGILIZAR
O ORÇAMENTO
É
importante serem agilizados os orçamentos para se esquecer de vez os
índices relâmpagos para orçar obras (como, por exemplo,
os que estimam o valor final da construção baseados em 3 únicas
variáveis: alto, médio e baixo padrão de acabamento), um
equívoco não permitido ao Engenheiro.
Com a agilidade que permite os softwares de orçamento, é perfeitamente
possível orçar com quase igual rapidez, precisão incomparavelmente
maior, e dispensar tais "chutes".
Osíndices prestar-se-iam tão somente para
estimar as ordens de grandeza ou, quando muito, para se
confrontar resultados, no caso de suspeita de incoerência
nos cálculos.
I. O ORÇAMENTO
PADRÃO
A dica maior ao Orçamentista, principalmente se iniciante, é que
procure estabelecer seus próprios critérios para orçar.
Deverá elaborar pelo menos 1 orçamento completo, defini-lo como
padrão e corrigi-lo e ampliá-lo à medida que ganha experiência
ou obtém novas informações.
Com o tempo, seu arquivo padrão estará cada vez mais coerente
e seus orçamentos serão cada vez mais ágeis e precisos.
Estes critérios deverão ser estendidos ao
Levantamento dos Quantitativos, às Composições
de Preços e ao cálculo dos Custos Indiretos
e do BDI, subentendendo-se ainda a não aceitação
de todo e qualquer índice preestabelecido (como os
dos Encargos Sociais, taxas e índices de produtividade)
sem antes serem checados e entendidos.
II. OS SOFTWARES
DE ORÇAMENTO
Os Softwares de Orçamento, que apresentam instantaneamente
as Curvas de Insumos, Cronogramas de Execução
e outras importantes ferramentas de Planejamento e Controle
de Obras e que fornecem fartas informações
sobre a obra orçada e facilitam a definição
dos métodos construtivos, um setor importante do
orçamento, são obrigatórios no computador
do Orçamentista e do Planejador.
III. CRIANDO ÍNDICES
PRÓPRIOS PARA OS CUSTOS INDIRETOS
Com base num banco de dados composto por alguns orçamentos, os serviços
de menor valor que compõem os Custos Indiretos, deverão ter uma
rotina de cálculo que os agilize e lhes dê coerência. Alguns
exemplos de índices possíveis de serem extraídos ou criados:
· Material de escritório = U$ xx,xx / funcionário com mesa;
· Material de limpeza = U$ xx,xx / sala no canteiro;
· Fotografias = U$ xx,xx / mês de obra padrão;
· Homem-hora total = xx / m² de construção.
E até mesmo para valores mais significativos:
· Imposto de renda = xx% sobre a Bonificação;
· Controle tecnológico = U$ xx,xx / m³
de concreto.
IV. LIBERANDO AS
COTAÇÕES DE PREÇOS
Por meio de cálculos rápidos (não definitivos) será
possível estimar a ordem de grandeza dos quantitativos dos insumos e,
sendo o caso, enviá-los ao Setor de Compras para cotação,
processo este muitas vezes tão demorado como o próprio orçamento.
Alguns índices permitidos nestes levantamentos provisórios:
a) Aço = 80 a 120 kg/m³ de concreto;
b) Forma = 10 a 14 m² / m³ de concreto;
c) Volume dos agregados (areia + brita 1 + brita 2) = 1,65 m³ / m³
de concreto;
d) Cimento = 7 a 7,5 sacos / m³ de concreto;
e) Somatória das áreas de piso = área de construção;
f) Blocos de concreto = 13 un / m² de alvenaria.
Enquanto os preços são cotados, o levantamento definitivo e outras
tarefas, vão sendo finalizadas.
Estes índices prestar-se-ão, ainda, para checagem
dos levantamentos, não os substituindo embora.
V. UTILIZANDO A
INTERNET
Antes de tudo a Internet dispõe de informações sobre Licitações
e sobre os Editais de Concorrência.
As principais facilidades que oferece ao Orçamentista estão ligadas
às cotações de preços e à oferta de novos
fornecedores, prestadores de serviço e locadoras de equipamentos.
Disponibiliza profissionais especializados para consultoria nas mais diversas
áreas e mesmo parceiros para a elaboração dos orçamentos.
Com os recursos de importação de dados de alguns (pouquíssimos)
softwares de orçamento, em que os insumos são lançados
diretamente nas Composições de Preços, a tarefa para a
criação destas composições se resume em digitar
seus títulos e lançar os índices.
Os preços de insumos disponibilizados na Internet
deverão ser, outrossim, confirmados junto aos próprios
fornecedores, como também, os preços extraídos
de jornais e revistas especializadas.
VI. ROTEIRO DO
ORÇAMENTO
Roteiro de um orçamento de obra de médio / grande porte, com utilização
de 2 Orçamentistas e 1 Comprador Técnico. Na falta deste último,
suas funções seriam assumidas pelo Orçamentista 2.
FASE 1
Orçamentistas 1 e 2
· Leitura da documentação e estudo dos projetos.
Orçamentista 1
· Levantamento preliminar dos quantitativos e envio da relação
de insumos para cotação;
· Levantamento definitivo dos quantitativos do projeto;
· Preparo das Composições de Preços e lançamento
dos quantitativos.
Orçamentista 2
· Envio de cópias da documentação dos Serviços
Especiais para cotação.
Comprador técnico
· Cotações de preços e coleta
de informações sobre os insumos e sobre serviços
ou contratações especiais.
FASE 2
Orçamentista 1
· Recebimento das cotações e informações,
e atualização dos preços dos insumos;
· Geração da Planilha de Custo e Curvas dos Insumos.
Orçamentista 2
· Recebimento das cotações e informações,
e cálculo dos Custos Indiretos e do BDI.
Orçamentistas 1, 2 e Comprador Técnico
· Estudo dos Métodos Construtivos
FASE
3
Orçamentistas 1 e 2
· Simulações de orçamentos;
· Geração da Planilha de Venda.
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